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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Crónica – pessoal – de uma ingerência anunciada e um desrespeito endémico da vontade popular - Eis os últimos 20 anos da Venezuela, no meu humilde entender:








Hugo Dionisio in facebook

Crónica – pessoal – de uma ingerência anunciada e um desrespeito endémico da vontade popular
Eis os últimos 20 anos da Venezuela, no meu humilde entender:
- Chávez eleito em Dezembro de 1998 – 56% dos votos
-Em 1999 começa o processo para a formação e uma Assembleia Constituinte
- Em resultado da orientação pretendida – petróleo e banca nas mãos do estado – começam a contestação das classes brancas e abastadas, sempre com os EUA à frente
- A oposição cria barricadas nos bairros ricos de Caracas, dizendo que a ideia de uma nova constituinte era antidemocrática e contra o povo
- A Assembleia constituinte foi plebiscitada – 70% a favor da constituinte
- As eleições para a constituinte dão 120 dos 131 lugares ao movimento de Chavez
- A oposição reage dizendo que a constituição aprovada é anti-democrática, etc…
- Chavez é reeleito presidente (2001 a 2007) e conquista a maioria absoluta na Assembleia Nacional
- As eleições foram acompanhadas por observadores internacionais que as consideraram um exemplo
- A oposição reaccionária não se deixa abater e, financiada e motivada por Washington, começa a engendrar um golpe de estado
- O estado promove uma reforma agrária e uma nova lei para o petróleo
- Boicotes diversos acompanham o processo de socialização dos sectores estratégicos da economia, a contestação da direita volta a incendiar Caracas
- Não obstante uma melhoria significativa nos níveis de vida (o PIB per capita aumentou entre 2001 e 2009 de pouco mais de 4000 dólares para mais de 10.000), a direita promove, com o apoio da CIA e de Espanha (de Aznar), um golpe de estado
- O Patrão dos patrões (Carmona da Fedecameras) autoproclama-se presidente e Chavez é preso
- Quando os militares constatam que Chavez não tinha renunciado ao poder, voltam atrás no Golpe
- Chavez manda prender os sediciosos golpistas, entre críticas que o apelidavam de ditador, vindas dos EUA e da EU
- Em 2004 e apos uma greve que durou 9 semanas, a oposição conseguiu impor um referendo para decidir sobre a permanecia de Chavez no poder
- O povo vota, perante observadores internacionais, e Chavez é aprovado por mais de 58% dos votos
- Em 2006, novas presidenciais e, numas eleições com 72,4% de participação, Chavez é reeleito por 62,9% dos votos, numa eleição considerada legítima pela OEA
- Após a morte de Chavez, a direita e extrema direita, os EUA e EU pensaram que tinha aí a sua oportunidade
- Numa campanha brutal, Maduro ganha as eleições com 50,6% - nos anais capitalistas, estas eleições, à data aprovadas como legítimas, são consideradas um mito
- Maduro sofre uma contestação brutal, vinda de uma oposição, cada vez mais encarniçada que nãos e conforma com a derrota
- Nas eleições para a Assembleia Nacional, a oposição ganha a maioria dos assentos
- Inicia-se uma guerra institucional que leva à dissolução da Assembleia – nuns países pode-se, noutros é ditadura
- Manifestações promovidas pela direita dão-se nos principais centros urbanos, em resultado morrem 120 manifestantes e mais de 500 polícias
- Os EUA aprovam um bloqueio económico à Venezuela para forçar Maduro a demitir-se
- A EU, mais cautelosa, aprova sanções económicas e dá instruções aos estados membros para que não comprem petróleo, ou não o paguem (se já o receberam)
- Em resultado a economia Venezuelana começa a abanar, enfrentando um crise económica sem precedentes (culpa do incompetente maduro, dizem… As sanções, a falta de financiamento publico e a retenção do petróleo, nada têm a ver)
- Entre açambarcamentos provocados por gananciosos e pelo capital ligado à grande distribuição, o PSUV promove a criação e uma nova constituinte e uma nova constituição
- A constituinte é aprovada em referendo, participado por cerca de 7 milhões de votantes, cerca de 50% dos eleitores
- A nova constituição é aprovada e realizam-se novas presidenciais, Maduro é eleito com 67% dos votos, numas eleições que contaram com mais de 7 milhões de votos, ou seja, mais de metade dos eleitores – nuns países é ditadura, noutros não
- Perante tentativas de golpe, assaltos à casa presidencial em helicóptero, bombas, milícias armadas e outras que tais, Maduro manda prender alguns políticos identificados com as tentativas de assassinato, desestabilização e rebelião – chamam-lhe ditador outra vez
- Em Espanha, prende-se Puidgemont porque quis ser independente – chamaram-lhe “defender a democracia”. Em Portugal passou-se do amor de Don Mário e Chavez, para o ódio ao “ditador “Maduro. Quando dava para virem cá comprar tudo, nãos e queixavam das ditaduras… Foi só ficarem na penúria e…
- O povo Venezuelano sofre porque a extrema direita reaccionária e o imperialismo colonialista, e seus vassalos, não respeitam, nem nunca respeitaram desde Chavez, a vontade popular, por um novo rumo para o seu país – um rumo que até 2013 tinha reduzido o analfabetismo, a pobreza entre a população mais pobre e a população indígena, aumentado a escolaridade distribuído milhares de habitações (cerca de 15% das habitações totais do país).
- Dizem que é o socialismo que faz mal… A pobreza já é óptima! E choram todos lágrimas de crocodilo, enquanto privam a Venezuela e o seu povo com as suas sanções internacionais
- Depois de Dilma e Lula, que mataram a fome a milhões, vem Bolsonaro, na Europa grassa a extrema-direita e num mundo que se atira perigosamente para o abismo do fascismo, querem-me fazer crer que é Maduro o mau!
- Tudo isto enquanto a nossa vida na Europa e EUA piora todos os dias, com cada vez mais, nas mãos de menos. Afinal há exemplos que não podem dar certo!
Não abram os olhos não…

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