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sábado, 2 de junho de 2018

ISTO SERÁ VERDADE !? - Um holandês e um belga entraram sem problemas num submarino atracado nas antigas instalações da Lisnave. Marinha diz que pode ser crime.


Os dois estrangeiros já visitaram locais abandonados em mais de 55 países dos quatro continentes
Um holandês e um belga entraram sem problemas na embarcação, atracada nas antigas instalações da Lisnave. Marinha diz que pode ser crime.
Jogos de cartas, xadrez, um Mastermind intacto. Mapas elétricos, diários de bordo, coordenadas. Muitos cabos, máquinas, ecrãs, televisões, radares. Foi isto que um holandês e um belga encontraram num submarino da Marinha portuguesa chamado Delfim, atracado nas antigas instalações da Lisnave, na Margueira, em Almada. No início de abril, os dois homens conseguiram entrar no local, chegar ao submarino e passar lá a noite. O resultado foi publicado no YouTube esta terça-feira, 29 de maio.
Um holandês e um belga entram num submarino. Parece o início de uma anedota, mas foi exatamente isso que aconteceu. Sem querer revelar muitos detalhes sobre a forma como conseguiram entrar nas antigas instalações da Lisnave, Bob (prefere não revelar o apelido) explica à MAGG: “Não foi muito difícil chegar lá. Há várias formas de o fazer”.



VÍDEO

A visita ao submarino Delfim

A primeira tentativa foi frustrada. Depois de entrarem nas antigas instalações da Lisnave a correr, com o barulho de fundo de cães a ladrar, Bob e o amigo perceberam que o submarino estava demasiado longe da doca. Além disso, e porque já eram 23 horas, a maré baixa não lhes permitiria entrar em segurança.
Decidiram aguardar — e prepararem-se melhor. Depois de uma noite passada a dormir no carro, no dia seguinte foram a um supermercado Intermarché. Compraram sacos de plástico de 100 litros, para o caso de terem inevitavelmente de entrar na água (tiveram), onde colocaram alguns alimentos e bebidas como cerveja, sumos, batatas fritas e bolachas.
Eram 20h30 quando se aproximaram do submarino. A determinada altura viram um carro ao longe, momento que não ficou registado em vídeo, mas não foram apanhados.

Em sacos de plástico, colocaram vários alimentos e bebidas
Vestidos a rigor com calções de banho, entraram na água com a temperatura a rondar os dez graus. Depois de algumas braçadas, aproximaram-se do submarino.
“A entrada fica no topo. No vídeo consegue ver as escadas que levam até ao submarino. A ‘porta à prova de água’ estava aberta.”
Na maioria das vezes as embarcações são totalmente despojadas. Este submarino estava completamente intacto.”
É preciso ser-se pequeno para conseguir entrar. Bob não teve qualquer dificuldade, mas o amigo debateu-se um pouco. Mas conseguiu. Nesse momento, os cães continuavam a ladrar, algo que os deixou um pouco inquietos.
O maior susto aconteceu a seguir, quando avistaram um navio da Marinha a passar. Guardaram as lanternas, esperaram que ninguém tivesse visto as luzes. Ninguém viu. Continuaram a descer.
Às 22h40 conseguiram entrar no submarino, já com o material e comida. Fazer descer os sacos não foi fácil, daí a demora. Depois de uma pausa para comer e beber, começaram a explorar o local.
“Na maioria das vezes as embarcações são totalmente despojadas. Este submarino estava completamente intacto.” De facto, é possível ver no vídeo que o submarino parece ter estagnado noutra época. E qual foi a parte favorita da visita? “Gostei de tudo para ser honesto, da aventura, do submarino em si. O melhor foi a sala de torpedos.”
Foi exatamente nesta sala que Bob e o amigo passaram a noite. Depois de sentirem a emoção de pertencer à Marinha portuguesa, os dois estrangeiros deitaram-se nos beliches na sala de torpedos e adormeceram. Na manhã seguinte levantaram-se e foram-se embora. Mais uma vez, ninguém os viu.

A história do submarino Delfim

Foi em dezembro de 2005 que o submarino da Marinha portuguesa fez a sua última viagem, do Cais de Sesimbra até à base naval do Alfeite. Na altura, noticiava a RTP, os planos passavam por ter a embarcação atracada até 2010, altura em que seria entregue à Câmara Municipal de Viana do Castelo e transformado num espaço turístico de visita.
Não foi isso que aconteceu. O submarino acabou no estaleiro da Lisnave na Margueira, que está desativado desde 31 de dezembro de 2000. Situado mesmo ao lado do Arsenal do Alfeite, neste antigo estaleiro descansam hoje as embarcações desativadas da Marinha. O submarino que os dois estrangeiros visitaram é um deles.

Os dois estrangeiros encontraram vários jogos no submarino, incluíndo um Mastermind intacto
Então e quem é o Delfim? Para começar, é um dos quatro submarinos da classe Albacora. São os outros: Cachalote (vendido ao Paquistão em 1975); Barracuda (transformado em núcleo museológico); e o Albacora (depois de ter afundado no Tejo, foi desmantelado).
Com um total de 896 toneladas (à superfície, submerso ganha uns quilinhos e chega aos 1.038), o Delfim tem 57,78 metros de comprimento, 6,75 de boca e é composto por dois motores elétricos e dois geradores a diesel. A sua história remonta a 23 de setembro de 1968, quando foi pela primeira vez lançado à água em Nantes, França.
Um ano depois, mais precisamente a 1 de outubro de 1969, entrou ao serviço da Armada Portuguesa. Navegou 44.307 horas, 30.743 em imersão no Atlântico e Mediterrâneo. Entre os seus “trabalhos” mais importantes destacam-se as missões típicas da Guerra Fria em 1989, mas também exercícios nacionais e da Aliança Atlântica (NATO).
Nos últimos anos de operação, dedicou-se sobretudo a ações de vigilância, recolha de informações estratégicas para o Estado e apoio avançado à Força Naval, entre outras ações. A 1 de setembro de 2006 foi desarmado e a 30 de agosto de 2010 abatido.

O submarino parece ter parado no tempo
Quando uma embarcação é desarmada, “significa que todos os equipamentos com valor militar, sejam eles munições, mísseis, torpedos, equipamentos de comunicações ou outros equipamentos para fins militares, foram retirados”, explica à MAGG o comandante Fernando Fonseca, porta-voz da Marinha portuguesa.
Por outras palavras, o Delfim não tem neste momento qualquer valor militar para a Marinha. Tudo aquilo que vemos no vídeo, dos ecrãs aos supostos aparelhos elétricos, é apenas interessante para o público em geral — nada mais.
“Uma vez que pode ter interesse museológico, deixamos ficar tudo o que são artigos que fazem parte do submarino. Quem entra dentro do navio acha que está pronto para navegar. Mas de facto tem tudo aquilo que não tem valor militar.”
Tal como um carro ou um telemóvel, os submarinos também têm um tempo útil de vida. O Delfim ultrapassou o seu. Foi por isso que, depois de desarmado, foi abatido: deixou de ter bandeira portuguesa, guarnição, valor militar, “e foi entendido pela Marinha que, por razões de idade, deixou de ter interesse.” Resumindo, apesar de continuar a pertencer à Marinha, eles não contam mais com ele.
Esta intrusão poderá corresponder a um crime, e isso vai ser devidamente acautelado.”
Tomadas estas decisões, “o submarino poderia ter um de três destinos: ser desmantelado, usado como pólo museológico ou afundado para criar um recife. “Estas são normalmente as três opções que existem depois do desarmamento.”
Na altura em que o Delfim foi abatido e desarmado, a Marinha recebeu o contacto de várias câmaras, interessadas em transformar o submarino num pólo museológico. “Entretanto entrámos num período de crise, e as câmaras deixaram de ter capacidade financeira de poder receber o Delfim.” Isto levou a que o submarino permanecesse nas instalações da Margueira, onde se encontra até hoje.
A segurança e vigilância das embarcações abatidas é assegurada pela Marinha. “Fazemos rondas de forma regular, bem como inspeções internas aos navios para assegurar as condições de segurança.”
Aquilo que aconteceu no início de abril é encarado pela Marinha como uma intrusão — nas instalações da Margueira, um espaço privado que pertence à Câmara Municipal de Almada, e no submarino, que é responsabilidade da Marinha. A entrada de dois indivíduos dentro do Delfim é “preocupante”, e a Marinha garante que vai tomar “todas as diligências necessárias para que não volte a acontecer.” O caso também vai ser exposto às autoridades, uma vez que “esta intrusão poderá corresponder a um crime, e isso vai ser devidamente acautelado.”
Não foi a primeira vez que Bob entrou num sítio proibido. “Para mim vale a pena correr o risco”. Com 32 anos, é holandês e trabalha em animação. Mas é a paixão por locais abandonados que fala mais alto: há 11 anos que viaja pelo mundo a fotografar e a filmar sítios que parecem ter ficado parados no tempo. No canal de YouTube Exploring the Unbeaten Path, que conta com quase 100 mil subscritores, partilha os melhores vídeos.
“Já visitámos locais abandonados em mais de 55 países dos quatro continentes”, conta à MAGG. Na lista dos inesquecíveis está “Fukushima, os vaivéns espaciais na base de lançamento espacial de Baikonur [primeira e maior base de lançamento de foguetes espaciais do mundo] e o Aeroporto Internacional de Nicósia [abandonado desde 1974].”
Bob faz tudo: pesquisa os locais, planeia as viagens e edita os vídeos. Mas leva sempre alguém para lhe fazer companhia. Na visita ao submarino foi acompanhado por um belga de 26 anos, que trabalha na instalação de sistemas de aquecimento.
Esta foi a sua segunda vez num submarino. No Reino Unido, Bob conseguiu visitar um, mas teve tão pouco tempo que nem sequer tirou fotografias. Desta vez foi diferente. Com um ou outro percalço, conseguiu passar 12 horas dentro da embarcação.



magg.pt

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