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quinta-feira, 2 de março de 2017

ALGARVE - O ENTERRO DO ENTRUDO EM QUARTEIRA EM 2015 e 2017 - FOTOS
















2015
















Suécia restabelece serviço militar obrigatório



O Governo sueco anunciou hoje que vai restabelecer o serviço militar obrigatório, sete anos depois de o ter abolido, para fazer face à falta de soldados e justificando com a falta de segurança na região.

A medida, que abrange tanto homens como mulheres, implicará que 13.000 jovens nascidos em 1999 sejam chamados no próximo dia 01 de julho para se alistarem e depois realizarem provas e 4.000 devem começar a 01 de janeiro a formação militar obrigatória, de 11 meses de duração.
O Ministério da Defesa sueco estima que apenas 1.500 das 4.000 vagas disponíveis venham a ser ocupadas por recrutas, já que as restantes deverão ser preenchidas por pessoas que se alistaram voluntariamente.
"Temos tido problemas para encontrar pessoal para as unidades militares de forma voluntária e há que resolver este problema. Assim, é necessário reativar o serviço militar", afirmou o ministro da Defesa, o social-democrata Peter Hultqvist.
A decisão, que conta com o apoio da maioria da oposição no parlamento, era esperada após um relatório favorável do Ministério da Defesa, que calcula que a partir de 2023 poderão ser necessários mais 8.000 soldados por ano.
A Suécia, país associado da Aliança Atlântica, tomou várias medidas nos últimos anos para reforçar a sua defesa, justificando com o agravamento da segurança na zona devido às tensões com a Rússia.
O parlamento sueco aprovou, por exemplo, o aumento do orçamento para a Defesa em 5% entre 2016 e 2020 para modernização do armamento, instalar um regimento permanente na ilha báltica de Gotland e melhorar a vigilância subaquática, além de permitir que a NATO possa colocar tropas no país.


A Teodora bem implora pelos velhos tempos


HÁ GENTE....

há gente que mente
mente a frio e a quente
mentindo fica contente
mente sobre o ausente
o presente

mente automaticamente
permanentemente
cabalmente
voluntariamente
inocentemente
gente que se não mente
não se sente
AG

acabou !



Acabou o carnaval
o mel
vamos à vida, a real
deixar cair a máscara
a pele
AG

Mulheres na História (LXXXIX) Deu-la-Deu Martins



Lendária heroína portuguesa da vila de Monção, que no século XIV ficou para sempre ligada à sua história, pois quando Monção foi cercada pelos soldados de Castela, com a sua bravura e inteligência fez com que o inimigo levantasse o cerco às muralhas do castelo. Defendeu a vila da invasão espanhola e a ela é dedicado o brasão de Monção. Lenda ou realidade, Deu-la-Deu Martins é uma figura conceituada e que ficou para sempre na História de Portugal.  No século XIV Monção foi cercada pelos soldados de Castela em virtude da guerra que decorria entre D. Fernando de Portugal e Henrique II de Castela. É desta altura que data a lenda de Deu-la-Deu Martins, mulher do capitão-mor de Monção, Vasco Gomes de Abreu.

Monção estava cercada pelo exército castelhano, comandado por Pedro Rodrigues Sarmento, e depois de um longo cerco às muralhas, a fome reinava no interior da fortaleza, enquanto o sitiante parecia disposto a esperar e obter a rendição dos lusos pela fome e o medo. D. Vasco Gomes de Abreu ausentara-se em serviço do Rei de Portugal, coube à esposa a defesa do castelo. Em gesto desesperado e estratégico, ela mandou com o pouco trigo que existia cozer alguns pães e atirou-os do alto das muralhas aos inimigos, gritando que se quisessem mais, só teriam de pedir, procurando, assim, iludir os castelhanos. O estratagema deu certo, pois os castelhanos, convencidos de que dentro das muralhas de Monção havia fartura e que resistiriam por muito tempo, abandonaram o cerco.



Figura histórica ou simples lenda, o que é certo é que muitos reclamam ser seus descendentes e em sua honra foi erigida a estátua que adorna a Praça de Deu-la-Deu, supostamente mandado construir pelo seu bisneto. Também o brasão da vila ostenta a figura da nobre mulher a distribuir pães do alto da fortaleza.


Fontes:www.mulher portuguesa
www.dec.ufcg.edu.br/
wikipédia (imagens)



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Estátua de Danaíde, em Monção. No brasão, pode-se ver a figura de Deu-la-deu



A VELHA CORUJA AGOIRENTA CONTINUA A OPINAR NO BICO DA RUÍNA - Teodora Cardoso: défice de 2,1% “foi um milagre” obtido à custa de “medidas que não são sustentáveis”



A presidente do Conselho de Finanças Públicas avisa que uma intromissão do Governo na nomeação dos dois nomes propostos pela instituição para a sua administração teria um “custo político”

Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, está cética quanto ao futuro da economia portuguesa apesar dos resultados apresentados pelo Governo de António Costa para 2016. Se admite que o défice de 2,1% alcançado foi, “até certo ponto”, um “milagre”, defende também, em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença, esta quinta-feira, que a redução foi obtida à custa de “medidas que não são sustentáveis”.
Houve um período em que foi difícil avaliar o que se passava na cabeça do Governo e que medidas é que iam mesmo ser aplicadas para reduzir o défice, aponta. Surgiu então o Peres [Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado], que teve um “impacto importante” na receita extraordinária. “E houve cortes da despesa muito profundos, nomeadamente no investimento público, que no início do ano iria ser um dos motores do crescimento e que, na realidade, foi o motor da quebra das despesas e também de compressão de despesas”, diz.
Para a economista, a incerteza em relação à sustentabilidade da redução do défice, aliada a um passado de saída e posterior reentrada em défice excessivo, leva os mercados a não valorizarem os resultados alcançados em 2016.
“Este tipo de medidas não são sustentáveis. O que resolve o problema da despesa pública é uma reforma que tenha efeitos a médio prazo de melhor gestão das despesas, de qualidade das despesas e de ganhos de eficiência. Nunca fizemos esse esforço no passado, portanto, há de haver espaço para ganhos de eficiência. Agora, isto não se pode fazer em seis meses, exige uma programação, exige uma forma de atuar diferente, que está aliás prevista na nova lei de enquadramento orçamental”, explica Teodora Cardoso.

Eventual “intrusão do Governo teria um custo político”

O Governo está parado e ainda não se decidiu sobre os dois nomes que o Conselho de Finanças Públicas sugeriu para entrarem na cadeia de administração da instituição. Tal como Expresso já noticiou, dois membros do conselho superior do CFP estão de saída, tendo terminado os seus mandatos já a 16 de fevereiro.
Por lei, cabe ao CFP propor dois nomes ao Governo para os lugares deixados vagos – e a nomeação deveria ocorrer até 60 dias antes do final dos mandatos dos membros do conselho superior. O CFP avançou com os nomes de Teresa Ter-Minassian, responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), e Luís Vitório, antigo chefe de gabinete de Paulo Macedo. Pelo que o Expresso apurou, o Governo não aceita o segundo nome.
Na entrevista, Teodora Cardoso diz que esta demora em aceitar os nomes propostos não significa que haja intromissão do Governo no CFP, até porque tal seria ilegal. “Somos uma entidade que é ouvida pelas instituições internacionais, pelos mercados (…) e haver uma intrusão do Governo que pusesse em causa a nossa independência teria um custo político”, avisa.

PIMBA - Histórias do adro - de António Garrochinho


Era uma vez um país onde havia muita música. Música para pular, música para abanar o capacete, música para esbracejar como loucos, música para nos fazer esquecer a importância da música e vender, vender, vender.
As pessoas pagavam bilhete para ver os humanos que abriam a boca e diziam coisas repetidas acompanhados de ruídos sempre iguais e estridentes. Alguns músicos não tocavam nada, os instrumentos tocavam, grunhiam, por eles.
Os "cantores" faziam-se acompanhar de moças roliças que dançavam sempre da mesma maneira exibindo as coxas e as enormes mamas feitas de plástico reciclado e quiçá da pele de que eram feitos os tambores da bateria.
Uma mistura de luzes fazia parecer que tudo aquilo vinha do espaço sideral e por isso mesmo justificava o preço da entrada na bilheteira. Num desses sacrifícios a que pomposamente os criadores do evento rotularam de " especial concerto" continuava o artista berrando, fazendo pular o micro de uma mão para outra qual exímio malabarista e sucediam-se os títulos, as canções, que em nada diferiam uma da outra .
Eis que num ritmo mais louco e frenético no sapateado das bailarinas, o palco, também ele já cansado do miserável espectáculo, vem abaixo. PIMBA, PIMBA, PIMBA. Tudo se desmoronava peça a peça, PIMBA, PIMBA, PIMBA, enquanto isso, algumas pessoas porque estava calor debruçadas de uma janela de um primeiro andar poupando o ingresso, riam às gargalhas e exclamavam: ainda bem que não fomos ao recinto ou então levá-va-mos com toda aquela pimbalhada em cima e vínhamos completamente surdos para casa.
Um homem exclamava risonho: do PIMBA gosto mas é daquela ginástica debaixo dos lençóis mála minha Maria.
António Garrochinho

Ele não queria assustar os infractores




O mentiroso é, por definição, um criativo, Paulo Núncio, o agora famoso e bem sucedido advogado da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados tem-se revelado uma espécie de criativo compulsivo, com momentos de elevação criativa quase diários. Aquilo que era algo que apenas tinha relevância estatística. acabou por se tratar de uma manobra de combate à fraude.

Paulo Núncio adaptou o conceito do "deixa-os pousar" ao combate à evasão fiscal, estava montando uma armadilha aos infractores, e queria apanhá-los descuidados, aumentou o prazo de cobrança de impostos, quando regressasse ao governo, com a ajuda do diabo, iria apanhá-los descansados, provavelmente a dar banhos aos ditos nas praias de água quente das ilhas dos paraísos fiscais.

Só nos resta esperar que Assunção Cristas nos venha dizer que Paulo Núncio que começou com elevação técnica, passando a elevação sacana, a que se sesguiu um momento de elevação ética, teve agora um momento de elevação criativa. Andam andam e na próxima cerimónia dos Óscares ainda vão trocar os envelopes e dar o Óscar do melhor guião ao advogado dado aos romances.

Já constava que o Núncio Fiscoólico e os seus pares tinham dois pesos e duas medidas em matéria de impostos, já se tinha percebido igualmente que o sucesso na cobrança dos impostos pagos pelos pobres chegava para o reembolso da sobretaxa e ainda dava para aliviar a carga fiscal dos coitados dos ricos. Agora sabemos que o especialista em combate à evasão fiscal, contratado pela Morais Leitão para aconselhar os seus clientes a serem contribuintes exemplares tinha uma abordagem do combate à evasão fiscal pelos ricos oposta à adoptada para os pores.

Para os pobres ou menos ricos a estratégia era a da bordoada e do terror fiscal, penhorava-se tudo, desde as casas de habitação às cuecas da avó, nem se escapando as encomendas postas protegidas pela Convenção Postal Universal. Nesta paranóia goebeliana de propaganda, Paulo Núncio anunciava resultados, mandava emails semanais a elogiar os cumpridores e, como isto não bastava, até anunciava medidas que não iria implementar, só com o objectivo de instalar o pânico dos contribuintes. Em relação aos ricos esperava que pousassem, para os pobres a estratégia era a seguida por Mao no famoso combate às quatro pragas, batia em tudo o que fazia barulho para que os pardais caíssem de cansaço. Ainda bem que a Morais Leitão nos fez um grande favor, levando o Núncio, corríamos um sério risco de ficarmos sem pardais..

Um bom exemplo das mentiras aterradoras do Núncio foi quando anunciou que ia cruzar os dados do multibanco com os dos contribuintes, até tinha contratado mais 350 inspectores (DN), isto é, a fartura de recursos humanos para cruzar o ouriço caixeiro com a minhoca na esperança de produzir arame farpado, impediu-o de ter tempo e meios para reparar que houve uma branca no controlo das transferências para as offshores.. O resultado é que não cruzou nada disso, apenas levou a que muitas tascas colocassem avisos a informar os clientes qe não aceitavam pagamentos por Multibanco. Enfim, um efeito perverso digno da campanha contras as quatro pragas.

Agora percebe-se que a desvalorização fiscal era conduzida em duas frentes, a frente legal compensando a descida do IRC com aumentos do IRS, e a frente do combate à evasão fiscal, com o combate feroz à evasão fiscal dos pores para compensar a perda de receitas em resultado da política de vista grossa em relação à evasão fiscal dos ricos.



https://www.dinheirovivo.pt/arquivo/fisco-comeca-a-cruzar-dados-dos-cartoes-de-multibanco-e-de-credito/
Não cocultou deliberadamente
jumento.blogspot.pt

A JANELA E A MONTANHA - Um conto de António Torrado











A janela abria para a frente, para fora, para o ar lavado da montanha.

Quem dormisse naquele quarto, ao saltar da cama, de manhã, abria a janela de dois batentes como se estivesse a respirar fundo. Enchia os pulmões de ar e os olhos de claridade. Era o primeiro exercício de ginástica.

Podia ficar por aqui, de cotovelos sobre o parapeito, a apreciar a paisagem. Ou podia voltar para dentro, com um pequeno arrepio de prazer.

A janela, que abria para fora, até nem se importava que voltassem a fechá-la. Tinha cumprido a sua missão. Dera, de longe, um primeiro abraço à montanha. Não pedia mais.

Eram muito amigas a montanha e a janela. Não podiam passar uma sem a outra. A janela emoldurava a montanha, por sinal que o seu lado mais fotogénico. A montanha sentia-se protegida por aquela janela prazenteira, sorridente, aberta de par em par.

Mas aconteceu que a estalagem, a que pertencia a janela, fechou. De vez. Falta de clientes, cansaço do dono ou fosse do que fosse, fechou. Portas e janelas trancadas.

A montanha olhava para a janela e sentia saudades. Cá em baixo, no vale, ouviam-na suspirar e diziam:

— É o vento da montanha.

Mas não era. Até a paisagem entristecia.

Da janela e do seu sentir não podemos saber. Pois se estava fechada. Só aberta, toda aberta de alegria é que ela era uma verdadeira janela.

A montanha convocou os ventos para que eles abrissem a sua janela, sem a qual nem as manhãs de orvalho apeteciam nem as tardes rubras do pôr-do-sol nem as noites alucinadas pela Lua Cheia.

— Para quê, para quê, se não tenho a minha janela a ver-me? — murmurava a montanha, inconsolável.

Mas os vendavais da montanha por mais esforços que fizessem, por mais empurrões que dessem não conseguiam abrir a janela. Impossível. Ela só abria para fora.

Desistiram. Não desistiu a montanha, que chorou, noites e noites a fio, a perda da sua janela.

Depois da época das chuvas, voltou o bom tempo. Romperam os malmequeres, no jardim abandonado da estalagem. A montanha cobriu-se de veludo roxo, que era uma maciça penugem de pétalas sobre o chão de urze. Começou a cheirar a rosmaninho.

— Parece que vão reabrir a estalagem, com nova gerência — contava-se, no vale.

E assim aconteceu. Quando a janela abriu as suas duas portadas, a abarcar a montanha, fez-se um grande silêncio.

— Olá, montanha — disse a janela.

— Olá, janela — disse a montanha.

Como se ainda ontem se tivessem visto… Mas ficaram que tempos, que tempos, a olhar uma para a outra.




António Torrado
O coração das coisas
Porto, Edições Asa, 2004




lusibero.blogspot.pt

ASSALTO AO CASTELO (VÍDEO) - Que papel teve afinal o Banco de Portugal no caso BES? O regulador sabia e não agiu a tempo? O poder de Ricardo Salgado terá ofuscado a atuação da supervisão? O Banco de Portugal omitiu informações aos deputados da Comissão de Inquérito ao BES?





VÍDEO


OLHÓ AVANTE ! - Argumentos - Offshores, democracia e capitalismo - Miguel Tiago



Jornal «Avante!» - Argumentos - Offshores, democracia
e capitalismo


  • Miguel Tiago 


Enquanto sujeitava os trabalhadores portugueses a uma política de empobrecimento e de aumento da exploração, o governo PSD/CDS tratava das benesses dos grandes grupos económicos. A opção e compromisso de classe com a grande burguesia nunca foi sequer iludida e esteve sempre presente nas medidas que PSD e CDS tomaram para fazer pender a balança do rendimento nacional para o lado do capital em detrimento do trabalho.
Enquanto aumentavam impostos sobre o trabalho e diminuíam sobre os lucros e enquanto esbulhavam até à última migalha os bolsos, poupanças e rendimentos dos trabalhadores e pensionistas, esmagavam os serviços públicos, entregavam todo o sector empresarial do Estado a grandes grupos económicos. As opções foram sempre muito evidentes e perpassam todos os orçamentos do Estado aprovados pela maioria PSD/CDS. As últimas notícias sobre o não tratamento de um conjunto de transferências financeiras para contas sedeadas em offshore apenas acrescentam ao negro rol de opções contra o interesse nacional que o governo PSD/CDS protagonizou.
Assim, com recentes notícias ficámos a saber que, entre 2010 e 2015, quase 29 mil milhões de euros foram transferidos para contas em offshore, 10 mil milhões dos quais sem escrutínio fiscal nos termos da lei. Isso demonstra bem que estes grandes grupos económicos e os senhores do dinheiro que orbitam em seu torno – mais ou menos na sombra – não têm qualquer pejo em pegar no dinheiro que conseguem fazer em Portugal e pô-lo daqui para fora na primeira oportunidade que têm de pagar menos impostos (ou impostos nenhuns).
A questão coloca-se, claro, nos dois planos: na vertente mais sistémica que revela o comportamento do grande capital perante os sistemas fiscais e que, no fito constante de escapar às suas responsabilidades fiscais, utiliza a necessária arquitectura, fazendo circular o capital até se tornar inescrutinável, num processo de fuga aos impostos muitas vezes acompanhada de branqueamento de capitais; na vertente pontual que agora se revela com a não identificação de um conjunto de transferências (20 operações de cerca de 500 milhões de euros, cada uma), apesar de terem sido comunicadas à Autoridade Tributária pelo Banco de Portugal e apesar de os serviços as terem submetido ao secretário de Estado em funções, Paulo Núncio, indicado pelo CDS a integrar o governo.
Nos dados referentes ao período de 2010 a 2015 há uma importante actualização de valores – que identifica 10 mil milhões a mais do que até aqui contabilizados para efeitos fiscais – correspondente a um conjunto de operações que se terá realizado no ano de 2014 e que passaram completamente ao lado dos serviços tributários e, como tal, terão passado intocáveis ao crivo das finanças, podendo ter deixado impostos por liquidar em valor desconhecido. O mesmo governo que entrava pela vida das pessoas adentro para verificar se tinham passado factura da bica é o que deixou passar 10 mil milhões de euros (qualquer coisa como seis por cento do PIB de 2014) sem o escrutínio previsto na lei.
A inacção fiscal deliberada é expressão do desdém pela vida das pessoas e de uma vassalagem indisfarçável aos grandes grupos capitalistas e monopolistas e seus senhores. Particularmente num momento em que o BES colapsava e era necessário garantir o controlo sobre as transferências que podiam ainda lesar o banco e onerar ainda mais o Estado, é gritante a forma como o governo deixou passar estas transferências. Nenhuma demissão dos cargos partidários de Paulo Núncio, nem nenhum elogio de Assunção Cristas apagará o crime cometido contra o País. E estará certamente por provar se naqueles 10 mil milhões não partiu uma boa parte do que os grandes accionistas do GES podiam ter utilizado para pagar o buraco que abriram no BES. 
As medidas necessárias
e a superação revolucionária
 
O PCP tem vindo desde há muito a denunciar as práticas de branqueamento de capitais associado a origens criminosas do rendimento, de fuga fiscal e financiamento ao terrorismo que estão associadas à utilização de contas sedeadas em paraísos fiscais ou territórios não cooperantes. Ao mesmo tempo que estas práticas se constituem como zona livre de supervisão e regulação bancária e financeira, a utilização deste tipo de operações fragiliza qualquer sistema fiscal. O offshore é, portanto, um ângulo morto do escrutínio e da própria democracia, na medida em que faz escapar aos estados recursos que são obtidos através da exploração das suas riquezas e do trabalho das suas populações. A utilização deoffshores é uma constante em todas as fraudes bancárias, desde o BPN ao Banif, passando pelo BES, para onde foram detectados fluxos financeiros de milhares de milhões de euros que lesaram os bancos e os portugueses.
O PCP não concede na campanha que as instituições do capitalismo – entre as quais a União Europeia – vão alimentando em torno da introdução de normas de supervisão e regulação e de desencorajamento à utilização de paraísos fiscais e territórios não cooperantes como se estas fossem deficiências do sistema capitalista. Pelo contrário, o PCP reafirma que estes métodos e estes territórios fiscais decorrem da natureza do próprio sistema capitalista e a permissividade política para com estas práticas resulta precisamente da captura das instituições políticas pelos interesses da classe dominante, ou seja, resulta do facto de a lei e o Estado serem instrumentos da classe dominante.
No entanto, apesar dessa denúncia constante por parte dos comunistas portugueses, parte integrante da nossa acção para a construção das condições para a superação revolucionária do capitalismo, não deixamos em momento algum de apresentar as medidas que consideramos necessárias para impedir a circulação de capitais por detrás de biombos que permitem aos grandes grupos económicos e aos milionários escapar ao escrutínio e aos impostos.
Mas o PCP não opta pela introdução de meras normas de «disciplina» ou «transparência» nas transferências paraoffshores, como até aqui têm feito os sucessivos governos, mas antes pela proibição de transacções com entidades sedeadas em territórios não cooperantes e pela consideração, para efeitos fiscais, de todos os lucros obtidos em Portugal, independentemente da sede fiscal da empresa. A simples rejeição destas medidas demonstra bem com quem estão comprometidos aqueles que, em Portugal, as rejeitam: PS, PSD e CDS.

Notícias da república das bananas


AS FRASES POLÍTICAS DO RELÓGIO SEM PONTEIROS


Carlos César defende que é preciso baixar os impostos, mas diz também que “ainda não chegou a altura certa”.


Um grande amor e uma viagem sem roteiro: casal de portugueses viaja pela Europa sobre quatro rodas


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Viajar sem destino na companhia de um grande amor poderia ser roteiro de um filme, mas um casal de portugueses está fazendo isso na vida real. Juntos há quatro anos, Rita Vasconcelos e Miguel Marques, viviam em Lisboa e passaram dois anos juntando dinheiro e planejando seu grande sonho: abandonar a rotina diária e sair pela Europa tendo como objetivo conhecer o máximo de lugares que conseguirem.
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Trabalhando em diversos empregos (como entregadores de pizzas, vendedores lojas de roupa, atendentes de call center) e com muita disciplina e economia, eles juntaram 20 mil euros. O dinheiro foi o suficiente para a compra de um motorhome antigo e para alimentação e gasolina para se manterem na estrada por 10 meses.
“Como moramos na casa dos nossos pais, foi ainda mais fácil, pois não gastamos dinheiro em aluguel. Deixamos de gastar dinheiro em tudo o que não era essencial e decidimos poupar para o que para nós é realmente importante, vivências e experiências novas”, contou Miguel.
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Com tudo planejado, o casal começou a contar a ideia para familiares e amigos e não receberam muito apoio.
“Pessoas com quem fomos falando antes da viagem sempre se mostraram um pouco céticas. Um carro tão velhinho (com 30 anos), um continente tão grande, perguntavam como é que lidaríamos com as variações climáticas, com os perigos da estrada e com o medo do desconhecido”, explicou Rita.
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Mesmo assim os dois mantiveram o ânimo e, no dia 13 de novembro de 2016, saíram de Portugal. Encantados com os lugares que conhecem, os jovens viram de pertinho das montanhas do Norte de Espanha aos vinhedos de Bordeaux em França. Mas nem tudo são flores e os imprevistos também fazem parte da vida na estrada.
“Até ao momento, já ficamos sem água, sem eletricidade e sem gás. Na França tivemos um problema com a eletricidade no carro que parecia um bicho de sete cabeças, ninguém conseguia nos ajudar, fomos a mais de 6 oficinas e umas até mesmo especializadas em caravanas. A língua foi uma barreira, eles não falavam inglês e a comunicação tornava-se muito difícil. No final, resolveu-se a situação e era muito simples, apenas um cabo que não estava bem ligado”
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Flagras do casal durante a viagem
Sem rotina, o casal tem aproveitado a viagem ao máximo e, como dormem dentro do carro, se preocupam apenas em escolher lugares que pareçam seguros. Sendo assim, a cada dia eles acordam com uma paisagem diferente para apreciar.
“Todos os dias para nós são diferentes. Não ligamos para o relógio. Tanto podemos acordar às 9h como às 11h, numa cidade, num lago, na praia ou numa montanha. Há dias que passamos na estrada, outros que fazemos caminhadas de horas nos lugares onde estamos. Quando estamos em contato com a natureza, muitas vezes ficamos contemplando o que está a nossa volta. Já nas cidades, tentamos ver alguns monumentos e conhecer a cidade”, explicam.
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A alimentação também é feita dentro do automóvel e eles priorizam vegetais por conta da durabilidade e armazenagem. “O nosso congelador é minúsculo e não cabem mais que 3 bifes. Por isso só comemos carne três vezes durante estes dois meses. Também não temos forno, então não podemos fazer assados, nem bolos. Adoramos experimentar receitas diferentes, com os vegetais que vamos comprando em diversos mercados”
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Após dois meses de viagem eles já passaram pela Espanha, França, Inglaterra, Escócia. Neste momento estão novamente na terra da rainha, onde atravessarão o Canal da Mancha em um ferrie. Em meados de fevereiro pretendem estar de volta à França para irem em direção ao centro da Europa.
“O plano é chegar a Portugal em setembro, depois de percorrer cerca de 25 mil km em 10 meses de viagem”, disse Rita.
Acompanhe a viagem de Rita e Miguel pelo Facebook e pelo Instagram.
* Todas as fotos: Acervo pessoal


vivimetaliun.wordpress.com

Ânimos exaltados na tomada de posse de casas na Ilha da Culatra













A Polícia Marítima está a ter trabalho redobrado para proteger os elementos da Polis Algarve, em face dos protestos veementes da população, no início da tomada de posse administrativa de casas na ilha da Culatra.

Moradores, amigos e defensores das habitações manifestam-se de forma ruidosa e veemente. Os manifestantes estão a vedar a passagem dos elementos da Polis, que estão protegidos pela Polícia Marítima.
Os elementos da Sociedade Polis, rodeados de Polícia Marítima, tentam avançar, esta quinta-feira, com a tomada de posse administrativa de 17 construções no núcleo dos Hangares, ilha da Culatra.
Os manifestantes colocam-se em frente das casas, dificultando a ação dos elementos da Sociedade Polis, com a Polícia Marítima a tentar abrir caminho, tendo mesmo solicitado a ajuda do presidente da Associação de Moradores dos Hangares, José Lezinho.
"Algumas destas casas têm mais de 100 anos. As pessoas sentem muito isto", disse José Lezinho, justificando o clima de exaltação que está a rodear os trabalhos da posse administrativa das casas, na maioria segunda habitação de descendentes de moradores na ilha.
"Isto foi tudo construído ao lado da Guarda Fiscal, ao longo dos anos. Dizer que é ilegal não é correto", argumentou José Lezinho, sustentnado que o núcleo dos Hangares "foi sempre o mais desconsiderado" pelo Estado. "Nunca tivemos direito a água ou a luz, mas resistimos", argumentou.
"O nosso receio era que isto descambasse. A Polícia Marítima está a fazer o trabalho dela, mas não é fácil viver com esta situação porque o coração acaba por falar mais alto", referiu José Lezinho.
Com palavras de ordem "é uma vergonha" e "estão a tirar-nos a nossa vida", os manifestantes seguiram em ruidoso protesto o cordão que vai avançando lentamente enquanto os técnicos procedem à identificação das casas.
Moradores do núcleo do Farol, cujas casas foram marcadas a 22 e 23 de fevereiro, juntaram-se aos protestos, esta quinta-feira, nos Hangares. "Era o mínimo que podíamos fazer, depois da solidariedade que manifestaram para connosco", disse o presidente da Associação de Moradores da Ilha do Farol, Feliciano Júlio.
Das 23 construções notificadas para demolição nos Hangares existem seis com providências cautelares ativas, pelo que a sua posse administrativa ficará suspensa até ser conhecida a decisão do tribunal, garantiu à Lusa o presidente da sociedade, José Pacheco.
Na semana passada, a Polis tomou posse de 29 construções no núcleo do Farol e não de 34, como previsto, por haver cinco com providências cautelares, mas os moradores queixaram-se de ter sido realizada a posse de construções que estavam protegidas por aquele mecanismo legal.
"Eu sei que as pessoas se revoltaram muito porque tinham intentando providências cautelares [no núcleo do Farol], só que foi no último dia e o tribunal não nos notificou", esclareceu José Pacheco, sublinhando que não se tratou de uma "tomada de força" e que os técnicos da Polis apenas cumpriram a lei.
Em cada um dos núcleos, Farol e Hangares, foi apenas detetada uma construção de primeira habitação dentro da faixa de 40 metros a contar da linha de água, que foi definida como sendo zona de risco, acrescentou aquele responsável.
José Pacheco estimou que as demolições avancem no terreno dentro de um mês, explicando que a obra ainda tem que ser consignada ao empreiteiro, que terá depois que realizar alguns procedimentos de natureza ambiental, nomeadamente, a retirada de telhas de amianto de alguns edifícios, o que requer uma licença.
Ao todo, em ambos os núcleos, estão sinalizadas 60 construções consideradas ilegais para demolição, embora ainda haja providências cautelares sem decisão do tribunal e casos que estão a ser reavaliados pelo ministério.
Em abril do ano passado, de acordo com os planos da Polis, eram 200 as construções que deveriam ter esse destino, número que em outubro passou para 80 e que agora se cifra em 60, concluiu.
Depois do dia de hoje, o processo de tomadas de posse nas ilhas-barreira deverá ficar concluído, pelo menos para já, uma vez que a situação só será reavaliada dentro de três anos, em todos os núcleos da Ria Formosa.


www.jn.pt