AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "desenvolturasedesacatos"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá
obviamente, da minha aprovação que depende
da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não
contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente
com a excepção dos que o sistema considere como
SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam
a apologia do racismo, xenofobia, homofobia
ou do fascismo/nazismo.


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Governo PSD/CDS-PP foi avisado que a CP não conseguia cumprir investimentos mínimos


Desde 2014 que a CP diz que o estrangulamento financeiro imposto pelos governos não permite «assegurar os seus investimentos». Empresa perdeu mais de 100 milhões em indemnizações compensatórias.

O primeiro alerta surge no relatório da empresa de 2014, em que a administração da CP afirma que, «na sequência da redução do valor de indemnizações compensatórias atribuídas, deixou de dispor de fundos suficientes para assegurar os seus investimentos».

O desinvestimento já se vinha sentido – no ano anterior a empresa dizia que só conseguiu cumprir «um nível mínimo de investimentos, essencial para manter a segurança do material circulante e das instalações», recorrendo às receitas próprias –, mas foi a partir do momento em que o Estado deixou de pagar pelo serviço público que a ruptura foi assumida.

A CP ainda espera ser ressarcida pelo período em que deixou de receber as indemnizações compensatórias a que tem direito por cumprir serviço público nos últimos quatro anos, que actualmente já vai em mais de 100 milhões de euros, assumindo um valor idêntico ao praticado até 2014 – pouco mais de 30 milhões por ano.

Quase uma década sem investimento na frota

De acordo com as contas da CP, o último ano em que houve investimentos significativos no material circulante foi 2009. A partir de 2010 e dos sucessivos pacotes de cortes e austeridade dos governos de José Sócrates (PS) e Passos Coelho (PSD/CDS-PP), os investimentos da CP foram remetidos aos mínimos, nunca tendo chegado aos 20 milhões de euros anuais desde então.

Mas, entre 2006 e 2009, mais de 100 milhões de euros do investimento da empresa na frota (cerca de 150 milhões) foram destinados à aquisição de material circulante para o transporte de mercadorias – para a CP Carga, que o anterior governo viria a privatizar seis anos depois, nas últimas semanas do seu mandato, por 53 milhões de euros: muito menos do que custaram as 25 locomotivas eléctricas que chegaram à CP Carga em 2009.

Actual Governo do PS não inverteu rumo

Nos últimos dois anos e meio, as promessas do Governo de investimento na ferrovia têm tido parcos reflexos nas contas da CP. A empresa tem registado níveis de investimento próximos do verificados nos anos anteriores – sempre abaixo dos 20 milhões de euros anuais – e mesmo muito abaixo do prometido pela tutela na discussão dos orçamentos do Estado.

No final de 2016, o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, prometia no Parlamento que no ano seguinte a CP teria mais de 50 milhões de euros para investir. De acordo com a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, a execução não terá chegado a 30%. Para este ano, dos 44 milhões de euros orçamentados, a empresa só tinha de facto investido pouco mais de um décimo, cinco milhões, na primeira metade do ano.


Na foto: O governo do PSD e do CDS-PP sabia que o estrangulamento financeiro estava a impedir a CP de realizar os investimentos necessários | Créditos José Sena Goulão / Lusa

Página Global by 

Sem comentários:

Enviar um comentário