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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Que escrever, digam-me…

estatuadesalnova.com



(Por Joaquim Vassalo Abreu, 25/02/2019)

Estou cansado! Sinto-me cansado e exausto por tudo o que me interessa, vivo e ouço. Por tudo o que me preenche e faz de mim um ser cada vez mais infeliz. Porque por mais que esperança tenha e por mais que optimista seja, a realidade teima em fazer desaparecer em mim, progressiva e teimosamente, qualquer acalento de esperança…

Há uns tempos que já não escrevo. Certamente que quem se habituou ao modo prolífico com que escrevia, deverá pensar que este tipo, depois da morte da mulher, é dado a depressões e a estados de alma, e não lhe apetece mais escrever. Tais observações não deixam de ter um bom fundo de verdade mas, para que saibam, não passo um dia que não me assalte a vontade de escrever e até tenho alguns textos escritos!

A grande verdade é que a realidade é volátil e escrever sobre a espuma dos dias torna-se um exercício inútil pela sua efemeridade. É preciso falar de algo mais substancial, algo mais profundo e que faça as pessoas pensar sobre a direcção que este mundo leva…

Mas isso angustia-me e, para mim, já não basta o simples enumerar dos acontecimentos, a constatação destes últimos e significativos retrocessos na História e as malfadadas maledicências que consigo aportam… É preciso mais, muito mais e eu, perdoem-me, não consigo remediar, nem consertar…

O “imperialismo” aguça as suas garras e travestindo-se de “democracia”, utiliza todos as suas capacidades e meios para impor o seu mando… sobre quem? Sobre os ímpios, os insubmissos, os que ousam contrariar a ordem estabelecida e quem se digna afrontar os  benévolos e altruistas, é claro, legítimos e legais interesses dos EUA, o patrão e dono de tudo, para além de todos os mares onde, para que saibam se ainda não sabem, mantêm as sua frotas para zelar pelos seus interesses, que no fundo são os interesses de todos, e para evitar que alguém os confronte ou, muito simplesmente, lhes desobedeça.

Depois de todos as guerras por ele desencadeadas, sempre pelo supremo motivo da defesa dos seus interesses, desde a da Coreia ao Vietnam, dos conflitos Africanos aos Balcãs, do corno de África ao Sudão, da guerra dos 6 dias ao Iraque, a do Afeganistão etc…e baseadas sempre em factos indesmentíveis como a do Iraque, verifica-se que aquela ideia da deposição dos “tiranos” déspotas e sustentados em “ditaduras”, já não colhe mas, mesmo assim, todo o mundo cala e aceita que sim…que são ditaduras!

Agora vem mais uma tremenda subtileza: a propagação da ajuda humanitária, pela fome provocada pelo governo da Venezuela, o exemplo mais recente, mas não pelo embargo imposto pelos mesmos EUA! O cinismo no seu esplendor!
A um Presidente eleito que não segue os seus ditames eles, em nome da democracia, decretam um bloqueio económico, tal como a Cuba, Irão etc…impõem um auto proclamado presidente e a quem seres ignóbeis, pequenos e sem um resquício de dignidade vêm prestar tributo, um tributo que nada mais significa que um inequívoco ajoelhar perante o seu patrono, líder e guia, o deus Trump…e vêm depois acenar com a “ajuda humanitária”…
Que falar de substantivo se não daquilo que todos os que me lêem estão fartos de saber?  Que fazer se não como todos os outros enumerar os nossos desencantos e raivas? Que mais  fazer?

É isso que me deprime e que o simples florear das queixas não resolve. Saber o que escrever! Mais: o saber como, escrevendo, conseguir chegar às consciências. Como conseguir demonstrar que, à semelhança de tantas e tantas situações que a História retrata, tudo não passa do eterno logro em que muitos de deixam cair…

A História da América Latina merecia maior estudo por parte de muitos dos que se deixam enlear pelo pormenor e pela situação precisa e que não conseguem,  certamente porque nunca ouviram, nunca leram e não sabem, discernir que tudo isto é já mais que repetido e que muitos dos actores que, mesmo hoje, são endeusados porque vêm substituir os “tiranos” ditadores, mesmo que eleitos mas nunca alinhados, não passam de joguetes nas mãos dos imperadores do tempo e, de seguida, tiranetes às mãos dos supremos interesses do seu amo…

Eu estaria a delirar se isto na História não fosse repetido, repetido e repetido! Se na História da América Latina e por todos os continentes e mares isto não fosse mais que sabido.

Mas fica-me uma última e perplexa pergunta: qual o porquê desta abstrusa posição da Europa, das suas instituições, de completo ajoelhar perante Trump? Eu custa-me muito entender quanto mais compreender…
Ou talvez compreenda… Estadistas? Estamos reduzidos ao do Luxemburgo, esse grande país da Europa, o Junckers!

E leiam, por favor, “LAS VIENAS ABIERTAS DE LA AMERICA LATINA” de Eduardo Galeano! Leiam! Se não quiserem comprar o Livro vão ao Google e até um resumo por capítulos existe…

E nunca mais chamem “ditador” a quem governa para o POVO!

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