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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Balada do fumo negro - António Dias Lourenço



Balada do fumo negro

Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas
Eu te saúdo!
Aí onde maculas o azul
Onde rolas ao sabor da ventania,
Há homens que o carvão tingiu de negro
Homens verdes, brancos, amarelos
Homens cor do cimento e da ferrugem,
Homens sem raça!
Homens sem cor!
Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas!
Tu que és negro resíduo
Desse estupendo cadinho
Onde se fundem tragédias.
Eu te saúdo, ó fumo negro das fábricas!
Nessa raça de homens que não têm raça,
Nessa raça de homens que não têm cor.
Eu te saúdo
Pelos rostos banhados de suor,
Verdes, brancos, amarelos,
Cor do cimento e da ferrugem
Que o carvão risca de negro.

1915-2010

Este poema, escrito por um jovem serralheiro mecânico de 24 anos chamado Antonio Dias Lourenço, foi publicado no Mensageiro do Ribatejo edição de 9-7-
1939, página 3 e inserido em ‘A Foz em Delta’ de Manuel Gusmão, pág. 63, 2018.

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