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domingo, 13 de maio de 2018

A emocionante história do homem que encontrou a mãe biológica e um restaurante com o seu nome no outro lado do mundo

Bruce Hollywood nasceu no Japão mas foi entregue para adoção logo depois do nascimento e entregue a um casal americano. Quarenta anos depois, encontrou a mãe, dona de um restaurante no Japão... com o seu nome





























Esta história não começa por uma boa razão, mas acaba lindamente. Ou melhor, não acaba. Corria o ano de 2005 e Bruce Hollywood, coronel da Força Aérea dos Estados Unidos, percebeu que estava a ter um ataque cardíaco, no parque de estacionamento onde estava o seu carro, quando ia para o trabalho. A caminho do hospital, tudo lhe passou pela cabeça, e chegou à conclusão de que se arrependia de não ter feito uma coisa: agradecer à mulher japonesa que, em 1960, o deu à luz e que, depois, decidiu dá-lo para adoção.

O casal que se ofereceu para o adotar - um irlandês e uma norueguesa que estavam, na altura, no Japão com militares dos EUA - levou-o para a América e Bruce Hollywood cresceu com muito amor, em Washington. Até à sua morte, a mãe adotiva encorajou o militar a procurar a progenitora, e o casal chegou mesmo a oferecer-se para pagar um bilhete de avião ao filho, para que ele fosse ter com a mãe biológica. Mas a verdade é que Bruce, agora com 57 anos, nunca sentiu necessidade de o fazer: era feliz com a vida que tinha e isso, achava ele, era suficiente.
"Soube, desde sempre, que tinha sido adotado porque tinha traços asiáticos", conta o coronel à à jornalista Kathryn Tolbert, do The Washington Post, que está a levar a cabo o projeto Japanese War Brides: An Oral History Archive, do qual faz parte esta história.
"Os meus pais diziam que me tinham escolhido, e que, por isso, era ainda mais especial", acrescenta. E foi, realmente, assim que sentiu durante toda a vida. Por isso mesmo, quando, depois do episódio do enfarte, decidiu começar a procura, quis escrever-lhe uma carta a contar-lhe como a sua vida era boa e a agradecer-lhe por tê-lo posto no mundo. "Tive a melhor vida que podia ter tido. Tenho filhos lindos. A vida é mesmo boa", planeou escrever.
Tentou, através da embaixada japonesa e da dos EUA em Tóquio, encontrá-la, mas as informações que tinha sobre a mãe não eram suficientes. Contratou, sem sucesso, um detetive particular, até que desistiu, depois de ter feito "todos os esforços possíveis".
Mas a história mudou de rumo quando, uns meses depois, enquanto esperava por um voo que o ia levar para a Alemanha, para um encontro militar, se cruzou com outro militar, Harry Harris, num bar de vinhos do aeroporto. Bruce contou a sua história sobre a tentativa falhada de encontrar a mãe biológica e Harry, almirante da marinha dos EUA, propôs ajudá-lo: a mãe também era japonesa.
Apesar da pouca esperança que lhe restava, Bruce Hollywood deu todas as informações que tinha sobre a mãe a Harry Harris. Dez dias depois, o telefone do coronel tocou - era a Embaixada Japonesa. Do outro lado da linha, alguém disse "Coronel Hollywood, é com muita felicidade que o informamos que encontrámos a sua mãe, Nobue Ouchi", recorda Bruce. "E eu respondi: 'Oh meu Deus, isso é maravilhoso'. Têm de me ajudar a escrever-lhe uma carta, quero que seja concreta e sensível'", conta o militar. "Não vai haver carta nenhuma. A sua mãe vai ligar-lhe a partir deste número dentro de 10 minutos. Ah, e ela não fala inglês. Boa sorte!", responderam-lhe.

Depois de, nos minutos seguintes, ter conseguido, por sorte, que um intérprete de línguas fizesse parte da conversa, o telefone tocou. Mas tudo o que Bruce conseguiu distinguir foi o choro da mãe. Começou a falar muito depressa, a agradecer-lhe pela vida e a dizer-lhe que era muito feliz. Depois, ouviu, durante algum tempo, a intérprete e a mãe a conversarem.

"Amanhã é o 65º aniversário da sua mãe e a prenda que ela sonhou receber durante toda vida era tê-lo de volta", disse a intérprete, ao telefone. Segundo o que a mãe dizia, nunca se tinha chegado a casar porque "no seu coração só havia espaço para um homem", que era Bruce. "Ela sabia que você ia voltar", disse a tradutora. O que mais comovou o militar foi saber que Nobue Ouchi tinha um restaurante com o nome Bruce. "E eu pensei 'Ou esta mulher é completamente doida e está a mentir ou esta é a história mais incrível que já ouvi", conta.

O que aconteceu foi que a mãe adotiva de Bruce, antes de regressar com o bebé para os EUA, foi ter com Nobue, contou-lhe que nome tinham escolhido, entregou-lhe uma foto e prometeu que ia dar ao bebé a melhor vida que conseguisse.

Dez dias depois da conversa ao telefone, Bruce Hollywod estava em Shizuoka, no Japão, onde a mãe vivia. Foi aí que o militar soube toda a história da sua vida, que não conhecia até então: o pai biológico era um militar americano que tinha planeado casar com a mãe, mas o casamento não chegou a acontecer porque ele foi enviado para casa, na Carolina do Sul, e, quando voltou a tentar falar com ela, muitos meses depois, Nobue recusou-se a responder-lhe, com medo das suas más intenções. O avô de Bruce ofereceu-se para ajudar a criar o neto, mas Nobue sabia que a vida de Bruce ia ser complicada, por ser filho de uma japonesa e de um americano. Por isso, decidiu entregá-lo a Edward e Eleanor Hollywood, os pais adotivos.

Depois do primeiro encontro, Bruce regressou ao Japão várias vezes e levou a mãe para os EUA, que começou a ter aulas de inglês. O militar também começou a aprender japonês e, hoje, é um membro ativo da comunidade nipo-americana. "Antes, só tinha características nipo-americanas mas, à medida que me comecei a integrar nessa comunidade, comecei a sentir um orgulho enorme desta herança que me foi deixada", afirma Bruce. Em 2009, Três anos depois do primeiro encontro, Nobue morreu com um ataque cardíaco.


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