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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

E agora, vampiros meus, que tendes para alimentar a insaciável avidez?



O grande incêndio de Monchique está quase esgotado nas televisões, após estas terem-no aproveitado para criar aquele clima de «drama», de «horror» com que se comprazem, não só para ganharem audiências, mas sobretudo para criticarem, mais ou menos explicitamente, o governo de António Costa.
Não tendo acontecido os mortos, que possibilitassem à Judite da TVI voltara falar em direto com um cadáver em plano de fundo, ou para que a brasileira de Pedrógão pudesse ter mais uns minutos de glória a interligar a tragédia do ano transato com o incêndio desta semana, os diretores de informação têm de render-se à inevitabilidade de captarem o regozijo do primeiro-ministro por essa grande vitória que terá sido a inexistência de perda de vidas humanas. E isso, só por si, constitui uma grande vitória para o governo e para a estratégia gizada desde o ano passado sob a coordenação do ministro Eduardo Cabrita.
No rescaldo das cinzas cresce a noção de, a repetirem-se diretos das zonas ardidas, serem sentidas como não-notícias, que justificam o zapping para quem possa, por essa altura, apresentar informações mais apelativas. Até mesmo a tentativa de pôr em causa a ação musculada das forças policiais para forçarem a evacuação de quem estava em risco, priorizando a salvaguarda dos bens em detrimento da própria vida, foi desarticulada pelos constitucionalistas de direita chamados de urgência para comporem o ramalhete dos pivots, que desgraçadamente se viram criticados em direto. Ou essoutro intento de criticar a excessiva importância conferida a precaver a vida das populações em prejuízo das casas e árvores, que as chamas incontroláveis, estimuladas pelos ventos, iam consumindo. Quando José Manuel Mestre e um seu tonto colega da SIC o pressupuseram, logo um ruidoso coro público os desaprovou.
A angústia dos Ricardos Costas ou dos Sérgios Figueredos (nem refiro os da sarjeta da Cofina!) residirá agora em não encontrarem matéria passível de tapar o vazio de não existirem novas estórias que possam cavalgar para porem em xeque o governo. Depois deste sinistro, os do ano transato converteram-se em histórias passadas, e o roubo de Tancos já foi tão explorado, que nem a ajuda de Marcelo conseguirá reaviva-lo. Valem-lhes que tragédias não faltam noutras latitudes, desde vulcões e sismos na Indonésia às cheias em França. Para quem se alimenta das desgraças alheias, há sempre fartos mortos a vampirizar!

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