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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A guerra secreta em Portugal (II)


A rede Gládio, criada pela NATO e financiada pela CIA, dispôs de uma base eficaz em Portugal. O historiador suíço, Daniele Ganser, baseando-se em investigações feitas em Itália, explica a sua estreita colaboração com o fascismo português e com a sua polícia secreta – a PIDE.

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Ao lado de Guérain-Sérac, também o terrorista de extrema-direita Stefano Delle Chiaie participou na fundação da Aginter Press. «Agíamos contra os comunistas, contra a burguesia estabelecida e contra a democracia que nos tinha privado da nossa liberdade. Fomos portanto forçados a recorrer à violência», explicou mais tarde Delle Chiaie. «Consideravam-nos como criminosos mas na realidade éramos as vítimas de um movimento liberal antifascista. Queríamos espalhar as nossas ideias, queríamos ser ouvidos pelo mundo inteiro». Em meados dos anos 60, Delle Chiaie, que tinha na altura 30 anos, fundou com Guérain-Sérac, e com o apoio da CIA, o exército secreto Aginter. «Com um dos meus amigos franceses [Guérain-Sérac], decidi então [em 1965] fundar a agência de imprensa Aginter Press a fim de termos os meios para defender as nossas opiniões políticas».(1) No decurso dos anos seguintes, Delle Chiaie tornou-se talvez o combatente mais sanguinário da guerra secreta. Em Itália, tomou parte em golpes de estado e em atentados, entre os quais o da Piazza Fontana em 1969, e, com o nazi Klaus Barbie, conhecido como o «Carniceiro de Lyon», contribuiu para consolidar o poder de ditadores sul-americanos.(2)
  
Terrorismo contra comunismo

Como explicou pessoalmente o director da Aginter, Guérain-Sérac, «os nossos efectivos são formados por dois tipos de homens: 1) oficiais que se juntaram a nós depois de terem combatido na Indochina e na Argélia e alguns que se alistaram depois da batalha da Coreia; 2) intelectuais que, durante esse mesmo período, se interessaram pelo estudo das técnicas de subversão marxista». Esses intelectuais, como fez questão de observar, formaram grupos de estudo e partilhavam as suas experiências «para tentar dissecar as técnicas de subversão marxista e lançar as bases duma contra-técnica». Não havia qualquer dúvida de que a batalha devia ser travada em numerosos países: «No decurso desse período, estabelecemos contactos sistemáticos com grupos de ideias próximas das nossas que surgiram na Itália, na Bélgica, na Alemanha, em Espanha e em Portugal, na óptica de constituir um núcleo duma verdadeira Liga Ocidental de Luta contra o Marxismo».(3)
Saídos directamente de teatros de operações, muitos dos combatentes de sombra, e sobretudo os seus instrutores, entre os quais Guérain-Sérac, davam pouca importância e conheciam mal os métodos de resolução pacífica de conflitos. O próprio director da Aginter, como muitos outros, estava convencido de que a luta contra o comunismo na Europa ocidental implicava obrigatoriamente o recurso ao terrorismo: «Na primeira fase da nossa actividade política, devemos instaurar o caos em todas as estruturas do regime», declarou sem precisar a que país se referia. «Há duas formas de terrorismo que permitem obter esse resultado: o terrorismo cego (através de atentados visando um grande número de civis) e o terrorismo selectivo (através da eliminação de personalidades seleccionadas)». Tanto num caso como noutro, o atentado perpetrado secretamente pela extrema-direita devia ser imputado à esquerda, conforme sublinhou o paladino e ideólogo do terrorismo anticomunista: «Estes ataques contra o Estado devem, tanto quanto possível, passar por “actividades comunistas”». Os atentados terroristas dos exércitos secretos eram concebidos como um meio de desacreditar o regime vigente e de obrigá-lo a virar à direita: «De seguida, devemos intervir no coração do aparelho militar, do poder judicial e da Igreja, a fim de influenciar a opinião pública, propor uma solução e demonstrar claramente a fraqueza do arsenal jurídico actual (…). A opinião pública deve ser galvanizada a tal ponto que apareçamos como o único instrumento capaz de salvar a nação. É evidente que teremos necessidade de meios financeiros consideráveis para levar a bom termo tais operações.»(4)
  
De braço dado com a PIDE

A CIA e a PIDE, os serviços secretos militares de Salazar, encarregaram-se de fornecer os fundos necessários para o empreendimento terrorista do capitão Guérain-Sérac. É num documento interno da Aginter, intitulado «A Nossa Actividade Política», datado de Novembro de 1969, e que foi descoberto em 1974, que ele descreve como um país pode ser alvo de uma guerra secreta: «É nossa convicção de que a primeira fase da actividade política deve consistir em criar as condições favoráveis à instauração do caos em todas as estruturas do regime». Elemento essencial desta estratégia, as violências perpetradas deviam ser imputadas aos comunistas e, bem entendido, todos os indícios deviam levar a essa conclusão. «Pensamos que é necessário, num primeiro momento, destruir a própria estrutura do Estado democrático a coberto de actividades comunistas ou pró-chinesas». O documento insistia seguidamente na necessidade de infiltrar os grupos de militantes de esquerda a fim de melhor os manipular: «Além disso, dispomos de homens infiltrados nesses grupos que nos permitirão agir sobre a própria ideologia do meio – através de acções de propaganda e outras, realizadas de tal maneira que parecerão ser obra dos nossos adversários comunistas». Essas operações realizadas sob falsa bandeira, concluía esse plano de acção, «criarão um sentimento de hostilidade para com os que ameaçam a paz de cada um dos nossos países», ou seja, os comunistas.(5)
Durante a primeira fase do seu plano, os oficiais, mercenários e terroristas da Aginter Press empenharam-se em enfraquecer e aniquilar as facções de guerrilheiros que lutavam pela independência das colónias portuguesas. Por volta de meados dos anos 60, o primeiro teatro de operações da organização não foi pois a Europa, mas a África onde o exército português enfrentava os movimentos independentistas. A Aginter colocou os seus responsáveis de operações nos países limítrofes da África portuguesa. «Os seus objectivos incluíam a eliminação dos líderes dos movimentos de libertação, a infiltração, o estabelecimento de redes de informadores e de agentes provocadores e a utilização de falsos movimentos de libertação». (6) Essas guerras secretas eram travadas em coordenação com a PIDE e outros serviços do governo português. «A Aginter correspondia-se por escrito com a PIDE no quadro das suas operações especiais e das suas missões de espionagem».(7)
Entre as personalidades mais importantes, que foram vítimas dos assassínios orquestrados pela Aginter em Portugal e nas colónias, figuram sem dúvida Humberto Delgado, personalidade destacada da oposição portuguesa, Amílcar Cabral, uma das figuras emblemáticas da revolução africana, e Eduardo Mondlane, líder e presidente do partido de libertação de Moçambique, a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), que foi morto em Fevereiro de 1969.(8)Apesar da violência dos métodos utilizados, Portugal não conseguiu impedir que as suas colónias acedessem à independência. Goa foi recuperada pela Índia em 1961. A Guiné-Bissau tornou-se independente em 1974, Angola e Moçambique em 1975, enquanto, nesse mesmo ano, Timor Leste foi invadido pela Indonésia.
  
A cumplicidade das «democracias» europeias

Paralelamente a essas guerras coloniais, a Aginter Press desempenhou também um papel relevante nas guerras secretas travadas contra os comunistas da Europa ocidental. Os documentos disponíveis sobre os exércitos stay-behind da NATO e a guerra clandestina parecem indicar que a organização lisboeta foi responsável por mais violências e assassínios do que qualquer outro exército secreto do velho continente. Os seus soldados de sombra agiam com uma mentalidade à parte. Contrariamente aos seus homólogos do P26 suíço ou do ROC norueguês, participavam em verdadeiras guerras abertas nas colónias e matavam em série, sob o comando de um capitão que, baseando-se na experiência adquirida na Indochina, na Coreia e na Argélia, não concebia outro meio de acção que não fosse a violência.
A operação realizada pelos combatentes de sombra, em nome da luta contra o comunismo, sobre a qual estamos mais bem informados é provavelmente o atentado da Piazza Fontana, que atingiu pouco antes do Natal as capitais políticas e industriais da Itália – Roma e Milão – em 12 de Dezembro de 1969. Nesse dia, quatro bombas explodiram nas duas cidades, matando cegamente 16 civis, na sua maioria camponeses que se dirigiam ao Banca Nazionale Dell’Agricultura de Milan para depositar as suas modestas receitas de um dia de mercado. Outras 80 pessoas ficaram feridas ou mutiladas. Uma das bombas colocadas na Piazza Fontana não explodiu devido a avaria do temporizador, mas quando os agentes do SID e a polícia chegaram ao local, apressaram-se a explodi-la para destruir indícios comprometedores. A execução deste atentado obedeceu estritamente às estratégias de guerra secreta definidas por Guérain-Sérac. Os serviços secretos italianos atribuíram o acto à extrema-esquerda, chegando ao ponto de colocar componentes de um engenho explosivo na casa do editor Giangiacomo Feltrinelli, conhecido pelas suas ideias de esquerda, e aproveitaram para prender numerosos comunistas.(9)
Um relatório interno do SID, classificado como confidencial, e datado de 16 de Dezembro de 1969, já levantava a suspeita de que os atentados de Roma e Milão podiam ter sido feitos pela extrema-direita com o apoio da CIA.(10) No entanto, a opinião pública italiana ficou com a ideia de que os comunistas italianos, na altura muito influentes, tinham decidido recorrer à violência para conquistar o poder. Na realidade, a paternidade desses actos cabia às organizações fascistas Ordine Nuovo e Avanguardia Nazionale, que agiam em estreita colaboração com os exércitos stay-behind. O militante de extrema-direita, Guido Giannettini, que foi directamente implicado nos atentados, era colaborador próximo da organização portuguesa Aginter Press. «O inquérito confirmou que existiam efectivamente ligações entre a Aginter Press, a Ordine Nuovo e a Avanguardia Nazionale», revelou o juiz Salvini aos membros da comissão de inquérito senatorial. «Resulta claramente que Guido Giannettini estava em contacto com Guérain-Sérac em Portugal desde 1964. Ficou estabelecido que instrutores da Aginter Press (…) se deslocaram a Roma entre 1967 e 1968 e treinaram membros da Avanguardia Nazionale no manuseamento de explosivos». O juiz Salvini concluiu, com base nos documentos disponíveis e nos testemunhos recolhidos, que a Aginter Press, uma fachada da CIA, tinha desempenhado um papel decisivo nas operações de guerra clandestina realizadas na Europa ocidental e tinha executado uma série de atentados sangrentos a fim de desacreditar os comunistas italianos.(11)
Estes factos foram confirmados em Março de 2001 pelo general Giandelio Maletti, antigo patrono da contra-espionagem italiana, que testemunhou no quadro do processo de militantes de extrema-direita, acusados de terem provocado a morte de 16 pessoas nos atentados da Piazza Fontana. Perante o tribunal de Milão, Maletti declarou: «A CIA, seguindo as directrizes do seu governo, queria fazer nascer um nacionalismo italiano capaz de travar a viragem à esquerda do país e, nesta óptica, não é impossível que tenha recorrido aos terroristas de extrema-direita». Este depoimento crucial comparava a CIA a uma organização terrorista. «Não se esqueçam que era Nixon que se encontrava na altura à frente do país», lembrou o general, «e Nixon não era um homem vulgar, era um político muito astuto, mas um homem de métodos pouco ortodoxos».(12) O juiz italiano Guido Salvini confirmou que todas as pistas conduziam a «um serviço de informações estrangeiro». «Quando diz “serviço de informações estrangeiro” está a referir-se à CIA?», insistiram os jornalistas italianos, ao que Salvini respondeu prudentemente: «Estamos em condições de afirmar que sabemos pertinentemente quem participou na preparação dos atentados e quem estava sentado à mesa quando foram dadas as ordens. Isso é incontestável.»(13)
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Tradução de Margarida Ferreira (Resistir.info)
Revisão e subtítulos da responsabilidade da redacção do Avante!

Daniele Ganser é um historiador suíço, especialista em relações internacionais contemporâneas. É professor na Universidade da Basileia.

 
Este artigo, publicado em www.voltairenet.org/a170466, foi extraído do livro Armées secrètes de l’OTAN, ed. Demi-lune (2007).

Notas
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(1) Egmont Koch e Oliver Schröm, Deckname Aginter. Die Geschichte einer faschistischen Terror Organisation, p. 4. (Ensaio não publicado de 17 páginas. Não datado, cerca de 1998).
(2) Ver Christie, delle Chiaie, passim.
(3) Idem, ibidem, p. 29.
(4) Este documento foi aparentemente descoberto no antigo escritório de Guérain-Sérac, depois da revolução portuguesa. Consta do dicionário do terrorismo na Bélgica de Manuel Abramowicz.
(5) Extracto de Christie, delle Chiaie, p. 32. Igualmente em Lobster, Outubro de 1989, p. 18.
(6) Idem, ibidem, p. 30
(7) João Paulo Guerra, «Gládio actuou em Portugal», O Jornal, de 16 de Novembro de 1990.
(8) Idem, ibidem e Christie, delle Chiaie, p.30.
(9) Senato della Repubblica. Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabiliy delle stragi : Il terrorismo, le stragi ed il contesto storico politico. Redatta dal presidente della Commissione, senador Giovanni Pellegrino. Roma, 1995, p.157.
(10) Os investigadores Fabrizio Calvi e Frédéric Laurent, especialistas em serviços secretos, realizaram provavelmente o melhor documentário sobre o atentado da Piazza Fontana: Piazza Fontana: Storia di un Complotto, difundido em 11 de Dezembro de 1997 às 20h50 no canal público Rai Due. Uma adaptação francesa intitulada L’Orchestre Noir: La Stratégie de la tension, foi difundida em duas partes no canal franco-alemão Arte nos dias 13 e 14 de Janeiro de 1998 às 20h45. No seu filme interrogam um grande número de testemunhas incluindo os juízes Guido Salvini e Gerardo D’Ambrosio, que investigaram durante anos o caso, activistas fascistas como Stefano Delle Chiaie, Amos Spiazzi, Guido Giannettini, Vincenzo Vinciguerra e o capitão Labruna, o antigo primeiro-ministro Giulio Andreotti, bem como Victor Marchetti e Marc Wyatt da CIA.
(11) Commissione parlamentare d’inchiesta sul terrorismo in Italia e sulle cause della mancata individuazione dei responsabili delle stragi. 9ª sessão, 12 de Fevereiro de 1997.
(12) Philip Willan, «Terrorists ‘helped by CIA’ to Stop Rise of Left in Italy», diário britânico The Guardian, 26 de Março de 2001. Willan é um especialista em intervenções secretas norte-americanas em Itália. É autor do interessante livro Puppetmasters. The Political Use of Terrorism in Italy (Constable, Londres, 1991).
(13) Diário italiano La Stampa, 22 de Junho de 1996


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Faro vai ter novo hostel que será dos maiores do país em 2018




A cidade de Faro vai ter um novo hostel, que será o maior do Algarve, com 100 camas, já no Verão de 2017. Mas o projeto dos empresários Diogo Perry e Nuno Fernandes é mais ambicioso e, em 2018, o número de camas irá duplicar, fazendo deste novo alojamento, localizado junto ao Largo do Carmo, um dos três maiores do país.
Em conversa com o Sul Informação, Nuno Fernandes explicou que «há o objetivo de ter mais de 100 camas abertas já no Verão de 2017, o que vai fazer com que seja, logo aí, o maior hostel da região. Na segunda fase, que ficará concluída a tempo do Verão de 2018, vamos atingir as 200 camas, que nos coloca no top 3 nacional».
Em 2017, as camas disponibilizadas por este novo hostel, que vai nascer nos antigos edifícios da Administração Regional de Saúde do Algarve, serão em camaratas, sendo que, em 2018, haverá também 25 quartos duplos.
De acordo com Diogo Perry, um projeto destas dimensões «vai dar um novo impulso não só à cidade de Faro, mas à região».
Os empresários, que foram os responsáveis pela abertura do primeiro hostel em Faro, a Casa d’Alagoa, acreditam que este «é um espaço que, além de dar nova vida à cidade, vai revitalizar toda esta zona. A localização é premium, perto dos autocarros, do comboio e da Igreja do Carmo, que é um dos locais que sempre recomendamos aos nossos hóspedes. É perto de tudo e com vista para a Ria a partir do nosso roof-top…», acrescenta Nuno Fernandes.



Nuno Fernandes (esq.) e Diogo Perry
Este hostel terá um conceito diferente daqueles que já existem na cidade de Faro, uma vez que «será mais urbano, com uma oferta mais semelhante ao que existe em várias cidades europeias, enquanto a Casa d’ Alagoa vai manter o seu ambiente mais familiar e caseiro».
Além disso, este espaço obriga a «trabalhar mais ativamente na procura de hóspedes. Recebemos na Casa d’Alagoa pedidos de informação para grupos de 90 pessoas, a que não podemos responder. Com este hostel, vamos procurar dar resposta a uma procura – de grupos – para a qual ainda não há oferta na cidade».
Diogo Perry acredita que, com este investimento, «vamos poder promover mais e melhores iniciativas e parcerias, desenvolver várias atividades locais e só há a ganhar: para as pessoas, para os hóspedes, para o negócio, para os parceiros e para Faro».
Para o empresário, esta «será uma oportunidade para o nascimento de alguns negócios que podem oferecer serviços aos hostels. Empresas que possam oferecer serviços adaptados ao perfil do turista jovem, que procura uma boa experiência, com menos dinheiro investido. É importante que apareçam mais empresas com produtos dedicados a este público. Já apareceram, no ano passado, algumas, nomeadamente de passeios de barco na Ria, mas é importante que surjam mais».


De acordo com Nuno Fernandes, este novo hostel representa um investimento total de 500 mil euros, sendo que «na primeira fase [2017], serão cerca de 200 mil euros e o restante na segunda. As obras serão maioritariamente de adaptação e aquisição de equipamento».
Equipamento que pretende fazer deste novo alojamento, ainda sem nome definido, um exemplo em termos ecológicos. «Queremos que seja auto-sustentável energeticamente. O aquecimento de água e todo o equipamento, como na cozinha partilhada, serão elétricos, daí o nosso objetivo, a médio prazo, de adquirirmos panéis solares. Queremos uma unidade o mais “verde” possível».
No que diz respeito à criação de postos de trabalho, o recrutamento já começou. «Estamos a recrutar ativamente para várias áreas. Procuramos pessoas com um perfil internacional, que conheçam esta área de atividade. No total, vamos contratar cerca de 15 pessoas. Será este o mínimo de trabalhadores necessário quando as duas fases já estiverem concluídas», diz Nuno Fernandes.

2016 foi bom para os hostels em Faro mas… sazonalidade e acessibilidades preocupam


A sazonalidade afeta a hotelaria tradicional, mas também é um problema para os hostels e, apesar de a procura ter aumentado, em Faro, na época baixa, «ainda não existe um contexto favorável na região nesta altura do ano, porque os preços do alojamento baixam e acaba por dar mais prejuízo que lucro», diz Diogo Perry.
«Nos meses de época baixa tivemos um aumento de cerca de 30 por cento, mas tendo em conta que a comparação é feita com dados baixos, é natural que o aumento seja muito maior. Se em vez de dois hóspedes tivermos quatro, o aumento é de 100 por cento», explica o empresário.
Ainda assim, 2016, foi um ano bom para este setor de atividade na cidade de Faro, não só devido aos fatores externos, que também ajudaram aos números da hotelaria tradicional, mas pelas potencialidades que a capital algarvia tem em relação ao público-alvo dos hostels.
«Temos uma cidade que tem sol e praia, mas que é mais barata do que outras como Albufeira. Além disso, não tem a massificação do turismo, existe uma maior genuinidade e uma maior atratividade ao nível da cultura. Há a ria, há a praia, há o bom tempo, sem massificação», considera.
No entanto, Faro também tem questões a melhorar, em especial ao nível do acesso à cidade. Para Nuno Fernandes, «é muito importante a questão do reforço dos transportes, principalmente no aeroporto. Os nossos hóspedes são turistas muito autónomos que tratam das suas próprias viagens, usam comboios, autocarros… É barato chegar a Faro em transportes públicos, mas depois paga-se quase tanto por um Taxi, desde o aeroporto até à cidade, como se paga pelo voo. A oferta de autocarros, principalmente à noite, não é suficiente».



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Brasil - A contradição da direita conservadora de se dizer contra o crime mas defender valores inspiradores de crimes



Assassinatos em massa e genocídios
Em pleno regime capitalista, mais de 50 mil pessoas morrem assassinadas por ano no Brasil, por causa de um cenário de violência urbana e rural fortemente atrelado, em parte, a problemas originados no capitalismo, como:
• O narcotráfico;
• A exclusão social;
• A carência de perspectivas de vida e de políticas de inclusão;
• A ganância acima da empatia;
• Genocídios indígenas (como o dos Guarani-Kaiowás em Mato Grosso do Sul);
• As mortes por conflitos agrários;
• As mortes por desnutrição.





Violência contra a mulher, homicídios, corrupção… O envolvimento de valores considerados reacionários na inspiração de muitos crimes contradizem os discursos da direita “pelo respeito às leis”
Aviso de conteúdo traumático: contém menções à violência contra a mulher
A indignação contra o crime, da corrupção ao homicídio, e o desejo que ele seja erradicado da sociedade são comuns no discurso conservador, o que inspira demandas como a liberação do armamento civil e a radicalização da violência da Polícia Militar. Mas essa oposição ao desrespeito às leis esconde diversas contradições ideológicas: os mesmos que se dizem contrários à criminalidade estão seguindo e reproduzindo crenças e valores que originam e inspiram uma notável variedade de crimes.
Este artigo foca sete tipos de crimes comuns no Brasil: violências diversas contra a mulher (estupro, feminicídio, agressão doméstica, assédio sexual etc.), crimes de ódio, roubos e furtos, narcotráfico, homicídio, violência policial e corrupção. Em cada um deles, há laços entre o que grande parte da direita brasileira acredita e o que faz com que esses delitos ocorram.

Violência contra a mulher
Em alguns casos muito repercutidos de violência contra mulheres, como o estupro coletivo de uma menina no Rio de Janeiro em maio passado, muitos direitistas assumidos declararam que estupradores devem ser punidos com medidas como castração química, estupro de vingança (por outros detentos) na cadeia ou pena de morte. Mas em nenhum caso defenderam que as causas fundamentais desse tipo de crime sejam combatidas: a misoginia e o machismo.
Essas duas formas de ódio e preconceito contra a mulher, apesar de também serem relativamente comuns entre homens que se dizem de esquerda, encontram frequentemente legitimação e justificação em discursos de direita, desde o patriarcalismo religioso até o reacionarismo de jovens de classe média.
No âmbito religioso, igrejas “cristãs” conservadoras não hesitam em pregar que as mulheres se submetam a seus maridos, mantenham hábitos sociais e domésticos recatados, se reprimam sexualmente antes do casamento e repudiem o feminismo. Paralelamente, respaldam que o homem seria a “criação maior” de Deus – enquanto a mulher seria um “anexo” seu, surgida da costela dele – e, portanto, teria liberdades e poderes diversos que não seriam permitidos que as mulheres tenham, entre eles o de ser o “cabeça” da família tradicional e da sociedade como um todo.
Nesse contexto de doutrinação em prol do supremacismo masculino e da submissão feminina, muitos “cristãos” acabam misturando esses ensinamentos com todo o machismo que absorvem dos outros veículos de propagação de ideologias (televisão, internet, escolas, publicidade etc.).
E dessa mescla explosiva entre o patriarcalismo das igrejas conservadoras e a objetificação e inferiorização de mulheres promovida pela mídia, muitos encontram um universo de “justificativas” para relativizar violências contra a mulher. Quando ocorrem crimes como estupros, feminicídios e casos de assédio sexual, tendem a amenizar, ou mesmo retirar, a culpa do homem criminoso e vilanizar a mulher vitimada, responsabilizando-a pelo crime que ela própria sofreu.
Esse mesmo misto de machismo e misoginia é muito comum em ambientes muito masculinos e conservadores, mesmo laicos, como ambientes de cultura nerd, gamer e geek e panelinhas de garotos em escolas tradicionais que não promovem educação para a diversidade. Esses locais costumam ser apontados como verdadeiros caldeirões de ódio e objetificação sexual contra mulheres e meninas. E paralelamente funcionam, muitas vezes, como focos de crenças e ideias reacionárias, como o culto à personalidade do deputado Jair Bolsonaro e seus filhos e o ódio a movimentos sociais e de defesa dos Direitos Humanos, entre eles o feminismo.
Não é à toa que muitos desses reacionários assumidos, desde pré-adolescentes até adultos em idade madura, também são misóginos. E de sua misoginia, não é raro que culpabilizem e até odeiem as mulheres vítimas de violência sexual e minimizem a culpa dos homens criminosos.
Nesse cenário de religiosidade sem moralidade e fomento à masculinidade agressiva, o conservadorismo exacerbado e o ódio machista-misógino se misturam numa só substância. A impunidade para a grande maioria dos crimes motivados por machismo e misoginia é incentivada e promovida.
Não é de surpreender aqui que a direita brasileira, em sua maior parte, odeie feministas, não esteja interessada em questionar e combater o machismo e a misoginia e, ao invés, defenda demagogicamente punições que não previniriam o surgimento de mais criminosos sexuais. Afinal, esse desprezo à mulher é parte do ideário conservador brasileiro.

Crimes de ódio
Além do machismo e da misoginia, a direita brasileira também carrega, sobre suas costas, o peso de defender valores e crenças que legitimam e “justificam” o alastramento do preconceito e, muitas vezes, ódio explícito contra homossexuais, negros que atuam contra o racismo, pessoas trans, pessoas pobres e membros de movimentos sociais. Por tabela, é possível colocar na conta dela a inspiração de muitos crimes motivados por tais intolerâncias.
É costumeiro, no meio reacionário brasileiro, dizer que racismo, machismo, heterossexismo (ódio contra não heterossexuais), transfobia e pauperofobia (ódio a pobres) “não existem” enquanto problemas de cunho social e coletivo. Nesse contexto, crimes de ódio que correspondem a um ou mais desses tipos são reduzidos a violências cometidas “por seres humanos contra seres humanos”, casos de “humanofobia”, forçando uma igualdade que invisibiliza as desigualdades sociais, regionais, raciais, de gênero e identidade de gênero, de orientação sexual etc.
A grande maioria dos crimes de ódio é simplesmente ignorada pela direita. Aqueles que excepcionalmente conseguem uma repercussão muito grande têm seu agravante de intolerância negado. Ou seja, por exemplo, um homicídio racista, segundo muitos conservadores, não foi motivado por racismo, mas sim um outro motivo qualquer não ligado a intolerâncias – que muitas vezes deságua na culpabilização da vítima.
Com isso, demandas como a criminalização do heterossexismo e da misoginia são enfraquecidas, e discursos de ódio continuam inspirando, sob o acobertamento do reacionarismo, crimes que saem do preconceito verbalizado e partem para a agressão física, a humilhação pública – a qual muitas vezes induz o humilhado a se suicidar – e os atentados explícitos contra a vida.
E falando em atentados, tem sido um crescente motivo de preocupação a iminência e mesmo ocorrência de ataques terroristas, perpetrados por extremistas de direita, contra movimentos sociais, sedes de partidos como o PT e universidades, assim como agressões físicas a pessoas identificadas (verdadeiramente ou não) como sendo de esquerda. Não é imprudente dizer que as mais que numerosas pregações de intolerância a petistas e esquerdistas, a grande maioria feitas impunemente nas redes sociais e em blogs, estão começando a inspirar ataques do tipo.
Exemplos marcantes recentes foram a invasão do campus da Universidade de Brasília, em 17 de junho, por um grupo de ultraconservadores armados, e diversos casos de agressão física contra pessoas vestidas de vermelho em diversas cidades em março passado, nos dias seguintes à condução coercitiva do ex-presidente Lula à Polícia Federal.
Tudo isso nos leva à lamentável conclusão de que a direita conservadora, despindo-se de qualquer moderação e respeito às minorias sociais e aos opositores políticos, está inspirando graves crimes de ódio no país. E seus formadores de opinião não parecem se incomodar com isso.

Roubos e furtos
Ao contrário dos crimes de ódio contra mulheres, homossexuais e outras minorias políticas, a direita não inspira diretamente o cometimento de roubos e furtos. Mas defende muito daquilo que acaba, no final das contas, induzindo muitas pessoas a abandonarem qualquer senso de misericórdia e respeito e investirem em assaltar pessoas e estabelecimentos.
A direita brasileira é defensora ferrenha e incondicional do capitalismo. Seus adeptos também costumam consentir ou apoiar abertamente as desigualdades sociais, a não empatia pela maioria dos seres humanos, a cultura de mais competição do que cooperação, as relações de dominação e submissão, a falta de preocupação com a maioria dos limites da liberdade individual, a desvalorização e supressão de direitos, a desassistência social aos mais necessitados, a abolição da função social do Estado e da propriedade, a invisibilização dos preconceitos e desigualdades estruturais, a conversão de serviços públicos em serviços privados pelos quais apenas uma parcela restrita da população possa pagar, a ganância por lucros e riquezas cada vez maiores, a naturalização da exclusão social etc.
É ingenuidade achar que, somando-se e aplicando-se todos esses (des)valores e reivindicações, não seriam consequentes o aumento escandaloso da miséria e da desesperança das pessoas e a desvalorização disseminada do respeito à vida e à propriedade do próximo. Com isso, tendem a aumentar muito os roubos e furtos, tanto aqueles cometidos por quem subtrai bens alheios para sobreviver como por pessoas que encontraram na compra e consumo de drogas pesadas a única maneira de aliviar as dores de uma vida existencialmente esvaziada.

Narcotráfico
Provavelmente a maioria dos conservadores brasileiros defende que o consumo de drogas pesadas continue sendo tratado como caso de polícia – leia-se invasão de favelas e prisão ou extermínio de usuários e pequenos traficantes –, e não de saúde pública, inclusão social e combate à criminalidade dos ricos. Em outras palavras, apoiam a perpetuação da “guerra às drogas”, mesmo ela tendo sido um completo fracasso em diminuir o uso de narcóticos e o cometimento de crimes contra a vida e, pelo contrário, aumentando as mortes causadas direta ou indiretamente pelas drogas ilegais.
Quando conservadores defendem a continuidade da política de “combater” o narcotráfico predominantemente por meio de operações policiais em comunidades pobres, estão, sem perceber, consentindo que tudo continue como está. Ou seja, que o comércio e consumo de drogas ilegais continuem em alta, e que vidas de traficantes, usuários, policiais e pessoas não envolvidas sejam violentamente tiradas.
Além disso, não percebem – e muitas vezes negam categoricamente – que o tráfico de drogas é retroalimentado pelas desigualdades sociais e por muitos dos desvalores que permeiam o capitalismo. Não raramente a falta de políticas sociais, a negação de direitos básicos, a sede de dinheiro fácil e riqueza, o desemprego, a desvalorização da empatia, o fomento à ganância do lucro, a dificuldade extrema em ascender socialmente, entre outros problemas, inspiram parte daqueles jovens desprovidos de qualquer esperança de inclusão social a aderir ao narcotráfico, no qual encontrarão sua única chance de redenção e prestígio social.
E nisso a direita não se compromete em discutir esses problemas. Pelo contrário, é comum que deixe para os indivíduos, mesmo aqueles mais despossuídos, desesperançosos e privados de direitos, toda a responsabilidade de não aderirem ao tráfico ou ao consumo de drogas, por meio da defesa de meritocracia, da supremacia do individual sobre o coletivo e da negação das desigualdades e opressões sociais.

Homicídios
A direita conservadora brasileira não tem a tradição de valorizar o respeito à vida humana alheia (defender fetos e embriões, enquanto entrega mulheres e meninas já nascidas e crescidas à morte por aborto clandestino ou suicídio, não conta). Vira as costas para quem mata e morre por problemas relativos ao capitalismo, como exclusão social, piora da violência, genocídios indígenas e assassinatos a mando de latifundiários.
Relativiza os crimes políticos cometidos pelo Estado durante a ditadura militar. Não se posiciona contra os homicídios motivados por ódio e os discursos que os motivam. E não discute a sério uma solução para abolir os muitos crimes contra a vida cometidos no contexto do narcotráfico.
E na tentativa de se defender da acusação de omissão ou cumplicidade, é comum que acuse a “natureza humana” de ser violenta e propensa ao crime e à crueldade. Com isso, acaba colocando como “natural” que morram tantas pessoas nas mãos de outros seres humanos.
Ou seja, a direita não está afim de respeitar e proteger a vida dos seres humanos, mesmo quando diz valorizar a segurança pública.

Violência policial
Em se tratando de segurança, uma das maneiras pelas quais o reacionarismo brasileiro diz defender o combate ao crime é aplaudindo o uso da força por policiais militares. Mas essa suposta oposição à violência contra “cidadãos de bem” entra em contradição com a falta de critérios em promover esses aplausos.
Digo isso por causa do apoio de reacionários à violência policial indiscriminada, mesmo quando policiais prendem, agridem e/ou matam inocentes e forjam as acusações contra eles. Em momento nenhum exigem prudência e justiça da polícia.
Um caso exemplar disso foi o assassinato do menino Ítalo, de 10 anos, em São Paulo, no início de junho, em cuja investigação foi notada a adulteração do cenário do crime para responsabilizar a criança vitimada. Reacionários foram às ruas aplaudir e defender os policiais, afinal, o que eles fizeram foi “matar um bandido”, mesmo que as investigações estejam tendendo a incriminar os soldados e inocentar o garoto.
Se depender da vontade dos conservadores defensores da violência policial, vale a polícia agir até mesmo fora da lei para “manter a lei e a ordem”. Não lhes importa se policiais incidirem, por exemplo, em crimes como tortura, racismo, homicídio qualificado, calúnia, constrangimento ilegal, abuso de autoridade e corrupção.

Falando em corrupção, esse é um dos crimes que a direita brasileira mais diz “combater”. Mas só promovem esse “combate” quando os acusados do delito são filiados ou aliados do PT.
Quando os denunciados são de partidos conservadores ou aliados do conservadorismo, como o PMDB, o PSDB, o DEM e o PSB, o silêncio é total, a não ser que seja para inocentá-los ou relativizar as acusações feitas contra eles.
Repare-se também que a grande maioria dos discursos da direita “contra a corrupção” são simplesmente para acusar o PT e pregar sua deposição e criminalização. Não é comum que defendam uma reforma política profunda, que elimine os vícios e vulnerabilidades do sistema político brasileiro os quais permitem a ocorrência de muitos casos federais, estaduais/distritais e municipais desse tipo de crime.
Pelo contrário, o discurso é que, tirando o PT do jogo, o Brasil vai “mudar” e “avançar”, mesmo quando quem assume no lugar são políticos frequentemente delatados por envolvimento em esquemas ilegais e/ou operações para abafar investigações.
Nisso, as declarações de páginas sociais, blogs e políticos de direita induzem muitas pessoas a acreditarem que, praticamente, o PT detém o monopólio da corrupção no Brasil. Propagar essa falsa informação é essencial para acobertar os corruptos de outros partidos e mantê-los agindo em impunidade.
Ou seja, a direita brasileira não está interessada em denunciar e combater a tradição de corrupção na política do país, já que participa dela e, portanto, quer conservá-la. Isso sem falar que alguns de seus valores, como o egoísmo, a ganância, o descaso para com o bem-estar alheio, a negação da consciência social e a falta de respeito por aquilo que é público e coletivo, favorecem que mais pessoas ricas e poderosas vejam na corrupção um “crime que compensa”.

Considerações finais
A direita conservadora brasileira muito discursa “contra o crime”, mas infelizmente ela é cúmplice ou omissa perante milhares de crimes muito comuns no Brasil. Suas defesas do preconceito e da intolerância, do lucro ganancioso, da naturalidade da exclusão social, da negação de empatia ao próximo, da supremacia do individual sobre os interesses coletivos, da moralidade seletiva e do capitalismo sem responsabilidade ética desaguam na literal desgraça para muitas pessoas, cujas vidas poderiam ter sido salvas se a direita não estivesse tão forte no país atualmente.
Se a direita quer realmente se posicionar contra a violência e o desrespeito às leis e a favor da vida e da propriedade, precisa abandonar esses (des)valores tão corrosivos e adotar uma postura mais moderada e humanista. Ou seja, necessita mudar, tornar-se muito diferente daquilo que é hoje.



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