A chuva forte que desabou sobre Washington não impediu que 40 mil pessoas fossem, em 8 de agosto de 1925, participar da abertura do primeiro congresso nacional da Ku Klux Klan. Realizado para tirar a seita racista da clandestinidade, mesmo com tanto quórum, o congresso foi um fiasco.
Criada em 1866, a organização foi fundada por soldados confederados que queriam afogar a mágoa da derrota para o Norte. No entanto, para que pegassem em armas, foi um pulo. Em seguida, passaram a agir contra os negros. A reação do governo foi suprimir o "habeas corpus".
Em 1915, depois de anos à sombra, a KKK ganhou fôlego ao ser liderada pelo professor de história William Simmons. Na noite de Ação de Graças, na Georgia, Simmons, chamado de "bruxo imperial" (dirigente supremo) e 16 seguidores encapuçados, os "cavaleiros invisíveis", participaram de rituais em torno de uma cruz em chamas e prometeram retomar a cruzada pela supremacia branca. Na KKK só eram aceitos americanos brancos que não tivessem sangue judeu ou orientação católica.
Na década de 20, depois do ingresso de Clark Tyler, que trabalhava para levantar fundos, a KKK recrutou cem mil seguidores. Em seguida, os homens passaram a se interessar por política e ingressaram no Partido Democrata. Em 1923, na eleição presidencial, a KKK apoiou o democrata John W. Davis, que perdeu para o republicano Calvin Coolidge.
Mesmo depois do fracasso, em 1925, a KKK conseguiu ter êxito em algumas eleições regionais. Nos anos 70, chegou a escolher candidato às eleições presidenciais dos EUA. Antes, suas atividades clandestinas acabaram na mira do FBI na era Kennedy, em meio aos seus métodos brutais e criminosos, incluindo espancamentos e assassinatos cometidos por seus integrantes.
Recentemente, membros da KKK no Sul dos Estados Unidos, embora enfraquecidos, sem contar mais com o apoio de dezenas de milhares de adeptos, atacaram decisões da Justiça e a entrada de imigrantes no país. Um dos alvos foi a permissão do casamento homossexual no Alabama.
Aliados de ativistas neonazistas, integrantes da Ku Klux Klan participam de marchas de grupos supremacistas brancos, como em Charlottesville, na Virgínia, onde uma pessoa morreu no dia 12 de agosto de 2017 após um atropelamento provocado por um terrorista que jogou o carro contra uma manifestação antifascista. Os membros da KKK cobram das autoridades que LGBTs, imigrantes e judeus não tenham os mesmos direitos civis dos demais americanos.
Sociedade secreta. Integrantes da Ku Klux Klan participam de cerimônia da seita racista nos EUA: FBI investigou crimes envolvendo a organização
Sociedade secreta. Integrantes da Ku Klux Klan participam de cerimônia da seita racista nos EUA: FBI investigou crimes envolvendo a organização Arquivo / 16/07/1957
















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