AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

o livro

eu sou o livro
a história
a memória
o horizonte
a liberdade
a ponte
eu sou o livro
se me amas
em ti, para ti, vivo
António Garrochinho

a poesia

Não se faz poesia quando se quer
temos que preparar a casa
o coração
ela pode trazer-nos de tudo
alegria
amor
desilusão
quando nos bater à porta
entre ! quem é ?
que venha o abraço
o medronho, o bagaço
o cigarro
a chávena de café
ela é bem vinda
quando vier
António Garrochinho

AOS..



AOS QUE ME LEEM, GARANTO QUE ME VEEM.

AG

as lágrimas

Às vezes as lágrimas escondem-se não querem sair cá para fora para não se misturarem com outras que não são sentidas, são forçadas e fingidas
Escondem-se envergonhadas pois já se cansaram deste mundo insensível, desta arena onde as carpideiras choram encomendadas as banalidades e coisas supérfluas da vida, e onde já não existe espaço para os que sofrem ou mesmo para os que são felizes sem a feira de vaidades, o egoísmo, ou para quem vive triste com o horror que desfila pelo mundo.
António Garrochinho

ENOJADO - Decidi obrigar-me a ver até ao fim a entrevista da gaja de Sousa ao gajo do PEC4


Decidi obrigar-me a ver até ao fim a entrevista da gaja de Sousa ao gajo do PEC4, a propósito da sebenta em forma de livro que o gajo corrupto de Boliqueime escrevinhou a custo.
Sobre a autoria do monte (grande) de papel, deve acentuar-se a responsabilidade de um criminoso e de um traidor a Portugal.
Sobre o ex-falso engenheiro e arrogante neo-fascista, ex-dono do P”S” e de um conglomerado de traficantes desta área política, dizer apenas que se mantém, aumentada, a ideia de um meliante deslumbrado, de um ex-saloio beirão, imundo e sem carácter.
Resta a “presstitute” mais execrável de Portugal. É, destacadamente, a mais descarada servente da direita, paga a peso de ouro, para difamar, para provocar, para truncar, para inventar, para emboscar qualquer um que lhe calhe não mãos arranjadas, que não hesita em “estrangular” qualquer pateta que a tema e não tenha coragem de, em frente às câmaras, a desmascarar e, eventualmente, a mandar para o…pénis em directo.
Há muito que considero que os “presstitutes” são o maior perigo do globo neste momento concreto da vida de andamento exaurido do capitalismo mundial.

Guilherme Antunes (facebook)

AI FATINHA !


Ai Fatinha ! vives agora bem e tranquila , não há Jesus (só o do Sporting) para te virar o negócio de pantanas como se disse no velho livro. A tua igreja católica-apostólica-romana em Portugal é cega, surda e muda e faz ouvidos de mercador a todos estes roubos, este extorquir de dinheiro a incautos para manter a vida de luxo de bispos, papas e cardeais.
A tua igreja é um antro de exploração principalmente dos pobres que dão o que têm e não têm deixando-os tesos e ainda mais doentes. 

Mil euros para dormir num saco cama em lugar "sagrado" fora outras exorbitâncias, velas, ouro, feridas, rituais, atropelamentos numa cruzada doentia de fé.
AG

A “ALDEIA MAIS PORTUGUESA DE PORTUGAL” ESTÁ CONSTRUÍDA NO MEIO DE PEDREGULHOS GIGANTES (COM FOTOS)


Situada na Beira Baixa, no concelho de Idanha-a-Nova, perto da fronteira com a Espanha, Monsanto é a aldeia mais portuguesa de Portugal, onde as habitações se fundem com as formações graníticas.

A presença humana neste local remonta ao período paleolítico e achados arqueológicos indicam que Monsanto foi habitada pelos romanos, visigodos e árabes. Em 1165, os mouros foram derrotados por D. Afonso Henriques e o lugar de Monsanto foi doado à Ordem dos Templários. Em 1174, recebeu o primeiro foral.

Monsanto poderia ser como qualquer outra aldeia portuguesa, não tivesse sido construída sob grandes formações de granito. Nos primórdios da aldeia, os habitantes não sabiam nem tinham meios para cortar rocha e como tal foram as habitações e ruas que se adaptaram ao local e não o contrário. Muitas das casas de Monsanto ainda conservam pórticos em estilo manuelino, que datam do final do século XVI, refere o Inhabitat.

Monsanto é assim um exemplo vivo de como as pessoas se adaptaram para preservar a integridade do local durante séculos.









greensavers.sapo.pt

A RÁDIO EM PORTUGAL - toda a história

Telefonia Sem Fios - História da Rádio em Portugal

CLIQUE NOS QUADRADOS A AZUL PARA SER REMETIDO PRA O SITE
CADA QUADRADO TEM O DESENVOLVIMENTO DO TEMA APRESENTADO









A "Telefonia Sem Fios - História da Rádio em Portugal" nasceu a 26 de Agosto de 2002, no endereço telefonia.no.sapo.pt. A 30 de Janeiro de 2016, com o encerramento das páginas pessoais do sapo.pt, foi escolhida a plataforma Blogger para alojamento da página.
















A Rádio em Portugal
em Datas
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Da Telegrafia Sem Fios
à Radiodifusão
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Emissoras no Porto
1920-1974
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
140 Anos de
Gravação Sonora
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Emissoras em Portugal
1920 - 1974
A Rádio e a Guerra
Civil Espanhola
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
(RDP – Rádio Comercial)
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
(RR - RFM – MegaHits - SIM)
Glossário de
Termos Radiofónicos
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
(Energia - XFM)
Galeria de
Equipamentos de Rádio
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Objectivos
Desta Página
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016
Programas de Rádio
que Fizeram História
Agradecimentos
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016

Sobre
o Autor
Actualizado: 5 Agosto 2016

Actualizado: 5 Agosto 2016

****************************************************************************************************************************************************************************************

A ROLHA


A VIDA....

A VIDA DO PORTUGA LENTA COMO A DA TARTARUGA É DE BRADAR AO CÉU
PERFILADOS
ACOCORADOS
BAIXANDO AS CALÇAS
TIRANDO O CHAPÉU
AG

quatro pés


ele chegou viu quatro pés
e com um olhar de revés
foi ver quem era o furtivo
alevantou os lençóis
e pelo mexer. pela voz
era o vizinho mesmo vivo
nada mesmo o surpreendeu
por ver ali o camafeu
e ensaiou um sorriso
quem reparte o que é seu
diz o deus lá do céu
ganha o céu, o paraíso
o pior não sabia o vizinho
que por tal arranjinho
qual seria a sua cruz
que estar bem quente no ninho
tinha que pagar salário e vinho
renda de casa, gás e luz
e a partir desse dia
de rendimentos vivia
o corno na prosperidade
o outro no truca truca
por uma tesão maluca
pagava bem de verdade
o vizinho pagava bem
e quem nas mãos calos tem
da vida que lhe foi ingrata
experimente chegar de surpresa
apanhar na cama a princesa
e viver como magnata
António Garrochinho

ESPECIAL - 23 covers de Leonard Cohen que talvez não conheçam

Le­o­nard Cohen sempre foi um cri­ador lento. Exas­pe­ra­da­mente lento, nas suas pró­prias pa­la­vras. Certa oca­sião, em me­ados da dé­cada de 80, Cohen foi tomar um café com Bob Dylan de­pois de ter as­sis­tido, em Paris, a um ex­ce­lente con­certo do atual Prémio Nobel da Li­te­ra­tura.
Dylan es­tava es­pe­ci­al­mente in­te­res­sado em falar do tema «Hal­le­lujah». A canção es­pi­ri­tual que o for­mi­dável Jeff Buc­kley ele­varia à es­tra­tos­fera do re­co­nhe­ci­mento, al­guns anos de­pois, já era in­ten­sa­mente ad­mi­rada por Dylan.
«Quanto tempo de­mo­raste a fazê-la? — Quis saber. «Dois anos», mentiu Cohen. Na ver­dade tinha de­mo­rado cinco, mas não quis par­ti­lhar os so­li­tá­rios mo­mentos pas­sados em quartos de hotel, de pi­jama, a bater in­dig­na­mente com a ca­beça nas pa­redes até a dar como aca­bada.
«Gosto muito da tua canção ‘I and I’» — disse, por sua vez, Cohen. — «Quanto tempo de­mo­raste tu a fazê-la?» «Uns quinze mi­nutos», res­pondeu Dylan.

CLIQUE NO LINK ABAIXO A AZUL PARA SER CONDUZIDO AO SITE


Três Músicas Que Marcaram A Primeira Grande Guerra


Durante as guerras algumas armas culturais são utilizadas para defender e contrariar a sua realização. Bandas como Metallica,System Of A Down e The Black Eyed Peas se mostraram contra a guerra entre Estados Unidos e Iraque, gravaram músicas, ganharam milhões e provavelmente influenciaram as opiniões de muitos de seus fãs.

Aqui três músicas famosas durante a Primeira Grande Guerra – ou Primeira Guerra Mundial, como preferir.
  1. Over There – George M. Cohan
Over There
Como muitas canções daquela época, Over There fazia uma apologia  ao alistamento dos jovens no exército americano. A letra veio à cabeça de George durante uma viagem de trem, ao ouvir os Estados Unidos declarar guerra à Alemanha.
Algum tempo depois Cohan foi condecorado pela criação desta música, e algumas outras, pelo presidente Roosevelt, ganhando a Congressional Gold Medal, o maior prêmio que um civil pode conquistar nos Estados Unidos.
Esta música também foi utilizada num episódio dos Simpsons, quando o pai de Homer está cuidando de Bart e Lisa, na segunda temporada do desenho.

  1. It’s A Long, Long Way To Tipperary – Jack Judge
It's_a_Long_Way_to_Tipperary_-_cover
A primeira citação relacionando esta canção ao conflito aconteceu  num jornal chamado Daily Mail – que existe até hoje na Terra da Rainha –, pelo correspondente George Curnock. Na matéria,o jornalista noticiava que estavam regendo o Connaught Rangers – (agora pare que esse travessão vai ser longo) um exército irlandês, na verdade, a parte irlandesa do exército britânico, famoso durante a Guerra Peninsular (1807 – 1814) por serem fanfarrões e aprenderem só observando  enquanto eles marchavam em direção a uma cidade no norte da França, com a criação de Judge, em 13 de agosto de 1914.
Não demorou muito e outras unidades do exército britânico adotaram o mesmo sistema, porém a música só ganhou o mundo quando gravada pelo  John McCormack 
Diferente das músicas dos nossos amigos da Terra da Liberdade, os britânicos, em suas canções sobre a guerra, cantavam a espera e o longo caminho feito dos campos de batalha até suas respectivas casas. Não sei se isso seria mais nobre ou mais indiferente.

 It's_a_Long_Way_to_Tipperary_-_cover
  1. I Didn’t Raise My Boy to Be a Soldier – Alfred Bryan e Al Piantadosi
Vocês tem noção do quão badass é dizer, “eu não criei meu filho para ser soldado”, nos Estados Unidos pré-Primeira Guerra Mundial? É por isso que essa é minha música favorita quando se fala da tal guerra.
Para vocês terem uma pequena noção, o presidente Roosevelt ficou tão irritado com a música que dizem que ele fez o seguinte comentário:
“[…] pessoas estúpidas que aplaudiram a canção intitulada ‘I Didn’t Raise My Boy To Be A Soldier’ (Eu Não Criei Meu Filho Para Ser Soldado) são as mesmas que, em seus corações, aplaudiriam uma música intitulada ‘I Didn’t Raise my Girl To Be A Mother’ (Eu Não Criei Minha Filha Para Ser Mãe)”
A questão é que o impacto desta canção em especial foi imenso, os movimentos antiguerra começaram a aparecer e a adotaram como hino, e, com o passar do tempo, a música também se tornou um sucesso em lugares já em guerra, como o caso do Reino Unido.
Aliás, esta música  gera discussões até hoje sobre a frase que dá seu título

www.iluminerds.com.br

A canção como arma de protesto Livro repassa o impacto social da música anglo-saxã de contestação De Billie Holiday a Woody Guthrie, passando por Dylan e The Clash



Ver galeria de fotos
Woody Guthrie se apresenta em um bar de Nova York, em 1943, com seu famoso violão onde se lê: “Esta máquina mata fascistas”.
Quando Billie Holiday cantou pela primeira vez Strange Fruit no teatro Apollo, do Harlem, o filho do proprietário do local, Jack Shiffman, disse: “Não havia uma alma no público que não se sentisse estrangulada”. O cantor negro Josh White afirmou: “A música é a minha arma. Quando canto Strange Fruit me sinto tão poderoso como um tanque M-4”. Aquela certamente não era uma canção qualquer. Como descreveu um jornalista do New York Post: “Se a ira dos explorados algum dia chegar a arder no Sul, agora ela já conta com a sua Marselhesa”.

Ao denunciar o linchamento de negros norte-americanos que tinham seus corpos pendurados, Strange Fruit, de 1939, aparece como a primeira canção protesto da história da música popular na lista de 33 Revolutions Per Minute – A History of Protest Songs, from Billie Holiday to Green Day(33 revoluções por minuto – uma história das canções de protesto, de Billie Holiday ao Green Day, inédito no Brasil), monumental livro de quase 900 páginas escrito pelo crítico musical britânico Dorian Lynskey, do jornal The Guardian. “É um começo natural, porque foi quando a canção pop abraçou inteiramente a política”, diz Lynskey por telefone de Londres.
Billie Holiday.

Billie Holiday.
Algo semelhante aconteceu em 1944 com This Land Is Your Land, de Woody Guthrie, que, agarrado ao seu violão com a inscrição “Esta máquina mata fascistas”, dizia que seus olhos eram uma câmera que “tira fotos de todo o mundo”. Com sua máquina, o músico podia alcançar o cidadão comum, em povoados e estradas vicinais, com mais eficiência do que os escritores, por exemplo. Ao escutar Tom Joad, canção de Guthrie inspirada em As Vinhas da Ira, o autor desse romance, o prêmio Nobel de Literatura John Steinbeck, exclamou: “Maldito! Em 17 versos resumiu a história inteira que levei dois anos para escrever”. Mas Steinbeck, admirador do aguerrido bardo, reconheceu seu valioso trabalho: “Canta as canções de um povo e, de certa forma, ele é esse povo”. “Estas canções fizeram colidir tensamente a diversão das casas noturnas e dos palcos com a realidade social mais brutal ou injusta”, observa Lynskey.

EM PORTUGUÊS, NENHUMA; EM ESPANHOL, VÍCTOR JARA

Nem todas as que merecem estão lá, mas todas as que estão merecem. De uma sucinta seleção de 33 canções, naturalmente faltam muitas obras de criadores importantes na história da música popular. Não há, por exemplo, nenhuma canção brasileira, ou mesmo em português. Dorian Lynskey sabe disso e admite que se centrou na canção anglo-saxã, transitando entre Reino Unido e Estados Unidos, mas nem por isso ignorou totalmente o resto do mundo. Três canções de fora desse universo foram incluídas: War In a  Babylon, dos jamaicanos Max Romeo and the Upsetters;Zombie, do nigeriano Fela Kuti e Afrika 70; e Manifiesto, do chileno Víctor Jara. “São composições que tiveram certo impacto no rock e no pop das nossas sociedades”, argumenta.
Desta forma, o único rastro de canção em idiomas neolatinos é do cantor e compositor chileno mais conhecido internacionalmente, que foi assassinado pela ditadura de Pinochet logo após o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973. “Morreu cantando. Foi vítima de uma década desoladora em seu país”, observa o escritor britânico.
No Brasil, as canções de protesto ganharam um importante impulso em meados dos anos de 1960, quando o início da ditadura militar (1964-1985) coincidiu com o surgimento de uma nova geração de músicos —Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gal Costa, Geraldo Vandré, entre outros. Protestaram tanto contra o regime autoritário como contra a sociedade conservadora da época e marcaram a Música Popular Brasileira (MPB).
Na Espanha, a tradição da canção protesto remonta à época da Guerra Civil (1936-39), mas alguns de seus nomes mais conhecidos surgiram nas décadas de 1950 e 60. Entre eles estão Chicho Sánchez Ferlosio, Paco Ibáñez, que musicou poetas espanhóis de todas as épocas, e os bascos Raimon e Mikel Laboa, cantando em seu idioma. Numa geração posterior figuram Lluís Llach, Pi de la Serra, Joan Manuel Serrat, Patxi Andión, Labordeta e Javier Krahe, entre outros.
Dessa tensa colisão, gerada entre o mundo do espetáculo e o dos acontecimentos políticos, sociais e culturais do último século, se nutre esse minucioso levantamento, que se centra em 33 canções, de Strange FruitAmerican Idiot, do Green Day, a composição que serve de pretexto a Lynskey para analisar como eram os Estados Unidos em plena psicose antiterrorista na era George W. Bush e comentar o papel de diversos músicos dessa época. “Minha intenção foi fazer uma espécie de biografia das canções”, diz. De fato, esse é o grande trunfo do livro:
por trás de cada música se descortina toda uma época e um contexto político, social e cultural, fazendo da sua apertadíssima seleção um mal menor, uma vez que prevalece uma leitura apaixonante sobre o poder da música como crônica humana e social, embora seja muito difícil definir o conceito de canção de protesto. “Bob Dylan se encarregava de recordar, pouco antes de tocar Blowin’ in the Wind, que essa não era uma canção protesto, mas é impossível não reconhecer o efeito que ela causou. Interessaram-me aquelas que abrem uma porta pela qual o mundo exterior penetra”, diz.
De Dylan, nome-chave para a canção de protesto, o livro inclui Master of War(1963). Lynskey lhe atribui o mérito simbólico de ter liquidado a tão ativista comunidade folk e dado o salto para a modernidade rock, passando do “nós” para o “eu”. Dylan tinha vontade de enterrar as suas próprias canções protesto, mas, como lhe respondeu o incansável agitador Phil Ochs: “Não pode enterrá-las. São boas demais. E já não lhe pertencem”. Também são parte do patrimônio popular outras músicas analisadas no livro, como Mississippi Goddam, cantada por Nina Simone, que em 1964 entrava no contexto da luta de Malcolm X pelos direitos civis, A Change Is Gonna Come, de Sam Cooke, associada ao discurso menos radical de Martin Luther King Jr, e White Riot, do The Clash, talvez a única banda do punk dotada de certo heroísmo – ou, como dizia Joe Strummer: “Não tínhamos soluções para os problemas do mundo, mas começamos a pensar e nunca nos acomodamos”.
The Clash em uma imagem de arquivo.

The Clash em uma imagem de arquivo.
O The Clash deixou um legado poderoso para outras formações citadas no livro, como U2, R.E.M., Manic Street Preachers e Billy Bragg, um estandarte do ativismo que sempre lutou contra a “retórica vazia” e admitiu que era preciso “passar o bastão ao público, porque só o público pode mudar o mundo, não os cantores”. Seu equivalente norte-americano, ao menos durante bastante tempo, foi Steve Earle, ex-presidiário sem papas na língua, de quem o livro inclui John Walker’s Blues, canção que buscava combater a paranoia patriótica nos EUA após os atentados de 11 de setembro de 2001. “As melhores canções políticas são periscópios que nos permitem ver uma parte da história”, reflete Lynskey. Isso e algo mais, como dizia Billie Holiday quando cantava Strange Fruit, que alguns empresários tentaram proibir, mas que a diva cantava sempre graças a uma cláusula especial: “Eu conseguia distinguir os imbecis no meio do público. Eram aqueles que aplaudiam quando eu terminava de cantá-la".
OUÇA AQUI
brasil.elpais.com