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quinta-feira, 17 de maio de 2018

AQUI ESTÁ MAIS UMA OPINIÃO VINDA DAQUELA SEITA QUE NEGOCEIA COM A MORTE EVOCANDO AMOR, ÉTICA E MORAL COISA QUE DESCONHECEM- Podemos aceitar uma lei que vai trazer ainda mais sofrimento?


Padre José Nuno Ferrreira da Silva diz que bioética tem de fazer parte deste debate
Padre José Nuno Ferreira da Silva, capelão durante 18 anos do Hospital são João no Porto, doutorado em bioética e professor, defende que quem professa uma religião tem de agir no debate sobre a morte assistida
O presidente francês disse-o há dias e ontem um dos oradores da conferência sobre Como Cuidar com Compaixão repetiu-o para a audiência que estava presente no salão da Academia de Ciências de Lisboa. "Estou aqui para vos dizer que a República espera muito de vós, e espera de vós três dons: sabedoria, compromisso e liberdade." A mensagem estava lançada pelo padre José Nuno Ferreira da Silva sobre o que todos os que ali estavam e que integram comunidades religiosas têm de fazer perante o debate que está a ser desenvolvido na sociedade portuguesa sobre a morte assistida.
"A intervenção é necessária", disse. "Este é o contributo que a sociedade precisa de receber das comunidades. Temos de intervir, temos liberdade para intervir, se não o fizermos há coisas que ficarão comprometidas", disse o sacerdote, que foi capelão durante 18 anos no Hospital São João, no Porto, professor e doutorado em bioética.
José Nuno Ferreira da Silva falava na conferência organizada pelo grupo de trabalho Inter-Religioso - Saúde, que reúne evangelistas, judeus, hindus, muçulmanos, católicos, ortodoxos, budistas e adventistas, e alertou para o facto de "não podermos ser dogmáticos nem fundamentalistas". "Mas o que temos de fazer, temos de o fazer", disse, acrescentando: "Somos herdeiros e sujeitos de uma sabedoria que vem de sempre." No seu discurso evocou a ética e o facto de a bioética não poder estar dissociada do debate sobre a "vida do homem. Pode ser grave se não estiver presente", argumentou. "As religiões não têm o monopólio da verdade. O seu discurso é um serviço e não podemos pretender que seja entendido como uma verdade categórica, mas as comunidades religiosas devem reivindicar a liberdade da religião para participar no debate; assumamos a humildade na forma de o fazer."
O sacerdote defendeu que vivemos na sociedade da direitocracia, mas além dos direitos há deveres e não se pode "não falar de deveres quando todos deixam de o fazer". E "nós, religiões, temos de o fazer".
Durante pouco mais de duas horas, José Nuno Ferreira da Silva e o advogado Fernando Loja dissertaram sobre a necessidade da intervenção no debate sobre a morte assistida. Quiseram deixar algumas certezas, como "a do direito de as igrejas, comunidades e religiões terem um lugar no debate político" - direito que lhes é dado pela herança da tradição e pela própria Lei da Liberdade Religiosa. Mas também deixaram apelos, intervenção, intervenção... e uma reflexão: "Podemos aceitar uma medida legislativa que, em nome do sofrimento intolerável, vai abrir a porta a muito mais sofrimento?" Uma última certeza foi deixada: a de que o dia de ontem foi histórico, aquele que uniu várias confissões religiosas para assinarem uma declaração contra a eutanásia. O documento será entregue à Presidência da República e ao Parlamento. No final, um a um, os líderes religiosos confirmaram porque é que à luz das suas convicções não aceitam a legalização da eutanásia.

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