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terça-feira, 30 de abril de 2019

LEOPOLDO LOPEZ O MENTOR DE GUAIDÓ ESTÁ REFUGIADO NA EMBAIXADA DO CHILE



www.rt.com



O político de oposição Leopoldo Lopez e sua família buscaram refúgio em uma residência diplomática em Caracas, informou o ministro das Relações Exteriores do Chile. O desenvolvimento poderá apontar para o fracasso de uma tentativa de golpe por Lopez e Juan Guaido.

Lopez estava em prisão domiciliar desde 2017, mas foi visto ao lado de Guaido que se declarara "presidente interino" da Venezuela em janeiro. 

Esta manhã de terça-feira, quando partidários da oposição apoiada pelos EUA procuravam assumir o controle de Caracas pelo menos 50 pessoas ficaram feridas e 11 foram presas durante os distúrbios 

À tarde,  o ministro das Relações Exteriores do Chile, Roberto Ampuero, twittou que López, sua esposa Lilian Tintori e sua filha eram “convidados” da missão diplomática chilena em Caracas, acrescentando que “o Chile reafirma seu compromisso com os democratas venezuelanos”.


Enquanto isso, pelo menos 25 partidários armados de Guaido buscaram refúgio na embaixada brasileira em Caracas, informou a imprensa brasileira . Não havia oficiais entre eles, segundo relatos.

A fuga de Lopez e sua família surge no esforço de Guaido para conquistar o exército e a polícia venezuelanos. O apoio verbal de Washington - pode ter fracassado, já que a maioria das forças de segurança aparentemente permaneceu leal ao presidente Nicolas Maduro.

Lopez fundou a Voluntad Popular, o partido que Guaido representa na Assembléia Nacional. O corpo legislativo foi eleito pela última vez em 2015 e o governo de Maduro considera-o extinto após a eleição da Assembleia Constituinte de 2017.
Durante os protestos de 2014 na Venezuela, Lopez foi preso e acusado de incêndio criminoso, conspiração, assassinato e terrorismo. 

Algumas das acusações foram retiradas, mas ele foi considerado culpado por incitar a violência em setembro de 2015 e condenado a quase 14 anos de prisão. Ele foi colocado em prisão domiciliar em julho de 2017, até que reapareceu em público na manhã de terça-feira.

TÁS MUITO AMARELO CÉLINHO QUANDO CHEGARES DA CHINA PODES IR DESFILAR NA UGT


A TRIBO HIMBAS, OS ÚLTIMOS NÓMADAS DE ÁFRICA





 O fotógrafo britânico Jimmy Nelson viajou o mundo todo fotografando tribos em povoados que vivem praticamente isolados do resto do mundo. Antes de fazer quaisquer de suas séries fotográficas, Jimmy convive pelo menos duas semanas com cada um desses povos como forma de familiarizar-se com seus costumes e tradições bem como com o local. Cada fotografia é uma verdadeira preciosidade ao retratar características e peculiaridades únicas desses povos.


A beleza da tribo Himba, os últimos povos nômades da África
A série de fotos que ilustra este post mostra os Himbas, um grupo étnico de aproximadamente 20.000 a 50.000 pessoas que vivem no norte da Namíbia, na região de Kunene. São os últimos povos semi-nómadas da África que vivem numa região muito árida do deserto, com escassez de água. São pastores, criam gado, cabras e ovelhas.

As mulheres cuidam das crianças da tribo e fazem o trabalho duro como obter água ou construir as casas, que têm formato de uma oca, construídas com galhos de árvores e revestidas com barro e esterco (ver foto abaixo).
A beleza da tribo Himba, os últimos povos nômades da África
Os Himbas são um povo monoteísta que adoram o deus Mukuru. Eles tem crenças tradicionais que incluem cultuar os ancestrais e rituais ligados ao fogo, que é considerado um elo entre o mundo dos vivos e dos mortos. Quando um Himba morre, sua casa é queimada.

Tanto os homens quanto as mulheres cobrem seus corpos com uma mistura feita de cinzas, ocre e banha animal -que dá à pele um tom avermelhado-, para proteger a pele do sol forte. Algumas vezes adicionam resina aromática a essa mistura pastosa, que também é aplicada nos cabelos pelas mulheres.

Os Himbas praticamente não usam roupas, exceto uma espécie de tanga para cobrir as partes íntimas. Não economizam em ornamentos como colares e pulseiras, no entanto. A poligamia é permitida, entretanto o tempo máximo que um homem pode passar com a mesma mulher é de duas noites seguidas; depois disso, ele deve fazer o rodízio.

Nos anos recentes, o povo Himba começou a permitir que outras pessoas adentrem no seu mundo. Mas até bem pouco tempo atrás, devido ao clima rigoroso da região, eles conseguiam manter-se isolados do mundo e, conservavam assim sua cultura e tradição. Agora essa situação está mudando um pouco devido ao aumento do fluxo de turistas. Os doces, que os turistas levam para as crianças (que causam cáries) e o álcool são elementos novos para os Himbas. Os homens acabam virando alcoólatras e se tornam mendigos, condição anteriormente desconhecida entre os Himba. Uma pena!

Em 2014, Jimmy Nelson lançou um magnífico livro, o "Before the Pass Away", que é uma seleção de mais de 500 fotografias de 30 tribos remotas pelo mundo, entre elas, está a série de imagens do povo Himba, que você vê na sequência:
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A beleza da tribo Himba, os últimos povos nômades da África  01
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A beleza da tribo Himba, os últimos povos nômades da África  02
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A beleza da tribo Himba, os últimos povos nômades da África  10
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A beleza da tribo Himba, os últimos povos nômades da África  11
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A beleza da tribo Himba, os últimos povos nômades da África  12

https://www.mdig.com.br

EUA. Mercenários para combaterem ao serviço de Guaidó, procuram-se


Mundo
Dustin Heard, um dos mercenários condenados num tribunal norte-americano pelo massacre de Bagdade
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O fundador da Blackwater, empresa norte-americana de "segurança privada", tem estado desde há meses a recrutar indivíduos com experiência militar com vista a uma guerra na Venezuela, noticiou a Reuters.

Segundo a agência noticiosa, que cita quatro fontes conhecedoras da campanha de recrutamento, a recolha de fundos está em curso pelo menos desde meados de abril e tem contado substanciais contribuições de exilados venezuelanos e de apoiantes do presidente Donald Trump.
Um plano ambicioso
O objectivo da recolha de fundos apontaria num primeiro momento para os 40 milhões de dólares, mas pretende, na fase seguinte, obter acesso a fundos provenientes dos milhares de milhões de dólares da venda de petróleo venezuelano, de contas congeladas em vários países que cortaram relações com a Venezuela.

Segundo duas das fontes citadas pela Reuters, o plano tem tido como principal dinamizador Erik Prince, o fundador da Blackwater e visa organizar 5.000 mercenários para combaterem ao serviço do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Os mercenários a recrutar deverão ser colombianos, peruanos e equadorianos, em todo o caso hispanófonos, por serem politicamente mais aceitáveis do que mercenários norte-americanos
Trump não se compromete publicamente
O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, Garrett Marquis, não confirmou nem desmentiu que Prince tenha proposto o plano à Administração Trump. Uma fonte da Casa Branca citada pela Reuters afirmou entretanto que o Governo de Trump não se envolverá no apoio ao plano.

Um porta-voz de Guaidó, Edward Rodriguez, recusou responder a perguntas da Reuters, excepto sobre a existência de contactos de membros da oposição com Erik Prince para discutir o plano. A essa pergunta, respondeu pela negativa. Contudo, alguns activistas do séquito de Guaidó afirmaram considerar possivelmente útil um plano com estas características, no caso de o regime de Maduro entrar em colapso.

Um porta-voz de Prince, Marc Cohen, tinha dito antes que a Blackwater "não tem planos para operar ou implementar uma operação na Venezuela".

O Governo de Nicolás Maduro também recusou comentar a notícia da Reuters.
O passado sombrio da Blackwater
A Blackwater, que detinha suculentos contratos na ocupação do Iraque, tem estado longe do foco das atenções, desde que, em 2007, funcionários seus abateram 17 civis iraquianos numa praça central de Bagdade. Um desses funcionários foi condenado por assassínio e três outros por homicídio.

Desde então, a Blackwater adoptou um perfil baixo, acabando por mudar de nome e ser vendida em 2010. Prince fundou entretanto uma nova empresa, de nome Blackwater USA, que oficialmente se limita a vender munições, silenciadores e outro material militar.

Prince foi um dos apoiantes da candidatura de Trump à presidência e a sua irmã Betsy DeVos, é a secretária da Educação no actual Governo. Porém, ele não tem obtido nenhum sucesso digno de nota na porfiada campanha dos últimos dois anos para convencer a Administração Trump de que, no contexto de uma retirada do Afeganistão, as empresas de segurança poderiam substituir eficazmente as tropas regulares de ocupação. 

Prince tem averbado mais êxitos ao serviço de firmas chinesas que operam em África nos ramos da segurança, da aviação e da logística.

O nome de Prince surge envolvido no relatório Mueller, mas o seu porta-voz recusou comentar o envolvimento.


www.rtp.pt

OS NOVOS TERRITÓRIOS DO DAESH



A libertação da zona administrada pelo Daesh (E.I.), tal como se fosse um Estado, não significou o fim desta organização jiadista. 

Com efeito, se este é uma criação dos Serviços de Inteligência da OTAN, ele incarna uma ideologia que mobiliza os jiadistas e que pode sobreviver-lhe.

A Alcaida era um exército auxiliar da OTAN que vimos combater no Afeganistão, depois na Bósnia-Herzegovina, e por fim no Iraque, na Líbia e na Síria. As suas principais acções são actos de guerra (sob a denominação de «Mujahedins» ou de «Legião Árabe», ou outras ainda), e, subsidiariamente, mais abertamente de operações terroristas como em Londres ou em Madrid.

Osama Bin Laden, oficialmente considerado como o inimigo público número1, vivia, na realidade, no Azerbaijão sob protecção dos EUA, tal como testemunhou uma vigilante do FBI [1].

Recordemos que os atentados do 11-de-Setembro em Nova Iorque e Washington jamais foram reivindicados pela Alcaida, que Osama Bin Laden declarou que não estava envolvido neles, e que o vídeo onde ele se contradiz só foi autenticado pelo seu empregador, o Pentágono, mas foi julgado falso por todos os peritos independentes.

Enquanto Osama bin Laden teria morrido em Dezembro de 2001, segundo as autoridades paquistanesas, e o MI6 se teria feito representar no seu enterro, actores desempenharam o seu papel até 2011, data em que os Estados Unidos alegaram tê-lo assassinado, mas sem jamais terem mostrado o seu corpo [2].

A morte oficial de Osama Bin Laden permitiu reabilitar os seus combatentes extraviados pelo seu malvado líder, de tal modo que a OTAN pôde, na Líbia e na Síria, apoiar-se abertamente na Alcaida, tal como já o havia feito na Bósnia-Herzegovina [3].

O Daesh (EI), pelo contrário, é um projecto de administração de um território, o "Sunnistão" ou Califado, que devia separar o Iraque da Síria, tal como explicou, com mapas na mão, uma investigadora do Pentágono, Robin Wright, antes da criação desta organização [4]. Ele foi directamente financiado e armado pelos Estados Unidos durante a operação «Timber Sycamore» [5]. Ele chocou os espíritos ao estabelecer uma lei pronta-a-usar, a lei da Xaria.

Se os jiadistas da Alcaida e Daesh (EI) foram vencidos no Iraque e na Síria, foi primeiro graças à coragem do Exército Árabe Sírio, depois da Força Aérea Russa, que usou bombas penetrantes contra as instalações subterrâneas dos combatentes e, por fim, dos seus aliados. Mas, se a guerra militar [6] se fechou foi graças a Donald Trump, que impediu que se continuasse a trazer jiadistas dos quatro cantos do mundo, principalmente da Península Arábica, do Magrebe, da China, da Rússia e, finalmente, da União Europeia.

Tanto quanto a Alcaida é uma força paramilitar auxiliar da OTAN, assim o Daesh (EI) é um exército terrestre aliado.

Paradoxalmente, enquanto o Daesh (EI) perdeu o território para cuja posse havia sido preparado, é a Alcaida que agora administra um, quando antes se opunha a esse tipo de encargo. Os Sírios acabaram com os vários focos de jiadistas em casa e enquistaram a doença na província de Idlib. Incapazes de romper com este tipo de aliados de circunstância, a Alemanha e a França tomaram-nos a cargo, em termos humanitários de alimentação e saúde. Assim, quando os Europeus falam hoje sobre a ajuda que fornecem aos refugiados sírios, é preciso entendê-lo como o apoio aos membros da Alcaida que não são, geralmente, nem civis, nem sírios. No fundo, a retirada dos soldados norte-americanos da Síria não muda grande coisa enquanto eles mantiverem os seus mercenários da Alcaida em Idlib.

Tendo o Daesh sido privado do seu território, os seus sobreviventes já não podem desempenhar o papel que lhes era atribuído pelos Ocidentais, mas apenas uma função comparável à da Alcaida : a de uma milícia terrorista. Além disso, durante a sua existência o Estado Islâmico praticava já o terrorismo fora do campo de batalha como vimos na Europa desde 2016.

Os atentados que ele realizou recentemente, a 16 de Abril no Congo [7] ou a 21 de Abril no Sri Lanka [8], não foram antecipados por ninguém, inclusive nós. Eles teriam podido ser, por outro lado, atribuídos a uma ou a outra organização. A única vantagem do Daesh sobre a Alcaida é a sua imagem de barbárie, muito embora isso não possa durar.

Se o Daesh pôde subitamente surgir na República Democrática do Congo, foi confiando o seu estandarte aos combatentes das «Forças Democráticas Aliadas» do Uganda.

Se ele conseguiu agir de maneira espectacular no Sri Lanka, foi porque os Serviços de Inteligência estavam totalmente virados contra a minoria hindu e não vigiavam os muçulmanos. Foi também talvez assim porque estes serviços foram preparados por Londres e Telavive, ou, ainda, por causa da oposição entre o Presidente da República, Maithripala Sirisena, e o Primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, que entravava a circulação da Informação.

O Sri Lanka é particularmente vulnerável porque ele imagina-se muito refinado para poder produzir uma tal bestialidade. O que está errado: o país ainda não esclareceu o modo como mais de 2.000 Tigres Tamil foram executados, depois que foram derrotados e se haviam rendido, em 2009. Ora, toda a vez que alguém se recusa olhar de frente os seus próprios crimes, expõe-se a provocar novos crendo-se mais civilizado que os outros.

Seja como for, os dramas do Congo e do Sri Lanka atestam que os jiadistas não irão desarmar e que os Ocidentais os continuarão a utilizar fora do Médio-Oriente Alargado.

Thierry Meyssan

https://www.voltairenet.org/pt

A União Europeia é forçada a participar nas guerras dos EUA



Thierry Meyssan*

Desde o Tratado de Maastricht, todos os membros da União Europeia (aqui incluídos os países neutrais) colocaram a sua defesa sob a suserania da OTAN ; a qual é exclusivamente dirigida pelos Estados Unidos. É por isso que, quando o Pentágono delega ao Departamento do Tesouro o cerco económico de países que quer esmagar, todos os membros da União Europeia e da OTAN são forçados a aplicar as sanções dos EUA.

Após a perda da sua maioria na Câmara dos Representantes durante as eleições intercalares, o Presidente Trump encontrou novos aliados em troca da remoção pelo Procurador Mueller da acusação de alta traição [1]. Agora, ele apoia os objectivos dos seus generais. O imperialismo dos EUA está de volta [2].

Em menos de seis meses, os fundamentos das relações internacionais foram «reiniciados». A guerra que Hilary Clinton prometera desencadear foi realmente declarada, mas não exclusivamente pela força militar.

Esta mudança de regras do jogo, sem equivalente desde o fim da Segunda Guerra Mundial, forçou imediatamente a totalidade dos actores a repensar a sua estratégia e, portanto, todos os dispositivos da aliança em que se apoiavam. Os que se atrasarem pagarão as favas.



A guerra económica é declarada

As guerras sempre serão mortais e cruéis, mas para Donald Trump, que era um homem de negócios antes de ser Presidente dos Estados Unidos, é preferível que elas custem o menos possível. Convêm, portanto, matar mais por pressões económicas do que pelas armas. Sabendo que os Estados Unidos já não comerciam mais com a maior parte dos países que atacam, o custo financeiro destas guerras (no sentido real do termo) «económicas» é, com efeito, suportado mais por países terceiros do que pelo Pentágono.

Assim, os Estados Unidos acabam de decidir cercar economicamente a Venezuela [3], Cuba [4] e a Nicarágua [5]. Estes actos são apresentados pelos comunicadores como «sanções», sem que se saiba de que Direito as toma Washington, a fim de mascarar verdadeiras guerras de aniquilação.

Elas são lançadas com referência explícita à «Doutrina Monroe» (1823) segundo a qual nenhuma potência estrangeira ao continente americano pode aí intervir, em troca do qual Washington não iria intervir na Europa Ocidental. Só a China, que se sentiu visada, observou que as Américas não são a propriedade privada dos Estados Unidos. Além disso, todo a gente sabe que esta doutrina tem evoluído rapidamente para justificar o imperialismo ianque no Sul da continente (o «Corolário Roosevelt»).

Hoje as sanções dos EUA aplicam-se a, pelo menos, vinte países: a Bielorrússia, a Birmânia, o Burundi, a Coreia do Norte, Cuba, a Federação da Rússia, o Iraque, o Líbano, a Líbia, a Nicarágua, República Árabe Síria, a República Bolivariana da Venezuela, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, a República Islâmica do Irão, a Sérvia, a Somália, o Sudão, o Sudão do Sul, a Ucrânia, Iémene e o Zimbabué. É um mapa muito preciso de conflitos conduzidos pelo Pentágono, assistido pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

Estes alvos jamais se encontram na Europa Ocidental (tal como o especificava a «Doutrina Monroe»), mas unicamente no Médio-Oriente, na Europa Oriental, na bacia das Caraíbas e em África. Desde 1991 que todas estas regiões haviam sido listadas pelo Presidente George Bush Sr na sua Estratégia de Segurança Nacional como estando destinadas a integrar-se na «Nova Ordem Mundial» [6]. Considerando que elas não o tinham podido ou querido fazer, foram sancionadas em 2001 pelo secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e pelo seu Conselheiro para a transformação das Forças Armadas, o Almirante Arthur Cebrowski, e votadas ao caos [7].

A expressão «guerra económica» foi banalizada durante décadas para designar uma competição exacerbada. Mas, hoje em dia não se trata de nada disso, antes de uma verdadeira guerra de aniquilação.

As reacções dos alvos e as inapropriadas dos Aliados

Os Sírios, que acabaram de ganhar uma guerra militar de oito anos contra os mercenários jiadistas da OTAN, estão desconcertados com esta guerra económica que impõe um estrito racionamento de electricidade, de gás e de petróleo e provoca o encerramento de fábricas (usinas-br) que acabavam de reabrir. Apesar de tudo, podem consolar-se que o Império não lhes tenha infligido estas duas formas de guerra ao mesmo tempo.

Os Venezuelanos descobrem horrorizados o que esta guerra económica significa e percebem que, tanto com o aventureiro Juan Guaidó como com o Presidente Nicolas Maduro, terão que lutar para conservar um Estado (quer dizer, um Leviatã capaz de os proteger [8].

As estratégias dos Estados-alvo acabam elas próprias viradas do avesso. Por exemplo, não conseguindo já importar medicamentos para os seus hospitais a Venezuela chegou a um acordo com a Síria, a qual era, antes da guerra de 2011, um importantíssimo produtor e exportador nessa área. Fábricas, que foram destruídas pela Turquia e pelos jiadistas, foram reconstruidas em Alepo. Mas, agora, quando elas acabam de reabrir, têm de fechar novamente por falta de electricidade para poder funcionar.

A multiplicação de teatros de guerra —e, portanto, das chamadas «sanções»—começa a colocar graves problemas aos aliados dos Estados Unidos, entre os quais a União Europeia. Esta levou muito a mal as ameaças de confiscos sobre as suas empresas que investiram em Cuba e, lembrando-se de acções tomadas para lhe fechar o mercado iraniano, reagiu ameaçando, por sua vez, de acionar o tribunal arbitral da OMC. No entanto, como iremos ver, esta revolta da União Europeia está votada ao fracasso porque foi antecipada, há 25 anos, por Washington.

A União Europeia feita refém

Antecipando a actual reacção da União Europeia, inquieta por não poder comerciar com quem bem lhe aprouvesse, a Administração Bush Sr havia elaborado a «Doutrina Wolfowitz» : assegurar-se que os Europeus Ocidentais e do Centro jamais tivessem uma defesa independente, mas somente autónoma [9]. Foi por isso que Washington castrou a União Europeia à nascença impondo-lhe uma cláusula no Tratado de Maastricht: a suserania da OTAN — eu falo aqui da União Europeia, não do Mercado Comum.

Lembremos o apoio, sem falha, da União Europeia a todas as aventuras subsequentes do Pentágono que se prolongaram na Bósnia-Herzegovina, no Kosovo, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria e no Iémene. Em todos os casos, sem excepção, ela alinhou-se atrás do seu suserano, a OTAN.

Esta vassalagem é, além disso, a única razão pela qual se dissolveu a União da Europa Ocidental (UEO) e pela qual o Presidente Trump renunciou a dissolver a organização militar permanente da Aliança Atlântica: sem OTAN, a União Europeia ganharia a sua independência porque é unicamente a ela ---e não aos Estados Unidos--- que os tratados fazem referência.

Certo, os tratados estipulam que tudo isso se deve fazer em conformidade com a Carta das Nações Unidas. - Mas, por exemplo, a 26 de Março de 2019, os Estados Unidos puseram em causa as resoluções que haviam aprovado sobre a soberania do Golã. Mudaram de ideia sem aviso prévio, provocando de facto o colapso do Direito Internacional [10]. 

- Outro exemplo: os Estados Unidos tomaram esta semana uma posição na Líbia a favor do General Khalifa Haftar ---ao qual o Presidente Trump telefonou para lhe garantir o seu apoio, como revelou a Casa Branca a 19 de Abril--- contra o Governo criado pela ONU [11], e viu-se, um a um, os membros da União Europeia seguir-lhe os passos.

É impossível, em virtude dos seus tratados constitutivos, que a UE se liberte da OTAN e, portanto, dos Estados Unidos e se afirme como uma potência por si mesma. Os protestos perante as pseudo-sanções decididas ontem contra o Irão e hoje contra Cuba estão de antemão votadas ao fracasso.

Contrariamente a uma ideia feita, a OTAN não é governada pelo Conselho do Atlântico Norte, quer dizer os Estados membros da Aliança Atlântica; quando, em 2011, o Conselho, que aprovara uma acção visando proteger a população líbia dos supostos crimes de Muammar Kaddafi, se declarou contrário a uma «mudança de regime», a OTAN lançou o assalto sem o consultar.

Os membros da União Europeia, que constituíam um bloco único com os Estados Unidos durante a Guerra Fria, descobrem, com estupefacção, que não têm a mesma cultura que o seu aliado de além-Atlântico. Durante esse parêntesis, eles haviam esquecido tanto a sua própria cultura europeia como o «excepcionalismo» norte-americano e acreditavam erradamente que todos estavam de acordo uns com os outros.

Quer gostem ou não, hoje em dia são co-responsáveis pelas guerras de Washington, incluindo, por exemplo, a fome no Iémene (Iêmen-br), consecutiva às operações militares da Coligação (Coalizão-br) Saudita e às sanções dos EUA. Agora, eles têm de escolher entre endossar estes crimes e participar neles, ou retirar-se dos Tratados Europeus.

A globalização está acabada

O comércio internacional começa a diminuir. Não se trata de uma crise passageira, mas de um fenómeno de fundo. O processo de globalização que caracterizou o mundo da dissolução da URSS às eleições intercalares dos EUA de 2018 terminou. É agora impossível exportar livremente para qualquer lugar do mundo.

Só a China dispõe ainda dessa capacidade, mas o Departamento de Estado dos EUA está em vias de desenvolver os meios para lhe fechar o mercado latino-americano.

Nestas circunstâncias, os debates sobre as vantagens do livre comércio e do protecionismo já não têm razão de ser, porque não estamos mais em paz e já não há mais escolha possível.

Da mesma forma, a construção da União Europeia, que foi imaginada numa época em que o mundo estava dividido entre dois blocos irreconciliáveis, tornou-se totalmente inadequada. Se não querem ser embarcados pelos Estados Unidos em conflitos que não são os deles, os seus membros devem libertar-se dos Tratados europeus e do comando integrado da OTAN.

Assim, é totalmente descabido abordar as eleições europeias opondo progressistas e nacionalistas [12], este não é, de forma alguma, o tema. Os progressistas afirmam a sua vontade de construir um mundo regido pelo Direito Internacional que o seu patrocinador, os Estados Unidos, quer erradicar, enquanto certos nacionalistas, como a Polónia de Andrzej Duda, se preparam para servir os Estados Unidos contra os seus parceiros da União Europeia.

Apenas alguns Britânicos pressentiram a actual viragem. Eles tentaram sair da União, mas sem conseguir convencer os seus parlamentares. «Governar, é prever» diz-se, mas a maior parte dos membros da União Europeia não viram nada do que se aproximava.


* Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Notas:
[1] Report On The Investigation Into Russian Interference In The 2016 Presidential Election, Special Counsel Robert S. Mueller, III, March 2019.
[2] Após a sua ascensão à Casa Branca, o Presidente Trump transformara o Conselho Nacional de Segurança para retirar o assento permanente à CIA e ao Pentágono “Presidential Memorandum : Organization of the National Security Council and the Homeland Security Council”, by Donald Trump, Voltaire Network, 28 January 2017. “Donald Trump dissolve a organização do imperialismo norte-americano”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 3 de Fevereiro de 2017.
[3] “US Treasury Sanctions Central Bank of Venezuela and its Director”, Voltaire Network, 17 April 2019.
[4] Cuban Liberty and Democratic Solidarity (Libertad) Act of 1996 cujas piores disposições foram incessantemente aplicáveis.
[6National Security Strategy of the United States 1991, George H. Bush, The White house, 1991.
[7] “A estratégia do Caos Encaminhado”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 16 de Abril de 2019.
[8] Reagindo à guerra civil inglesa, o filósofo Thomas Hobbes teorizou, no seu livro Leviatã, a necessidade de apoiar um Estado, mesmo que autoritário e abusivo, em vez de não o ter e ser mergulhado no caos.
[9] « US Strategy Plan Calls For Insuring No Rivals Develop », Patrick E. Tyler, and « Excerpts from Pentagon’s Plan : "Prevent the Re-Emergence of a New Rival" », New York Times, March 8, 1992. « Keeping the US First, Pentagon Would preclude a Rival Superpower », Barton Gellman, The Washington Post, March 11, 1992.
[10] “A ONU minada pelo «excepcionalismo» norte-americano”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 2 de Abril de 2019.
[11] “Washington e Moscou unidos contra a ONU na Líbia”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 23 de Abril de 2019.
[12] « Pour une Renaissance européenne », par Emmanuel Macron, Réseau Voltaire, 4 mars 2019.


www.voltairenet.org

RÚSSIA CONSIDERA QUE PRISÃO E PUNIÇÃO DE MARIA BUTINA´S É ILEGAL



www.rt.com



Legisladores em Moscovo estão tentando compilar uma lista de autoridades norte-americanas acusadas de violar os direitos dos cidadãos russos após a sentença de Maria Butina, uma ativista pelos direitos das armas acusada de ser uma agente estrangeira.

"Sob pressão sem precedentes e em condições desumanas de prisão ... a cidadã russa foi forçada a se declarar culpada de coisas para evitar uma prisão pesada, com a qual a acusação a ameaçou abertamente", disseram os legisladores em uma proposta vista pelo jornal Izvestia.


A acusada de "espionagem" Maria Butina não estaria na cadeia se não fosse russa' 

Butina, universitária americana, foi sentenciada na sexta-feira a 18 meses de prisão e deportação dos EUA por um juiz federal em Washington DC depois de se declarar culpada de conspirar para actuar como agente estrangeira sem registo governamental. 

A decisão foi um choque para a família e a defesa de Butina.

O presidente russo, Vladimir Putin, criticou a sentença como "uma paródia da justiça" por parte do governo dos EUA. "Não há nada que eles possam cobrar a [Butina] de modo a evitar o ridículo.

Butina já passou nove meses na prisão - grande parte em confinamento solitário - que contará para a sentença dela. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, descreveu suas condições de prisão como "uma espécie de tortura", destacando que foram criadas situações "para quebrar sua vontade e fazê-la confessar algo que ela provavelmente não fez".

Ela foi presa pelo FBI em junho do ano passado e acusada de trabalhar secretamente para o governo russo e tentar estabelecer laços com a National Rifle Association (NRA). No entanto, nenhuma acusação de espionagem foi feita contra ela, nem foi mencionada no relatório da investigação de Mueller.  Butina sempre foi contra e fez campanha contra a lei das armas nos EUA

Os EUA e a mudança de regime na Venezuela

Carlos Fazio



A conspiração imperialista contra a Venezuela utiliza um amplo leque de meios: militares, económicos, mediáticos, políticos, culturais. É uma guerra de “quarta geração.” Criou e preparou os seus próprios fantoches. Inflige ao povo venezuelano todas as dificuldades e violências. Mas essa constante agressão, que teve início ainda Chávez não tinha assumido o poder, ainda não quebrou a resistência bolivariana, que exige e merece toda a solidariedade do mundo.

No quadro de uma guerra global de classes de expansionista e agressiva nos últimos 20 anos, durante quatro presidências sucessivas de democratas e republicanos na Casa Branca: William Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump, a diplomacia de guerra dos EUA tem vindo a impulsionar uma política de mudança de regime na Venezuela contra os governos constitucionais e legítimos de Hugo Chávez e Nicolas Maduro.

Acções abertas e clandestinas dos EUA inscrevem-se na dominação de espectro completo, um conceito concebido pelo Pentágono antes dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, que envolve uma política combinada, em que as componentes militar, política, económica, jurídica/para-institucional, mediática e cultural têm objectivos comuns e complementares. Uma vez que o âmbito é geográfico, espacial, social e cultural, para impor a dominação é necessário fabricar o consentimento. Ou seja, colocar na sociedade determinados sentidos comuns que, de tanto repetidos, se incorporam no imaginário colectivo e introduzem, como única, a visão de mundo do poder hegemónico. Isso implica o treino e manipulação ideológica (doutrinação) de um grupo e/ou uma opinião pública legitimadoras do modelo.

São chave para a fabricação de consenso as imagens e narrativa dos meios de comunicação de massa, com os seus mitos, meias verdades, mentiras e falsidades. Apelando à psicologia de massas e à propaganda negra impõem na sociedade a cultura do medo. A fabricação social do temor inclui a construção de inimigos internos.

Manuais do Pentágono atribuem grande importância à luta ideológica no campo da informação e ao papel dos meios de comunicação e redes sociais (Internet e telefones móveis) como armas estratégicas e políticas para gerar violência e caos planificado. Um desses documentos indica que as guerras modernas têm lugar em espaços que vão para além dos simples elementos físicos do campo de batalha. Um dos mais importantes são os meios nos quais ocorrerá a disputa da narrativa. A percepção é tão importante para o seu sucesso quanto o próprio evento. No final do dia, a percepção do que aconteceu é mais importante do que o que realmente aconteceu.

A percepção pode ser criada com base em uma notícia falsa e ser imposta às massas por meio de campanhas de operações psicológicas nos media e/ou nas redes de Internet (guerra social em rede), ou através de grupos de reflexão (Think-tank), centros académicos, fundações, ONGs e intelectuais orgânicos, a partir de matrizes de opinião elaboradas por especialistas em informações e militares. As campanhas de intoxicação (des)informativa exploram preconceitos e vulnerabilidades psicológicas, económicas e políticas da população de um país objectivo, e gerem um guião propagandístico desestabilizador, com eixo em denúncias de corrupção e repressão, rotulando o regime de turno como uma ditadura e acenando como bandeiras a defesa dos direitos humanos, a liberdade de imprensa e a ajuda humanitária.

Antes de Hugo Chávez chegar ao Governo em 2 de Fevereiro de 1999 já tinha sido começada a construir a sua lenda negra, e os meios de comunicação hegemónicos classistas e racistas venezuelanos referiam-se a ele como El Mono Chávez, Gorila rojo, um negro em Miraflores, e aos seus seguidores chamaram hordas chavistas.

Depois, e a par de a Agência Central de Inteligência (CIA) criar a organização sérvia Otpor (Resistência) e treinar os seus membros nas técnicas do golpe suave com o objectivo de derrubar Slobodan Milosevic na ex-Jugoslávia, foi sendo forjado o golpe de Estado de 2002 na Venezuela. Como parte de uma guerra não convencional e assimétrica de quarta de geração, utilizou a Internet e os meios de comunicação de massa (Venevision, Globovision, Rádio Caracas Televisión e entre outros os jornais Tal Cual, El Nacional e El universal), para promover matrizes de opinião antichavistas e projectar informação manipulada, distorcida e falsificada, com a intenção de desacreditar o governo bolivariano.

Fracassado o golpe, o lockout (bloqueio patronal) de corporações empresariais da Venezuela agrupados em Fedecámaras e Conindustria, e a sabotagem da gerontocracia da PDVSA (entidade petroleira estatal). Em 24 de Março de 2004, testemunhando perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes dos EUA, o general James T. Hill, chefe do Comando Sul do Pentágono, cunhou a designação de populismo radical em clara referência a Hugo Chávez. O termo foi de imediato usado com fins de propaganda maciça e foi adaptado no México a Andrés Manuel Lopez Obrador, o messias tropical (E. Krauze dixit).

Em Dezembro seguinte triunfava a revolução laranja de factura norte-americana na Ucrânia e, em 2005, com financiamento do Washington, eram enviados para o Centro de Acção e Estratégias Não Violentas Aplicadas (lona), da Universidade de Belgrado, na Sérvia, cinco líderes estudantis da Venezuela para formação nas políticas de mudança de regime segundo as técnicas insurreccionais das revoluções coloridas e golpes suaves de Gene Sharp. Entre eles figuravam Yon Goicoechea, Freddy Guevara e Juan Guaidó.

A combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou Venezuela numa guerra híbrida.

Desde 2005, a partir da experiência acumulada após os erros tácticos cometidos no breve espaço de tempo decorrido desde a chegada de Hugo Chávez ao governo: golpe de Estado, lockout patronal, sabotagem petroleira, guerra mediática e outros ardis desestabilizadores para uma mudança de regime na Venezuela, a Agência Central de inteligência e o Pentágono tinham no terreno, não obstante, os recursos humanos necessários para desenvolver uma guerra híbrida contra a revolução bolivariana: a combinação de manifestações de massas estudantis para uma revolução colorida (golpe suave) com milícias armadas para uma guerra não convencional (golpe duro).

Dois anos mais tarde, Yon Goicoechea, Freddy Guevara, Carlos Graffe, David Smolansky e Juan Guaidó, os estudantes treinados na Sérvia e autonomeados de Geração de 2007, eram elogiados pelo então embaixador dos EUA em Caracas, William Brownfield, como líderes emergentes que desafiavam o chavismo.

Até então, os cinco activistas e outros estudantes também recrutados na Universidade Católica Andrés Bello - cujo reitor era o jesuíta Luis Ugalde, uma das principais fontes dos libelos antichavistas de Enrique Krauze - tinham assistido aos cursos de formação em mudança de regime de Gene Sharp no Instituto Fletcher na Universidade Tufts, em Boston, EUA.

O movimento estudantil tinha reunido fundos do Instituto Cato dos irmãos Koch em Washington, DC, do Institute for Open Society de George Soros, da Fundação Konrad Adenauer do partido democrata-cristão alemão (da senhora Merkel) e da Fundação FAES, do neofranquista José María Aznar, e eram os quadros que deviam impulsionar na Venezuela a chamada revolução calêndula, similar das revoluções rosa (Geórgia, 2003), laranja (Ucrânia, 2004) e tulipa (Quirguistão, 2005).

Com essa tarefa, Goicoechea, Guevara, Guaidó et al participaram em 2007 nas violentas manifestações de rua (guarimbas) antigovernamentais a pretexto da não-renovação da concessão de espaço radioeléctrico a Radio Caracas Television (RCTV), por esgotamento do seu prazo legal (essa estação privada tinha participado activamente no golpe de Estado de 2002, apelando inclusivamente ao assassínio de Hugo Chávez em clara violação da Constituição).

Nessa conjuntura o movimento estudantil mãos brancas levou às ruas venezuelanas as tácticas indirectas do paradoxal caos sistémico organizado e dirigido pelo Instituto Albert Einstein de Gene Sharp e o grupo Otpor usando mesmo um logotipo semelhante ao da organização sérvia, que incluía a palavra Resistência e uma mão (símbolo também usado por Felipe Calderon na sua campanha eleitoral de 2006 contra Andrés Manuel López Obrador, sob o lema AMLO, um perigo para o México).

Com outro elemento relacionado com todas as revoluções de cores: a guerra de quarta geração, que inclui como armas operacionais e estratégicas acções psicológicas clandestinas e campanhas de (des)informação televisionadas, bem como a guerra social em rede (via plataformas como Facebook e Twitter ) como a forma mais eficiente de disseminar e viralizar a mensagem para a administração das percepções e o controlo invisível da sociedade-alvo.

Perante os reiterados fracassos dos seus planos desestabilizadores, em Novembro de 2010, já com Barack Obama na Casa Branca e com a bênção do ex-embaixador dos EUA em Caracas, Otto Reich - perito do reaganismo em propaganda negra e implicado no tráfico de cocaína do escândalo Irangate para financiar a contra nicaraguense adversa ao governo sandinista -, círculos dos serviços de informações dos EUA organizaram uma reunião de activistas estudantis venezuelanos num hotel na Cidade do México.

Nesse encontro, denominado Fiesta Mexicana, participaram membros da Geração 2007 (Goicoechea, Guevara, Smolansky, Guaidó) e dirigentes estudantis como Gaby Arellano, Daniel Ceballos e Amilcar Fernandez, além de dois generais aposentados. Da reunião, que contou com o apoio político do ex-presidente do México, Vicente Fox, surgiu um plano para derrubar o presidente Chávez gerando o caos através de prolongados espasmos de violência de rua.

Com o objectivo de gerar um golpe suave na Venezuela, a conspiração Fiesta Mexicana seria combinada a partir de 2012 com o desenvolvimento de uma infraestrutura de apoio clandestino e toda formação de um grupo subversivo capaz de realizar uma guerra de guerrilha (rural e urbana), executar acções terroristas e sabotagens estratégicas contra as forças do governo e infraestruturas críticas, difundir propaganda, traficar contrabando e reunir informações, de acordo com o manual de guerra não convencional do Pentágono (Special Forces Unconventional Warfare, também conhecido como TC 18-01).

A partir de então a combinação das técnicas de uma revolução colorida (golpe suave) com as da guerra não convencional (golpe duro), mergulhou a Venezuela numa guerra híbrida até aos dias de hoje, cujo objectivo é fragmentar o Estado e derrubar o governo constitucional e legítimo de Nicolás Maduro. Com a Casa Branca (primeiro Obama, depois Trump) exercendo a liderança velada.


Fonte: https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de
https://www.lahaine.org/mundo.php/eeuu-y-el-cambio-de-1

https://www.odiario.info

Há 70 anos que Portugal não registava tantos mortos. Estamos em risco de extinção?






www.tsf.pt


Há quase 70 anos que não se registavam tantos óbitos em Portugal, num fenómeno de aumento da mortalidade que os especialistas associam ao envelhecimento da população.


Em 2018, o país contou 113 mil mortos, mais 3% que em 2017. No entanto, mais do que a subida anual, o número registado no ano passado só tinha sido superado, pela última vez, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) consultados pela TSF, em 1949, quando se chegou aos 117.499 óbitos.

Corremos o risco de desaparecer?


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A presidente da Associação Portuguesa de Demografia admite que não fica surpreendida com o aumento da mortalidade. Ana Fernandes recorda que o país tem cada vez mais idosos e, por muito que aumente a esperança de vida, chega a um ponto em que as pessoas morrem.


O aumento dos óbitos não se deve a um aumento da "propensão para morrer, pois, pelo contrário, falecemos cada vez mais tarde, mas porque a estrutura populacional está cada vez mais envelhecida, sendo normal que existam mais óbitos. Por isso é que corremos o risco de desaparecer enquanto população", refere a especialista.


Muito preocupada com a falta de nascimentos, Ana Fernandes explica que "os mais velhos vão morrendo, e vão morrendo cada vez mais porque cada vez há mais velhos". "No limite dos limites, numa situação ficcional limite, não havendo substituição de gerações, uma população tende a extinguir-se - e é isso que está a acontecer com Portugal, que está muito envelhecido, pelo que vamos encontrar taxas brutas de mortalidade e totais de óbitos cada vez maiores".


Em 2018, de acordo com o INE, nasceram 87.020 crianças em Portugal e morreram 113.000 pessoas, um saldo natural negativo (por cada cinco que morreram, só nasceram aproximadamente quatro) que se tem acumulado ao longo de anos, décadas, e não tem sido compensado pela imigração, num cenário que muito dificilmente irá alterar-se drasticamente nos próximos tempos.

Adiámos a morte

Dos óbitos registados no ano passado, 59,3% foram de pessoas a partir dos 80 anos e, na última década, desceram as proporções de óbitos de pessoas com idades inferiores a 65 anos (-2,8 pontos percentuais) e dos 65 aos 79 anos (-4,2).
Recordando os números anteriores, do INE, Maria Filomena Mendes, ex-presidente da Associação Portuguesa de Demografia, também refere que a explicação para o recente aumento de óbitos parece simples.


Sublinhando o envelhecimento da população, Maria Filomena Mendes acredita que ainda há margem para vivermos, em média, mais tempo, mesmo que nas últimas décadas tenhamos tido avanços enormes com "uma mortalidade cada vez mais baixa e uma esperança de vida mais elevada, o que foi fazendo com que fossemos empurrando a idade da morte para idades cada vez mais tardias".

"Como, infelizmente, não sobrevivemos para sempre, há uma tendência nas populações envelhecidas para haver um maior número de óbitos, porque nos anos anteriores esses óbitos foram sendo adiados para anos posteriores", conclui a atual coordenadora do Laboratório de Demografia da Universidade de Évora.