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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Intelligentsia nos seus labirintos


o-grito
O Grito, Munch (fragmento)

 intelligentsia norte-americana está em guerra aberta com Trump. Na Europa, alguns classificam essa intelligentsia, escritores, artistas das artes visuais, teatro e cinema, músicos, como de esquerda, sabendo bem de mais que a grande maioria são liberais com muito pouco de esquerda. Fazem bem em invectivarem Trump um reacionário proto-fascista, com tiques de caudilho sul-americano, mas não deixa de ser uma curiosa posição que merece alguma reflexão quando, muitos até com boas intenções melhor dizendo ilusões democráticas, objectivamente escoram uma oligarquia, agora corporizada por Hillary Clinton e antes por Obama. O cerne da questão é a decadência dos EUA. 

Trump é tão neoliberal como os Clintons’s, os Obama’s, os Bush’s. Os confrontos a que estamos a assistir pouco tem a ver com democracias e muito com uma guerra entre interesses divergentes de grupos de plutocratas. Trump e os seus sequazes reconhecem a decadência dos EUA, consideram-na uma consequência das políticas dos oligarcas que se acantonaram atrás da Sra. Clinton,nas últimas eleições. Para uns e outros os mecanismos democráticos são uma ferramenta para defenderem os seus interesses. A intelligentsia norte-americana e  as outras em muitas partes do mundo, principalmente na Europa, estiveram até agora caladas perante todos os desmandos “democráticos”. É de perguntar onde estiveram durante os oito anos de mandato de Obama, quando a divida pública dos EUA passou de 11 para 20 milhões de milhões de dólares (aumento de 1 250 mil milhões por ano, 3 mil milhões /dia!) procurando fazê-la pagar à força ou com persuasão, que não deixa de ser violenta, ao mundo onde se impunha unipolarmente. 

Dívida que aumentou exponencialmente por essa administração ter uma política que defendeu os interesses da finança e do grande capital, pelos custos das guerras que fomentou. Onde estava essa gente quando, durante os oito anos de administração Obama as desigualdades aumentaram, os salários reais baixaram, mais de 90% do aumento da riqueza nacional foram enfiados nos bolsos dos 1% mais ricos. Quando os serviços públicos e sociais se degradaram. Quando mais de 46 milhões de cidadãos – a maioria negros e hispânicos, a situação dessas minorias e a violência que sofrem agravou-se – estão abaixo do limite de pobreza. Quando o desemprego é de 21%  com os critérios dos anos 80 (Paul Craig Roberts). A população prisional atingiu os 2 milhões. 

O Obamacare é um seguro médico pago pelo Estado aos privados, redigido per representantes das seguradoras e farmacêuticas, com uma franquia de 6 500 dólares por família em 2015. Onde estavam? Que protestos fizeram? Todos mudos e quedos como sempre estiveram surdos às bombas que esse Nobel  da Paz despejou pelo mundo ao ritmo de 3 bombas/hora, número revelado nno jornal bi-mensal do Foreign Affairs, do CRF (Council on Foreign Relations), http://blogs.cfr.org/zenko/2017/01/05/bombs-dropped-in-2016/ que é considerado pelo Departamento de Estado como uma espécie de “how-to”, um guia para a condução da política externa. 

Quando com Obama, os EUA e aliados lançaram 100 000 bombas e mísseis, em sete países, contra  70 000 em cinco países pelo Bush da invasão do Iraque. Os gastos militares superaram em mais 18,7 mil milhões os de George W Bush. Quando as forças militares dos EUA estão presentes em 138 países, em comparação com os 60 quando tomou posse. A utilização de drones aumentou 10 vezes, atingindo toda a espécie de alvos e vítimas civis e Obama,  informe do New York Times, https://www.nytimes.com/2014/06/26/world/use-of-drones-for-killings-risks-a-war-without-end-panel-concludes-in-report.html?_r=0 seleccionava pessoalmente aqueles que seriam assassinados por mísseis disparados de drones. 

Um senador republicano, Lindsey Graham, estimou, sem qualquer desmentido, que os drones de Obama mataram 4.700 pessoas. “Por vezes atingem-se pessoas inocentes e odeio isso”, disse o nobelizado com o cinismo que o caracteriza, “mas removemos alguns altos membros da Al Qaeda”. Quando foram recrutadas e treinadas forças mercenárias para combaterem na Líbia e Síria, pagaram-se a esquadrões da morte para abaterem no Iraque alvos políticos incómodos. O total de mortes infligidas em guerras, directas ou por procuração, terá atingido 2 milhões de pessoas. Onde estavam quando os bombardeamentos são mais intensos que os anteriores, contabilizando-se 65 730 ataques de bombas e mísseis nos últimos dois anos e meio. Com Obama ampliou-se o apoio às agressões de Israel ao povo palestiniano, os crimes da Arábia Saudita contra o povo do Iémen, financiou-se e armou-se o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, John Kerry dixit em entrevista de fim de mandato. 

Obama também aconselhou e financiou e golpes de estado das Honduras à Ucrânia. Nomeou para a CIA, chefias militares e para o governo conhecidos falcões como a secretária de Estado Hillary Clinton, a embaixadora na ONU Samantha Power a secretária de Estados para os Assuntos Europeus e Euroasiáticos Victoria “Que se Foda a Europa” Nuland. http://www.bbc.com/news/world-europe-26079957

Tudo isto tem coerência interna: a General Dynamics, grande fabricante de armamento pesado, submarinos, navios de guerra, financiou a carreira política de Barack Obama, desde que concorreu às primárias em 2008, quando demagogicamente fazia promessas parecidas com as de Jesse Jackson uns anos antes, antecipando algumas que vieram a ser feitas por Bernie Sanders, deixando a sua opositora Hillary Clinton boquiaberta de espanto, derrotada pela lábia desse grande vigarista que tinha garantido os apoios financeiros do complexo-militar e industrial que deviam rir a bom rir das suas tiradas Yes You Can’t, conhecendo o seu verdadeiro significado.
Intelligentsia que não mexeu uma palha quando Obama desalojou violentamente os Occupy Wall Street, http://www.weeklystandard.com/obama-on-occupy-wall-street-we-are-on-their-side/article/598251 fazendo um discurso em defesa dos especuladores bolsistas, sustentando-os com milhares de milhões de dólares.


As políticas de Obama e a cumplicidade silenciosa da intelligentsia são um triunfo da pós-verdade, o conceito escolhido pelos Oxford Dictionaries, um canone dos dicionários, para palavra do ano 2016, como o “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais factos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. A pós-verdade em que cimenta a gigantesca fraude Obama, como se pode ler e ouvir no seu discurso de despedida. A colossal vigarice que é Obama, bem retratada por José Goulão no 
AbrilAbril. http://www.abrilabril.pt/o-polimento-da-tragedia-obama


Agora, com a eleição de Trump, não menos perigoso que Obama, saltam para o terreiro enterrando os pés no pântano de uma democracia esclerosada, expressão política muito clara do fracasso e da crise estrutural do modelo neoliberal nos Estados Unidos, em que quem se senta na Sala Oval, chame-se Bush ou Clinton, Obama ou Trump, prossegue políticas na defesa dos interesses imperiais dos EUA, seja sob a bandeira do excepcionalismo teológico dos Estados Unidos da América em que Obama acredita”com toda a fibra do meu ser”, ou do demagógico “Make America Great Again” de Trump.


Quais as razões por só agora as mulheres organizarem a Marcha das Mulheres contra Trump, bem oleada com milhares de dólares por esse filantropo que é Georges Soros, http://www.ceticismopolitico.com/bilionario-soros-esta-ligado-a-mais-de-50-grupos-que-participaram-da-marcha-das-mulheres-em-washington/ e nunca o terem feito contra, pelo menos contra algumas, das políticas da administração Obama? Porquê é que ninguém esfrega na cara de Madeleine Allbright a justificação do assassínio de 500 000 mil crianças, meio milhão de crianças no Iraque, mais do que as que morreram em Hiroshisma, como efeito colateral, o preço certo a pagar disse ela, https://youtu.be/RZLGQ83KoOo quando com grande descaro declara que se vai inscrever como muçulmana, em denúncia dos propósitos xenófobos de Trump?   Porquê só agora milhares de escritores, reunidos no Writers Resist, manifestam a sua indignação porque desejam ”superar o discurso político directo, em favor de um enfoque inspirado no futuro e nós, como escritores, podemos ser uma força unificadora para a protecção da democracia”(…) “instamos organizadores e oradores locais a evitarem utilizar nomes de políticos ou a adoptar linguagem “anti” como foco no evento do Writers Resist. É importante assegurar que organizações sem fins lucrativos, que estão proibidas de fazer campanhas políticas, se sentirão confiantes em participar e patrocinar estes eventos”. Nada disseram quando Obama alterou a lei para possibilitar que os grandes consórcios financiassem sem limites e sem escrutínio as campanhas políticas, distorcendo ainda mais claramente a democracia que assim ficou ainda mais dependente das cornucópias de dólares que impossibilitam de facto candidaturas, como a dos Verdes ou dos Libertários, que reduzem o debate de ideias aos rodeos das primárias e das finais ente Democratas e Republicanos, diferentes na forma, iguais nos objectivos. Ou será por esses milhares de escritores terem ficado confortáveis numa falsa ignorância fabricada pelos discursos indirectos, fingindo que não os conseguem decifrar mesmo quando as realidades se perfilam para não deixar uma brecha de dúvida?


Não se quer, nem é desejável, que se meta no mesmo saco de lixo o ogre Trump e o contrabandista Obama. Cada um no seu saco mas ambos atirados para o mesmo aterro sanitário. Isso é o que deveria ser feito por essa intelligentsia, tanto nos EUA como na Europa.

“A acção de todos deverá ser totalmente impessoal– de facto não deverá orientar-se por quaisquer pessoas que sejam, mas por regras que definem os procedimentos a seguir,”(Zigmunt Baumann). Príncipio esquecido por essa gente que anda aos baldões das emoções. Orientam-se erráticamente, nessa deriva a razão torna-se coisa descartável. É o que está agora a acontecer sepultando bem enterrado o que Martha Gelhorn disse num Congresso de Intelectuais em Nova Iorque em 1932 contra o ascenso do nazi-fascismo na Europa e também nos EUA, recordem-se os apoios que lhe davam Lindberg, Allen Dulles, John Rockfeller, Prescott Bush, John Kennedy (pai), as grandes corporações financeiras e industriais, http://www.rationalrevolution.net/war/american_supporters_of_the_europ.htm. Congresso que juntou, de viva voz ou por comunicações enviadas,  os maiores intelectuais da época, de Steinbeck a Thomas Mann, de Einstein a Upton Sinclair: “Um escritor deve ser agora um homem de acção… Um homem que deu um ano de vida a greves siderúrgicas, ou aos desempregados, ou aos problemas do preconceito racial, não perdeu ou desperdiçou tempo. É um homem que sabe a que pertence. Se sobrevive a tal acção, o que diria posteriormente acerca da mesma é a verdade, necessária e real, e perdurará”. (Martha Gelhorn). Até agora onde tem estado, por onde têm andado esses milhares de escritores? 
No conforto dos seus lares, das suas tertúlias, das bolsas concedidas por fundações que também financiam acções menos louváveis.
Escrevem, filmam, realizam obras de arte onde se apagou a política, a vida das pessoas, as vidas dolorosas dos explorados e oprimidos. Em linha são celebrados por uma crítica que os aplaude, suporta, divulga. Óscar Lopes, com a clarivência e o conhecimento que tinha, anotava que a classe operária, os dramas dos explorados tinha sido rasurado das artes desde meados do séc. XX. Essa a regra, as excepções quase passam despercebidas, são mesmo invectivadas, acusadas de contaminarem a arte pela política. É um fenómeno universal que Terry Eagleton, afirma em Depois da Teoria,” hoje em dia tanto a teoria cultural quanto a literária são bastardas” (…) “pela primeira vez em dois séculos não há qualquer poeta, dramaturgo ou romancista britânico em condições de questionar os fundamentos do modo de vida ocidental”. Um dos últimos, não estava sózinho mas estava pouco acompanhado,  foi Harold Pinter, nas suas peças teatrais e no discurso que fez na aceitação do Prémio Nobel, em 2005. http://cultura.elpais.com/cultura/2005/12/07/actualidad/1133910005_850215.html. Hoje não se encontram, ou raríssima se encontram um Alves Redol, Carlos Oliveira, José Cardoso Pires, José Saramago, para nos fixar em território nacional. Não se escrevem As Vinhas da Ira(Steinbeck), Jean Christophe(Roman Rolland) Manhatan Transfer(John dos Passos), Oliver Twist(Charles Dickens), Germinal (Zola), A Profissão da Sra Warren(Bernard Shaw), Mãe Coragem e os seus Dois Filhos (Berthold Brecht), O Triunfo dos Porcos(Georges Orwell), referências rápidas a que se poderiam agregar muitas mais. Raríssimos os filmes sobre temas sociais e políticos como os de Kean Loach, Recursos Humanos(Laurence Cantet), Blue Collar (Paul Schrader), para nos circunscrever aos tempos mais próximos e não enumerar os neo-realistas italianos, franceses, russos.
Ninguém, quase mesmo quase ninguém fala dos pobres, dos sonhos utópicos, da imoralidade do capitalismo, ataca a classe dominante, a corrupção que espalha. Foi todo um trabalho feito nos anos da guerra fria pela CIA, leia-se Who Paid de Paper, The CIA and the Cultural Cold War, de Frances Stonor Saunders. Trabalho bem sucedido dessas tarântulas tecendo as teias onde a cultura e as artes se debatem no caldo de cultura pós-moderna em que “a ideia moderna da racionalidade global da vida social e pessoal acabou por se desintegrar em mini-racionalidades ao serviço de uma global inabarcável e incontrolável irracionalidade”(Lyotard). Para sobreviverem e viverem comodamente, dissociam-se da política, dos dramas sociais, das guerras para encobrirem, o caos, o abismo, o sem fundo de que falava Castoriadis, para onde se é atirado sem remissão. Trabalho que teve tanto êxito, olhe-se para os paradigmas culturais do pós-modernismo, que só tem paralelo com o  controlo dos meios de comunicação social enquanto  em nome da racionalização e da modernização da produção, se regressa ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial. Uma guerra em que os arsenais são financeiros e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos impondo uma nova ordem fanática e totalitária. Nova ordem são de importância equivalente o controlo da produção de bens materiais e o dos bens imateriais. É tão importante a produção de bens de consumo e de instrumentos financeiros como a produção de comunicação que prepara e justifica as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e dos novos, proporcionados pelas redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas, as revistas de glamour, a música internacional nos sentimentos e americana na forma, os programas radiofónicos e televisivos prontos a usar e a esquecer, o teatro espectacular e ligeiro, o cinema mundano medido pelo número de espectadores, a arte contemporânea em que a forma pode ser substituída por uma ideia, a sua bitola é o seu do valor de mercadoria artística.

É nessa nova ordem que se inscrevem os Writters Resist, em que mesmo os que se aproximam de uma ideia de esquerda europeia estão contaminados e enquadrados pela ideologia de direita dominante. Alarmam-se com Trump mas nunca se alarmaram com Obama ou os seus antecessores. Têm razão numa coisa: estamos mais perto de uma nova versão do fascismo, como se vê no alastramento da mancha de óleo da direita e extrema direita na Europa e nas Américas. Um clima de guerra real que se avoluma-se no horizonte a par da guerra ideológica. Têm agora um sobressalto. Um alarme tardo, uma cortina que tapa o silêncio em que, sem qualquer vergonha, envolveram as políticas que agravaram desigualdades económicas e sociais, as agressões norte-americanas em todo o mundo por anteriores administrações, democratas e republicanas. É chocante, obsceno ver, ler e ouvir como muitos desses obsecados com Trump, bajularam e bajulam Obama. Como se assemelham aos ratos que seguem, sem uma ruga de dúvida, essa moderna versão do flautista de Hamelin. Têm razão em invectar Trump, em se preocuparem com o abubar dos campos da direita e extrema-direita. Com o estado de guerra latente que se vive, que já se vivia. Deviam sentir-se culpados, miseravelmente culpados por terem fechado ou na melhor das hipóteses semi-cerrado os olhos aos desmandos que prepararam a sua ascensão.

Como escreve William I. Robinson, professor na Universidade da Califórnia,  um dos raros não contaminados pelo pensamento dominante da ideologia de direita: “O presidente Barack Obam pode ter feito mais do que ninguém para assegurar a vitória de Trump(…)Ainda que a eleição de Trump tenha disparado uma rápida expansão de correntes fascistas na sociedade civil dos EUA, uma saída fascista para o sistema político está longe de ser inevitável.(…) Mas esse combate requer clareza de como actuar perante um precipício perigoso. As sementes do fascismo do século XXI foram plantadas, fertilizadas e regadas pela administração Obama e a elite liberal em bancarrota politica”.http://www.telesurtv.net/english/opinion/From-Obama-to-Trump-The-Failure-of-Passive-Revolution-20170113-0011.html

A direita exulta. Mesmo a que inicialmente foi reticente em relação a Trump, agora vai deixando cair as máscaras. progressivamente alinhando com as sementes proto fascistas que vai ele vai plantando.  Ler ou ouvir a comunicação social mais alinhada à direita sobre Trump, durante as primárias republicanas e a campanha eleitoral e depois da sua vitória é assistir a um pouco árduo e cínico exercício de rotação. Do outro lado, muita esquerda permanece vacilante amarrada ao ter louvado ou ter depositado irracionais esperanças em Obama. Ler o que por aí se escreveu e disse quando foi eleito presidente ou agora quando não há razão para qualquer dúvida, é muito instrutivo sobre algumas esquerdas, as velhas e as novas. As que repetem os vícios do radicalismo pequeno burguês usando estilistas modernaços ou de antanho,  as que metem com contumácia o socialismo nas gavetas abertas ou fechadas pelas terceiras vias e suas variantes. Nas suas derivas não encontram o fio de Ariadne que lhes aponte o caminho de saída do labirinto por onde deambulam confusos. O Minotauro espera-os. O mundo continua a arder.


pracadobocage.wordpress.com

LOULÉ - Histórico Café Calcinha reabre em Maio para ser um «polo de atração cultural»




  
O histórico Café Calcinha, em Loulé, vai reabrir em Maio, segundo a previsão avançada hoje, dia 1 de Fevereiro, por Vítor Aleixo, presidente da autarquia louletana. Este espaço está em obras «há cerca de um mês», trabalhos que se devem estender até «final de Março, início de Abril», e poderá ser «um polo de atração cultural muito interessante».

Neste sentido, Vítor Aleixo explicou que este «ente patrimonial da cidade», a juntar com o «aspeto convivial», terá «animação cultural», como tertúlias.


Numa visita realizada às intervenções neste emblemático local de Loulé, Jorge Rodrigues, um dos arquitetos responsáveis, explicou que, apesar do trabalho de desmantelamento, a ideia é também não «desfigurar» algumas caraterísticas do Calcinha, que integra a Rota dos Cafés com História.

Por exemplo, as mesas da zona de estar serão as mesmas, enquanto as novas vão ser réplicas das antigas e a iluminação tentará «proteger as lâmpadas antigas».

Ainda assim, o café sofrerá mudanças: o balcão, que antes se situava do lado direito de quem entra, passará a estar no meio, alinhado e enquadrado com dois pilares. Desta forma, vai-se dar «mais força à entrada», considerou este arquiteto.


As futuras casas de banho

A cozinha também será «totalmente remodelada», pois não é possível «manter-se como estava». Já as casas de banho vão passar a ser à esquerda e aqui há, da mesma forma, novidades, uma vez que existirá uma instalação sanitária para pessoas com mobilidade reduzida. Ao lado desta, serão as casas de banho para homens e mulheres.

Quanto às pinturas, «tem havido uma série de surpresas nas paredes». «Há uma acumulação de intervenções ao longo dos anos, que vamos ajustar com os dados que temos descoberto agora», revelou Jorge Rodrigues

.

Esta obra, que tem um custo de 150 mil euros, já tem o concurso público para concessão da exploração aberto, existindo tanto um júri, como uma equipa de acompanhamento das propostas. O objetivo é, nas palavras de Vítor Aleixo, «tornar o processo o mais transparente possível».

«O espaço estava degradadíssimo. A Câmara comprou o Calcinha e agora queremos devolver aquele espaço icónico aos louletanos e à cidade de Loulé», concluiu o autarca.

A visita às obras do Café Calcinha, bem como a outros espaços culturais importantes da cidade (Banhos Islâmicos, Solar da Música e Palácio Gama Lobos), e a inauguração das obras nas ruas Cabeço do Mestre e Assis Esperança, integrou-se nas comemorações do Dia da Cidade de Loulé, que hoje cumpre o seu 29º aniversário com esse estatuto.








www.sulinformacao.pt

Holanda arrasa Trump com vídeo humorístico





Já é um caso sério de sucesso na internet o vídeo que um programa holandês fez para Donald Trump, onde, entre outras coisas, explica como construíram todo um oceano para separar a Holanda do México.

O vídeo foi criado pela equipa do programa de humor "Zondag met Lubach" como uma espécie de apresentação da Holanda ao 45.º presidente norte-americano, usando a linguagem habitualmente utilizada por Donald Trump.

VÍDEO (EM INGLÊS)



www.jn.pt

1 FEVEREIRO 1908 - D. Carlos, o rei assassinado


Monarca português, filho de D. Luís e de D. Maria Pia de Saboia, nasceu em Lisboa a 28 de setembro de 1863. Aí também morreu assassinado no dia 1 de fevereiro de 1908. Trigésimo terceiro rei de Portugal (1889-1908), ficou conhecido pelos cognomes de o Martirizado e o Diplomata. Casou em 1886 com D. Amélia de Orleães, princesa de França, filha dos condes de Paris, de cujo enlace nasceram D. Luís Filipe e D. Manuel. O seu reinado ficou marcado por eventos que fomentariam o espírito republicano e o descrédito crescente do regime monárquico. 

O primeiro destes eventos aconteceria logo em 1890: o ultimato inglês, motivado pelo "Mapa cor-de-rosa" (1886) que punha em causa as pretensões do imperialismo britânico, nomeadamente o ensejo de ligar o Cabo ao Cairo. Portugal foi obrigado a abandonar os territórios africanos em questão, o que constituiu uma humilhante derrota para a diplomacia portuguesa e para o País. Este facto provocou uma explosão de sentimentos antibritânicos um pouco por todo o reino e em todos os quadrantes políticos. Este ambiente é aproveitado pelos republicanos que, após este incidente diplomático, reagem com maior veemência do que nunca. No Porto, estala uma revolta que acabaria por fracassar mas que proclamaria a República pela primeira vez na História portuguesa (o 31 de janeiro de 1891).

O rotativismo entre os Partidos Progressista e Regenerador entrara em descrédito, aumentando de eleição para eleição o número de representantes republicanos.

Assim, em maio de 1906, D. Carlos chama João Franco a formar Governo, o qual, contrariando promessas anteriormente feitas, encerra a Assembleia Legislativa e dá início a uma ditadura. A ditadura de João Franco desencadeou uma onda de protestos, sobretudo devido aos adiantamentos à Casa Real e à repressão política. Em 21 de janeiro de 1908, uma tentativa revolucionária foi dominada pelo Governo, tendo sido feitas inúmeras prisões. Na sequência deste movimento, foi elaborado um decreto que previa a deportação do reino para os conspiradores, decreto que D. Carlos promulgou. Passados poucos dias, em 1 de fevereiro de 1908, chegava a família real portuguesa a Lisboa vinda de Vila Viçosa, desembarcava junto do Terreiro do Paço e daí seguia para o Paço das Necessidades quando se deu o regicídio, no qual morreram D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe, o herdeiro do trono.

Fontes:Infopédia
wikipedia (imagens)
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O Baptismo de D. Carlos
Cerimónia da aclamação de D. Carlos

Pintura equestre do rei D. Carlos- Carlos Reis
L'attentat de Lisbonne.jpg
Ilustração do regicídio de 1908

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Suicídios na PSP e GNR devem-se sobretudo a problemas pessoais



Um estudo encomendado pelo Ministério da Administração Interna conclui que a maioria dos suicídios na PSP e GNR devem-se a problemas pessoais.A Associação Nacional da Guarda e o Sindicato dos Profissionais da Polícia dizem que o estudo não reflete a realidade.

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sicnoticias.sapo.pt

Algumas das coisas mais raras do mundo



Segundo esta reportagem, os itens mais raros do mundo são:
Gemas raras – Criadas por combinações únicas de minerais, calor e pressão em proporções que remontam ao nascimento de nosso planeta, as gemas são coisas cobiçadas desde tempos imemoriais. Milhares morreram por elas e milhares mataram por elas. Mulheres costumam se referir a elas como suas melhores amigas. Pedras são eternas… Como James Bond. Mas pedras são coisas relativamente comuns. Assim, a pedra mais rara do mundo é conhecida como painita, um tipo de pedra do qual praticamente ninguém nunca ouviu falar. A explicação disso é justamente que a Painita é raríssima. Trata-se de uma pedra de cor alaranjada ou marrom-avermelhada, que foi descoberta em Bruma nos anos 50. Desde então, apenas duas (isso mesmo DUAS) pedras brutas deste tipo de cristal foram descobertas no planeta e agora apenas poucas centenas de pedrinhas lapidadas deste cristal existem. Não tão desconhecido mas ainda bastante raro é o diamante vermelho.

Assinaturas raras – Curioso sobre qual a assinatura mais rara? Pense, não pode ser ninguém vivo. E deve ser uma pessoa importante, que deixou algum legado. Pintor não é, já que todo píntor costuma assinar obras por toda sua vida. Então de quem será a assinatura mais famosa e cobiçada? Existem muitas, mas uma das mais raras existentes é de ninguém menos que William Sheakespeare. O cara escreveu muito, mas apenas SEIS assinaturas de William existem. Para se ter uma ideia estima-se que uma única assinatura dele custe mais de 3 milhões de dólares. Nada mal para um jamegão hein?












Cães e 
gatos raros –
 Sim, cães e gatos podem ser ítens raros e valiosos. Basta que existam poucos ou que eles sejam suficientemente incomuns para despertar o desejo. Uma das mais raras raças de gatos existentes é o Ashera, um tipo de mistura de raças que gerou um gato selvagem doméstico. Um filhote dessa raça pode custar facil acima dos vinte mil dólares. (muito para um animal que vive pouco) Há ainda outras raças igualmente valiosas e raras de felinos, como o Sokoke, uma raça selvagem das savanas africanas, e o gato egípcio “Mau” que viveu nos tempos dos faraós. Já entre os cães uma raça raríssima e igualmente cara é o cão Lundehund, que viveu com os vikings. Igualmente raros são os cães das raças Otterhounds e Stabyhounds.
Discos raros – Essa é fácil. Qualquer um sabe mencionar algum disco que seja suficientemente desconhecido ou raro para se tornar cult e a partir daí, alcançar cifras incalculáveis para fanáticos colecionadores ou fãs. Discos como o primeiro compacto do Roberto Carlos ou Tim Maia Racional tornaram-se ícones de raridade, sendo disputados a tapas pelos fãs aqui no Brasil. Mas raro mesmo é este disco: Double Fantasy – Um disco em que John Lennon beija Yoko Ono (eca!) na boca bem na capa. Parece um disco normal até você notar a assinatura de John Lennon em pessoa ali na capa do álbum e perceber que este disco é o disco de ninguém menos que David Chapman, o cara que matou John cinco horas após ele assinar ESTE disco para o assassino. O album foi encontrado na cena do crime e carrega além do autógrafo de Lennon as digitais de Chapman, e foi prova usada no inquérito que resultou na condenação de Chapman a prisão perpétua por tirar a vida do marido da Yoko Ono. Preço? U$ 460.000,00 .
Selos raros – As pessoas gostam de colecionar coisas. E uma dessas coisas mais colecionadas no planeta são selos. Normalmente, são os colecionadores que fazem o preço de algo raro ou incomum subir como um balão de hélio. Assim sendo, o ítem mais raro e caro por sua relação Preço-Volume é um selo. Este aqui em baixo, que se chama Treskilling Yellow stamp da Suécia. Seu valor estimado é de $2,3 milhões de dólares. Estranho é o que faz desse pedacinho de papel algo tão raro: Em 1858 quando foi fabricado havia o selo 3-skilling e o 8-skilling. O 3-skilling era impresso em azul e o 8skilling era impresso em amarelo. Só que devido a um erro casual na impressão, um lote de apenas poucos selos 3-skilling saíram na cor errada, impressos em amarelo. Assim, por serem amarelos, eles valem esta fortuna.
Sal marinho – Ok, agora é joselitação pura. Sal marinho, algo que você acha no mercado da esquina por menos de um real o kg. Sim, meu amigo, cloreto de sódio! E isso pode ser uma coisa rara ao ponto de custar U$ 40 por kg! Este sal em específico chama-se Amabito No Moshio que significa “Antigo sal marinho”. O processo de obtenção desse sal é cheio de frescura que envolve obter água marinha puríssima do mar Seto-uchi, colocála num recipiente que é levado para uma centrífuga, onde o sal se concentra e depois ele vai para uma panela de ferro onde cozinha em fogo aberto durante horas até que a água evapore. Isso gera os cristais desse sal tão caro.
Uma calça jeans – Furada e usada! Era de alguém famoso? Não. Uma calça jeans usada por um anônimo. Ficou curioso? Pois esta calça desbotada e rasgada é uma calça original da Levi Strauss & Co 501 jeans que tem mais de 115 anos de idade. Isso significa que ela foi feita pelo cara que INVENTOU A CALÇA JEANS, mermão. Não por acaso ela está no Guiness e foi arrematada em um leilão por um misterioso colecionador japonês que pagou 60.000 dólares por ela. Nada mal, considerando que uma calça jeans comum pode ser comprada por menos de DEZ REAIS lá em Três Rios.



Card de baseball – Sim, a mania de crianças de colecionar cards de sues ídolos atravessou gerações e tornou-se uma verdadeira obsessão para certas pessoas. É por isso que o card de Honus Wagner um jogador de um time de Pittsburg foi vendido $2,3 milhões de dólares. Até então o maior valor já pago por um card. Isso até setembro do mesmo ano quando a figurinha foi vendida novamente por espantosos 2,8 milhões de dólares. A carta tem o numero de série T206 Honus Wagner, e foi fabricada pela American Tobacco Company em 1909. Ela é considerada a “Mona Lisa dos cards de jogadores de baseball.”

História em quadrinho – Histórias em quadrinho podem ser vistas e encontradas aos borbotões por aí. Mas existem quadrinhos e quadrinhos, não é mesmo? Isso explica por que um dos mais raros exemplares de histórias em quadrinhos existentes é o numero um das aventuras do Homem Aranha, de março de 1963. Não só pela singularidade, como por sua qualidade. A revista está em perfeito estado. Nova, zeradinha. É por isso que a revista com preço de capa 12 cents custa agora 40 mil dólares. óbvio que isso não é o maior valor de uma história em quadrinhos rara, como a numero um do Super Homem ou do Batman, mas ainda assim é uma bela grana.
Endereço raro – Imagina só você poder dizer que mora num castelo. E o melhor, um castelo inspirado no castelo do Drácula, de Bram Stoker? Pois essa moradia absolutamente rara está à venda por 135 milhões de dólares, na Transilvânia. Show, hein?(embora deva dar um certo cagaço de noite)

Cavalos Raros – Cavalos convivem com os homens há muito, muito tempo. Os humanos e os cavalos se divertem, são amigos e vão até para a guerra juntos. O Sorraia Horse é descendente direto do wild Iberian horse mas apenas 200 continuam vivos no sul da península Ibérica. O Tiger Horse é uma raça de cavalos que existiu na Espanha medieval na época da descoberta do novo mundo. E raro e cobiçado por suas habilidades e características é o Lipizzaner (abaixo). Conhecidos por seu potencial de uso militar estes cavalos podem ser comprados por cifras acima dos $100,000.
Livros raros – Raríssimos, como por exemplo esta Bíblia do Gutemberg, em perfeito estado. Este livro é o mais antigo, caro e raro do mundo. Impresso em 1456 custa entre 25 e 35 milhões de dólares. Pra se ter uma id[eia, no mercado de obras raras, uma única página pode ser comprada por 25 mil dólares!

Colares raros – As jóias são coisas quase sempre lembradas no campo dos objetos raros e de alto valor. Peças únicas custam mais, peças comemorativas também. Uma jóia pode ter seu preço elevado de acordo com seus antigos donos ou sua importância em eventos históricos, como as coroas de reis… O colar mais caro e raro do mundo é o Blue Empress, feito com um diamante azul raríssimo. O diamante sozinho pesa cerca de 14 cartas. No colar ele é adornado com mais 18k em ouro branco e diamantes brancos. O colar está estimado em 16 milhões de dólares.

Vinho – O vinho mais raro que se conhece é o Lafitte de 1787, encontrado atrás de uma parede em Paris e vendido por 160.000 dólares.

Vaso- O vaso mais caro do mundo é (como você deve imaginar) um vaso de porcelana feito no século 14, no período Hongwu da dinastia Ming. Ornado com flores ele tem uma forma extraordinariamente rara para o período o que elevou seu valor a 10,9 milhões de dólares, pago por um milionário dono de um casino.

Moedas – Existem muitos tipos de moedas raras, como as gregas usadas para pagar o “barqueiro” quando morria alguém na grécia antiga. Mas a moeda mais rara que se conhece é uma moeda única de vinte dólares chamada double eagle, que foi vendida a um colecionador por 7,9 milhões de dólares.
Comida – Eu sei que è estranho pensar que algo que vai virar cocô em menos de 24 horas pode ser considerado algo valioso e raro, mas o fato é que pode sim. Tão rara quanto nojenta. Veja só: Servida na China por mais de 400 anos, o ingrediente básico da bird’s nest soup ou “Caviar do leste” é a saliva de pássaros. Uma vez que isso é um dos mais caros produtos animais usados na culinária humana, por acreditarem que alivia a digestão, dá um tchã na libido e até alivia a asma, a gosma é diluída em água para a fabricação da sopa gelatinosa. A versão vermelha custa nada menos que dez mil dólares por grama!
Viagens – Viagens podem ser consideradas coisas raríssimas, de acordo com o endereço de destino. Não há consenso sobre qual o lugar mais raro para se ir, mas acredita-se que um bom exemplo de lugar para uma viagem rara seja a expedição ao Everest. Tão arriscada quanto mortal, esta viagem matou muitas pessoas. POr dois meses e 60.000 dólares, você pode se arriscar com os sherpas em uma expedição de subir aquele morro. Das duas uma. Ou você volta ou não volta.

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Alasca – A Terra Extrema







Alasca

Há pouco mais de meio século o Alasca passou a ser oficialmente um novo estado dos EUA, com direito a estrela na bandeira norte-americana. Anchorage, a cidade mais importante desse enorme e remoto território, caraterizado por invernos extremos e gelos quase perpétuos, já deu início aos festejos do seu centenário, que se celebrará em 2015.




Da mesma forma que, no Hemisfério Norte, o Alasca é a mais remota província dos Estados Unidos, a Patagônia, no Hemisfério Sul, é a mais remota província argentina. Tal como esta, é a terra de todos os contrastes, algumas vezes aberta, outras vezes inacessível, sujeita ao vaivém de climas extremos que fazem dela uma coisa no inverno e outra no verão. Claro que há detalhes e particularidades próprias desse fascinante território, que os Estados Unidos compraram da Rússia em 1867.


A luz baixa do sol provoca impressionantes efeitos de luz e sombra na paisagem do Alasca
A luz baixa do sol provoca impressionantes efeitos de luz e sombra na paisagem do Alasca

Uma transação por pouco mais de sete milhões de dólares, que parece impensável nos parâmetros do mundo de hoje e que naquela altura muitos qualificaram simplesmente de “loucura”: mas a gigantesca Rússia precisava de dinheiro, e os Estados Unidos de expansão para uma zona estratégica. O aparecimento de ouro e, mais tarde, de petróleo transformaram a compra do Alasca em um negócio incrível, embora a natureza se encarregasse de equilibrar a balança com um terremoto recordado entre os mais devastadores do mundo.

Anchorage, à noite, parece uma festa de luzes e cores avermelhadas
Anchorage, à noite, parece uma festa de luzes e cores avermelhadas


Hoje, o que leva um viajante a por os pés no Alasca? Alguma curiosidade aventureira, um amor incondicional à natureza, o gosto pela observação da vida selvagem e, muitas vezes também uma genuína paixão pela pesca. Chegar lá não é barato, mas também não é complicado – voos nacionais e internacionais aterram regularmente no aeroporto de Anchorage, há cruzeiros e uma rodovia para se ir de automóvel ou roulotte – e ficar é tentador, apesar das temperaturas que no inverno não dão trégua e variam entre os 5 e os 12 graus centígrados negativos. Por isso, a temporada alta é o verão boreal, quando os dias são frescos mas muito longos e agradáveis, com temperaturas que rondam os 15 graus centígrados acima de zero. O inverno, no entanto, tem um encanto próprio que alguns preferem, e é também a época das corridas de trenós puxados por cães e das mágicas auroras boreais que tingem o céu de súbitos matizes de cores transparentes.

Aurora boreal no extremo norte do Alasca. Este fenômeno acontece sobretudo nos meses de inverno
Aurora boreal no extremo norte do Alasca. Este fenômeno acontece sobretudo nos meses de inverno


No extremo norte

Anchorage não é a capital do estado, mas sim a sua cidade mais importante. Está equidistante de São Francisco e do Polo Norte, cerca de 3200 quilômetros para cada lado. Embora já pareça suficientemente boreal, o Alasca tem cidades e aldeias ainda mais a norte, como Point Barrow – o ponto mais setentrional dos Estados Unidos – que em 2012 apareceu em Big Miracle, o filme inspirado na épica libertação de uma família de baleias que em 1988 ficou presa debaixo dos gelos do Ártico.


Rua movimentada de Anchorage
Rua movimentada de Anchorage


Anchorage foi fundada em 1915, mas os festejos do seu centenário já começaram em maio deste ano e prosseguirão com uma série de exposições históricas até 2015. Sem dúvida os tempos mudaram muito, e o que era apenas um acampamento de pioneiros transformou-se numa cidade moderna, que convive comodamente com a proximidade dos glaciares: encontram-se pelo menos 60 num raio de 75 quilômetros ao redor.


Mamãe alce repousa no canteiro de neve no centro de Anchorage
Mamãe alce repousa no canteiro de neve no centro de Anchorage
No centro de Anchorage fica o Alaska Zoo, o jardim zoológico do Alasca, um bom lugar para começarmos a nos familiarizar com a fauna da região. Aí se podem observar as águias com o seu vôo majestoso e a sua vista treinada para capturar as presas em vôo. Os gigantescos salmões que saltam no vizinho Ship Creek, despertando a cobiça dos pescadores. Os gigantescos alces que passeiam imperturbáveis na beira dos caminhos, alimentando-se de todo o tipo de folhas ao passar. E os impressionantes ursos que merecem excursões especiais até ao mais profundo do seu habitat.


Ursos pardos pescam salmão à beira da cascata
Ursos pardos pescam salmão à beira da cascata


De Anchorage saem, por exemplo, excursões de pequenos aviões que se dirigem ao sul, pela Baia de Cook, sobrevoando vulcões ativos e rios onde abundam os salmões e deslizam as geleiras. Os passageiros descem na praia de Silver Salmon Creek, onde são recebidos por um guia especializado que lhes transmite os primeiros conhecimentos sobre os ursos e os seus costumes, partindo de lá para os descobrir numa zona de savana próxima à praia. Aí se vêm ursos pardos, porém também existem os ursos de cor preta.

Um número incontável de salmões sobem os rios do Alasca,  no verão, para cumprir seu ciclo reprodutivo. É o equivalente da nossa piracema



Um número incontável de salmões sobem os rios do Alasca, no verão, para cumprir seu ciclo reprodutivo. É o equivalente da nossa piracema


Mais impressionante, porém, é a excursão que, saindo de avião de Anchorage, se interna no Parque Nacional Katmai: aqui existe uma plataforma de  observação que permite ver os ursos enquanto capturam salmões que tentam subir as cataratas Brooks. Naturalmente, por causa do clima, essas excursões se fazem unicamente no verão.


A paisagem montanhosa do Alasca é de tirar o fôlego
A paisagem montanhosa do Alasca é de tirar o fôlego


Outra opção é viajar até os Montes Chugach, habitat dos alces americanos, que são o ponto de partida para sobrevoar o vale do rio Knik e o vale da geleira Colônia, famoso pelas suas “cascatas de gelo”. Aterriza-se no lago George, onde o Colônia se debruça sobre o lago e desprende enormes icebergs com grande estrondo: um pouco a réplica das imponentes geleiras patagônicas do norte, como para demonstrar que de algum modo os extremos se tocam.


alaska


A força dos cães

Para os entendidos, o Alasca é também sinônimo da corrida de cães de tração mais importante do mundo, a Iditarod Trail Sled Dog Race. A corrida toma o nome de uma povoação que é hoje uma aldeia-fantasma, Iditarod, e que nas primeiras décadas do século 20 foi epicentro da febre do ouro: hoje só restam ruínas e lenda. A Iditarod Dog Race realiza-se todos os anos, em princípio de março (quando chega ao fim a melhor temporada de observação das auroras boreais) entre Anchorage e Nome, separadas por quase 900 quilômetros.


USA-IDITAROD/


Cada musher, ou condutor de trenó, tem de levar um grupo de 16 cães até chegar à meta, uma proeza que demora diversos dias de travessia e que implica desafiar um clima desfavorável, ventos gelados que fazem baixar a temperatura a -50°c e tempestades de neve que levam a aventura a verdadeiros extremos. Esta corrida teve o seu inicio há 40 anos, em 1973. Começou por ser um evento conhecido por um punhado de mushers, mas transformou-se num autêntico desafio reservado aos melhores cães do mundo, capazes de atravessar a tundra, os rios e as montanhas apesar de todos os obstáculos que a natureza coloca à presença humana neste extremo norte do mundo.


A águia careca é a maior ave do Alasca
A águia careca é a maior ave do Alasca


Em 2011, foi batido o último recorde, com um tempo total de oito dias e 19 horas. Viajar para o Alasca nesta época do ano permite apreciar até que ponto a Iditarod é um acontecimento importante, com mushers que são autênticas celebridades locais ou internacionais. O único musher do Hemisfério Sul que competiu e terminou a Iditarod vem do sul argentino e é o já lendário Gato Curuchet, que cria cães de tração nos vales da Terra do Fogo. Porque, uma vez mais, um extremo e o outro do mundo voltaram a tocar-se.


Vídeo: Começa a Corrida de Cães de Trenó – Iditarod 2014



Vídeo: Trailler do filme Big Miracle, de 2012, inspirado na épica libertação de uma família de baleias que em 1988 ficou presa debaixo dos gelos do Ártico.



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