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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O QUE SE PASSOU HOJE NO PORTO DE SETÚBAL ....






O que se passou hoje no porto de Setúbal foi uma aula de fundamentos do modo de produção capitalista, tão descarnada e tão clara que parece uma simplificação esquemática para explicar aos recém-chegados: 
trabalhadores precários pagos ao dia, alguns deles há anos nesta condição, exigem contratos efectivos e aumento do ordenado de fome que lhes pagam; a administração do porto, pela voz do abjecto Marecos, responde com prepotência que os estivadores não são precários nenhuns porque trabalham todos os dias e recebem ao fim do mês; chegados ao impasse, os trabalhadores decidem parar a laboração até que o patrão lhes dê ouvidos. 

Durante dias e dias a lida do porto pára e o patrão vai tramando, pela calada, a substituição ilegal dos grevistas por amarelos.
Aqui, qual Deus ex Machina, intervém a organização montada para desempatar, sempre a favor do patronato, estas situações: o Estado, e em concreto os amorosos #ACAB * da sua polícia.

Estranhamente surdos aos gritos de "vocês também são trabalhadores" que hoje se fizeram ouvir, de viseira escudo bastão e shotgun (assim fica fácil encarar o mano a mano com tipos que acartam fardos de 80 kgs todos os dias, não fica, meu valentão do caralho?), os polícias da lei e da ordem arredaram quem exerce o direito legal à greve para auxiliar o crime de substituição de trabalhadores em dia de greve. 

Não se cumpriu a lei, mas a ordem, a ordem burguesa em que o patrão manda e obedece quem tem juízo, essa a bófia fez cumprir de forma exemplar. Por esta talvez recebam medalhas, e quem diz medalhas diz cubos de açúcar.
"A partir de agora as coisas só vão ficar muito pior, garanto eu" disse o António Mariano aos jornalistas enquanto os autocarros entravam pelo porto adentro. Oxalá assim seja, quer em Setúbal, quer por todo o país. Numa altura em que se torna claro que o apoio da esquerda dita radical do PCP e do BE ao Governo burguês não serve nem para uma coisa tão elementar como assegurar que trabalhadores em greve não levam pancada da bófia, é tempo de relembrar que só nós podemos fazer por nossas mãos o que a nós dia respeito neste combate de classe contra classe. 

Ninguém vale aos trabalhadores para comer se não as mãos que têm para trabalhar, e para ser livres, também, só com as suas próprias mãos abrirão caminho. 

Até ao dia em que o Marecos não fará trabalhos forçados no porto que hoje inferniza, até porque os estivadores o vão deixar dormir 8 horas por dia.


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