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terça-feira, 16 de outubro de 2018

VAI À MERDA JOÃO ! VAI À MERDA !





João Luís Alves César das Neves é um economista, catedrático e professor universitário português. É casado e pai de quatro filhos.
Wikipédia
Nascimento: 1957, Lisboa


VAI À MERDA, JOÃO! VAI À MERDA! -
POR CARLOS PAZ,
PROFESSOR UNIVERSITÁRIO NO ISEG.

Carta Aberta ao MENTECAPTO (João César das Neves)

Meu Caro João,
Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.
Confesso que pensei que fossem "excertos", fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).
Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO
e em contexto.
Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:
Não sabes o que é ser pobre;
Não sabes o que é ter fome;
Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.
Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!

Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.

Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUÍR o Aparelho Produtivo Nacional
(Indústria, Agricultura e Pescas).

És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.

De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS!

João, disseste coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: "A MAIOR PARTE dos Pensionistas estão a fingir que são Pobres!"

Estarás tu bom da cabeça, João?

Mais de 85% das Pensões pagas em Portugal são INFERIORES a 500 Euros por mês (bem sei que algumas delas são cumulativas - pessoas que recebem mais que uma "pensão" - , mas também sei que, mesmo assim, 65%
dos Pensionistas recebe MENOS de 500 Euros por mês).

Pior, João, TU TAMBÉM sabes. E, mesmo assim, tens a LATA de dizer que a MAIORIA está a FINGIR que é Pobre?

Estarás tu bom da cabeça, João?
João, disseste mais coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo:
"Subir o salário mínimo é ESTRAGAR a vida aos Pobres!"

Estarás tu bom da cabeça, João?

Na tua opinião, "obrigar os empregadores a pagar um salário maior" (as palavras são exactamente as tuas) estraga a vida aos desempregados não qualificados. 

O teu raciocínio: se o empregador tiver de pagar 500 euros por mês em vez de 485, prefere contratar um Licenciado (quiçá um
Mestre ou um Doutor) do que um iletrado. Isto é um ABSURDO tão grandeque nem é possível comentar!

Estarás tu bom da cabeça, João?

João, disseste outras coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: "Ainda não se pediram sacrifícios aos Portugueses!"

Estarás tu bom da cabeça, João?

Ainda não se pediram sacrifícios?!?
Em que País vives tu, João?
Um milhão de desempregados;
Mais de 10 mil a partirem TODOS os meses para o Estrangeiro;
Empresas a falirem TODOS os dias;
Casas entregues aos Bancos TODOS os dias;
Famílias a racionarem a comida, os cuidados de saúde, as despesas escolares e, mesmo assim, a ACUMULAREM dívidas a TODA a espécie de Fornecedores.

Em que País vives tu, João?

Estarás tu bom da cabeça, João?

Mas, João, a meio da famosa entrevista, deixaste cair a máscara:
"Vamos ter de REDUZIR Salários!"
Pronto!
Assim dá para perceber. Foi só para isso que lá foste despejar os DISPARATES todos que despejaste.
Tinhas de TRANSMITIR O RECADO daqueles que TE PAGAM: "há que reduzir os salários!".

Afinal estás bom da cabeça, João.

Disseste TUDO aquilo perfeitamente pensado.

Cumpriste aquilo para que te pagam os teus amigos da Opus Dei (a que pertences), dos Bancos (que assessoras), das Grandes Corporações (que te pagam Consultorias).

Foste lá para transmitir o recado: "há que reduzir salários!".
Assim já se percebe a figura de mentecapto a que te prestaste.

E, assim, já mereces uma resposta:

Vai à MERDA, João!
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Carlos Paz

VENDAS NOVAS - JOVENS ABREM URNAS DE ANTIGOS MILITARES E DIVULGAM VÍDEO NA INTERNET




Um grupo de jovens invadiu o cemitério de Vendas Novas e abriu urnas. Os restos mortais pertencem a antigos soldados do município.

VÍDEO






www.jn.pt

PÃO PÃO QUEIJO QUEIJO



HÁ POBRES QUE SÃO FASCISTAS, OU PELO MENOS DEFENDEM O FASCISMO MESMO DELE SENDO VÍTIMAS,

HÁ NEGROS QUE SÃO RACISTAS TAIS COMO OS BRANCOS E POSTO ISTO O QUE IMPORTA É ESTUDAR, É TRANSFORMAR, CORTAR PELA RAÍZ O QUE LEVA O SER HUMANO A SER ASSIM, A ENTRAR NESTAS CONTRADIÇÕES E NA DEFESA E PRÁTICA DE TAIS CONDUTAS.

O MAL ESTÁ NO CAPITALISMO, NA SOCIEDADE REVOLTADA E IGNORANTE QUE O CAPITALISMO CRIA.

O CAPITALISMO E OS SEUS TENTÁCULOS INSTALA-SE E SUFOCA OS MENOS POLITIZADOS, OS MENOS APTOS NA LEITURA, OS QUE DESPREZAM A INSTRUÇÃO E A CULTURA.

O MAL, A CONFUSÃO, O ÓDIO QUE SE INSTALA NA CABEÇA DAS PESSOAS TEM RAÍZ NAS ESCOLAS POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, TEM RAÍZ NA INFORMAÇÃO, NA RELIGIÃO, E O INDIVÍDUO TORNA-SE UM CAOS, UM LOUCO, QUE PARA SOBREVIVER ESPEZINHA, MALTRATA E É CAPAZ DE MATAR O SEU SEMELHANTE.

O HOMEM E A MULHER NÃO NASCEM FASCISTAS, RACISTAS, A SOCIEDADE, A POLÍTICA DO CAPITALISMO INVESTE E PROMOVE AS DIFERENÇAS, OS INSTRUMENTOS GOVERNATIVOS E DE "ENSINO" FALHAM E CRIAM OS MONSTROS.


António Garrochinho

Tancos: as três (i)responsabilidades - Fernando de Melo Gomes


www.publico.pt


Fernando de Melo Gomes


Resolvi vir hoje à praça pública, porque me parece que o escrutínio dos factos, relacionados com o descaminho e posterior achamento de material militar de Tancos, tem escondido questões essenciais e conduzido inequivocamente a opinião pública para um cenário imediatista, em que as Forças Armadas e o Exército, em particular, serão os únicos responsabilizáveis pelo acontecido.


Antes de mais, convirá notar que as Forças Armadas são um elemento estruturante do Estado. Foram elas que fundaram o Estado de direito, são elas o garante último da vivência democrática e da soberania e independência que nos resta no quadro das interdependências que os portugueses livremente sufragaram. São elas que contribuem decisivamente para que Portugal tenha um protagonismo internacional incomensuravelmente superior à sua expressão económica e financeira. São elas que formaram Portugal ao longo da sua história de quase nove séculos.


Tentando ser claro que, como se diz, “é para militar perceber” e para político entender, acrescento eu, julgo que nos acontecimentos de Tancos existem, pelo menos, três níveis de responsabilidades: uma responsabilidade militar, uma responsabilidade jurídica-investigativa e uma responsabilidade política.


Senão vejamos: é irrecusável que a responsabilidade militar reside na inadequada salvaguardada e segurança do material militar à sua guarda. São coisas que por muitas razões que possam ser invocadas não podem acontecer!


Incúria, desleixo e até azar não se podem admitir e foram, mau grado algumas incoerências, objeto de sanção disciplinar no estrito âmbito do que hoje é regulamentarmente permitido.


Apesar de tudo... o material apareceu... o que ainda não aconteceu com as 50 pistolas Glock à guarda de uma força de segurança que, misteriosamente, também desapareceram... Maus sinais para as instituições e para os portugueses!


Relativamente à responsabilidade jurídico-investigativa, conquanto seja muito grave e inaceitável a presumível encenação associada ao achamento do material desaparecido, não me passando pela cabeça que possa alguma vez ter existido fora do âmbito da Policia Judiciária Militar idêntica prática, considero igualmente graves e intoleráveis as fugas sucessivas de informação, em já habitual desrespeito pelo segredo de justiça, que facultaram seu conhecimento público, bem como as detenções com reportagem televisiva em direto. É que os julgamentos são inadvertidamente feitos, também de imediato, pela opinião pública e a presunção de inocência logo se transforma em certeza de culpabilidade!


Adicionalmente, quero apenas sublinhar, ainda que superficialmente, as alterações que se vêm verificando no foro militar (Código de Justiça e Regulamento de Disciplina) com a sua aproximação ao civil, limitando a prontidão e liberdade de atuação das chefias e tornando, muitas vezes, inoperante a sua ação.


É que a base da vivência militar é constituída pela hierarquia, pela competência, pela coesão e pela disciplina e o julgamento de todas as ações e atitudes não se compadece com demoras. 

A base de tudo é a confiança mútua. 

Sem ela não é possível nem mandar nem obedecer. Hoje não existe na liderança política e também no ativo das Forças Armadas quem tivesse vivido os tempos difíceis da ditadura, da guerra, da implantação do regime e consolidação democrática, mas nunca será tarde, antes que seja tarde de mais, para pelo menos ouvir e corrigir o que deve ser corrigido. 

Para que a democracia prevaleça é necessário distinguir e até restringir, adequadamente, os direitos de uns, para que todos os outros os possam exercer em pleno.


Passemos então à terceira das responsabilidades — a política. Nos sistemas democráticos, por norma, o poder rege-se por ações que lhe proporcionam vantagens de caráter imediatista, sabendo que a opinião pública, de que depende, só se mobiliza verdadeiramente quando a insegurança lhe bate à porta.


Os riscos e ameaças que de facto põem em causa Portugal como o entendemos, a Europa onde estamos e a democracia que vivemos, não são ou não parecem ser preocupações de maior, não merecendo uma ação estrutural do Estado.


Vamos aos factos: desde que foi instaurado o regime democrático, têm vindo a verificar--se sucessivas reformas das estruturas, do enquadramento legal e reduções de recursos nas Forças Armadas sem paralelo em nenhuma outra instituição do Estado. Por exemplo, os efetivos de hoje materializam uma redução de mais de 60% em duas décadas e os menos de 27.000 que existem não preenchem sequer as necessidades do sistema de forças aprovado.


Quanto aos recursos financeiros, pelo menos há 15 anos que o seu nível (cerca de dez vezes inferior aos apoios dados ao sistema bancário) se mantém em termos nominais, o que significa, em termos reais, uma substancial redução de aproximadamente 20%.


O desinvestimento nas Forças Armadas traduz-se numa logística deficientíssima, em condições de operação marginais, condições de vida desmotivadoras e na impossibilidade de recrutar com suficiência por ausência de voluntários.


Esta situação é insustentável e incompatível com umas Forças Armadas eficientes ou eficazes. Serão capazes de operar sustentadamente e bem em operações de baixa intensidade, mas não poderão fazer (o grau varia de ramo para ramo) aquilo que verdadeiramente lhes compete, ou seja, atuar em níveis superiores de conflitualidade.


Mas, tão ou mais grave do que o desinvestimento material é, em minha opinião, o que de há muitos anos se vem passando no desinvestimento ético. 

Esse desinvestimento é feito pelos exemplos degradantes no comportamento cívico de certa elite económica, financeira e política que se transmite à instituição militar e também nas correspondentes alterações dos regimes legislativos, seja nas vertentes da justiça e de disciplina, seja no âmbito estatutário, não reconhecendo, por exemplo, de forma adequada a especificidade da condição militar, a que acresce a enorme degradação dos apoios à saúde e proteção social.


Às chefias tem sido retirado sucessivamente poder de decisão financeira, operacional e disciplinar, o que se traduz numa diluição da ação de comando de consequências graves e que são hoje publicamente indisfarçáveis numa instituição de fundamento hierárquico. Se olharmos para evolução das contas do Estado, os objetivos e as estratégias políticas são evidentes; as funções de soberania não são e não têm sido prioritárias.


Assim, o “caso de Tancos” é apenas o afloramento de uma grave crise da instituição militar que, a par de outras funções soberanas do Estado, vem de há muitos anos e tarda em ser resolvida ou mesmo atenuada. Só por hipocrisia, ou esgrima de baixa política, se podem assacar responsabilidades unicamente ao poder atual a não ser as de tardar em reverter a situação. 

Contudo, o que tem de acontecer acontecerá e na pior altura... mas a questão é muito mais grave, muito mais antiga e toca os fundamentos do Estado de direito. Sobretudo, não se tente usar ou imiscuir as Forças Armadas no combate político. 

Nós, os mais velhos, já assistimos a isso e às suas consequências e cá estamos, pelo menos, para o dizer!



O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

VITÓRIAS QUE FORAM DERROTAS


Uma vitória pírrica é quando o lado vencedor, ainda que obtenha seu objetivo imediato, sofre tantas perdas que termina arruinado. A seguir, a começar pela que deu o nome ao termo, as maiores vitórias que, no fim das contas, foram derrotas.

 

Batalha de Ásculo 

Wikimedia Commons
➽ Quando: 279 a.C.
➽ Quando: gregos e aliados / italianos x romanosDurante a Guerra Pírrica, os romanos lutaram contra o exército grego do Epiro, sob o comando do rei Pirro. O plano dele era vencêlos e fazer com que os italianos – sob o domínio dos romanos – passassem para o seu lado. Pirro esmagou as tropas romanas, mas, ao mesmo tempo, perdeu muitos comandantes e oficiais que havia levado para a Itália. Os romanos, que perderam mais, puderam repor suas baixas, mas não os epirenses. Pirro perdeu, Roma começou a se tornar uma potência, e daí vem a expressão “vitória pírrica”.

 Batalha de Avarair 

Wikimedia Commons
➽ Quando: 26 de maio de 451
➽ Quem: rebeldes armênios x Império Sassânida
De um lado, as tropas rebeldes armênias lideradas por Bardanes II Mamicônio e, do outro, os exércitos sassânidas da planície de Avarair. Os persas sassânidas pretendiam converter e impor o rito do sol e do fogo (do zoroastrismo) aos armênios, que se recusaram a abandonar a sua fé. Os sassânidas foram vitoriosos, mas os cristãos só ganharam mártires, lutando ainda mais motivados. Em 484, o Tratado de Nvarsak deu aos armênios o direito de manter sua fé.

 Batalha de Lützen 

Wikimedia Commons
➽ Quando: novembro de 1632
➽ Quem: Império Sueco x Sacro / Império Romano-Germânico
Travada nas proximidades do povoado alemão de Lützen, envolveu tropas protestantes (maioria de suecos) e católicas (maioria de romano-germânicos). Os suecos estavam sob a liderança do general Gustavo Adolfo II, que usou de sua superioridade em armas e tática para adquirir vantagem – e conseguiu. Mas não viveu para ver. Desatento por causa das más condições climáticas, acabou baleado pelos inimigos. Sem seu líder, os protestantes desistiram da guerra e os católicos mantiveram seu poder.

 Batalha de Malplaquet

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➽ Quando: 11 de setembro de 1709.
➽ Quem: Monarquia Habsburgo, Províncias Unidas, Grã-Bretanha e o Reino de Prússia x Bourbons da França e Espanha. 
A aliança holandesa-britânica, sob a liderança do duque John Churchill de Marlborough, era composta de 100 mil soldados. Os franceses, liderados pelo general Claude de Villars, contavam com cerca de 90 mil homens. Na batalha mais sangrenta do século 18, os britânicos venceram, perdendo 20 mil homens, duas vezes mais que os franceses, que se retiraram de forma organizada.

 Batalha de Bunker Hill

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➽ Quando: 17 de junho de 1775
➽ Quem: milícias dos Estados Unidos do movimento próindependência x Exército britânico
Foi travada no início da Guerra Revolucionária Americana, durante o Cerco de Boston. Os líderes revolucionários dos EUA descobriram o plano dos britânicos de levar as tropas até as colinas ao redor de Boston – com isso teriam controle sobre o porto da cidade. Os milicianos cercaram a colina de Bunker Hill e foram atacados pelos britânicos. Apesar da vitória do Reino Unido, houve mil mortes, enquanto os americanos perderam 450 homens.

 Batalha de Borodino 

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➽ Quando: 7 de setembro de 1812
➽ Quem: França x Império Russo
Sob a liderança de Napoleão Bonaparte, o objetivo dos franceses era capturar Moscou, forçando os russos a se renderem. Após a vitória em Borodino, em 14 de setembro, a cidade estava sob seu controle. A batalha havia custado 35 mil vidas. Do lado russo, apesar das perdas elevadas – 40 mil mortos –, as tropas foram rapidamente substituídas. Na primeira noitede Napoleão em Moscou, a cidade foi incendiada. Ao final, os franceses tiveram de abandoná-la e recuar pela Rússia no inverno. Uma catástrofe.



Batalha das Termópilas 

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➽ Quando: Agosto ou setembro de 480 a.C.
➽ QuemCidades-estado gregas x Império Persa
Com o objetivo de conquistar a Grécia, cerca de 300 mil guerreiros do Exército persa, liderados pelo rei Xerxes, bateram de frente com 7 mil soldados gregos em Termópilas (300 dos quais, os famosos espartanos). Por três dias, os gregos conseguiram impedir o avanço persa, até serem traídos. Apesar de aprisionar e matar quase todos, a resistência motivou os gregos. Xerxes perdeu mais de 20 mil, vários deles entre seus melhores. A Grécia venceria.

 Ataque a Pearl Harbor 

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➽ Quando: 7 de dezembro de 1941
➽ Quem: Estados Unidos x Japão
O ataque-surpresa tinha como finalidade paralisar a Frota do Pacífico, de forma que os EUA não pudessem reagir às conquistas japonesas de territórios sob controle americano, como as Filipinas. Cometeram três erros: 1) a estrutura industrial foi ignorada; 2) o ataque veio antes da declaração de guerra (por acidente); o que levou a 3) a opinião pública dos EUA, até então contra a guerra, mudou furiosamente de lado. O Japão sentiria a vingança literalmente na pele em Hiroshima e Nagasaki.

aventurasnahistoria.uol.com.br

Anita Garibaldi: Heroína de dois países




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Anita Garibaldi: Heroína de dois países


Ela lutou de igual para igual em exércitos masculinos, bradando gritos de guerra. E morreu cedo. Conheça sua história





Maria Bonita e Lampião, Bonnie e Clyde, Anita e Giuseppe: mais que amantes, foram companheiros de armas, combates, conquistas e fugas. 

A história de Anita daria um filme de ação. 

Várias vezes ela lutou com armas de fogo. 

Capturada em combate, fugiu embrenhando-se pela mata por mais de uma semana. Salvou o filho recém-nascido partindo a galope, seminua, no meio da noite. 

Em Montevidéu teve mais três filhos enquanto o marido lutava ao lado dos republicanos uruguaios. 

Foi para a Itália, acompanhou muitas vitórias e derrotas de Garibaldi em batalhas e, mesmo sem lutar, cuidou de feridos e organizou hospitais. Conheceu reis e revolucionários. Foi perseguida até morrer. “Virou um mito”, como diz Paulo Markun, biógrafo de Anita e autor de Anita Garibaldi: Uma Heroína Brasileira.


Em julho de 1839 o corsário italiano Giuseppe Garibaldi recebe uma missão de seu general, David Canabarro: avançar rumo ao norte pelo litoral brasileiro e levar os ideais da Revolução Farroupilha para a então província de Santa Catarina. Derrotadas as forças imperiais, fundada a República Riograndense, era hora de avançar.
Então o desastre. 

Antes da chegada a Laguna, porta de entrada para a conquista da região, o barco de Garibaldi naufraga. Ao fundo vão seus maiores amigos. Mas dessa tragédia ele encontraria um destino feliz: sua companheira definitiva, Anita Garibaldi.


Embora boa parte do que se escreveu sobre Anita seja ficção, o espírito independente e aguerrido aparece cedo em sua biografia, como no episódio que motivou a mudança de sua família de Morrinhos, atual Tubarão (SC), para Laguna (SC). Por volta dos 13 anos, Aninha, como era chamada antes de Garibaldi (o italiano não conseguia pronunciar o diminutivo com “nh”), chicoteou o rosto de um carreteiro que a assediou, impedindo, com gracejos nada educados, sua passagem enquanto cavalgava para casa. O homem prestou queixa contra a menina na delegacia local. Envergonhada, sua família mudou-se do vilarejo.

Anita em roupas masculinas, na Itália, em 1849 Wikimedia Commons

A reação contra o agressor cobrou um alto preço. Com a intenção de sossegar a menina, sua mãe, já viúva e com outros oito filhos, a obriga a casar-se, aos 14 anos, com o sapateiro Manuel Duarte. “O caráter forte e decidido dela culmina em várias atitudes ríspidas. 

Veio a imposição da mãe para que ela se casasse com Manuel, e a falta de afinidade do casal resultou na infelicidade conjugal”, afirma a pesquisadora Fernanda Aparecida Ribeiro no livro Anita Garibaldi Coberta por Histórias, fruto de sua tese de doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp). 

“Enquanto o corsário italiano Garibaldi e outros partidários da Revolução Farroupilha se dirigem a Laguna em julho de 1839 para tomar a cidade, Manuel se alista na Guarda Nacional do Império e sai da cidade, deixando Aninha com a mãe”, conta Fernanda. Com o consorte oficial passando para o campo inimigo, o caminho fica livre para Giuseppe.


Garibaldi deixou um livro de memórias que depois ganhou uma versão definitiva pelas mãos de Alexandre Dumas. É nesse original que o italiano fala sobre a solidão em Laguna e a busca por uma companheira depois do naufrágio que sofrera: “Caí num isolamento desolador, parecia estar só nesse mundo. Precisava muito de alguém que me amasse e logo! Embora não fosse velho, eu conhecia suficientemente os homens para saber como era difícil encontrar um verdadeiro amigo. Uma mulher! Sim, uma mulher!”


Mesmo com o acidente, os farrapos chegaram. Laguna já está conquistada e a missão é preparar a tropa para seguir adiante. Enquanto organiza armas e suprimentos para continuar a viagem, Giuseppe observa as casas da Barra de Laguna com a luneta que sempre trazia consigo. “Eu jamais tinha pensado em casamento e me achava inadequado, pela independência de índole e propensão à carreira aventuresca. 

O destino resolveu de outro modo”, deixou ele em suas memórias. “Descobri uma jovem.” Giuseppe vai até a casa onde viu a adolescente, se apresenta e é convidado pelo dono da casa para um café. 

A segunda pessoa a avistar é seu alvo, a sobrinha do farroupilha que o recebeu. “Ficamos os dois estáticos e silenciosos. Saudei-a finalmente e lhe disse: ‘Tu devi esser mia’. Falava pouco o português. De todo modo, fui magnético em minha insolência.” Um mês depois Anita se juntou às tropas de Garibaldi. Estariam juntos por uma década.

Casa de Anita em Laguna, em 1849 Wikimedia Commons

O guerreiro italiano provavelmente romantizou a situação. “Há as memórias de Garibaldi que, como toda autobiografia, deve ser vista com reservas. 

Nós, historiadores, lidamos com documentação e, principalmente, com as lacunas dessa documentação, o que, via de regra, é menos interessante do que a ficção”, explica a historiadora do Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Cíntia Vieira Souto.


É sabido que esse encontro aconteceu entre julho e agosto de 1939 e Anita devia ter quase 18 anos. Sua certidão de nascimento só foi expedida em 1999, 150 anos depois de sua morte. Ela nasceu entre 1821 e 1824, mais provavelmente em 1821. 

O local também não é totalmente certo e, por exclusão, as pesquisas históricas chegaram a Morrinhos, mas é Laguna que consta no registro tardio, com a data de 30 de agosto de 1821. Garibaldi nascera em 1807, em Nice – então uma cidade italiana sob domínio francês. Tinha 32 anos.
Em outubro de 1839, o revolucionário recebe a incumbência de fazer incursões pelo litoral brasileiro e Anita o segue a bordo da escuna Rio Pardo. Ombro a ombro, ela luta junto a ele e incentiva os soldados. Em combate acirrado, uma bala de canhão atinge a amurada próxima a Anita. Os estilhaços matam dois de seus companheiros, bem ao seu lado. A gritaria é geral e todos procuram erguê-la do chão. Gesto desnecessário: ela se põe sobre seus pés sozinha e, aos brados, convoca os demais a seguir atirando.


Os soldados e Garibaldi imploram para que se recolha ao porão da embarcação, para se recuperar do golpe. “Sim, vou descer, mas para enxotar os poltrões que lá se foram esconder”, teria dito Anita, de acordo com relato do almirante Henrique Boiteux, reproduzido por Paulo Markun em seu livro. 

Momentos depois, Anita volta do porão com três soldados que haviam se refugiado das balas do inimigo e dos olhares dos companheiros. “Foi nesse combate que Anita começou a construir a reputação de heroísmo e valentia”, diz o autor.


Dias depois, os farrapos voltam a Laguna. Na boca do povo, a história do “rapto pelo pirata italiano”. Um escândalo, uma mulher casada fugindo com um estrangeiro. Mais do que a reputação de Anita, o que está em jogo é o apoio aos farrapos. 

Nesse momento, não obstante a vitória, está por um fio: apenas três meses depois de serem recebidos como heróis, os catarinenses parecem não querer mais saber deles.

A guerreira no campo de batalha Wikimedia Commons

Duas semanas se passam e vem o contra-ataque dos legalistas. A marinha farroupilha é destruída. Ainda em novembro, Garibaldi e Anita acompanham as tropas de Canabarro em retirada para o Rio Grande do Sul.
No final do mês, a batalha de Curitibanos termina em derrota. 

Anita é presa, provavelmente já grávida do primeiro filho, e acha que Garibaldi está morto. 

O coronel Albuquerque, líder dos legalistas, dá permissão para que ela procure pelo corpo entre os mortos no combate.


Revisando o campo de morte até à noite, nada encontra. Decide então fugir em busca do companheiro. E o encontra são e salvo. Uma parte do que restou da tropa, inclusive o casal, segue a coluna de Teixeira Nunes em direção à cidade de Lages, mas não há mais chance para os farrapos em Santa Catarina. Eles voltam para o Rio Grande do Sul e se instalam em São Simão, onde ela permanece durante a gravidez. 

Dias após o nascimento de Menotti, o primeiro filho, o povoado é atacado por Moringue, capitão imperial que quer se vingar de Garibaldi por uma derrota sofrida anos antes.


Ainda se recuperando do parto, Anita tem energia para fugir a cavalo com o filho nos braços, mata adentro. Acumulando duas fugas no meio da noite.


Depois de atravessar o vale do Rio das Antas em direção a São Gabriel (RS), onde está a nova sede dos farroupilhas, Giuseppe percebe que sua participação na Revolução dos brasileiros havia se tornado irrelevante. Em meados de 1841, a família se muda para Montevidéu.
Por um breve período, eles experimentam uma outra vida. A normal. Um pacato Garibaldi sustenta a casa ministrando aulas e trabalhando como corretor de cargas para navios, enquanto Anita vive uma vida de dona de casa.


O casamento oficial foi no dia 26 de março de 1842, tornando o filho legítimo. Ou mais ou menos: o casamento só foi possível porque Anita, já casada no Brasil, declarou-se solteira. O que é crime ainda hoje, a bigamia. Mas então era também um ultraje à moral e aos bons costumes. Como lembra Paulo Markun, “mulheres não podem abandonar maridos, reza a tradição. 

Já Garibaldi nunca levou pito por ter sido um romântico incurável e um conquistador de territórios e corações”. 


Quanto ao primeiro marido, não há nenhuma informação sobre seu paradeiro, vivo ou morto. Garibaldi, em suas memórias, mostrou-se incomodado: 

“Tinha encontrado um tesouro proibido, mas de tal preço!... Se houve uma falta cometida, a responsabilidade só a mim pertence. Se foi uma falta unirem-se dois corações, despedaçando a alma de um inocente”.

Garibaldi e Anita, ferida, fogem de San Marino, 1849 Wikimedia Commons

A calmaria uruguaia não vai longe. Em 1843 Garibaldi é convidado a cooperar com o presidente do país, Fructuoso Rivera, em uma guerra contra o ditador argentino Juan Manuel Rosas. 

Durante a primeira expedição, Anita frequenta a casa da primeira-dama, dona Bernardina, que se torna sua amiga. Para ajudar na defesa de Montevidéu durante o sítio imposto por Rosas, Garibaldi organiza a Legião Italiana, composta de inúmeros exilados políticos. Essa legião seria a base da luta garibaldina na Europa.


Enquanto vivem no Uruguai, mais três filhos aparecem: Rosita, Teresita e Riccioti. Infelicidade, a primeira faleceria de difteria em 1845, quando o pai estava em campanha na cidade de Salto.


Giuseppe defendeu a causa uruguaia até 1848. 

Decidiu então voltar suas atenções à sua velha paixão: a unificação italiana, a razão por que havia vindo parar na América do Sul. Em 1834, ele fora condenado à morte por sua participação na organização dos carbonários, que pretendiam transformar todos os reinos da Itália  em uma grande república. 

Os farroupilhas e uruguaios foram como que um trabalho paralelo no exílio, enquanto não tinha condições para executar sua obra-prima.


Anita vai na frente e chega a Nice – que então havia voltado ao domínio italiano e era chamada Nizza. Era março de 1848. É recebida pela sogra. Garibaldi aporta em junho.


Antes do casal, havia chegado sua fama: o revolucionário tem uma recepção de herói. E escolhe um novo alvo: os austríacos que dominavam parte da Itália.
Anita não tem qualquer intenção de ficar em casa. 

Em novembro, o casal deixa os filhos com a mãe de Giuseppe e sai para combater os austríacos em Florença. Em fevereiro de 1849 ela segue o general novamente, agora para Rieti, perto de Roma. Até que, enferma, é obrigada a retornar para casa.


Em junho de 1849, Garibaldi se encontra comandando a defesa da República de Roma contra os franceses. Paulo Markun conta que, um dia, comendo pão com queijo com os oficiais no quartel-general de Villa Spada, alguém bateu à porta. O comandante abriu, abraçou quem entrava e disse: “Senhores, temos mais um soldado!” Era Anita, grávida, que havia atravessado a região controlada pelos austríacos.


Os franceses saíram vitoriosos e Roma se rendeu. Garibaldi não aceitou a derrota e partiu em direção a Veneza. Anita foi junto, desta vez vestida como homem para passar despercebida no exército.

O último momento, numa casa de fazenda Wikimedia Commons

Foi sua última viagem. A heroína seria abatida por uma enfermidade ainda comum na Europa: a malária. 

A gravidez, as cavalgadas, a má alimentação e as noites ao relento minaram sua saúde e tornaram impossível resistir. Ao chegar à República de São Marino, ardia em febre.


Ainda assim, não parou. Em 1º de agosto, ao chegarem a Cesenatico, no litoral do Mar Adriático, tomaram barcos para alcançar mais rápido Veneza, mas foram perseguidos por uma esquadra austríaca. Desembarcaram numa praia deserta. A essa altura, ela estava sendo carregada. Dois dias depois um médico os esperava em uma fazenda em Mandriole, perto de Ravena.


Tarde demais. Na noite do dia 4 Anita pereceu, aos 27 anos. Garibaldi, arrasado, não assistiu ao enterro. E saiu às pressas para escapar dos austríacos em seu encalço.
O cadáver foi enterrado às pressas na areia do Adriático. Dias depois, uma menina que brincava com os irmãos na praia encontrou um braço para fora da sepultura. 

Era o que restava de Anita. Desde 1932, seu corpo repousa num monumento em Roma. Heroína de dois países.

MARIA ANTONIETA: DA REALEZA À GUILHOTINA

Em 1793, a última rainha da França perdia sua cabeça, acusada de mandar o povo faminto comer brioches. 








Reprodução em cera da cabeça decepada no Museu Madame Tussauds



Virar ícone de uma época – representar uma classe, um modo de pensar e de viver – é destino para poucas pessoas. Uma delas, sem dúvida, foi a austríaca Maria Antônia Josefa Johanna von Habsburg-Lothringen, ou simplesmente Maria Antonieta. O problema é que, dependendo de quem a julga, ela é vista de jeitos completamente diferentes. 
A controvérsia começou ainda na época de sua morte, no fim do século 18. De um lado, era tida como símbolo da arrogância e da insensatez da monarquia francesa. De outro, era admirada como uma mártir, quase uma santa, sacrificada por loucos que tinham se voltado contra a ordem sagrada das coisas.

Durante muito tempo, a discórdia prosseguiu e, no meio da briga, sobrava pouco espaço para quem queria conhecer a Maria Antonieta de carne e osso. Estudos mostram que Maria Antonieta não foi uma mulher fútil e ingênua, mas uma mestra em usar o glamour como arma para se firmar numa corte estranha e hostil.
Wikimedia Commons
“Maria Antonieta entendeu que ser uma rainha significava essencialmente interpretar um papel. Mais que isso, ela logo descobriu que, por meio de mudanças na moda, ela podia modificar esse papel e até fugir dele”, afirma a pesquisadora americana Caroline Weber, especialista em cultura francesa do século 18 e autora de Queen of Fashion (“Rainha da moda”). “Isso mostra que, até certo ponto, ela tinha uma percepção bem sofisticada e muito moderna do poder da imagem para mudar a realidade.”
Mas toda a astúcia com que Maria Antonieta se firmou na corte de seu marido, o rei Luís XVI, não lhe serviu de nada quando estourou a Revolução Francesa, em 1789, que proclamou a liberdade e a igualdade para todos os cidadãos.
Foi uma das maiores reviravoltas da história, considerada o marco que separa a Idade Moderna da Idade Contemporânea. Era o fim do que ficaria conhecido como o “Antigo Regime”, em que os privilégios da nobreza estavam acima de tudo. Era o fim do mundo de Maria Antonieta.

Tudo para trás

A trágica saga de Maria Antonieta começa em Viena, Áustria, numa corte bem menos chique que a da França. Em 2 de novembro de 1755, a imperatriz Maria Teresa deu à luz uma menina pequenina, porém saudável. Era Maria Antônia, seu 15º bebê. O pai, Francisco I, era imperador do Sacro Império Romano-Germânico (que, naquela época, unia frouxamente algumas nações da Europa Central).
Mas, apesar da pompa do cargo, não era ele quem mandava. A titular do comando do Império era Maria Teresa, que também era arquiduquesa da Áustria e rainha da Hungria e da Boêmia (hoje parte da Alemanha).
A imperatriz era uma brilhante estrategista política. Detestava perder tempo – aproveitou o parto de Maria Antonieta, por exemplo, para extrair um dente. Mas, apesar de ser viciada em trabalho, era uma boa mãe. Preocupava-se até com a formação musical dos filhos, que tinham contato com alguns dos músicos mais talentosos da Europa. Um deles foi o prodígio Mozart, recebido em Viena com apenas 7 anos. 
Reza a lenda que, ao andar pelo chão encerado do palácio, ele teria levado um tombo. Maria Antonieta, meses mais velha que ele, teria corrido para ajudá-lo e lhe dado um beijo na bochecha. “Você é bondosa. Quando crescer, quero me casar com você”, teria dito Mozart.
Maria Antonieta aos 7 anos de idade Wikimedia Commons
Mas a mãe tinha outros planos para o futuro da menina. Com a morte de Francisco I, em 1765, Maria Teresa buscou se aproximar das outras cortes europeias. Usou uma estratégia bastante comum na época: ofereceu suas filhas em casamento. Maria Antonieta se tornou, assim, pretendente de Luís Augusto, neto do rei francês Luís XV. 
Com a morte prematura dos pais, o rapaz havia se tornado o delfim, herdeiro do trono. A ideia de Maria Teresa era criar uma aliança duradoura com a França, que vivia entrando em conflito com a Áustria e outros membros do Sacro Império.
A corte francesa resistiu bastante à união com a família austríaca, mas, em 1769, veio a proposta oficial de casamento. As diferenças entre os noivos não poderiam ser maiores. Segundo os relatos da época, Maria Antonieta tinha uma impecável pele branca, boca carnuda, cabelos louros e olhos azuis. Caminhava e dançava com elegância. 
Já Luís Augusto, um ano mais velho que ela, parecia ter crescido demais para a idade. Era desengonçado, absurdamente tímido e considerado um palerma pela corte francesa. Seu único traço aparente de nobreza eram os belos olhos azuis (mas, como ele não levava mesmo jeito para a perfeição, era levemente míope).
Luís XVI e Maria Antonieta Wikimedia Commons
O casamento aconteceu em abril de 1770, numa igreja de Viena. E teve toda a cara de arranjo político, já que foi feito por procuração. No altar, Maximiliano, irmão da noiva, fez o papel do delfim. Logo após a cerimônia, um cortejo com 57 carruagens se pôs a caminho da França.
Por exigência da nova pátria, ao chegar à fronteira com a França, Maria Antonieta foi obrigada a deixar para trás tudo o que tivesse alguma relação com a Áustria. Não apenas seu enxoval e suas damas de companhia, mas até as roupas que usava. Maria Antonieta despiu-se e recebeu um vestido dourado para continuar a viagem.
Em território francês, a jovem conheceu Luís XV, então com 60 anos. Depois foi a vez do noivo. Luís Augusto, que tivera pouquíssimo contato com mulheres e certamente era virgem, acabou dando apenas um beijo rápido no rosto de Maria Antonieta.
Uma nova cerimônia de casamento foi celebrada em Versalhes, o subúrbio nos arredores de Paris onde residia a corte francesa. Sob os olhos atentos da nobreza, o casal se retirou para a cama. Ali aconteceu algo que iria se repetir durante anos: “Nada”, como escreveu o delfim no seu diário, na manhã seguinte.

Versalhes é uma festa

Não foi fácil para a menina de 14 anos se adaptar à nova vida na França. Claro que Maria Antonieta apreciava estar vivendo no palácio de Versalhes, o mais esplendoroso da Europa. Mas as complicadas regras de etiqueta da corte francesa a irritavam um bocado.
Para piorar, a privacidade era praticamente inexistente – em tudo o que fazia, ela era observada pelos membros da corte. Além disso, por ter sido criada num ambiente quase puritano, Maria Antonieta não engolia o costume dos nobres franceses de ter amantes “oficiais”. Era o caso do próprio Luís XV, que, viúvo, levava às festas da realeza a ex-prostituta Madame du Barry.
O estranhamento da jovem com a nobreza francesa fez com que ela fosse apelidada, pejorativamente, de l·Autrichienne, “a Austríaca”. “A parte mais antiga da corte considerava Maria Antonieta uma arrivista sem nenhum senso da civilidade, do refinamento e da elegância francesa”, diz Caroline Weber.
Por algum tempo, a princesa teve que suportar a má fama. Até que, em 1774, o rei morreu de varíola. Luís Augusto e Maria Antonieta viraram, assim, os soberanos da França. Num piscar de olhos, a rainha usou sua nova posição para criar uma vida de sonho.
Dispensou boa parte das antigas damas de companhia, povoou a corte de gente jovem e bonita e ganhou do marido, agora chamado de Luís XVI, o charmoso palácio do Petit Trianon (que antes pertencera a Madame du Barry), em Versalhes. Maria Antonieta organizava corridas de cavalo e se divertia em passeios de carruagem a toda velocidade.
O que mais fascinava a rainha, entretanto, era o agito da noite parisiense (a cidade, então uma das maiores do mundo, tinha 600 mil habitantes). Além de frequentar óperas, Maria Antonieta adorava participar de bailes a que as mulheres compareciam mascaradas. Assim, podia se misturar com plebeus sem ser reconhecida.
Como Luís XVI adorava acordar cedo, ele não se incomodava em deixá-la ir se divertir sem ele. O rei, aliás, parecia satisfeito em fazer as vontades de sua esposa. Como ela gostava de jogar cartas, Luís XVI instalou um cassino particular em Versalhes. Na estréia da nova atração, a rainha jogou durante 36 horas seguidas. Perdeu uma boa quantia de dinheiro dos cofres da coroa. Nada comparável, claro, ao que ela gastava para aumentar sua coleção de diamantes.

Rainha atriz

Quando o rei, sabendo da paixão da esposa pelo teatro, a presenteou com um palco particular no palácio do Petit Trianon. O local passou a abrigar várias montagens da troupe des seigneurs (“trupe dos nobres”, em francês), formada pela rainha e seus parentes. Eles puseram em cena diversas peças do repertório clássico francês, em que Maria Antonieta gostava de representar burguesas e simples camareiras.
O Petit Trianon Wikimedia Commons
Luís XVI, que não tinha muito jeito para a coisa, limitava-se a assistir e vibrava com o desempenho da esposa. E claro que nem todos ficaram contentes em Versalhes. A rainha distribuía convites apenas para as pessoas de sua preferência, passando por cima da etiqueta da corte e sem respeitar o ranking dos títulos de nobreza.  
Ignorando as reclamações, Maria Antonieta ainda comprava outras brigas no mundo do teatro. Um caso famoso foi o do dramaturgo Pierre de Beaumarchais, autor da peça As Bodas de Fígaro. A obra incluía uma crítica pesada à nobreza da França e, por isso, foi censurada. 
Fã de Beaumarchais, a rainha conseguiu fazer com que Luís XVI liberasse a peça. A estréia em Paris foi tão polêmica que Beaumarchais passou cinco dias na cadeia. Mesmo assim, Maria Antonieta encenou ela mesma outra peça do autor, O Barbeiro de Sevilha, e ainda o convidou para assistir à montagem no Petit Trianon.

O poder do glamour

Por trás desse mundo de diversão e festas, Maria Antonieta tinha que suportar muitas pressões. Os nobres que haviam sido excluídos do convívio com a rainha não paravam de caluniá-la. 
Segundo Caroline Weber, o jeito de Maria Antonieta reagir era manipular sua aparência. “Ela usava a moda como um instrumento político, como forma de aumentar ou sustentar sua autoridade em momentos em que ela parecia estar sob risco, como nos sete anos que se passaram antes que ela tivesse um filho”, diz. Por meio de novas roupas, sapatos e penteados, a rainha se impôs, colocando-se acima de qualquer mulher francesa.
“Foi uma atitude inédita para uma rainha”, afirma Caroline. “Antes, as soberanas francesas tinham de projetar uma imagem dócil, vivendo longe dos holofotes. Quem tentava se envolver em política e exibir seu poder por meio de roupas luxuosas eram as amantes dos reis.”
A família real francesa sabia da influência que as amantes costumavam ter nos rumos do governo. Por causa disso, havia exigido, durante as negociações com a mãe de Maria Antonieta antes do casamento, que a futura rainha fosse sedutora o bastante para que o rei não encontrasse distração fora de casa. 
Deu certo. Fosse por causa da beleza de Maria Antonieta ou pela própria falta de apetite sexual, Luís XVI não dava suas escapadas. O problema é que ele tampouco deixava Maria Antonieta meter a colher na política, o que irritava profundamente Maria Teresa, que insistia que a filha tentasse transformar o monarca num fantoche a serviço de seus interesses.

Filhos

A posição de Maria Antonieta na corte francesa melhorou bastante depois que ela e Luís XVI finalmente tiveram seu primeiro bebê. Em 1778, nasceu Maria Teresa, batizada em homenagem à avó (a imperatriz morreria dois anos depois). 

O tão esperado delfim, Luís José, veio em 1781. “Com o nascimento de um filho homem, Maria Antonieta assumia a posição tradicionalmente forte de qualquer rainha da França que tivesse produzido um delfim”, conta a historiadora britânica Antonia Fraser, autora do livro Marie Antoinette – The Journey (“Maria Antonieta – a jornada”).
Depois do nascimento do herdeiro, Maria Antonieta ganhou coragem para desafiar ainda mais os costumes de Versalhes. Quando teve os últimos dois filhos, um menino e uma menina, ela se recusou a dar à luz em público, quebrando a tradição da corte francesa. 
Com os filhos Wikimedia Commons
A essa altura, Maria Antonieta parecia viciada em flertar com a impopularidade. Flertar, aliás, tinha se tornado uma rotina na vida dela desde o fim dos anos 1770, quando conhecera o belíssimo conde sueco Axel Fersen. 

Se não existem provas de que eles chegaram a ter relações sexuais, há poucas dúvidas de que os dois se amavam: os diários de Fersen, em linguagem cifrada, falam de uma “Josefina”, que certamente era Maria Antonieta.  

Tragédia anunciada

Entre 1779 e 1782, Maria Antonieta e o conde Fersen tiveram que se separar. Ele estava na América, lutando ao lado das tropas francesas pela independência dos Estados Unidos. A saudade do amado foi o maior impacto que a guerra teve sobre o cotidiano da rainha. 
Nessa época, ela transformou parte do Petit Trianon numa réplica das vilas camponesas da França, com casinhas simples, vacas e ovelhas. Para completar o faz de conta, Maria Antonieta passou a se fantasiar de pastora.
Longe de Versalhes, os camponeses de verdade e o resto do povo francês viviam um período difícil. A economia cambaleava, com o governo atolado em dívidas. Os gastos com a guerra na América, que acabou em 1783, só pioraram o cenário. 
Maria Antonieta ganhou, então, um novo apelido: “Madame Déficit”. Os gastos da rainha tinham um impacto mínimo no total das despesas da nação, é verdade. Mas seus hábitos extravagantes se tornaram o principal alvo da revolta popular contra tudo o que havia de errado no governo.
A péssima colheita de 1788 deixou os camponeses famintos e desesperados. Enquanto isso, a classe média (a burguesia) reclamava dos privilégios dos nobres. Debaixo de tantas críticas, Luís XVI tomou a pior decisão de seu reinado. Convocou, para maio de 1789, uma reunião dos chamados Estados Gerais: uma assembleia reunindo representantes do clero, da nobreza e do povo.
Em vez de apoiar as tímidas reformas que o rei pretendia fazer, os Estados Gerais logo foram dominados pelos não-nobres. Em 9 de julho, eles conseguiram criar a Assembleia Nacional Constituinte. Enquanto os camponeses de toda a França se revoltavam contra seus senhores e o povo de Paris destruía a Bastilha (prisão-símbolo do autoritarismo do rei), a assembleia abolia o regime feudal e os privilégios da nobreza.
Acervo AH
Em outubro, o povo rebelado invadiu Versalhes. Durante duas noites de agonia, Luís XVI e Maria Antonieta ficaram sitiados com os filhos, vários nobres e uns poucos guardas. Aos gritos, a multidão exigiu a presença da rainha no balcão do palácio.
Quando ela apareceu, sua figura altiva acalmou um pouco os ânimos. Mas a família real acabou aceitando as reivindicações do povo: aceitou abandonar a “ilha da fantasia” de Versalhes e se estabelecer em Paris.
A Assembleia Nacional exigiu então que o rei governasse com uma câmara de representantes do povo. Mas Luís XVI não aceitava dividir o poder. Em junho de 1791, ele e a rainha tentaram fugir da França, mas foram pegos e levados de volta a Paris. Sem alternativa, passaram a esperar ajuda da nobreza de outros países. 
Maria Antonieta manobrou nos bastidores para que seus parentes atacassem a França. A Assembleia Nacional acabou facilitando: como queria expandir a revolução pela Europa, ela deu apoio para que Luís XVI declarasse guerra contra a Áustria. 
Auxiliadas pela Prússia (hoje parte da Alemanha), as forças inimigas invadiram o país e ameaçaram marchar sobre Paris se a família real sofresse algo. O fato foi visto pelo povo como sinal de que Luís XVI era um traidor.

O fim

Em 20 de setembro de 1792, as forças francesas detiveram os invasores. No dia seguinte, a república foi proclamada e a família real foi presa. 

O ódio contra a nobreza atingiu o ápice. 

Uma das melhores amigas da rainha, a princesa de Lamballe, foi linchada. Enfiada na ponta de um pedaço de pau, sua cabeça foi levada até a janela da cela de Maria Antonieta, que entrou em pânico e desmaiou.
A execução de Maria Antonieta Wikimedia Commons
Em janeiro de 1793, Luís XVI foi guilhotinado. Isolada na prisão, Maria Antonieta passou a vestir apenas preto. Foi levada a julgamento, acusada até de incesto com o filho mais novo. O processo não trouxe qualquer evidência concreta contra Maria Antonieta.
Quando o júri exigiu uma explicação sobre o incesto, a ex-rainha gritou: “Se não respondi, foi porque a natureza se recusa a responder tal acusação feita a uma mãe. 

Apelo às mães aqui presentes!” Foi o único momento em que o público protestou em sua defesa. 

Condenada à morte, Maria Antonieta viveu um papel que não combinava com ela, o de vítima. Em 16 de outubro de 1793, foi guilhotinada em praça pública.

Pãozinho da discórdia

"Se não têm pão, que comam brioches!” A frase virou ditado usado até hoje para criticar qualquer governante insensível. Ela teria sido dita por Maria Antonieta durante sua coroação, em 1774, quando soube que o povo das províncias francesas não tinha pão para comer. 
Imortalizada no filme 'Maria Antonieta' de 2006 Reprodução

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