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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

HISTÓRIA DA GUERRA COLONIAL - PARTE 3 -CARTA MUITO DURA ESCRITA POR SAMORA MACHEL AO GOVERNO PORTUGUÊS EM 1974 - O INIMIGO - VÍDEOS ALUSIVOS À GUERRA - NAPALM E LANÇA ROQUETES - O FAMOSO AEROGRAMA



O INIMIGO


Características Principais 


As características principais da guerrilha que as forças portuguesas enfrentaram nos três teatros de operações eram a clandestinidade, a rusticidade, a mobilidade e a fluidez. 

Os guerrilheiros apoiavam-se em bases, que serviam de refúgio e de ponto de partida para as suas acções e lhes garantiam a segurança; isto permitia a sua diluição na população local, a qual lhes fornecia os recursos logísticos e operacionais indispensáveis. 

De modo geral, eram reduzidos os efectivos da guerrilha, o que exigia dos combatentes grande rusticidade e mobilidade. Estas características eram os seus maiores trunfos, já que neles se baseava a sua excelente adaptação aos terrenos difíceis, que conheciam melhor do que as forças regulares, mais pesadas e lentas. Esta excepcional fluidez foi a causadora de grande parte das dificuldades que as tropas portuguesas tiveram de enfrentar. 

A organização das forças de guerrilha baseou-se em pequenas unidades, com efectivos variando normalmente entre os dez e os quarenta combatentes - patrulhas, grupos, bigrupos embora nos últimos anos da guerra, em Moçambique e principalmente na Guiné, se tenham formado unidades comparáveis a batalhões do Exército português, com quatrocentos a seiscentos homens, e, no estádio mais desenvolvido, alguns movimentos de libertação tenham criado estados-maiores, por vezes complexos, com elementos de apoio logístico, órgãos especializados de informação, de controlo ideológico (comissários políticos), de propaganda, de administração e de acções que costumam designar-se por assuntos civis. 

Para as funções auxiliares de ligação, transporte, informação e segurança, as guerrilhas constituíram milícias com elementos das populações, que os apoiavam e serviam como primeira linha de interposição entre o exército colonial e as forças de libertação. 

Como norma, as guerrilhas recusavam o combate decisivo contra forças superiores, iguais ou mesmo inferiores, procurando evitar um empenhamento estreito com as tropas regulares e retirando logo que possível, dispersando ou refugiando-se nas suas bases. A finalidade da acção militar dos guerrilheiros era contribuir para uma decisão e não para obter a vitória imediata.

Vulnerabilidades 


Os guerrilheiros africanos tinham, no entanto, vulnerabilidades. Os laços estabelecidos pela consciência tribal podiam criar fracturas entre eles. Estas diferenças e antagonismos étnicos, mas também as diferenças culturais, ideológicas e até as disputas entre chefes, minaram-lhes, em alguns casos, a disciplina e o moral e diminuíram a sua eficácia. 

Por pertencer a sociedades com fortes laços sociais, o guerrilheiro, embora pudesse, por vezes, ter dificuldades em entender as verdadeiras razões para a sua luta, era corajoso e resistia a trair os seus, mesmo sob tortura. 

A primeira condição de sobrevivência do combatente na guerra de guerrilha é saber tirar o melhor rendimento do meio em que actua. 

O guerrilheiro africano que as forças portuguesas enfrentaram obedecia, de modo geral, às condições que o tipo de combate dele exigia. Por natureza, era rústico, frugal, estava perfeitamente adaptado ao meio, sabia tirar proveito da natureza e defender-se das condições adversas. 

As unidades de guerrilheiros instalaram as suas bases normalmente em regiões protegidas pela floresta, de difícil acesso às forças militares e próximas de água. Nas suas imediações eram preparadas pelas populações lavras ou machambas, a fim de melhorar as condições de vida. 

Muitas vezes, os seus acampamentos tomaram a forma de quartéis ou de centrais, que serviam de sede a uma unidade. Para proteger estas bases, os guerriheiros estabeleciam rigorosas medidas de segurança, aumentando as dificuldades naturais das linhas de aproximação, com obstáculos, minas e armadilhas e dissimulando os verdadeiros acessos com a criação de outros falsos; eram também montados postos de sentinelas a distâncias convenientes e estabelecidos sistemas de alarme com latas, chocalhos, cães, tiros, batuques (tantãs), etc. Em redor destas bases, eram cavadas trincheiras e existia quase sempre preparado um caminho para a retirada rápida e segura. 

Para evitar o contacto com as forças regulares, as deslocações dos guerrilheiros eram efectuadas de preferência à noite e através do mato; quando estacionavam, nos intervalos para descanso ou antes da acção, montavam vigia, evitando fazer fogo, fumar e falar alto.



www.guerracolonial.org

VÍDEOS - FERNANDO FARINHA - O SOLDADO DA TRINCHEIRA
                 ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - MENINA DOS OLHOS TRISTES






CARTA MUITO DURA  DE SAMORA MACHEL AO GOVERNO PORTUGUÊS NAS VÉSPERAS DA INDEPENDÊNCIA
DE MOÇAMBIQUE



Dar es-Salam, 18 de Abril de 1975

Sua Excelência
Primeiro-ministro do Governo Pro¬visório da República Portuguesa
LISBOA
 Senhor Primeiro-Ministro:

A dois meses da proclamação da Independência total e completa de Moçambique, encontramo-nos na necessidade de chamar a atenção do Governo da Republica Portuguesa para certas questões cruciais, sem a solução das quais não será possível estabelecer-se a plataforma sobre a qual relações de coope¬ração entre os nossos países devem assentar, na base da igualdade ab¬soluta, não ingerência nos assuntos internos e benefício mútuo.

1.1 Em Lusaca, logo no início das conversações preliminares que tiveram lugar de 5 a 7 de Junho, (A) dissemos que nos felicitávamos de encontrar no poder em Portugal representantes das forças que nas horas difíceis tinham afirmado a sua solidariedade para connosco. Declarámos ainda que nos encon¬trávamos abertos em relação ao no¬vo regime, esperando que ele rejei¬tasse totalmente a triste herança Co¬lonial e que confiávamos que relações exemplares se estabeleceriam entre os nossos países, exprimindo a aliança natural entre os nossos Povos.
 Devemos afirmar, com a franqueza que sempre usámos, que a atitude do Governo Português não corresponde às nossas previsões.

1.2 No decurso das conversações preliminares de Lusaca, de 5 a 7 de Junho de 1974, a delegação da Fre¬limo submeteu uma declaração ao Governo Português onde, inequivocamente indicava a posição da Fre¬limo.
 Embora as nossas forças estives¬sem a infligir derrotas enormes ao exército colonial português, que haviam determinado já uma rendição parcial e a curto prazo, determinariam uma rendição total do exército colonial, tendo em conta as mudanças democráticas que se operavam em Portugal, decidimos aceder ao pedido do Governo Português para discutir connosco. Claramente, na declaração acima referida, disse¬mos que íamos discutir não o princípio da independência, que era um direito nosso, inalienável, não negociável, mas apenas o me¬canismo da transferência de pode¬res para a Frelimo único e legítimo representante do povo moçambica¬no.
 Na mais pura tradição clássica colonial, porém, o Governo Português recusou-se a reconhecer o nos¬so direito à independência, rejeitou a representatividade da Frelimo e opôs-se à transferência dos poderes que ainda detinha em Moçambi¬que.

1.3 A delegação portuguesa, re¬presentando o colonialismo portu¬guês e os agressores criminosos do nosso povo, defendeu a posição segundo a qual para reconhecer o di¬reito à independência, apesar da oposição geral ao colonialismo que se exprimia, nomeadamente pela Guerra Popular de Libertação que o povo moçambicano travava há 10 anos, sob a direcção da Frelimo, es¬te deveria, para se respeitar o «processo democrático», pronunciar-se em referendo sobre a sua vontade à independência.
 É de salientar que em certo mo¬mento o chefe da delegação portu¬guesa, invocou mesmo o argumento colonial-fascista de que a indepen¬dência era apenas uma das opções no exercício do direito à autodeterminação.

1.4 A delegação portuguesa recu¬sou-se a reconhecer a representati¬vidade da Frelimo, alegando que a Frelimo era apenas um «interlocu¬tor válido» por ter forças no terreno, mas que não podia representar todo o povo porque «não estava a lutar com armas em todo o país».

1.5 A delegação portuguesa, re¬presentando o Governo que prosseguia uma guerra de agressão colonial contra o nosso povo, exigia que compreendêssemos a situação interna portuguesa e que subordinássemos a resolução do problema colonial à consolidação prévia da de¬mocracia em Portugal e à restauração da economia portuguesa.

1.6 No encontro preliminar de Lusaca a delegação portuguesa propunha-se simplesmente, obter um cessar-fogo, independentemente da resolução do antagonismo fundamental que provocara a guerra. O agressor desejava manter a ocupação e ao mesmo tempo levar o agre¬dido a cessar o combate.

1.7 Utilizando uma dupla táctica, a delegação portuguesa publicamente, afirmava condenar e rejeitar a hedionda herança colonial, quan¬do no segredo da mesa das conversações se esforçava por encontrar novas fórmulas destinadas a perpe¬tuar o colonialismo. Pública e sole¬nemente a delegação portuguesa re¬conheceu a natureza criminosa do colonialismo, aceitou a responsabilidade pelos crimes e massacres co¬lonialistas e até homenageou a me¬mória inesquecível do camarada Eduardo Mondlane. Na mesa das conversações, porém, a delegação portuguesa vinha propor-nos preci¬samente, os mesmos esquemas que Marcelo Caetano houvera já proposto.

1.8  A obstinação portuguesa forçou o conflito a prolongar-se, provocou novas derrotas ao exército colonial, acelerou o processo de colapso do exército agressor.
 As derrotas sofridas pelo colonia¬lismo destruíram as manobras políticas por ele fomentadas, desig¬nadamente a criação desenfreada de grupos fantoches e a campanha de difamação da Frelimo no planos nacional e internacional.

1.9 Neste contexto de fracasso de' manobras e de colapso do exército agressor, desenrolaram-se as Conversações secretas de Dar es-Salam. (B)
 A delegação portuguesa tendo mostrado um espirito anticolonialista e democrático, foi possível em comum encontrar os mecanismos que conduziriam às negociações de Paz.
 A coerência assumida pela dele¬gação da Frelimo, pode assim salvaguardar os verdadeiros interesses do Povo moçambicano, do povo português, da África e da Humanidade.

2.1 Em 7 de Setembro, em Lusa¬ca, assinava-se solenemente o acor¬do de transferência de poderes e em consequência pode assinar-se o acordo de cessar-fogo. (C)

2.2 No entanto, e apesar das advertências previamente feitas pela delegação da Frelimo, no momento em que se assinavam os acordos, elementos uItracoloniaIis¬tas, juntamente com representantes  dos grupos fantoches criados pelas autoridades portuguesas com a  cumplicidade, apoio e encorajamento dos mais altos dirigentes da República Portuguesa, ocuparam as instalações do Rádio Clube de Moçambique, numa tentativa de travar o processo da independência. (D)

2.3 A passividade do Governo Português, apesar das nossas advertências, a sua reacção racista de recusar abrir fogo contra um punhado de elementos criminosos porque estes eram brancos, provocaram uma situação explosiva que
se saldou em centenas de vidas per¬didas, prejuízos avaliados em um milhão de contos, um clima de in¬tranquilidade e insegurança.
 Somente a grande disciplina das massas populares enquadradas pela Frelimo impediu um afronta¬mento inter-racial em grande escala que serviria de pretexto a novas agressões contra Moçambique.

2.4 Em 21 de Outubro as forças portuguesas de novo desencadea¬ram uma grave provocação contra o nosso povo violando, mais uma vez, os acordos solenemente firmados por Portugal. (E)
 Uma vez mais a linha política da Frelimo assumida pelas massas frustou a provocação e evitou o conflito inter-racial   deliberadamente provocado por elementos do Exército português.

3.1 Com a assinatura dos Acordos de Lusaca o essencial das questões políticas entre os nossos países fora resolvido.
 Restavam questões de pormenor e questões económicas a solucionar.

3.2 Supunha a Frelimo que a resolução destes problemas não suscitaria problemas de maior, uma vez que Portugal solenemente afirmava desejar estabelecer connosco relações exemplares, relações isentas do triste passado colonial.
 3.3 Nesta base, e no quadro da aplicação do Acordo de Lusaca, iniciaram-se entre a Frelimo e a Go¬verno português, conversações des¬tinadas a estabelecer, de uma ma¬neira sã e no interesse dos nossos povos, relações harmoniosas e mutuamente benéficas em vários campos.

3.4 A Frelimo só aceitou a perspectiva de relações de cooperação com Portugal porque considerou que, pela primeira vez, o povo português nosso aliado, se encontrava efectivamente representado nas instâncias governamentais.

3.5 Pensávamos que o colonialismo português tinha desaparecido. O colonialismo português é profundamente odiado pelo nosso povo. Ten¬do-se estabelecido no nosso país com o objectivo único de pilhar os nossos recursos naturais e explorar brutalmente a mão-de-obra moçambicana, ele prosseguiu uma política sistemática de obscurantismo, divisão, humilhação opressão e repressão bárbaras para realizar aquele objectivo.
 Cada vez que o povo moçambica¬no heroicamente ousou erguer-se contra a desumanidade colonialis¬ta, desencadearam-se vagas de prisões deportações, assassinatos e massacres.
 No curso de dez anos de guerra colonial-imperialista de agressão, os colonialistas cometeram os crimes mais hediondos e bárbaros: destruição sistemática de povoações, de colheitas, deportação de um milhão e meio de moçambicanos para Campos de concentração, assassinatos de prisioneiros políticos, assassinato sistemático de pri¬sioneiros de guerra, massacres abo¬mináveis que encheram de horror a Humanidade inteira.

3.6 De acordo com os  princípios vigentes na comunidade internacional e consagrados solenemente pela vitória dos aliados contra a selvajaria nazi, o povo moçambicano tem o direito de exigir do Governo português:
  a) O julgamento e punição dos colonialistas portugueses responsáveis pelos crimes cometidos em Moçambique, crimes contra a paz, crimes de guerra, crimes contra a Humanidade e de genocídio.
 b) A reparação integral de todos os danos causados pela pilhagem colonial no decurso da ocupação portuguesa, a indemnização de to¬das as destruições causadas por dez anos  de  guerra colonial¬-imperialista portuguesa.
 c) A indemnização das vítimas do colonialismo português e da guerra colonial-imperialista de agressão.

3.7 É de salientar que no processo multissecular das guerras coloniais de conquista, no tráfico infa¬me do escravos, na deportação e venda de trabalhadores paras as plantações e empresas,  para as roças do S. Tomé, para a África do
sul e Rodésia, no processo da repressão colonial e da guerra colo¬nial-imperialista de agressão, mui¬tos e muitos milhões de moçambicanos foram mutilados, mortos, massacrados.

3.8 A pilhagem das nossas riquezas, a exploração brutal dos nossos trabalhadores, a venda de mão-de-¬obra para o estrangeiro, tudo isto permitiu que Portugal acumulasse enormes reservas financeiras, que grandes fortunas se tivessem edifi¬cado em Portugal.

3.9 Considerando todavia a opressão e exploração de que foi vitima o povo português, e esperando que o actual regime efectiva¬mente se propusesse romper com um passado vergonhoso identifi¬cando-se ao seu povo; considerando as dificuldades enfrentadas pelo presente regime português, e dese¬jando contribuir para consolidação da democracia em Portugal, ge¬nerosa e unilateralmente, em nome do povo moçambicano, a Frelimo renunciou a exigir as indemnizações a que tem direito por cinco sé¬culos do pilhagem e exploração colonial e uma década de guerra de agressão colonial-imperialista.

3.10 Generosa e unilateralmente, a Frelimo contentou-se em centrar as discussões sobre as principais reivindicações seguintes:
- Transferência para Moçambi¬que do departamento moçambica¬no do Banco Nacional Ultramarino e das reservas;
- Transferência para Moçambi¬que do Banco do Fomento;
- Transferência da barragem de Cabora Bassa.

4.1 De salientar:
 a) Que o BNU foi urna das maio¬res empresas de pilhagem de Mo¬çambique:
 b) Que uma fracção importante das reservas de ouro e divisas exis¬tentes em Portugal resultou da transferência do produto de venda e exploração dos trabalhadores moçambicanos, e que frequentemente esse ouro e divisas resultam das indemnizações por acidentes de trabalho .¬
 É de notar que as estatísticas oficiais colonialistas revelam que, em média, anualmente, cerca de 2500 moçambicanos morrem em conse¬quência de acidentes de trabalho somente nas minas do Rand.
  c) Que o Banco de Fomento destinava-se exclusivamente a promover uma melhor pilhagem dos recursos nacionais e dos trabalhado¬res moçambicanos;
 d) Que a barragem de Cabora Bassa, cuja construção foi sempre condenada pelo povo moçambica¬no, pela Frelimo, pela Organização de Unidade Africanas e pela Organização das Nações Unidas, se desti¬nava essencialmente a criar uma linha estratégica de defesa, a instalar no vale do Zambeze um milhão de colonos, a subordinar e integrar ainda mais a economia moçambica¬na ao sistema imperialista na África Austral.
 5.1 Na primeira sessão das conversações da Comissão Económica, agindo duma maneira insultuosa para com os sacrifícios consentidos pelo povo moçambicano, desprezando a memória das vítimas das guerras coloniais de rapina, de pilhagem colonial, da guerra col¬onial-imperialista de agressão, a delegação portuguesa, sem quaisquer pudor, ousou exigir de Moçambi¬que:
 a) O pagamento de 16 milhões de contos de dívidas, que seriam dívi¬das por Moçambique ao Governo português por obras feitas pelo re¬gime colonial em beneficio do Povo moçambicano.
 b) A transferência onerosa do de¬partamento moçambicano do Ban¬co Nacional Ultramarino, do Banco de Fomento e outras instituições.
 c) O usufruto de Cabora Bassa por Portugal com o objectivo de amortizar dívidas portuguesas.
 Esta atitude tipicamente colonia¬lista foi denunciada pela nossa de¬legação.
  6.1 Na segunda sessão das con¬versações, a delegação portuguesa pretendeu aparecer como fazendo-¬nos concessões ao aceitar:
 a) A transferência não onerosa do departamento moçambicano do BNU.
 b) Fazer reduções no montante da dívida exigida.
 7.1 É de salientar que, apesar da atitude geral portuguesa contrária aos interesses dos nossos povos, mais uma vez compreendendo as dificuldades da parte portuguesa e desejosa de contribuir para a conso¬lidação da democracia em Portugal a Frelimo aceitou que Portugal usufruísse por um largo período a barragem de Cabora Bassa. O povo moçambicano aceitava assim, na prática, que os seus recursos natu¬rais e o seu trabalho pagassem uma dívida de dezenas de milhões de contos que e colonialismo contraíra para precisamente combater o povo moçambicano.
 7.2 Num espírito de boa vontade e para se sair do impasse criado pela exigência portuguesa, a Frelimo propôs à parte portuguesa uma dis¬cussão política a alto nível.
 8.1 De 30 de Março a 1 de Abril, a delegação da Frelimo, dirigida pelo seu presidente, e a delegação portuguesa, encabeçada pelo mi¬nistro português dos Negócios Estrangeiros, negociaram em Dar es-¬Salam a questão da pretensa dívida moçambicana a Portugal (F).
 8.2 A Frelimo expôs claramente as razões que impediam o povo moçambicano de assumir as despesas incorridas pelo colonialismo no seu processo de pilhagem, exploração, opressão e agressão.
 8.3 Face às posições da Frelimo, a parte portuguesa declarou então concordar que não havia dívida de Moçambique para com Portugal.
Todavia, usando a táctica de prosseguir o mesmo objectivo sob novas fórmulas, a parte portuguesa afirmou que existia, sim, um con¬tencioso económico-financeira.
Quer dizer que a divida se man¬tinha e era exigida, com a diferença de se utilizar um novo nome.
9.1  Dado, que o Governo portu¬guês actual se pretende herdeiro parcialmente do regime colonial-¬fascista, e por isso mesmo entende exigir a satisfação dum «contencio¬so económico-financeira», a Frelimo propõe que o Governo português por razões de coerência, assuma inteiramente essa herança.
9.2 Neste quadro propomos que o «contencioso económico-financeira» seja examinado na pers¬pectiva de 500 anos de dominação colonial.
9.3 Sem pretender desde já fazer uma lista exaustiva dos pontos a serem apresentados pela parte mo¬çambicana no exame desse conten¬cioso, a Frelimo deseja salientar os pontos seguintes:
 a) As guerras de pilhagem e con¬quista desencadeadas pelos invaso¬res portugueses e as consequentes perdas em vidas humanas e em bens;
 b)  O tráfico intenso de escravos, as consequentes destruições  de famílias e vidas;
c) A destruição do processo de evolução histórica dos Estados agredidos e ocupados pelos invaso¬res portugueses, em Moçambique, e a consequente destruição do processo de desenvolvimento económico, social e cultural;
d)  As rapinas efectuadas pelos invasores portugueses.
9.4 Para o período que se segue à ocupação colonial, a parte moçambicana deseja chamar a atenção ainda duma maneira não exaustiva, sobre os pontos seguintes:
a) As vagas de repressão e assas¬sinatos desencadeadas pela administração colonial para se impor à população:
b) O exílio de centenas de milha¬res de moçambicanos para os territórios vizinhos, fugindo ao colonia¬lismo português:
c) A utilização sistemática do trabalho escravo sob forma de tra¬balho foçado e contrato, com a consequente destruição de famílias e vidas humanas;
 d)  A venda anual de centenas de milhares de moçambicanos as com¬panhias e colonos, para utilização como trabalho escravo;
e) A imposição de culturas for¬çadas como as de algodão e arroz, comprados a preço de miséria ao produtor e permitindo às companhias concessionárias auferir lucros fabulosos;
f) Os milhares de mortos provo¬cados pela fome, em consequência da introdução das culturas força¬das;
g) A venda anual de 150 000 tra¬balhadores  a  República  Sul¬africana e de um número equiva¬lente à Rodésia. As centenas de milhares de mortes e mutilações provocadas pelos acidentes de tra¬balho, derivadas de uma total au¬sência de segurança no trabalho. A pilhagem dos salários de miséria dos trabalhadores e das indemnizações mortes e mutilações;
h) A expulsão da população e ocupação das suas terras férteis pe¬los colonos, através de todo o Moçambique, o roubo infame do gado da população;
I) A deportação de dezenas de milhares de moçambicanos para Angola, e sobretudo para as roças de S. Tomé, donde poucos regressaram;
j) A utilização forçada de mo¬çambicanos em campanhas colo¬niais de repressão, nomeadamente na antiga colónia do Estado da Ín¬dia, em Macau e Timor, e a consequente destruição de famílias e vi¬das;
I) Os massacres de Xinavane, Mueda, Lourenço Marques, Beira e outros.
9.5 Para a época da guerra colo¬nial-imperialista de agressão, sem mais uma vez pretendermos fazer uma lista exaustiva, chamamos à atenção sobre as destruições de vi¬das e bens:
a) Nas  incursões,  agressões, bombardeamentos contra as zonas libertadas, povoações, escolas, hos¬pitais, infantários, etc.;
b) Nos massacres mundialmente conhecidos de Unango, Mucumburta, João, Chawole, Inhaminga, Wiryiamu.
9.6 Desejamos ainda salientar, no que respeita á guerra:
a) As vagas de repressão que forçaram milhares de moçambicanos a exilarem-se;
b) As perdas em vidas e bens causados pelo internamento de um milhão e meio de moçambicanos em campos de concentração;
c) As perdas em vidas e bens causadas pelas agressões contra dois milhões de habitações das zo¬nas libertadas;
d) As perdas de prisões, torturas, assassinatos e massacres de prisio¬neiros políticos;
e) O assassinato sistemático de prisioneiros de guerra, que criou a situação única e vergonhosa de Por¬tugal não ter um só prisioneiro de guerra a entregar no momento da troca de prisioneiros .¬
f) O assassinato de personalida¬des eminentes do povo moçambica¬no, como o Chefe da Igreja Presbite¬riana em Moçambique, o reverendo Medequias Manganhela, e o pastor José Sidumo.
9.7 O assassinato infame do Ca¬marada Eduardo Chivambo Mondlane, 1º presidente da Frelimo.
10.1 Referindo-nos  ainda  ao «Contencioso», pensamos que a parte portuguesa deverá descontar das dívidas a apresentar-nos as despe¬sas pagas com impostos moçambicanos e destinadas entre outros fins a:
a) Financiar a PIDE/DGS e os diferentes serviços da psico-social:
b) Financiar a corrupção de mo¬çambicanos para denunciarem pa¬triotas:
c) Financiar a compra de arma¬mento para militarizar a população civil portuguesa em Moçambique;
d) Financiar os diversos serviços da polícia e prisionais, destinados a reprimir o povo moçambicano:
e) Financiar a administração co¬lonial-fascista na sua tarefa de opressão e repressão:
f) Financiar a criação de forças fantoches, como os GE, GEP, CPV, Companhias de Comandos de Moçambique, Flechas, etc.;
g)  Financiar a construção e ma¬nutenção de campos de concentração e deportação das populações;
h) Financiar a construção, equipamento e funcionamento das re¬des de emissoras destinadas a agre¬dir ideologicamente o povo moçam¬bicano;
i) Financiar a construção de estradas, pontes, aeródromos e instalações destinados a permitir a cir¬culação, abastecimento e implanta¬ção das forças de agressão;
j) Financiar em geral a guerra Colonial de agressão.
11.1 É nesta perspectiva, e só nela, que pode ser avaliado o «contencioso económico-financeira», e determinada exactamente a parte exigível a Portugal e a parte que Portugal pode exigir a Moçambique em consequência dos benefícios que Moçambique recebeu de cinco séculos de pilhagem colonial e dez anos de guerra de agressão.
11.2 No caso de o balanço ser favorável em a Portugal, Moçambique engaja-se a pagar integral e imediatamente a totalidade da sua dívida.
11.3 Entretanto a Frelimo declara a sua vontade de se irromper as negociações em curso e se anulem os documentos já publicados, a fim de se reiniciar oportunamente a discussão global na nova perspectiva.
 11.4 Dada também a posição assumida pela parte portuguesa, de herdeira activa do contencioso colonial, a Frelimo entende que as nossas relações futuras serão inevitavelmente influenciadas por esta posição.
Alta consideração,
A luta continua
                                      a) Samora Moisés Machel Presidente da Frelimo
(A) À conferência de Lusaca, iniciada a 6 de Junho de 1974, estiveram presentes o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares, e, como elemento do MFA, escolhido para representar, o presidente da República Otelo Saraiva de Carvalho, bem como Manuel de Sá Machado (já falecido, irmão do Dr. Sá Machado), que desempenhava então funções no MNE.
(B) Melo Antunes e Almeida Costa, como elemento do MFA constituíam a delegação portuguesa
(C) A delegação portuguesa em Lusaca, em 7 de Setembro de 1974, além dos que estiveram em Dar es-Salam, integrava, ainda, o tenente-coronel Lousada, o major Casanova Ferreira e Dr. Almeida Santos.
(D) Extremistas brancos manifestaram-se em Lourenço Marques contra os textos de acordos de Lusaca, contestando a legitimidade da Frelimo como representante do povo moçambicano. O Rádio Clube chegou a estar ocupado e ao serviço dos revoltosos.
(E) «Comandos portugueses», prestes a regressar a Lisboa, provocaram distúrbios na zona central de Lourenço Marques, havendo confrontações com militares da Frelimo. Só dois dias depois os militares portugueses, em conjugação com a Frelimo, puseram termo aos encontros, que entretanto haviam, feito mais de quarenta mortos e 150 feridos.
(F) O ministro dos Negócios Estrangeiros (IV Governo Provisório) era o major Melo Antunes.
 “O Jornal”, em 12.04.79


POEMA E FOTOS DO TEATRO DE GUERRA



 As nossas frases estão cheias de picadas
            de minas a explodir nos substantivos
            por dentro do silêncio há emboscadas
            não sabemos sequer se estamos vivos.
            Os helicópteros passam nas imagens
            a meio de uma vírgula morre alguém
            e os jipes destruídos estão nas margens
            do papel onde talvez para ninguém
            se vão escrevendo estas mensagens. (p.550)



 EMBOSCADAS





ENFERMEIRA PARA-QUEDISTA ZULMIRA ANDRE MINHA CONTERRÂNEA DE SANTA BÁRBARA DE NEXE

NAPALM E LANÇA-ROCKETS

Os governos isolacionistas de Salazar e do seu continuador Marcelo Caetano teimavam em jurar a pés juntos perante a comunidade internacional que jamais haviam utilizado substâncias tóxicas (hoje conhecidas por armas químicas) ou outras, proibidas pela Convenção de Genebra.
Porém, os militares mais esclarecidos sabiam que tais afirmações constituíam uma mentira.
Aqueles que tiveram o arrojo de as denunciar estavam exilados e a suas palavras careciam de provas, as quais, obviamente, só poderiam ser obtidas no cenário da guerra.
Os que se encontravam nas matas manuseando-as e aplicando-as ou os que assistiam aos seus efeitos, em tempos da chamada guerra de acção psicológica não viam, não ouviam e calavam, pois corriam o sério e inevitável risco de serem sumariamente abatidos pela Polícia Política.
Os lança-rockets encontravam-se entre o equipamento bélico considerado proibido e também a sua utilização era categoricamente desmentida.
Foi com alguma imprudência, talvez traduzida pela inconsciência dos vinte anos de idade que eu e o Carlos Barros, munidos de uma máquina fotográfica, bem escondida no vestuário, nos deslocámos à pista de terra batida em Quicua (distrito do Uíge) com o objectivo de captar as imagens interditas. Aproveitámos a hora da refeição e tão rápida quanto furtivamente tirámos, sem que ninguém se houvesse apercebido, algumas fotografias a uma avioneta militar : uma DO (Dornier) suportando por debaixo de cada asa aquelas armas altamente destruidoras, as quais os nossos governantes escondiam ao mundo.




GUERRA COLONIAL PORTUGUESA -29ª PARTE - HOJE UM APANHADO DE TODO O CONFLITO

Guerra Colonial Portuguesa


Este artigo ou secção contém uma ou mais fontes no fim do texto, mas nenhuma é citada no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidadedas informações. (desde maio de 2009)
Por favor, melhore este artigo introduzindo notas de rodapé citando as fontes, inserindo-as no corpo do texto quando necessário.
Guerra Colonial Portuguesa
Parte da(o) Guerra Fria e dos Movimentos de Independência Africanos


Embarque.jpg

Embarque de tropas portuguesas durante a guerra colonial
Combatentes
Portugal
Movimentos de independência
Principais líderes
Angola:
Francisco da Costa Gomes
Guiné-Bissau:
António de Spínola
Moçambique:
António Augusto dos Santos (1964–69),
Kaúlza de Arriaga (1969–74)
Angola:
Holden Roberto
Jonas Savimbi
Agostinho Neto
Mário Pinto de Andrade
Daniel Chipenda
Guiné-Bissau:
Amílcar Cabral
Moçambique:
Eduardo Mondlane (1962–69)
Filipe Samuel Magaia(1964–66)
Samora Moïses Machel(1969–75)
Forças
148.000
65.000 em Angola
32.000 na Guiné-Bissau
51.000 em Moçambique
38.000-53.000 + ? Guerrilha
18.000 em Angola
10.000 na Guiné-Bissau
10-15.000 em Moçambique
Vítimas
8.289
15.507 com deficiência permanente (física ou psicológica)
50.000 em Angola
~6.000 mortos
~4.000 feridos na Guiné-Bissau
>10.000 mortos em Moçambique
Designa-se por Guerra ColonialGuerra do Ultramar (designação oficial portuguesa do conflito até ao 25 de Abril), ou Guerra de Libertação (designação mais utilizada pelos africanos independentistas), o período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de AngolaGuiné-Bissau eMoçambique, entre 1961 e 1974. Na época, era também referida vulgarmente em Portugal como Guerra de África.
O início deste episódio da história militar portuguesa ocorreu em Angola, a 4 de Fevereiro de 1961, na zona que viria a designar-se por Zona Sublevada do Norte, que corresponde aos distritos do ZaireUíje e Quanza-Norte. A Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, determinou o seu fim. Com a mudança do rumo político do país, o empenhamento militar das forças armadas portuguesas deixou de fazer sentido. Os novos dirigentes anunciavam ademocratização do país e predispunham-se a aceitar as reivindicações de independência das colónias — pelo que se passaram a negociar as fases de transição com os movimentos de libertação empenhados na luta armada.
Ao longo do seu desenvolvimento foi necessário aumentar progressivamente a mobilização das forças portuguesas, nos três teatros de operações, de forma proporcional ao alargamento das frentes de combate que, no início da década de 1970, atingiria o seu limite crítico. Pela parte portuguesa, a guerra sustentava-se pelo princípio político da defesa daquilo que considerava território nacional, baseando-se ideologicamente num conceito de nação pluricontinental e multi-racial. Pelo outro lado, os movimentos de libertação justificavam-se com base no princípio inalienável de autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à luta.



Contexto político-social

Nas colónias europeias sempre existiram movimentos de oposição e resistênciaà presença das potências coloniais. Porém, ao longo do século XX, o sentimento nacionalista — fortemente impulsionado pelas primeira e segunda guerras mundiais — era patente em todas as movimentações europeias, pelo que não será surpreendente notar o seu alastramento às colónias, já que também muitos dos seus nativos nelas participaram, expondo o paradoxo da celebração da vitória na luta pela libertação, em território colonial, ainda submetido e dependente.
Por outro lado, também as grandes potências emergentes da II Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética, alimentavam — quer ideologicamente, quer materialmente — a formação de grupos de resistência nacionalistas, durante a sua disputa por zonas de influência. É neste contexto que aConferência de Bandung, em 1955, irá conceder voz própria às colónias, que enfrentavam os mesmos problemas e procuravam uma alternativa ao simples alinhamento no conflito bipolar que confrontava as duas grandes potências. Estas, eram, assim, chamadas a considerar com outra legitimidade as reivindicações do chamado Terceiro Mundo, quer para manter o equilíbrio nas relações internacionais da Guerra Fria, quer para canalizar os sentimentos autonomistas para seu benefício, como zona de influência. A influência externa nas colónias perdia a orientação meramente separatista e desestabilizadora, e caminhava para um efectivo apoio - ou entrave - nas relações com os países colonizadores.




No final da década de 1950, as Forças Armadas Portuguesas viam-se confrontadas com o paradoxo da situação política gerada pelo Estado Novo, que haviam implantado e sustentado desde 1926: por um lado, a política de neutralidade portuguesa na II Guerra Mundial colocava as Forças Armadas Portuguesas afastadas de um eventual confronto Leste-Oeste, por outro, aumentava, na perspectiva do regime, a responsabilidade na manutenção da soberania sobre os vastos territórios ultramarinos, onde a tensão do pós-guerra avizinhava lutas independentistas nas colónias da Europa Imperial. Contudo, os mesmos dirigentes que afastaram Portugal da luta pela libertação europeia, optaram por integrar o país na estrutura militar da NATO, num subtil desejo de se aliar aos vencedores, em detrimento da preparação para as ameaças nos espaços coloniais, que o próprio regime considerava imprescindíveis para a sobrevivência nacional.
Esta integração de Portugal na Aliança Atlântica iria formar uma elite de militares que se tornaria indispensável para o planeamento e condução dasoperações durante a Guerra do Ultramar. Esta "geração NATO" ascenderia rapidamente aos mais altos cargos políticos e de comando, sem necessidade de dar provas de fidelidade para com o regime. A Guerra Colonial estabelecia, assim, incompatibilidades entre a estrutura militar — fortemente influenciada pelas potências ocidentais, de regime democrático — e o poder político. Alguns analistas consideram que o chamado «golpe Botelho Moniz» marcou o início desta ruptura, bem como a origem de uma certa desconfiança do regime em relação à manutenção de um único centro de comando, perante a ameaça do confronto com a força armada. Esta situação provocaria, como se verificaria mais tarde, a descoordenação entre os três estados-maiores (ExércitoForça Aérea eMarinha).

O regime do Estado Novo nunca reconheceu a existência de uma guerra, considerando que os movimentos independentistas eram apenas terroristas e que os territórios não eram colónias, mas províncias e parte integrante de Portugal. Durante muito tempo, grande parte da população portuguesa, iludida pela censura à imprensa, viveu sob a ilusão de que, em África, não havia uma guerra, mas apenas alguns ataques de terroristas e de potências estrangeiras.

Oposição

Ver artigo principal: Oposição à ditadura portuguesa
Contrariando o que o estado pretendia transmitir como sendo de consenso geral, isto é, que as colónias faziam parte da unidade nacional, os comunistas foram os primeiros a opor-se aos confrontos. Na verdade, a primeira organização a manifestar-se publicamente foi o PCP, em 1957, durante o seu V Congresso, pedindo a independência imediata, completa e indolor. Porém, a censura do regime obrigava o partido a representar dois papéis: o de partido político e o de força de coesão entre os sectores oposicionistas, com os quais acordava programas que não reflectiam as suas posições anticoloniais; seguindo a mesma linha de orientação, já assim se tinham manifestado, durante as eleições presidenciais celebradas durante o Estado Novo, onde era defendida essa unidade: Norton de Matos (1949), Quintão Meireles (1951), Humberto Delgado(1958), e mesmo os candidatos apoiados pelo PCP: Ruy Luís Gomes e Arlindo Vicente.
Depois da fraude eleitoral de 1958, Humberto Delgado formou o Movimento Nacional Independente (MNI) que, em Outubro de 1960, defendia a necessidade de preparar o povo das colónias, antes de lhe ser concedido o direito à autodeterminação. No entanto, nenhuma data ou metodologia foi sugerida.

Assim, a oposição ia-se assumindo lentamente, começando pelo estalar da luta armada, até se aperceber que o conflito estava a durar tempo demais. Em 1961, o nº 8 da Tribuna Militar tinha como título, "Ponhamos fim à guerra de Angola". Os seus autores estavam ligados às Juntas de Acção Patriótica (JAP), apoiantes de Humberto Delgado, responsáveis pelo ataque ao quartel de Beja. A Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), criada em Dezembro de 1962, contrapunha as posições conciliadoras. O sentimento oficial do estado português, contudo, mantinha-se: Portugal possuía direitos inalienáveis e legítimos sobre as colónias e era isso que era transmitido pelos meios de comunicação e pela propaganda estatal.
Em Abril de 1964, o Directório de Acção Democrata-Social reivindicava uma resolução política e não militar. Em sintonia com esta iniciativa, em 1966Mário Soares sugeria a preparação de um referendo sobre a política ultramarina a seguir por Portugal, e que deveria ser precedido por um debate nacional a realizar durante seis meses.
Nem a morte de Salazar fez com que o panorama político se alterasse. Só com aseleições legislativas de 1969 se viria a verificar uma radicalização da atitude política, nomeadamente entre as camadas mais jovens, que mais se sentiam vitimizadas pela continuação da guerra. As universidades desempenharam um papel fundamental na difusão deste posicionamento. Surgem, assim, as publicações Cadernos CircunstânciaCadernos NecessáriosTempo e Modo, ePolémica. É neste ambiente que a Acção Revolucionária Armada (ARA) e asBrigadas Revolucionárias (BR) se revelam como uma importante forma de resistência contra o sistema colonial português, dirigindo os seus ataques, principalmente, contra o Exército.

A ARA, vinculada ao PCP, iniciou as suas acções militares em Outubro de 1970, mantendo-as até Agosto de 1972. Destacam-se o ataque à Base Aérea de Tancoscontra equipamento da Força Aérea, a 8 de Março de 1971, e o atentado contra as instalações do quartel-general do COMIBERLANT, em Oeiras, em Outubro do mesmo ano. As BR, por sua vez, iniciaram as acções armadas a 7 de Novembrode 1971, com a sabotagem da base da NATO de Pinhal de Ameiro, verificando-se a última a 9 de Abril de 1974, contra o navio Niassa que se preparava para zarpar de Lisboa transportando tropas para a Guiné. As BR chegaram, inclusive, a agir nas colónias, colocando uma bomba no Comando Militar de Bissau, a 22 de Fevereiro de 1974.
Também o alinhamento dos sectores da finança e negócios, classes médias e movimentos operários constituiu um importante ponto de inflexão na contestação à política do regime, em 1973. Apresentavam-se, agora, concordantes quanto à independência das colónias, poucos meses antes do 25 de Abril.

Antecipação casual

A instrução dos quadros e tropas das forças portuguesas, por normalização da estrutura da NATO, concebeu a publicação de um conjunto de manuais intitulados "O Exército na Guerra Subversiva" que serviriam de suporte para a organização das tropas durante a Guerra. Introduziam também a necessidade daguerra psicológica que se revelaria como uma frente de combate sólida para Portugal. Com efeito, a "conquista das populações" foi aplicada a níveis tácticos e estratégicos com sucesso, exceptuando as dificuldades no início e fim da guerra.
Também se revelou fundamental a especialização de grupos armados, como osComandos, único corpo organizado especificamente para esta guerra — desmantelado pouco tempo depois de esta terminar — e adaptação dosFuzileiros e pára-quedistas. Quanto às unidades recrutadas no próprio teatro de operações, as tropas especiais africanas, os TE, GE e GEPFlechas e fuzileiros foram adaptadas às técnicas de combate específicas deste tipo de cenário (guerrilha) e terreno. Porém, a quase sempre deficiente instrução dos efectivos implicaria uma crescente degradação da sua eficácia, a par com o cansaço e esvaziamento dos quadros permanentes.
Com o embargo internacional à venda de armas a Portugal, as forças armadas viram-se, a partir dos anos 70, ultrapassadas tecnologicamente pelos movimentos de libertação, o que foi especialmente notório na Guiné-Bissau. O défice seria provisoriamente suportado pela supremacia aérea, até à introdução dos mísseis anti-aéreos por parte dos guerrilheiros.

Conflito armado

Angola

Ver artigo principal: Guerra de Independência de Angola
Em Angola, a sublevação da ZSN foi efectuada pela União das Populações de Angola (UPA) — que passou a designar-se como Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) em 1962. A 4 de Fevereiro de 1961, o Movimento Popular de Libertação de Angola reivindicou o ataque à cadeia de Luanda, onde foram mortos sete polícias. A 15 de Março de 1961, a UPA, num ataque tribal, deu origem a um massacre de populações brancas e trabalhadores negros naturais de outras regiões de Angola. Esta região seria reocupada mediante operações militares de grande envergadura que, porém, não conseguiram conter o alastramento das acções de guerrilha a outras regiões de Angola, como Cabinda, o Leste, o Sudeste e planalto central. Ao MPLA, que desempenhou um papel fundamental, há a acrescentar, a partir de 1966, a acção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Com motivações essencialmente tribais, e dirigidos de forma autocrática porHolden Roberto, a actividade da UPA caracterizou-se pela guerrilha rural, realizada por pequenos grupos armados, e pelo massacre de populações, como já se previa na sua primeira acção. Com catanas e algumas espingardas, oscanhangulos, procuravam apoderar-se das armas das fazendas e postos administrativos atacados. Não manifestaram interesse em consolidar o domínio territorial, conseguido nos primeiros dias, nem foi apresentado qualquer programa político.
Em Angola, os efectivos militares contavam, no início de 1961, com 5000 militares africanos e 1500 metropolitanos, organizados em dois regimentos deinfantaria — um em Luanda e outro em Nova Lisboa (actual Huambo) — cada um com dois batalhões de instrução e outro de atiradores) e um grupo de cavalaria, sediado em Silva Porto. A densidade média era, portanto, de um soldado para cada 30 km². Imediatamente disponíveis para acorrer à zona afectada estavam apenas mil soldados europeus e 1200 africanos.

Guiné-Bissau

Na Guiné, os confrontos foram iniciados, na perspectiva portuguesa, em Julho de 1961 quando guerrilheiros do Movimento de Libertação da Guiné (MLG) lançaram ataques às povoações de S. Domingos, Suzana e Varela, junto à fronteira noroeste com o Senegal.4 Na perspectiva guineense, os confrontos iniciaram-se em Janeiro de 1963, quando o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), sob a forma de guerrilha, desencadeou um ataque ao quartel de Tite, a Sul de Bissau, junto ao rio Corubal. Com a acção do MLG no noroeste, a partir do Senegal, e do PAIGC no sul, a partir da Guiné-Conacri, os ataques rapidamente se estenderam a quase todo o território, crescendo continuamente de intensidade, e exigindo um empenhamento proporcional por parte dos portugueses.
guerra na Guiné colocou frente a frente dois homens de forte personalidade:Amílcar Cabral e António de Spínola, responsáveis pela modelação do teatro de operações na Guiné. Em 1965 dá-se o alastramento da guerra ao Leste (Pirada,CanquelifáBeli). Nesse mesmo ano, o PAIGC realizou missões no Norte, na região de São Domingos, onde, até ao momento, apenas actuava a FLING, que se via a braços na luta, depois da OUA ter canalizado o seu apoio para o PAIGC. Este, em sequência da sua crescente afirmação internacional, viria a receber apoio militar cubano, que duraria até ao final da guerra.
Pode-se dizer que as forças portuguesas desempenharam, na Guiné, uma força defensiva, mais de manutenção das posições que propriamente de conquista das populações, limitando-se, de uma forma geral, a conter as acções do PAIGC. Por isso, esta época infligiu um grande desgaste para os portugueses, constantemente surpreendidos pelos guerrilheiros e pela influência destes junto da população que, entretanto, era recrutada para o movimento.
Com as decisões de António de Spínola, as forças portuguesas ganhavam um carácter mais ofensivo. Entre 1968 e 1972, sob o comando deste general, conseguiriam manter a situação sob controlo e, por vezes, levar a cabo acções de confirmação das posições estratégicas. Mais: agora lutava-se subversivamente, utilizando a manipulação propagandística que iria afectar os níveis mais altos da hierarquia do PAIGC. Porém, a situação pendeu rapidamente para o lado do PAIGCcarece de fonte que, não obstante o assassínio de Amílcar Cabral, não diminuiu a actividade operacional.
Em Março, o aparecimento dos mísseis anti-aéreos Strela-2 (russo: 9К32 "Cтрела-2"; código NATOSA-7 Grail), de fabrico soviético, obrigaria as tropas portuguesas a reavaliarem o esforço de guerra. Durante algum tempo, o suporte aéreo ficou, assim, indisponível, o que teve graves repercussões nas tropas, mesmo a nível psicológico.
Marcelo Caetano, em conflito com Spínola, dispensou o general do cargo degovernador, que seria ocupado por Bettencourt Rodrigues a 21 de Setembro de1973. Três dias depois, o PAIGC declarava a independência do novo estado, emMadina do Boé. Curiosamente, nem Spínola nem Bettencourt estavam no terreno durante esta ocorrência.

Moçambique

Em Moçambique, o movimento de libertação, denominado Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), efectuou a sua primeira acção nos dias 24 e 25 de Setembro de 1964, num ataque a Chai, na província de Cabo Delgado, estendendo-se posteriormente ao NiassaTete e para o centro do território. Porém, um relatório do Batalhão de Caçadores 558 refere acções violentas a 21 de Agosto de 1964, na região de Cabo Delgado, como indica o relatório do Batalhão de Caçadores 558. O mesmo relatório refere que, três dias depois, um padre da Missão de Nangololo tinha sido ferido mortalmente. Estas acções foram atribuídas a grupos de guerrilheiros MANU e da UDENAMO.
16 de Novembro do mesmo ano, as tropas portuguesas sofriam as primeiras baixas no Norte de Moçambique, região de Xilama. A organização e armamento dos guerrilheiros evoluía rapidamente. Também o acidentado terreno, a baixa densidade das forças portuguesas e a fraca presença de colonos facilitaram a acção da Frelimo, que alargava a sua acção para Sul, na direcção de Meponda eMandimba, mostrando intenção de ligar-se a Tete, atravessando o Malawi, que apoiou, nos primeiros anos, o trânsito e refúgio de guerrilheiros.
Até 1967, a FRELIMO mostrou-se menos interessada pela região de Tete, exercendo o seu esforço nos dois distritos do Norte, onde a utilização de minas terrestres se destacou de forma particular. No Niassa, a intenção da FRELIMO era simultaneamente criar uma zona livre, e uma zona de passagem para Sul, em direcção à Zambézia
Já em Abril de 1970, a actividade militar da Frelimo aumentou de forma significativa, devido à presença de Samora Machel em Cabo Delgado, onde apresentaria os planos de ofensivas a executar em Junho e Julho.
Até 1973/74, as atenções viravam-se para Cabora Bassa. Os últimos tempos de guerra caracterizaram-se pelo avanço da FRELIMO para Sul, registando acções na zona de Chimoio e agitação das populações de origem europeia. O generalKaúlza de Arriaga disponibilizava-se para continuar o comando, mas impunha condições que o Governo de Lisboa não aceitou. Terminada a sua comissão em Agosto de 1973, foi substituído pelo general Basto Machado. A situação continuaria a deteriorar-se até aos designados "acontecimentos da Beira", em Janeiro de 1974, quando as populações brancas de Vila Pery e da Beira se manifestaram contra a incapacidade das forças portuguesas de suster a situação, já esgotada de efectivos e sem possibilidade do reforço dos meios de combate.

Estado Português da Índia

Ver artigo principal: Invasão de Goa
A resistência à dominação portuguesa na Índia manifestou-se no contexto dadescolonização europeia. Após a independência indiana concedida pelosbritânicos, em 1947, Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir a sua posse. A atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que se pronunciou a favor da Índia. Em 1954, após a descolonização francesa Pondicherry, a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli, que desde 1779 faziam parte do Estado Português da Índia.
A Índia impediu Portugal de deslocar militares para a sua defesa, acabando por anexar formalmente os enclaves em Agosto de 1961, após vários protestos pacíficos, com o governo português liderado por António de Oliveira Salazar a recusar-se a negociar. Em Dezembro de 1961, a União Indiana invadia os territórios de Goa, Damão e Diu. De 18 para 19 de Dezembro de 1961 uma força de 40.000 soldados a Índia independente conquistou Goa, numa acção armada - feita por terra, ar e mar, que durou cerca de 36 horas - acabou com o domínio Português de 451 anos em Goa encontrando pouca resistência, e integrou oEstado Português da Índia no seu território. O último governador do Estado Português da Índia, o general do Exército Português Manuel António Vassalo e Silva caiu, junto com a guarnição portuguesa em Goa, quando da invasão indiana. Vassalo e Silva, com cerca de 3000 homens em armas, teve de se render (e ficaram temporariamente prisioneiros, e em «maus lençóis») perante as forças indianas que contavam com cerca de 40000. Teve no entanto ordem de Oliveira Salazar para que não se rendessem e lutassem até à morte. Como Vassalo e Silva «decidiu» a rendição, face às circunstâncias, foi expulso das Forças Armadas Portuguesas, tendo sido reintegrado após o 25 de Abril.

E no ano seguinte tomava a Ilha de Angediva. À época, o Conselho de Segurança da ONU considerou uma resolução que condenava a invasão, o que foi vetado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A maioria das nações reconheceram a acção da Índia, no entanto, Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios, mantendo-os representados naAssembleia Nacional até 1974, altura em que se deu a Revolução dos Cravos. A partir de então, Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia, começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado Português da Índia. No entanto, aos seus habitantes que o pretendessem foi dada a possibilidade de manterem a cidadania portuguesa.

Acção psicológica e Aldeamentos

Durante o conflito em África, uma das estratégias das forças portuguesas foi a designada Acção Psicológica (baseada na doutrina militar norte-americana efrancesa),5 cujo objectivo era obter o apoio da população; desmoralizar o inimigo, procurando mesmo que este passasse a cooperar com o seu adversário; e manter elevado o moral das próprias tropas.6 Este tipo de acção manteve-se durante todo o conflito, e terá sido crucial para a manutenção das Forças Armadas em África durante o período da guerra.5 7
Os principais meios utilizados para a acção psicológica eram a propaganda, a contra-propaganda e a informação. Em relação às populações, fazia-se o possível para lhes "conquistar o coração" através de programas de educação, ajuda sanitária, económica e religiosa, dando-lhes melhores condições de vida.6 A política de acção social das forças portuguesas materializava-se nos "aldeamentos" e "reordenamento rural", criando, assim, um ordenamento e controlo da população, dificultando o seu contacto com os guerrilheiros.5 Estes "aldeamentos", cercados por arame farpado,8 eram vigiados tanto pelo exército como pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), e também por uma milícia composta por elementos da própria população, que também fazia parte da rede de informação da polícia secreta portuguesa. No entanto, este sistema de concentração da população em aldeias começou a ser posto em causa por volta de 1967, quando alguns oficiais, polícia e funcionários públicos argumentaram sobre a ruptura causada à área rural - abandonada - e ao seu futuro desenvolvimento.9 No início da década de 1970, cerca de um milhão de pessoas tinham sido realojadas em Angola, e outro tanto em Moçambique, no âmbito do programa.8
Já no que concerne ao inimigo, a táctica era criar um fosso entre os guerrilheiros e a população, tentando criar uma má imagem daqueles junto desta; tentava-se, ainda, apelar à sua rendição garantindo-lhes toda a ajuda. Por seu lado, as forças independentistas dirigiam-se às populações com ideais de justiça, paz, independência e auto-determinação.6
Em termos internos, as tropas portuguesas também agiam junto dos seus homens reforçando-lhes o moral transmitindo-lhes a ideia de que o que combatiam era uma causa justa, recorrendo-se da exaltação patriótica.6 No início do conflito, Portugal não estava preparado, ao nível social e legislativo, para dar apoio em caso de morte, ou ferimento, dos militares, nem das suas famílias.10 É aqui que entra o Movimento Nacional Feminino (MNF)11 e a Secção Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP). O MNF e a CVP, foram duas organizações que tiveram uma forte influência entre os militares portugueses utilizando a figura da mulher para, moralmente, os fortalecer e suprimir, de algum modo, as ditas falhas sociais e legislativas. Organizavam vários eventos como a festa de Natal, visita de artistas, a angariação das madrinhas de guerra para troca de correspondência entre os soldados, apoio a feridos e envio de lembranças.12 A acção destas duas instituições iria ter um papel importante junto do governo português no que diz respeito a novas leis e normas sobre os feridos em combate, as suas pensões e apoio às famílias dos mortos.10
Em Portugal, a Acção Psicológica, e toda a sua organização, só teve início em 1963, integrada na contra-informação; nos anos seguintes, com o desenrolar da guerra, esta acção passou a fazer parte do Secretariado-Geral da Defesa Nacional, no Serviço de Informação Pública das Forças Armadas.12
A Organização de Unidade Africana
Formalmente constituída em Adis Abeba em Maio de 1963, a Organização de Unidade Africana (OUA) assentava sobre algumas das bases de cooperação africana estabelecidas pela Conferência de Lagos tanto a nível geral como regional, com a missão de reforçar a unidade e solidariedade dos estados africanos, defender a sua integridade territorial e autonomia, e eliminar, sob todas as formas, o colonialismo em África. Este último tornar-se-ia o principal objectivo da organização, mediante intervenções perante o Conselho de Segurança da ONU, como no caso da reunião urgente deste Conselho para a avaliação da conduta portuguesa para com as colónias africanas.]]),13
A OUA estabeleceu um Comité de Ajuda aos Movimentos de Libertação, com sede em Dar-es-Salam, onde integrava representantes da EtiópiaArgélia,UgandaEgiptoTanzâniaZaireGuiné-ConacriSenegal e Nigéria. Esta ajuda distribuía-se pela criação de infraestruturas, treino militar e na compra dearmamento.
Relativamente à questão colonial portuguesa, a OUA desencadeou acções no sentido do reconhecimento do Governo Revolucionário de Angola no Exílio(GRAE), formado pela FNLA e Holden Roberto, em 1964. Este apoio foi, contudo, transferido para o movimento MPLA de Agostinho Neto, a partir de1967, em detrimento do primeiro, para, em Novembro de 1972, novamente serem reconhecidos ambos os movimentos, tendo em vista a sua união. A legitimação da UNITA como organização anticolonialista pela OUA só se viria a verificar nas vésperas do Acordo de Alvor (1974). Em 1964, a OUA reconheceu oPAIGC como o legítimo representante da Guiné-Bissau e Cabo Verde, bem como a Frelimo para Moçambique, em 1965.
Afora a questão portuguesa, a OUA ainda se esforçou por afastar a intervenção das potências externas durante a guerra da secessão do Catanga (1960-65), adeclaração unilateral da independência da Rodésia (1966-1979) e o conflito de Biafra (1967-1970).

O fim da guerra

25 de Abril de 1974, planeado e executado por militares dos três ramos dasForças Armadas Portuguesas, uma nova geração de oficiais de baixa e média patente, formada e criada na guerra, que aprendera a agir com autonomia, levantaria, sob a direcção do Movimento das Forças Armadas (MFA), um período revolucionário que transformaria radicalmente o Estado e a sociedade. Embora inúmeros factores tenham contribuído para a revolução, a Guerra Colonial foi, desde sempre, apontada como a principal justificação para a queda irrevogável do Estado Novo em Portugal.
O Programa do MFA, da responsabilidade da sua Comissão Coordenadora apresentava, de forma inequívoca, a vontade de possibilitar a independência das colónias. Porém, a remoção desta alínea, negociada durante a noite de 25 para 26 de Abril, levantaria ainda alguns equívocos a respeito, que só seriam esclarecidos pela Lei 7/74 de 27 de Julho. Esta medida levantaria grande parte da cortina que separava o Estado Português de conseguir negociações com os movimentos de libertação. Dava-se assim início ao processo de descolonização.
Porém, a ambiguidade das primeiras posições relativas à nova política colonial gerou situações duvidosas que não puderam ser ultrapassadas sem graves desentendimentos. Cada redefinição do processo representava uma dura luta entre António de Spínola e a Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Os dois projectos apresentados para essa nova política diferiam, sobretudo, nas questões ligadas com as futuras relações de Portugal com as colónias; mesmo os pontos concordantes seriam rapidamente submetidos perante a prova prática da realidade, o que exigiu, na maioria das vezes, a sua revisão. Assim, com o esclarecimento pela Lei 7/74, e posterior comunicado conjunto Portugal-ONU, publicado a 4 de Agosto, eram levantadas as últimas dúvidas, dando início à fase definitiva da descolonização.
Iniciaram-se as negociações com o PAIGC e com a Frelimo, que levaram à assinatura de protocolos de acordo. Em Argel, a 26 de Agosto ficava concluído o processo entre Portugal e o PAIGC, em que a ex-colónia era reconhecida como estado soberano, sob o nome de «República da Guiné-Bissau». O último contingente militar regressou da Guiné em 15 de Outubro.
Relativamente a Moçambique, seria assinado a 7 de Setembro, em Lusakaum acordo conducente à independência moçambicana. Contudo, grupos organizados, num movimento contrário ao acordo, assaltaram as instalações daRádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques e outras cidades, e seus emissores regionais, sugerindo a intervenção da África do Sul. Esta tentativa desestabilizadora do processo de paz viria a fracassar, sob a acção das Forças Armadas Portuguesas.
Relativamente a São Tomé e Príncipe e Guiné Portuguesa, foi assinado o Acordo de Argel em 25 de agosto de 197414 .
Quanto a Cabo Verde, o acordo entre Portugal e o PAIGC já estabelecia o princípio do acesso deste arquipélago à autodeterminação e independência. Em17 de Dezembro seria publicado o Estatuto Constitucional de Cabo Verde, prevendo eleições por sufrágio directo e universal, a 30 de Junho de 1975. A assembleia instituída a partir daí proclamou a independência do território a 5 de Julho de 1975.
Quanto a Angola, a aproximação dos três movimentos de libertação constituía uma dificuldade para o governo português. Com efeito, pairava a possibilidade do alargamento de um confronto entre os países ocidentais, a África do Sul e aUnião Soviética. Spínola reunir-se-ia ainda com Mobutu, com alguma continuidade, mas viria a demitir-se do cargo a 30 de Setembro. Com Costa Gomes na Presidência da República Portuguesa, desenvolveram-se conversações dirigidas especificamente a cada um dos movimentos. Inicialmente, com aFNLA, posteriormente com o MPLA. Porém, as várias tentativas de restabelecer a paz em Angola e minimizar o impacto da descolonização seriam deitadas por terra rapidamente. A guerra civil arruinou a serenidade deste processo, agravando a situação interna, com milhares de vítimas e a fuga dos portugueses.
Também em Timor-Leste se verificou um período dramático, já que as autoridades portuguesas não tinham como dispor de capacidade para normalizar os conflitos, acabando a Indonésia por invadir a ilha.
Em suma, as condições oferecidas pelo novo regime para a descolonização, reconfigurou a situação no continente africano, com a criação de novos países independentes em busca dos seus próprios rumos e afirmação nacional, o que viria contribuir para o desmantelamento do governo branco na Rodésia e doapartheid na África do Sul.

Consequências

Custos financeiros


Evolução das despesas extraordinárias das Forças Armadas Portuguesas e do Estado.
Orçamento e as contas do Estado Português, ao longo das décadas de 1960 eseguinte reflectiram claramente o esforço financeiro exigido ao país durante a guerra. Obviamente, as despesas com a Defesa Nacional sofreram crescentes aumentos a partir de 1961, com o despoletar dos sucessivos conflitos em África. Estas despesas com as Forças Armadas classificavam-se, para efeito orçamental, como ordinárias (DO), de carácter normal e permanente, e extraordinárias (DE), respeitantes à defesa da ordem pública em circunstâncias excepcionais. A parcela mais importante das DE, os gastos com as províncias ultramarinas, inscrevia-se no Orçamento, na rubrica Forças Militares Extraordinárias no Ultramar (OFMEU). É interessante verificar que as despesas totais do Estado sofrem incremento acentuado a partir de 1967/68, coincidindo com a subida ao poder de Marcelo Caetano.
As dificuldades orçamentais encontradas pelas Forças Armadas Portuguesas levaram o Exército a estudar o custo mínimo para as forças em campanha (OFMEU), concluindo que o custo diário médio de um combatente era, em 1965, de 165 ESC para a Guiné, 115 ESC para Angola e 125 ESC para Moçambique. Por ano, equivalia, portanto, a cerca de 42000 ESC, de onde se derivou a fórmula V=42n (sendo n o número de homens).

Os veteranos de guerra

  • De origem Portuguesa
Foram também vítimas da guerra os soldados que nela participaram, tornando-se uma das faces mais visíveis das consequências do conflito. Não obstante, os hospitais militares tornaram-se simultaneamente, para estes, um refúgio e um depósito onde a sociedade mantinha longe da vista os corpos amputados. Nem oCódigo de Inválidos de 1929, que visava dar um estatuto de reconhecimento e assistência aos feridos na I Guerra Mundial, evitou que ficassem na miséria, sem direito a assistência médica ou quaisquer regalias sociais.
É também neste contexto que o 25 de Abril de 1974 mostra uma luz de esperança, ao ser instituída a Associação dos Deficientes das Forças Armadas(ADFA) que teve como primeiro acto a apresentação à Junta de Salvação Nacional de um conjunto de princípios reivindicativos, que possibilitavam a prestação de serviços de apoio aos associados, desde os processos burocráticos e administrativos, aos cuidados de saúde, reabilitação física e integração social. Esta associação conta com mais de 13 500 associados, ilustrando perfeitamente as necessidades sentidas pelos feridos de guerra. No entanto, alguns levantamentos estatísticos efectuados pela ADFA apontam a marca para os 25 milhares, durante todos os 13 anos de guerra. Em relação ao stress de guerra, a ADFA estima números bastante superiores aos apontados pelas fontes oficiais (560).
  • De origem Guineense
Na ex-Guiné Portuguesa, uma parte dos que combateram pelo lado do governo de Portugal contra o PAIGC, eram soldados ou milícias naturais do próprio território. Após a independência, a grande maioria desses combatentes foram abandonados à sua sorte em consequência de várias circunstâncias entre as quais a falta de definição do seu estatuto nos acordos assinados entre as forças beligerantes e à falta de capacidade de resolução de tantos problemas em simultâneo pelos novos governantes de Portugal durante a Revolução dos Cravos.
A principal consequência desses factos foi a sua perseguição e assassinato pelos seus antigos inimigos. Estima-se que tenham sido assassinados sumariamente milhares de ex-combatentes, havendo quem avance com números na ordem dos onze mil.

O 10 de Junho

O regime aproveitou a data quase esquecida do 10 de Junho, que detinha uma conotação como o Dia da Raça, entretanto desactualizada, para transformá-la num grande evento de apoio à política colonial, sob pretexto de homenagear os heróis que a suportavam na frente de combate. O dia 10 de Junho passaria, assim, a carregar consigo uma identificação próxima com a defesa do regime e das colónias, enquanto as Forças Armadas eram chamadas para a demonstração do poderio militar português.
A primeira das celebrações realizou-se em 1963, no Terreiro do Paço, emLisboa, para condecorar combatentes. Este modelo seguir-se-ia, com ligeiras alterações, até 1973: formatura geral dos três ramos das Forças Armadas, dispondo os alunos do Colégio Militar e do Instituto Militar dos Pupilos do Exército, seguidos dos cadetes da Escola Naval e da Academia Militar. Segundo oDiário de Notícias, edição de 12 de Junho desse primeiro ano, «quatro mil homens descansavam as mãos nas armas de guerra. Em volta, uma multidão silenciosa. A memória dos combatentes do Ultramar impunha respeito».
As cerimónias de condecoração de militares no 10 de Junho celebravam-se também nas regiões militares metropolitanas, no PortoTomarÉvoraFunchalPonta Delgada, presididas pelos respectivos comandantes, bem como nas capitais dos teatros de operações, BissauLuanda e Lourenço Marques, presididas pelos respectivos governadores.
Com a Revolução do 25 de Abril de 1974, o dia passar-se-ia a designar como Dia de Camões, Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Nas artes

No cinema

No cinema português, a Guerra do Ultramar, ao contrário do verificado em outros períodos marcados pelas circunstâncias político-militares, não teve uma incidência direta, quer em atualidades, quer em reportagens, por dois motivos principais: a influência da censura e a posterior importância da televisão. Em contrapartida, o documentarismo mereceu um expressivo incremento nos países africanos envolvidos, especialmente Angola e Moçambique. Na televisão em Portugal o tema esteve pouco presente até ao novo milénio, quando surgiram sólidos contributos entre os quais podem destacar-se As Duas Faces da Guerra, de Diana Andringa e Flora Gomes e, acima de tudo, as três monumentais e rigorosas séries de programas de Joaquim Furtado: A Guerra: Colonial; do Ultramar; de Libertação (em Fevereiro de 2012 a 3ª e última série ainda não foi tornada pública). Por outro lado, a Guerra Colonial reflectiu-se, desde meados da década de 1960, na área ficcional da cinematografia lusitana, explorando sobretudo os conflitos individuais. Destacam-se, a título de exemplo, um documentário longo, em 70 mm, produzido pelo Serviço de Informação Pública das Forças ArmadasAngola na Guerra e no Progresso (1971, Quirino Simões), baseado em Aquelas Longas Horas, de Manuel Barão da Cunha, com uma síntese dos acontecimentos de 1961 e a subversão do Leste a partir de 1967.
Após o 25 de Abril de 1974 e o levantamento da censura política, a produção cinematográfica alterava substancialmente o teor das produções, agora mais voltado para a exposição do pós-guerra. Produzido para a RTPAdeus, até ao Meu Regresso (1974, António-Pedro Vasconcelos) narrava alguns casos significativos entre os milhares de soldados que combatiam na Guiné, a propósito das mensagens de Natal para as famílias; Incompleto ficou O Último Soldado (1979, Jorge Alves da Silva), sobre as dificuldades de readaptaçãoconjugal e social de um oficial pára-quedista (João Perry) de regresso a Portugal;La Vitta e Bella (1979, Grigori Tchoukrai), uma co-produção luso-ítalo-soviética, filmada em Lisboa, sobre um taxista, ex-aviador militar que, durante a guerra de Angola, recusara abrir fogo e afundar um barco com mulheres e crianças; emActos dos Feitos da Guiné (1980), Fernando Matos Silva, argumento comMargarida Gouveia Fernandes, encena, em forma de teatro de crítica, a relação histórica do colonialismo português e seus heróis, com excertos filmados na Guiné, em 1969-70A Culpa (1980, António Vitorino d'Almeida), narra a obsessão de um ex-combatente da guerra da Guiné (Sinde Filipe); Em Gestos & Fragmentos - Ensaios sobre os Militares e o Poder (1982, Alberto Seixas Santos),Otelo Saraiva de Carvalho descreve o percurso, seu e dos seus camaradas doMovimento dos Capitães, que levou o país da Guerra Colonial ao golpe de estadodo 25 de Abril; Um Adeus Português (1985), João Botelho e Leonor Pinhãoevocam um incidente com uma patrulha que se perde no mato, com a morte de um furriel; Era Uma Vez um Alferes (1987, Luís Filipe Rocha), sobre a obra deMário de Carvalho, produzido para a RTP, reconstitui um episódio em África, em que um alferes português pisa uma mina, que rebentará quando ele levantar o pé; Non ou a Vã Glória de Mandar (1990, Manoel de Oliveira), uma reflexão sobre a identidade da pátria por parte de alguns soldados, no final da Guerra, pouco antes do 25 de Abril, ilustrada desde o início de Portugal como nação independente.

Na literatura

Ao contrário da repercussão literária portuguesa em outras ocasiões belicistas, a Guerra Colonial contribuiu significativamente para a produção portuguesa. Com cerca de 60 romances em que é tema, e outros 200 em que é subtema, a literatura sobre os acontecimentos formam a única corrente de fundo centrada sobre a guerra. Também aqui, a dualidade do suporte versus oposição ao impériosó seria manifestada abertamente após a Revolução dos Cravos. Com efeito, as produções tenderam a dramatizar a culpa e assumiram um carácter anti-heróico, antimilitarista e auto-punitivo, como é o caso de Jornada de África de Manuel Alegre, em oposição à produção literária dos africanos lusófonos relativa à sua guerra de libertação. Entre as excepções a estas obras contam-se: A Vida Verdadeira de Domingos Xavier ou Nós, os do Maculusu, de José Luandino Vieira,As Lágrimas e o Vento, de Manuel dos Santos LimaMayombe, de Pepetela (todos romances angolanos), Angola, Angolé, Angolema, de Arlindo Barbeitos, os sete contos compilados em Nós Matámos o Cão Tinhoso, do moçambicano Luís Bernardo Honwana. Um exemplo marcante da literatura imparcial portuguesa foi a obra de António Lobo Antunes, em Os Cus de Judas ou em Fado Alexandrino.
Noutro contexto, a literatura técnica sobre a arte militar conheceu também importantes publicações sobre a experiência de combate por parte de fuzileiros,comandos, desertores e elementos dos corpos auxiliares. Há numerosas publicações que narram a experiência - directa ou indirecta -, da guerra e dos seus efeitos, como, por exemplo, o livro de aerogramas de António Lobo Antunes (D'este Viver aqui neste papel descripto, 2005), os dois volumes do Diário da Guerra, de Mário Beja Santos (2008), O Salazar nunca mais morre, de Manuel Beça Múrias (2009), as Crónicas de Guerra, de Rocha de Sousa (1999), ou os depoimentos de mulheres de militares mobilizados no Ultramar em África no Feminino, de Margarida Calafate Ribeiro (2007).
Na poesiaCouto VianaBação LealAssis Pacheco preenchem a lacuna (todos eles integram a vasta coleção de poemas da Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, de Margarida Calafate Ribeiro - 2011); no drama, Fernando Dacosta, n'Um Jeep em Segunda Mão; nos documentários, o diário Jornal de Campanha de Liberto Cruz; no romancismo, a prosa de Juana Ruas, o romanceMorte em Combate, de António Silveira ou Autópsia de um mar de ruínas, de João de Melo.

Nas artes plásticas

O tema foi pouco tratado no sector de Artes Plásticas, salvo excepções como alguns cartoons de João Abel MantaJaz Morto e Arrefece o Menino de Sua Mãe(1973), de Clara Menéres, ou projectos recentes (Séc. XXI) de Ana Vidigal ouManuel Botelho.

Referências

  1. Ir para cima ↑ Portugal since 1974Britannica
  2. Ir para cima ↑ Mia CoutoCarnation revolutionMonde Diplomatique
  3. Ir para cima ↑ (em portuguêshttp://www.guerracolonial.org/index.php?content=324 FNLA - um movimento em permanente letargia, guerracolonial.org
  4. Ir para cima ↑ Hélio Felgas, Guerra na Guiné, Lisboa, 1967, pp. 60-68.
  5. ↑ Ir para: a b c Guerra Colonial 1961-1974: Manobra das Populações-Psico - Doutrina. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  6. ↑ Ir para: a b c d Guerra Colonial 1961-1974: Manobra das Populações-Psico. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  7. Ir para cima ↑ Bender 1978, pp. 157
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  9. Ir para cima ↑ Bender 1978, pp. 156-164
  10. ↑ Ir para: a b Guerra Colonial 1961-1974: O correio durante a Guerra Colonial - Organizações femininas - Apoio Moral. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  11. Ir para cima ↑ Revista Visão 2011, pp. 92-93
  12. ↑ Ir para: a b Guerra Colonial 1961-1974: Manobra das Populações-Psico - Planos de Acção Psicológica. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  13. Ir para cima ↑ Guerra Colonial 1961-1974: Libertação de África - OUA. Guerracolonial.org. Página visitada em 7 de Dezembro de 2011.
  14. Ir para cima ↑ Presidentes - Democracia - António de Spínola (em português). Museu.presidencia.pt. Página visitada em 11 de setembro de 2010.

Ligações externas




Bibliografia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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