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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Queda de Bruno já é assunto de Estado mas líder resiste a sair

Presidente e restante Conselho Diretivo irredutíveis. Marcelo recusa Bruno de Carvalho a seu lado no Jamor. Ferro Rodrigues implacável
A queda de Bruno de Carvalho está iminente e parece ser uma questão a resolver nas próximas horas. Aos graves acontecimentos de Alcochete juntaram-se ontem suspeitas de alegada tentativa de corrupção ativa, não só no andebol mas também no futebol, envolvendo jogos da I Liga da época que agora findou. Inclusivamente tornou-se um assunto de Estado com o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, soube o DN, a querer evitar a companhia do líder leonino no Jamor e o presidente da Assembleia da República, o confesso sportinguista Ferro Rodrigues, a responsabilizar Bruno de Carvalho pelos acontecimentos na Academia, em Alcochete.
Mas vamos por partes. Muitos têm sido os sportinguistas que têm tentado gerar uma onda consensual que passa pela demissão em bloco dos órgãos sociais. Ontem mesmo, sabe o DN, houve uma reunião num hotel de Lisboa e se a mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal e Disciplinar estão disponíveis para apresentarem a demissão coletiva, Bruno de Carvalho e o restante elenco do Conselho Diretivo (CD) permanecem irredutíveis. Apesar de ter perdido o apoio de José Eduardo e Daniel Sampaio, que estiveram a seu lado desde a primeira hora, Bruno de Carvalho recusa-se a sair, continuando a considerar ter condições para cumprir o mandato que termina em 2021.
Assembleia contra Assembleia
Há esperança de que Bruno de Carvalho aceite sair antes da final da Taça de Portugal, no domingo, para evitar um foco de tensão desnecessário no Jamor. Há vários planos em cima da mesa, um deles podia levar o vice-presidente para a área financeira, Carlos Vieira, a assumir a presidência interina até eleições, que Jaime Marta Soares deseja convocar até segunda-feira. Mas o entendimento não está fácil. Independentemente disso há movimentações para o surgimento de listas concorrentes, pois o cenário de eleições parece inevitável - José Maria Ricciardi aventou ontem a possibilidade de ser candidato -, isto apesar de o Conselho Diretivo ter pedido ontem uma Assembleia Geral Extraordinária, situação que terá de ser aceite por Jaime Marta Soares e que pode colidir com a vontade do presidente da Assmebleia Geral em querer agendar uma Assembleia Geral... que vise a destituição do CD. Fonte bem colocada no processo vê nesta démarche uma tentativa de Bruno de Carvalho "ganhar tempo".
Jogadores jogam a final, mas...
Com Bruno de Carvalho em funções será muito difícil que não surjam pedidos de rescisão com justa causa. Pondo as coisas de uma outra forma, os futebolistas leoninos, que estiveram ontem reunidos com o Sindicato de Jogadores, resolveram jogar a final da Taça de Portugal mas no comunicado que emitiram deixaram claro que não têm "condições anímicas e psicológicas para de imediato retomarem a atividade". E salientam que vão jogar "sem prejuízo das decisões que cada um tomará". Traduzindo, a decisão de rescindirem unilateralmente depois do encontro do Jamor será individual, mas o DN sabe que com a continuidade de Bruno de Carvalho existirão muitos mais pedidos de rescisão. Fonte bem colocada garante ao DN que já há "empresários a fazerem contas à vida".
Jesus espera até quarta-feira
Por outro lado, ao que o DN conseguiu saber, Jorge Jesus não terá qualquer problema em cumprir o último ano de contrato... sem Bruno de Carvalho. Se a mudança não começar a ganhar forma na segunda-feira, o técnico vai tentar chegar a acordo com o presidente leonino. Caso exista um impasse até quarta-feira, Jesus irá pedir a rescisão unilateral alegando que Bruno de Carvalho foi o autor moral das agressões ocorridas na Academia, fundamento que também será utilizado pelos jogadores.
O desconforto e a miséria
O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa abordou ontem, pela primeira vez, os acontecimentos de Alcochete tendo declarado ser este o momento de combater com eficácia a violência no futebol e confessou sentir-se "vexado pela imagem projetada por Portugal no Mundo. Vexado porque Portugal é uma potência, nomeadamente no futebol profissional, e vexado pela gravidade do que aconteceu".
O que Marcelo Rebelo de Sousa não quis responder era se estaria no Jamor, como é habitual. O DN apurou que o PR não quis responder deliberadamente porque tem sérias dúvidas em sentar-se na tribuna ao lado de Bruno de Carvalho, uma vez que não quer ficar conotado com os incidentes dos últimos dias. Por isso quer esperar por desenvolvimentos até domingo.
Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, sem mencionar o nome do presidente leonino visou Bruno de Carvalho. "Tenho 68 anos de sócio do Sporting, mas não é nessa qualidade que estou aqui a falar, é na qualidade de presidente da Assembleia da República. Não pode ficar impune quem deu passos decisivos para que esta situação gravíssima de ontem tivesse acontecido (...) É bom que as autoridades judiciais, sempre prontas para investigar e bem os políticos, investiguem bem os dirigentes desportivos e aqueles que fazem do futebol português esta desgraça, sobretudo os que fazem do Sporting Clube de Portugal esta miséria que estamos a viver."
A segunda figura do Estado Português foi ainda mais longe sugerindo medidas radicais: "Não me chocaria que a final da Taça de Portugal fosse feita à porta fechada ou na Vila das Aves."
A finalizar António Costa. O primeiro-ministro defendeu a criação de uma autoridade nacional contra a violência no desporto. Havendo "uma infiltração grande no mundo do futebol de comportamentos que são inaceitáveis, que nada têm a ver com o desporto e que têm de ser banidos", disse António Costa, que acrescentou: "Temos de nos dotar dos meios legais necessários para banir este tipo de comportamentos." Certo é que o ataque em Alcochete "não pode ficar.


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