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domingo, 3 de junho de 2018

Liberlândia, o "país mais livre do mundo" que já atraiu 800 portugueses


Vít Jedlicka, presidente da Liberlândia, participou nas conferências Horasis, em Cascais
Nasceu há três anos após pesquisa na wikipédia e hoje tem meio milhão de pessoas à espera de cidadania
Em terra de ninguém quem lhe deita a mão é rei. Foi o que fez Vít Jedlicka a um enclave de sete quilómetros quadrados entre a Croácia e a Sérvia. Hoje é presidente da República Livre da Liberlândia, uma nação autoproclamada que tem como missão ser o país mais livre do mundo.
Três anos depois da fundação, no dia 13 de abril "para coincidir com o aniversário de Thomas Jefferson", o país já tem 118 mil cidadãos elegíveis e mais meio milhão de candidatos em lista de espera. "Para ser cidadão é preciso ganhar méritos, através de propostas que beneficiem o país. Quem acumula cinco mil méritos torna-se cidadão", explica Vít Jedlicka em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo, no âmbito da visita que fez a Portugal no início de maio.
O líder de um dos países mais pequenos do mundo, a par com o Mónaco e o Vaticano, foi um dos convidados das conferências Horasis, que juntaram em Cascais mais de 600 participantes, entre políticos, empresários e académicos. Durante os quatro dias do evento, Vít aproveitou para recrutar mais algumas dezenas de partidários da liberdade.
Liberlândia já conta com um representante oficial em Portugal e mais de 800 pedidos de cidadania. "São pessoas em busca de uma nova identidade, que não se sentem bem com os atuais modelos de governo que dominam o mundo. As pessoas hoje vivem sujeitas a demasiados impostos e demasiadas regras", sublinha.
A principal regra da Liberlândia é "vive e deixa viver" e os impostos não existem. "As pessoas podem contribuir livremente. Quem contribui com dinheiro ou com o seu esforço ganha méritos, ao contrário do que acontece nos outros países, onde não se recebe nada em troca. Aqui os méritos contribuem para a reputação dos cidadãos e funcionam como colateral do nosso sistema judicial."
Além do presidente, a Liberlândia conta com ministros das Finanças, do Interior e dos Negócios Estrangeiros. Apesar de ocupar um pedaço de "terra de ninguém", encontrado após uma busca na Wikipédia, o país não está totalmente livre de disputas territoriais. "Temos alguns problemas com a Croácia, que apesar de não querer aquele território, quer que ele pertença à Sérvia. Mas a Sérvia nunca o reclamou. Estamos a lutar pelo reconhecimento. Já há um partido croata que nos apoia".
Víc Jedlicka quer convencer os croatas com números. Garante que os mais de 500 mil candidatos à cidadania na Liberlândia são potenciais investidores, e que o desenvolvimento pleno da pequena nação à margem do Danúbio pode contribuir para um aumento do PIB croata de 1% por ano e uma redução "dramática" do desemprego" na região.
Para já, por questões de segurança, os poucos habitantes da Liberlândia vivem em barcos-casa, mas existe um plano para urbanizar o país, que prevê a construção de infraestruturas com capacidade para acolher até 340 mil habitantes.
Vít já tem data marcada para regressar a Portugal. Nos dias 19 e 20 de julho estará no Porto para participar no Anarchaportugal, o "primeiro colóquio do mundo para pensadores livres". O evento vai reunir na Alfândega os especialistas "mais livres do mundo" em temas como a tecnologia blockchain ou criptomoedas. A lista de oradores inclui Brittany Kaiser, uma das ex-funcionárias da Cambridge Analytica que denunciou a polémica de abuso de dados do Facebook.

www.dn.pt

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