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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

SUÍNOS - PRINCIPAIS RAÇAS DO MUNDO - ORIGENS/MITOLOGIA


Leopoldo Costa


Os Suínos podem ter surgido na Europa ou na Ásia no início do período Oligocênio (entre 35 milhões e 23 milhões de anos atrás). 

Nas Américas, a evolução dos pré-suídeos foi iniciada no período Eoceno (entre 53 e 35 milhões de anos atrás)  com o gênero Eohyus, seguido depois pelo Parayus, o Heloyus; no período Mioceno (entre 23 e 5 milhões de anos atrás) pelo Perchoerus e o Thinohyus. 

A maioria dos estudiosos admite que a domesticação do S. scrofa, o atual porco doméstico, ocorreu na China à cerca de 4.900 anos antes de Cristo.

O arqueólogo da Universidade de Delaware M. Rosemberg, defende, baseado em suas pesquisas, que a domesticação pode ter ocorrido no leste da Turquia a 8.000 anos a.C. Escavações arqueológicas realizadas em Çayonu Tepesi reforçam esta possibilidade. 

Nos montes de ossos do período Neolítico (‘kjokken moddings’), descobertos no sul da Europa, não foram encontrados ossos de porcos domésticos e sim, apenas ossos de javalis o que  nos deixa acreditar que a domesticação dos suínos pode mesmo ter acontecido na Ásia e foi trazida para a Europa Meridional durante a migração dos Arianos e depois espalhado pelo centro e norte europeu.

André Sanson (1826-1902) na sua obra ‘Traité de Zootechnie’ publicado em 1901, classificou os suínos em três grupos étnicos: tronco asiático, tronco céltico e tronco ibérico. Nestes três troncos ele distribuiu todas as raças conhecidas. 
  • O tronco asiático é mais presente na Ásia, os animais engordam facilmente e produzem muito toucinho. 
  • O tronco céltico é o porco da Europa Central, apresenta toucinho rijo, alimentava-se com tubérculos que arrancam do solo e com frutos das arvores, como as bolotas do carvalho. Está em extinção devido aos cruzamentos com raças melhoradas. 
  • O tronco ibérico são os porcos da Europa Meridional, com tendência a estender-se para o Norte.
Dentre as centenas de raças de suínos destacam-se as seguintes:

Bazna


É encontrada na região central da Transilvânia, na Romênia onde também é conhecida como Porcul de Banat e Basner.

A raça começou a ser desenvolvida em 1872, a partir de cruzamentos entre Berkshire e Mangalitsa (uma raça autóctone). Em 1885 e também na primeira década do século XX outros cachaços Berkshire, foram importadas da Inglaterra e utilizados para  a melhoria da raça. Também exemplares das raças Yorkshire e Sattelschwein foram utilizados nesta melhoria. Os descendentes herdaram as características produtivas da raça Mangalitsa e foram diseminados ao redor das cidades de Mediash,  Sigishoara, Sibiu e Fagarash devido à sua precocidade e prolificidade superior em relação à sua raça nativa.   

Durante cerca de 30 anos foi incorporada à raça, sangue de Wessex e Hampshire. O Bazna foi reconhecido oficialmente como raça em 1958 com o estabelecimento do livro genealógico. 

Logo após a Segunda Guerra Mundial expandiu para áreas da Transilvânia (Cluj, Alba, Hunedoara, Muresh, Hargita), bem como para Banat. Os animais da raça apresentam altura média e aptidão para a produção de carne. A cabeça tem perfil côncavo. O pescoço é curto e largo. O tronco é de largura média, muito profundo e quase redondo. A cernelha é bem construída, o dorso e o lombo são médios. Os membros são fortes. Os machos têm altura entre 74 e 78 centímetros na cernelha, o comprimento do corpo é de 140 cm e o peso  de 160 e 180 kg nas fêmeas e entre 180 e 220 kg em machos adultos. A cor característica da raça Bazna é preta com uma faixa branca que circunda o tronco e os ombros. A prolificidade da raça é boa, com uma média de 9,5 leitões por parto, cerca de oito leitões ao desmame. Os suínos jovens são usados para a reprodução na idade de 10-11 meses a tornam-se adultos na idade de três anos. O peso corporal é a seguinte: 1,2 kg ao nascer, 5,6 kg em um mês, 14 kg em dois meses, 60-65 kg em seis meses, 125-135 kg em um ano .

Berkshire


Diz a lenda que foi a esquadra de Oliver Cromwell (1599-1658) quem primeiro descreveu alguns animais da raça na região de Reading, condado de Berks, na Inglaterra.

Originalmente os Berkshire eram porcos de grande porte, ossudos e feios,  autóctones do condado de Berk na Grã Bretanha, podendo ser pretos e brancos com manchas vermelhas ou cor de areia. Foi a primeira raça suína que os criadores ingleses procuraram melhorar. Os melhoramentos começaram em 1780, com os primeiros cruzamentos com porcos chineses, ainda sem muito critério. Os melhores resultados vieram a partir da década de 1820, graças ao empenho de Lord Barrington (falecido em 1829). Hoje o Berkshire é um animal preto com as extremidades brancas, cabeça mediana e côncava, de orelhas eretas e afastadas,ronco volumoso, cilíndrico, comprido e profundo, pernas curtas, fortes e aprumadas, cerdas rijas e espessas.

 A ‘Associação Britânica de Berkshire’ foi fundada em 1884. Os primeiros suínos dessa raça foram exportados em 1823 para os Estados Unidos para a granja de John Brentnall em New Jersey e em 1863 foram enviados os primeiros animais para Portugal, onde foi desenvolvido um importante plantel.

British Lop


Inicialmente era conhecida como Cornish Lop ou Devon Lop.  A raça foi criada em 1920, possivelmente pelos cruzamentos de diversos animais brancos do País de Gales, Cumberland e Ulster. Inicialmente a raça não era muito utilizada em cruzamentos, mas quando foram efetuados cruzamentos com o Yorkshire (Large White), os resultados foram bastante satisfatórios. 

O suíno British Lop é um dos maiores animais encontrados na Inglaterra. É branco com orelhas caídas sobre a cara.


Cantonense


Encontrado no delta do rio Zhujiang em Guangdong (Cantão) na China. É também conhecido como Dahuabat, Kanton, Macao e Pearl River Delta. É uma raça de animais  pretos e brancos, destinados a produção de banha e de carne.






Duroc

No início do século XIX foi decidido pelas autoridades americanas que era necessária a padronização da raça dos porcos vermelhos que existia em abundância nos estados de New Jersey, Massachusetts, Connecticut e Nova York, como forma de melhorar as características destes animais Optou-se pela associação de duas estirpes a Duroc e a Jersey e a fusão de ambas foi denominada de Duroc-Jersey. 

Em 1837, Henry Clay importou quatro cachaços ibéricos da Espanha para a sua fazenda em Ashland (Kentucky) para efetuar cruzamentos com suas porcas e em 1852, Daniel Webster importou também cerca de uma dezena de reprodutores ibéricos para a sua fazenda em  Massachusetts, com a mesma pretensão. 

Depois, da morte de Webster os animais cruzados foram vendidos pela família para diversas propriedades da região. 

Em 1882 foi criada a ‘Associação de Criadores de Suinos Vermelhos’ que no ano seguinte recebeu o nome de ‘American Duroc-Jersey Swine Breeders Association’. 

As raças Berkshire e Tamworth também contribuíram no melhoramento da raça. Em 1882 foram importados por alguns fazendeiros exemplares destas raças com este objetivo. Em 1940, os associados decidiram que o nome da raça fosse encurtado para Duroc. 

Apresenta animais de grande estatura e volume; cabeça pequena; tronco largo, profundo e roliço; membros altos e fortes.  A pelagem é vermelha cereja, podendo variar de pelagem vermelha escura a vermelha clara, com manchas pretas.

Hampshire


É uma das raças mais antigas dos Estados Unidos  podendo ter sido proveniente de animais da chamada ‘Old English Breed’ importados entre 1825 e 1835 do condado de Hamp, o que deu origem ao nome. 

Era também conhecida como McGee, McKay, Saddleback e Ring Middle sendo uma raça de grandes animais pretos com listas brancas na região da paleta e nas patas dianteiras. Os animais da raça tornaram-se muito bem aceitos pela sua rusticidade, força e facilidade de manejo. 

A difusão da raça aconteceu na década de 1920 quando a cultura de milho foi incrementada nos Estados Unidos, principalmente em Ohio, Illinois e Kentucky. Foi o porco escolhido pelos açougueiros de Kentucky para a produção do famoso ‘Smithfield Ham’. 

Em 1893 foi organizada em Kentucky a primeira associação de criadores, mas somente em 1904 foi padronizado o nome de Hampshire para a raça e criada a ‘Associação Americana de Criadores’ que foi extinta em 1907 e substituída pela ‘American Hampshire Swine Record Association’ com sede em Illinois que mais tarde simplificou o nome para ‘Hampshire Swine Registry’.

 

Hereford


Raça de suínos nomeada pela sua semelhança com a raça de bovinos Hereford. Os primeiros suínos conhecidos com Hereford surgiram de cruzamentos realizados em 1902 na fazenda de R.U Webster no Missouri, nos Estados Unidos usando além de outras linhagens animais Duroc e Chester. Entre 1920 e 1925 um grupo de criadores de Iowa e Nebraska, liderados por John Schulte, estabeleceu os padrões para a raça. 

Em 1934 o livro de registro genealógico oficial foi inaugurado. A raça sempre foi bem popular no Meio-Oeste dos Estados Unidos, especialmente em Illinois, Iowa e Indiana. 

Prosperou bastante até a década de 1950, mas a partir da década de 1960 a população decresceu, devido a mudança na preferência dos criadores para as raças híbridas ao invés de raças puras, mais exigentes. Hoje se estima que o efetivo nos Estados Unidos seja de cerca de apenas 2.000 animais reprodutores. São animais avermelhados com a cara branca e duas patas também brancas. Têm um temperamento dócil e geralmente pesam de 90 a 115 kg em cinco ou seis meses de idade. As porcas adultas pesam em média 270 kg e os cachaços 360 kg.

Kele


Animal preto peludo originário de Yunnan e Guizhou, regiões montanhosas do sudoeste da China, com altitude variando entre 1700 metros a 2400 metros com temperatura extremamente fria durante o inverno e seca e úmida no verão. 

A sua alimentação é baseada em tubérculos e rizomas silvestres, pois a disponibilidade de outros alimentos é precária. 

Eles geralmente têm as costas arqueadas, tórax estreito, patas traseiras enrugadas, pés fortes e corpo leve. Também são conhecidos por terem uma grande espessura de toucinho (5,1-7,2 cm), como também uma alta percentagem de gordura visceral (15,6% do peso da carcaça). É a raça preferida dos camponeses das áreas montanhosas que têm uma grande demanda de gordura na sua dieta.

Lacombe


A raça é de porte médio, branca, com grandes orelhas caídas, pernas curtas e conformação bem carnuda. A raça foi especialmente selecionada e conhecida pela sua precocidade e docilidade, especialmente das fêmeas. 

Na sua melhoria houve a seleção dos animais visando maior tamanho das leitegadas, maior peso na desmama, melhor taxa de crescimento, eficiência na conversão alimentar, qualidade de carcaça e solidez física. 

O programa de melhoramento genético começou em 1947 e foi realizado no ‘Centro de Pesquisas do Departamento de Agricultura do Canadá’ em Lacombe, Alberta, sob a direção de J.G. Stothart e H.T. Fredeen. O nome da raça foi emprestado da cidade onde se localiza este Centro de Pesquisas.

 Foi resultado do cruzamento de fêmeas Berkshire canadenses com reprodutores mestiços Landrace/Chester obtidos numa parceria com ‘Departamento de Agricultura dos Estados Unidos’. Depois de 12 anos de reprodução seletiva e testes zootécnicos foram separados 258 reprodutores e 840 fêmeas para estabelecer a raça. Todos os animais que entraram no plantel após 1954, foram retro-cruzados com Berkshire e aqueles que produziram descendentes com pelagem preta foram descartados. 

Os reprodutores foram liberados para o mercado em 1957 e as fêmeas no ano seguinte. A raça é bastante presente na região central do Canadá, onde ganhou reputação pela alta fertilidade das fêmeas. As províncias de Manitoba, Saskatchewan e Alberta a raça é predominante para criação direta e para cruzamentos industriais. Os zootécnicos estimam que a raça tem 56% de sangue Landrace, 23% de sangue Berkshire e 21% de sangue Chester White. Em 1959 foi constituída a ‘Associação Canadense dos Criadores de Lacombe’. A raça Lacombe foi também introduzida nos Estados Unidos, Japão, México, Rússia, Europa Ocidental e outros países.

Landrace


A raça Landrace foi desenvolvida na Dinamarca entre 1830 e 1840 através do cruzamento do porco nativo com o Yorkshire (Large White) britânico. 

Na década de 1880 os criadores de suínos da Dinamarca, que produziam seus animais visando o mercado da Alemanha, resolveram conquistar o mercado britânico que preferia um animal  com manta de toucinho delgada entremeada de carne para a produção de bacon. 

O trabalho foi melhorado em 1896 com o estabelecimento do primeiro centro de controle governamental, com o objetivo de obter um porco que fosse adequado para o mercado britânico, surgindo o Landrace. 

Para  conseguir a melhor seleção foi criada em 1907, a estação oficial de pesquisas e testes em Elscominde. Em 1931 o governo da Dinamarca criou o ‘Comitê para a Melhoria da Criação de Suínos’, sendo um dos fatores determinantes do reconhecimento da raça no mundo. Para proteger os criadores locais e os investimentos no desenvolvimento da raça, a exportação de animais vivos desta raça era proibida e só depois do final da Segunda Guerra Mundial é que foi autorizada a primeira exportação para a Suécia. Deles surgiu o Landrace Sueco. 

A primeira exportação  de Landrace  para a Inglaterra foi em 1949 e em 1953 aconteceu outra de animais registrados. Em 1958 chegaram a Austrália os primeiros animais da raça, provenientes da Irlanda do Norte, Foram 15 fêmeas e cinco machos.

Large Black


Raça desenvolvida a partir dos cruzamentos de animais pretos de Devon e Cornualha, com animais também pretos da East Anglia.que são descendentes das raças chinesas que foram importadas pela Inglaterra no final do século XVIII. 

Os de Devon e Cornualha foram fortemente influenciados por raças europeias, procedentes da França. Após 1900, o Large Black tornou-se conhecido fora de sua região de origem e se espalhou pela Grã-Bretanha. 

No início do século XX, os animais da raça Large Black foram usados na criação em área aberta. A pelagem torna os animais bastante tolerantes ao sol e também são conhecidos por sua habilidade maternal, a capacidade de aleitamento e prolificidade. 

Inicialmente como apresentavam carne magra e toucinho entremeado foi usado para a produção de bacon e só mais tarde teve mais desenvolvida a sua aptidão para a produção de carne.  A raça foi reconhecida pela ‘British Breed Society’ em 1899 e a partir do início do século XX difundiu-se por toda a Inglaterra e houve exportações de centenas de animais para os Estados Unidos. Em 1920 dezenas de animais foram exportadas para o Canadá. Têm a cabeça mediana, larga entre as orelhas que são pendentes sobre a face. Tronco muito comprido e largo, bem musculoso; cauda fina e de alta inserção e pelagem preta.

Pietrain

É uma raça oriunda da região de Brabante na Bélgica e seu nome é derivado da povoação onde os animais da raça eram mais abundantes. Entre os anos de 1919 e 1920 a raça foi espalhada pelas regiões próximas e alguns animais exportados para a França, porém até a década de 1950, ficou restrito a estas áreas. 

Em 1953 a província de Brabante  reconheceu a raça, sendo no ano seguinte estabelecido o padrão racial. Em 1955 a raça foi reconhecida nacionalmente. 

Foi na França  que ela desenvolveu mais a partir das primeiras importações na década de 1920 e em 1958 foi criado o livro de registro genealógico francês. Foi através da França que ela  alcançou projeção na Europa e nos Estados Unidos, sendo confundido por muitos como originalmente francesa. 

São animais grandes compridos, compactos, musculosos com o traseiro mais desenvolvido que o dianteiro. São animais versáteis porém não supera as três raças mais importantes (Landrace, Duroc e Wessex) nos cruzamentos para a produção de carne magra. Apresenta a menor deposição de gordura e o maior rendimento de carne na carcaça entre todas as raças.


Poland China


A palavra ‘poland’ não tem nenhuma relação com a Polônia e o nome é uma referência a pelagem vermelha ou branca suja que naquele tempo era chamada de ‘poland' semelhante a cor dos cabelos dos imigrantes eslavos. O nome da raça foi homologado pela Convenção Nacional dos Criadores de Suínos realizada em Indianapolis em 1872. 

O Poland China é originário dos condados de Butler e Warren (Ohio) nos Estados Unidos. Os fundadores da raça foi a família Shaker  de Union Village e o seu aperfeiçoamento se deve a Peter Mown de Iowa. 

O animal mais importante neste trabalho foi a porca ‘Harkrader 950-0’ que é considerada a mãe da raça. Em 1816 foram importados três porcas e um cachaço da China que foram cruzados com estes animais. Surgiram assim os chamados Warren Country Hog.

Em 1836 foi efetuado cruzamentos deles com o Berkshire. Em 1840 chegaram alguns animais de grande porte da Irlanda (Irish Grazier Branco) para aperfeiçoar a raça e dos descendentes foram escolhidos os melhores animais para defini-la. Apresenta cabeça pequena, ligeiramente côncava, orelhas dirigidas para a frente e pendentes; cara arrendondada, pescoço curto, grosso e convexo, peito largo, espádua comprida e forte, tronco cilíndrico e longo, cauda pequena, membros fortes, afinando nas extremidades e pelagem preta, as vezes malhada.

Nos Estados Unidos esta raça é tão importante quanto a Duroc, ocupando o segundo lugar na participação no rebanho. Países da América do Sul, o Canadá, a Rússia são também criadores desta raça e mais recentemente a variedade malhada vem ganhando importância. Tem aptidão para produção de ‘bacon’ e banha.

Tamworth


É também conhecida como Red Pig e Red Jersey. É uma raça desenvolvida nas proximidades de Tamworth, na região centro oeste da Inglaterra. 

Os ancestrais foram animais provenientes da Irlanda, introduzidos na Inglaterra  em 1815 por Sir Robert Peel. Um pouco mais tarde foi efetuado o cruzamento destes descendentes com animais  Irish Grazier Branco. Em 1865 a raça foi reconhecida oficialmente  e em 1885 o livro genealógico foi iniciado. 

Em 1882 os Estados Unidos receberam os primeiros animais, importados por Thomas Bennett de Rossville em Illinois. 

Apresenta animais de cabeça delgada, focinho fino; orelhas medianas, de alta inserção, nuca saliente entre as orelhas, tronco alto, largo, cilíndrico, de espinha bem dirigida, membros compridos e de bom aprumo e pelagem castanha avermelhada, podendo variar entre estas tonalidades. São excelentes produtores de carne própria para salsicharia.

Wessex Saddleback


A raça é originária do condado de Wessex, especialmente em Witshire e na área de New Forest em Hampshire. 

Algumas fontes afirmam que ela iniciou-se em meados do século XVIII, com os cruzamentos da raça preta de New Forest com a raça Old English Sheeted, efetuados em Hampshire e na ilha de Purbeck. Mais tarde foi melhorada com cruzamentos com animais de sangue italiano e chinês.

 A ‘Sociedade de Criadores da Raça Wessex Saddleback’ foi fundada em 1918. A partir da década de 1920 a criação foi ficando mais intensiva,  havendo a introdução de uma raça híbrida de Essex. Em 1967 ambas as raças foram fundidas, na tentativa de evitar a extinção sendo denominada British Saddleback. 

Antes da fusão, animais puros da raça Wessex Saddleback foram exportados para Austrália, Nova Zelândia e outros países, que mantiveram o padrão original. 

Em 2006, embriões e sêmen de suínos puros Wessex Saddleback foram importados dos Estados Unidos por criadores britânicos para restabelecer o padrão da raça. O suíno da raça Wessex Saddleback é todo preto com faixas brancas em forma de cruz que descem pela paleta.  É um animal alto e esguio, adaptado as condições de alimentação encontradas nas florestas.

White Chester


Raça de animais de pelagem branca surgida no condado de Chester (Pennsilvania), nos Estados Unidos, pelo cruzamento de animais Yorkshire e Lincoln, que foram importados da Inglaterra, entre os anos de 1812 e 1815. 

O aprimoramento genético foram efetivados por James Jeffries, que entre 1815 e 1818, importou da Inglaterra um cachaço e uma porca da raça Bedford (ou Cumberland) para a sua fazenda em West Chester. 

Estes animais e seus descendentes foram usados no melhoramento do seu plantel. Em 1884 foi fundada a associação de criadores que em 1893 estabeleceu o primeiro livro de registros. Em 1894 a antiga associação transformou-se na ‘Associação Americana de Registro de Chester White’ sediada em Columbus (Ohio).

Yorkshire


A raça também é conhecida como Large White. 

A história dessa raça mistura-se com a própria história da Inglaterra de onde é originária. No início do século XVI a população de suínos grandes e brancos cresceu muito no país e a sua criação era feita em todos os locais e até nas cidades. 

Nas cidades para regular os procedimentos, estabeleceu-se até um dia ( todo sábado) para a limpeza de todas as pocilgas. Neste dia era permitido soltar os animais nas ruas no período do meio dia até ás 6 da tarde para que pudesse ser feita a higienização correta. 

Na década de 1770 alguns exemplares de porcos chineses chegaram a Inglaterra. Houve o cruzamento desses animais com os nativosOs criadores do norte da Inglaterra, buscando um porco maior e com carne mais rosada, adotaram esses animais mestiços como padrão e surgiu o Yorkshire, que tem esse nome por ter sido nesse condado onde foi desenvolvida a raça. 

Dois grandes melhoradores da raça foram N.Wainman de Carhead, distrito de Kneighley e R.E Duckering, conde de Radnor. Em 1851, Joseph Luley também adotou a raça e em 1851 expôs um lote desses animais que atraiu muita atenção dos outros criadores. Com o sucesso, na década de 1860, alguns exemplares foram exportados para a França, Estados Unidos e Canadá. Em 1883 foi criada uma associação para cuidar do livro de registros dos animais da raça que é a que tem maior número de animais em todo o mundo. 

O primeiro livro de registro da raça foi iniciado em 1901 nos Estados Unidos, por iniciativa de A.G. Wilcox e Thomas Shawn da Universidade de Minnesota.. São animais de grande porte, volumosos e de pelagem branca. Um cachaço pode pesar até 500 quilos. Têm a cabeça mediana, ligeiramente côncava; focinho largo; orelhas medianas dirigidas para frente; tronco comprido, alto e bem arrendondado, pernas curtas, mas bem musculosas.




ORIGEM 


Os Suínos podem ter surgido na Europa ou na Ásia no início do período Oligocênio (entre 35 milhões e 23 milhões de anos atrás).


Nas Américas, a evolução dos pré-suídeos foi iniciada no período Eoceno (entre 53 e 35 milhões de anos atrás)  com o gênero Eohyus, seguido depois pelo Parayus, oHeloyus; no período Mioceno (entre 23 e 5 milhões de anos atrás) pelo Perchoerus e oThinohyus.


A maioria dos estudiosos admite que a domesticação do S. scrofa, o atual porco doméstico, ocorreu na China à cerca de 4.900 anos antes de Cristo.
Outros argumentam que possa ter ocorrido na Tailândia ou no litoral mediterrâneo à cerca de 8.000 anos antes de Cristo.  Existem indícios do porco ter sido usado como alimento em pesquisas realizadas no parque da Sierra Cebollera em Rioja, na Espanha e em algumas regiões litorâneas italianas.


O arqueólogo da Universidade de Delaware M. Rosemberg, defende, baseado em suas pesquisas, que a domesticação pode ter ocorrido no leste da Turquia a 8.000 anos a.C. Escavações arqueológicas realizadas em Çayonu Tepesi reforçam esta possibilidade.


Nos montes de ossos do período Neolítico (‘kjokken moddings’), descobertos no sul da Europa, não foram encontrados ossos de porcos domésticos e sim, apenas ossos de javalis o que  nos deixa acreditar que a domesticação dos suínos pode mesmo ter acontecido na Ásia e foi trazida para a Europa Meridional durante a migração dos Arianos e depois espalhado pelo centro e norte europeu.


André Sanson (1826-1902) na sua obra ‘Traité de Zootechnie’ publicado em 1901, classificou os suínos em três grupos étnicos: tronco asiático, tronco céltico e tronco ibérico. Nestes três troncos ele distribuiu todas as raças conhecidas. 

  • O tronco asiático é mais presente na Ásia, os animais engordam facilmente e produzem muito toucinho. 
  • O tronco céltico é o porco da Europa Central, apresenta toucinho rijo, alimentava-se com tubérculos que arrancam do solo e com frutos das arvores, como as bolotas do carvalho. Está em extinção devido aos cruzamentos com raças melhoradas. 
  • O tronco ibérico são os porcos da Europa Meridional, com tendência a estender-se para o Norte.


HISTÓRIA


Os habitantes da Babilônia e da Assíria apreciavam bastante a carne de porco, a ponto de tornar o porco motivo de suas gravuras, esculturas e baixos-relevos.


Na ‘Odisséia’, Homero (século VIII a.C) relata que quando o herói Odisseu (Ulisses) retornava da Guerra de Tróia (1194 a 1184 a.C), em algum local da costa do mar Mediterrâneo, a feiticeira Circe transformou toda a tripulação do seu barco em porcos por um período de sete anos, o tempo que eles ficaram reféns da feiticeira.


Columela (4-?70) ensinava equivocadamente que o porco não poderia beber água no dia do seu abate, pois se o fizesse a carne seria prejudicada na sua qualidade.


Aristóteles (384-322 a.C) que foi preceptor de Alexandre, o Grande e deixou tantos ensinamentos filosóficos importantes para a Humanidade, escreveu equivocadamente  [1], que o porco era o único animal sujeito a contrair sarampo.


Plínio, o Velho (23-79) afirma que só da Etrúria, eram enviados para Roma cerca de 20.000 porcos por ano.


Na Gália antiga a figura do porco era estampado nas moedas.
No sul da Germânia, hoje Alemanha, havia o costume de enterrar com o defunto, um leitãozinho.


Os nativos de Pápua-Nova Guiné caçavam os porcos selvagens para servir de alimento. Usavam cães treinados que localizavam as manadas e com lanças e outras armas abatiam todos que podiam. Os filhotes destes porcos selvagens não eram abatidos e sim capturados para serem adotados como animais de estimação. Eram criados dentro das casas em convívio direto com as pessoas e os cães. Dormiam juntos com as crianças e eram considerados membros da família. Quando atingiam a idade adulta eram abatidos sem nenhum remorso para o consumo e os melhores reservados para a procriação.


Na Idade Média, o consumo da carne de porco era considerado símbolo da gula e da luxúria.
Alexandre, o Grande (356-323 a.C) oferecia como prato principal em seus lautos banquetes aos generais e seus soldados, leitões assados servidos em ricas bandejas de ouro.


Paládio, escritor romano do século IV, ensinava que no Império Romano, os pernis e o toucinho (bacon?) eram curados durante os dias mais frios do inverno, para serem servidos depois..


Pesquisas arqueológicas indicam que a maioria dos porcos eram abatidos no outono, quando completassem entre 15 e 18 meses e atingissem o seu peso máximo.


Carlos Magno (747-814) exigia que fosse servida carne de porco para seus soldados. Foi ele que editou as leis Sática e Bolonhesa que prescrevia severas punições para os ladrões de porcos. Foram encontrados em sítios arqueológicos datados desta época, no vale do rio Pó, no norte da Itália, ossadas de porcos que serviram de alimento. Eram animais pequenos que pesavam entre 30 kg a 35 kg.


Guilherme I, o Conquistador (1027-1087), rei da Inglaterra, decretou em 1066, que quem matasse um cachaço reprodutor seria punido com a perda dos seus olhos.


Em 17 de julho de 1408, uma porca foi condenada ao enforcamento na cidade francesa de Pont de L’Arche, condenada pelo crime de ‘assassinar uma criança’.


No final do século XV toda a Europa já conhecia os porcos, só que ainda não como o animal de hoje, que foi obtido apenas no século XVIII com o cruzamento do porco europeu com o chinês.


Na América, os suínos foram introduzidos na segunda viagem de Colombo em 1493, quando foram desembarcados oito animais na ilha de Santo Domingo. Hernan de Soto (1496/1497-1542) desembarcou 13 porcos na Flórida em 1539. Por volta de 1542 a descendência desses animais já era de 700 cabeças.


J.-L. Flandrin  afirmou no  seu documento ‘A distinção pelo gosto’,  na ‘História da Vida Privada’ organizado por Roger Chartier,  que a carne de porco foi perdendo prestígio ao longo da Idade Média, junto à nobreza. Primeiro as orelhas deixaram de ser consumidas pelos nobres (1659), depois as costelas (1660), a fressura e a banha (1667) e até a própria carne a partir de 1670.


NO BRASIL


No Brasil os primeiros animais chegaram em 1534 em São Vicente com Martim Afonso de Souza (1500-1571). Os rebanhos por aqui evoluíram bastante e já em 1580, viajantes e cronistas descreviam a quantidade de porcos que viam nas diversas regiões.


No final do século XVII e durante o século XVIII, Minas Gerais se destacava como o maior produtor de suínos da colônia.
A região de Formiga exportava bastante para o Rio de Janeiro, só um comerciante relatou a Saint-Hilaire (1779-1853) em 1818, que tinha exportado 20.000 cabeças.
Também eram importantes as exportações de São João del Rey, Oliveira e Tamanduá (hoje Itapecerica).
Saint-Hilaire informou que a raça de porco mais comum na região era a Canastra, ‘um animal preto, orelhas eretas que pesava quando cevado, mais de 8 arrobas (120 kg)’. Também acrescentou que os porcos eram levados a pé até a cidade do Rio de Janeiro, que dista 80 léguas de Formiga, recebendo o condutor 6.600 réis pela empreitada.[2]


A carne de porco era de consumo quotidiano na Bahia. A viajante e cronista inglesa Maria Graham (1785-1842), no seu diário de uma viagem que fez ao Brasil entre 1821 e 1822, conta que em Salvador um dos pratos mais populares era 'feijão com carne de porco'.


No Brasil, como em quase todo o mundo, até a década de 1950, o porco além da carne era o fornecedor da banha para a cozinha. Não era ainda suficientemente conhecido o uso dos óleos vegetais. Quando começou o uso de óleo vegetal, inicialmente a 'banha de coco' e logo depois o óleo de milho, muitas donas de casas não os recomendava pois segundo elas deixava as refeições 'fracas sem sustança'. 


A banha é conhecida desde a Antiguidade como alimento e como medicamento. Sobre o seu preparo  naqueles tempos, existe uma descrição pormenorizada feita por Dioscórides Anarzabeu, famoso médico que viveu no século XV.


Foi com a produção e a comercialização de banha suína que Francisco (Francesco) Matarazzo (1854-1937) começou a acumular a sua imensa fortuna. Os rivais da família Matarazzo, também italianos, contam que ele importava as barricas de madeira da Itália e elas vinham clandestinamente cheias de banha de porco. Parece mesmo uma intriga, pois para poupar espaço nos navios, as barricas vinham desmontadas.


Na década de 1950 também houve a introdução de raças europeias especializadas na produção de carne e começou a criação industrial sendo que os estados da região sul destacaram nesta atividade.


Antes o porco vivia solto nas fazendas fuçando os terrenos úmidos ou confinados num rústico chiqueiro. Comiam restos das refeições que ficassem nos pratos ou estragasse, a ‘lavagem’, alguns tubérculos e raízes e um pouco de milho em espiga. Levava-se até 9 meses para atingir o peso de abate de 100 kg, apresentando apenas 45% de carne na carcaça. Consumia cerca de 4 quilos de alimentos para produzir 1 quilo de carne. A espessura da camada de toucinho atingia de 5 a 6 centímetros.
Atualmente, com a criação industrial, os animais crescem confinados em condições higiênicas, alimentam-se com rações balanceadas à base de milho, farelo de trigo e soja. Atingem em 150 dias o peso de 100 kg e a taxa de conversão é de 2 kg de ração para 1 kg de carne. Podendo ser obtido entre 58% a 62% de carne por carcaça, sendo a camada de toucinho entre 1,5 cm e 1 cm. A carne suína tornou-se mais saudável, baixando o seu nível de colesterol. Apresenta um nível de gordura intramuscular entre 1,1% e 2,4%, semelhante ao da carne de aves sem pele e bem abaixo da taxa média de 2,5% da carne bovina e da taxa de 6,5% da carne ovina.
  
NA MITOLOGIA E RELIGIÕES

Os Gregos sacrificavam leitões nos altares dedicados aos deuses Ceres, Marte e Cibele. Entre os Cretenses, o porco era um animal sagrado, pois, pela lenda Júpiter quando recém nascido teria sido amamentado por uma porca.
Na mitologia do Nepal, a deusa Varahi ou Barahi é representada com a cara de porca. Ela é a protetora dos templos e  das construções em geral.
Na roda budista de reencarnação o porco representava a luxúria, a serpente a raiva e a aversão e o galo a ignorância e a confusão.
Na cultura chinesa o porco representava abundância, mas ele também suportava a nossa natureza animal.


Também, por uma coincidência desconcertante para os cristãos, quando os primeiros missionários portugueses chegaram a China o nome do animal serviu para criar um trocadilho com o nome de Cristo, pois na língua chinesa é bem semelhante.


No Budismo tibetano existe uma deusa Dorje Pakmo ou Dorje Phakmo e em sânscrito Vajravarahi que significa Porca Adamantina. Ela é também conhecida como Sera Kandro e acredita-se ser a reencarnação da esposa do deus Demchok (Heruka). É a mais alta encarnação do sexo feminino no Tibet e a terceira pessoa da mais alta posição na hierarquia após a Dalai Lama e Panchen Lama.


A deusa da mitologia indiana Durga é representada como uma porca selvagem. Um templo dedicado a deusa foi construído no bosque Chapagaon no Nepal. Ele foi construído por Sri Bas Malla sob encomenda do guru Viswanath em 786. A atividade (‘shakti’) de todos os deuses se manifestam como Durga, que foi muitas vezes vitoriosa sobre as forças do demônio. No grande terremoto ocorrido na região em 1990 milagrosamente o templo sobreviveu, enquanto todas as construções em torno dele foram destruídas.


No Egito a deusa Nuut é a protetora da noite, mãe das estrelas e muitas vezes é representada em amuletos, como uma porca amamentando os seus leitões.


Na Grécia os suínos eram considerados consagrados a Demeter, deusa da fertilidade do solo. Ela é a mãe de Perséfone, a deusa do submundo. No outono durante os rituais das Tesmoforias [3], seus devotos conduziam um grupo de suínos para uma gruta. Mais tarde eles retornavam para observar se a divindade tinha aceitado sua oferenda, examinando a carcaça de cada porco que tinha sobrado. Mais tarde o seu culto foi absorvido pelo da deusa Ceres, para quem continuava a oferenda de porco.


Os suínos eram também sacrificados para homenagear Hércules (Héracles), Vênus e Lares quando os devotos faziam promessas para a cura para as suas doenças.
Em Roma um porco era a oferenda predileta do deus Saturno. Foi por isso que Marcial escreveu: ‘Esse porco irá proporcionar uma grande Saturnália.


A deusa céltica Ceridwin, era associada com a lua é referida como a ‘antiga porca branca’. Os Celtas se incluíam entre os povos que consideravam a carne suína o melhor alimento para os deuses. Existe a lenda de que Manannan, o deus do mar, tinha um rebanho de porcos mágicos que eram abatidos e consumidos num dia e no dia seguinte renasciam e estavam prontos de novo para serem abatidos e consumidos.
A mesma lenda se repete na mitologia escandinava: as Valquirias serviam os guerreiros a carne de um porco chamado Saehrimmir, preparada pelo cozinheiro divino Andhrimir. Milagrosamente o animal voltava vivo para a próxima refeição.


Na Inglaterra, nas lendas do rei Artur (o da Távola Redonda), existe uma chamada ‘The Hunting of Twrch Trwyth’, que relata a história de uma porca selvagem mágica que tinha um pente, uma tesoura e uma navalha entre as orelhas.


A celebração do Yuletide foi adotada pelos Saxões, que ofereciam um porco como um sacrifício de solstício de Inverno como era hábito na Escandinávia. Um leitão com uma maçã na boca era uma iguaria servida nas comemorações de Natal na Grã Bretanha que invocavam também essa lembrança, pois a comemoração do Natal coincide com o solstício de inverno no Hemisfério Norte.


No Egito, enquanto o porco comum era consagrado a deusa Isis o porco preto era consagrado a seu irmão e rival o deus Seth. O aspecto do porco preto era considerado responsável pelo obscurecimento do sol durante o eclipse e por isso Hórus furou um dos seus olhos.
Na figura oriental de Artemis, que remete a Diana de Éfeso, ela é associada com o suíno.
Adônis, o deus grego que foi importado do Oriente Médio foi morto pelas presas de um porco selvagem. A propósito, o seu nome que é derivado de ‘adohn’ (senhor), provavelmente refere-se a Tammuz, esposo da deusa Ishtar.


Um porco que voa é associado com Clazomenae, a cidade da Ásia Menor onde nasceu Anaxagoras (499-428 a.C.)


No Bhagavad Gita, um dos livros santos da Índia, por falta de respeito pelos deuses o guru Brihaspati, o Sábio, foi transformado em porco por Indra, o rei dos deuses.
Hiranyaksha, o ‘Demônio de Olhos Verdes’, mereceu um presente do deus Brahma por ter sido muito respeitoso na sua devoção a ele. Modestamente pediu para ser o rei do mundo inteiro e que nenhum animal que ele mencionasse pudesse feri-lo. Mencionou todos os animais e esqueceu-se do porco. Tendo o seu desejo realizado Hiranyaksha saiu como um desvairado, saqueando tudo e roubou até os livros sagrados. Vishnu assumiu a forma de um porco selvagem, feriu-o com as suas presas e jogou-o nas profundezas do mar para salvar o Mundo. Ele demorou cem anos para matar Hiranyaksha. Vishnu pacificou tudo e adaptou a Terra para uso da humanidade moldando suas montanhas e recortando os continentes.


Como curiosidade listamos algumas palavras na língua inglesa que refere-se a suínos:

Português
Inglês
Suíno
Swine
Porco em geral (sem definir sexo)
Pig
Porco para abate
Hog
Porco macho (cachaço)
Boar
Porca para criar
Sow
Porca que nunca criou, marrã
Gilt
Leitões (filhotes)
Piglets, Shoats or Farrow
Carne suína
Pork











[1]  Também escreveu outras asneiras, por exemplo, que  as mulheres tinham o sangue mais escuro do que o dos homens e menor quantidade  de dentes; e se as pessoas casassem  precocemente os filhos gerados seriam todos do sexo feminino.
[2] Saint-Hilaire, Augusto de- Viagem às Nascentes do Rio São Francisco e pela Província de Goiás. (1937)
[3]  O festival grego da “Tesmoforias” era celebrado anualmente em outubro, em honra a Deméter e era exclusivo para mulheres. Se constituía de três dias de celebrações pelo retorno de Coré ao Submundo. Neste festival, os iniciados compartilhavam uma beberagem sagrada, feita de cevada e bolos. Uma das características da Tesmoforia era uma punição aos criminosos, que agiam contra as leis sagradas e contra as mulheres. Sacerdotisas liam a lista com os nomes dos criminosos diante das portas dos templos das Deusas, especialmente Deméter e Ártemis. Acreditava-se que aqueles desta forma amaldiçoados morreriam antes do término de um ano.



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