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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

António Tereso, militância à prova de bala


O militante comunista que se destacou na preparação e execução da fuga da prisão de Caxias, a 4 de Dezembro de 1961, António Tereso, faleceu no sábado, aos 89 anos. 
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António Tereso
António TeresoCréditos
A história de António Tereso confunde-se com a da resistência antifascista. Como tantos outros naqueles tempos, começou a trabalhar ainda criança, com apenas 12 anos, tendo ingressado mais tarde na Carris.
António Tereso assumiu um dificil, destacado e determinante papel na preparação e execução da fuga de oito camaradas (incluindo ele próprio) do Reduto Norte da prisão de Caxias.
Domingos Abrantes, um dos militantes que se evadiu de Caxias, recorda-o como militante e companheiro, lembrando o papel decisivo naquela acção quando «estava quase a sair em  liberdade». «Na defesa dos interesses do Partido, António Tereso arriscou muito e continuou a servir o Partido», arcando ainda com o fardo de se passar por um «rachado» e de assim ser tratado pelos seus camaradas na prisão.
A fuga de Caxias figura como uma das mais espectaculares e importantes evasões dos carceres do fascismo. Tirando partido da confiança que o papel de «rachado» lhe possibilitou, Tereso fez o melhor uso de um carro blindado que Hitler oferecera a Salazar, e foi debaixo de fogo que rumaram à liberdade importantes dirigentes do PCP.
Domingos Abrantes destaca ainda o empenho, rigor e seriedade com que Tereso pautou a sua militância no PCP, quer no período em que foi forçado à clandestinidade, antes do 25 de Abril, quer depois como funcionário do Partido.
O corpo de António Tereso estará em câmara ardente na Casa Mortuária da Igreja de S.Francisco de Assis, na Av. Afonso III (ao Alto de S. João), amanhã, a partir das 10h. O funeral sai às 12h para o Cemitério de Barcarena onde o corpo será cremado pelas 12h30.

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António Tereso. O homem que arriscou a liberdade para conseguir a de sete



Como podia um simples homem ser protagonista de uma fuga da prisão? Fingindo-se passar para o outro lado, sofrendo insultos e desprezo, e oferecendo os seus dotes de motorista e mecânico. Esta é a história de António Tereso, o homem que só fugiu porque fingiu ser traidor

Esta não é uma história comum sobre o pré-25 de Abril. Não há apenas de um lado a PIDE e do outro os seus presos políticos. É a história de um homem que para promover uma das mais emblemáticas fugas teve de aprender a viver entre os dois lados, fingindo estar apenas de um. O disfarce de traidor custou-lhe cuspidelas, insultos, desprezo. Dia e noite. Até à manhã gelada de Dezembro em que António Tereso, o ex-mecânico da prisão de Caxias para os carcereiros, o ex-traidor e o ex-“rachado” para os prisioneiros, irrompeu no carro blindado de Salazar pelo pátio adentro e levou outros sete militantes comunistas para fora do terreno da prisão. O homem que arriscou fingir-se amigo de directores, dos guardas, da PIDE, que se queixou de ter a barriga cheia de política, que teve de fingir que virava costas aos amigos, aos comunistas, aos reclusos como ele, estava a poucos meses de cumprir a pena e sair em liberdade quando aceitou ser o protagonista de um plano impossível. Se o plano falhasse, já não haveria regresso a casa. Esta é a história pouco falada de um homem que arriscou a liberdade para conseguir a de outros sete. 
Um dia, de castigo na prisão, António Tereso cruzou-se com José Magro e Afonso Gregório, do Comité Central do partido, no forte de Caxias. Magro fez-lhe a proposta:
– Olha lá, e se tu fosses para a sala dos trabalhos?
Tereso começou por negar: como seria olhado pelo partido e pelos amigos? Como se iria fingir de zangado? Andar em pancadarias com os seus?
Acabou por aceder:
– Eu aceito e vou disposto a lá deixar a pele se for preciso.
Durante a noite, na cama, deu voltas e voltas: 
– Nunca pensei que era possível fugir. Nunca.  
Era preciso arranjar um pretexto para se revoltar contra os presos. Escolheu o Matos e o Lenine, por serem os últimos a levantar-se da mesa. Naquele dia, resolveram pedir mais arroz. O prestável cantineiro Tereso deu mas a seguir simulou que estava zangado por não terem comido tudo o que estava no prato. E logo de seguida deu uns murros para chamar o guarda.
– Quero sair daqui! Ainda dou em maluco com estes gajos! Tenho a barriga cheia de política. Quero que me leve ao chefe. 
O chefe não acreditou à primeira:
– Escreva ao senhor director. Mas como o senhor é um comunista…
– Já fui! Já fui! Agora sou é comodista!
O dia em que o guarda Jaime o ajudou a escrever a carta, pedindo ao director transferência para a sala dos trabalhos, foi aquele em que os amigos lhe viraram as costas. O Magro teve de se juntar ao plano. Quando os outros se queixavam a verdade não era revelada. Magro limitava-se a dizer:
– Que queres? O tipo é assim. Quer rachar.
Um dia foi o Vilela que trepou para o seu beliche para indagar o que lhe acontecera:
– Ó Tereso, tu que eras um tipo porreiro…
Noutro dia foi o Cartaxo. Tereso, na sua estratégia de camuflagem, limitava-se a dizer:
– Não quero conversas, quero ser livre.
A partir desse dia, muita gente nunca mais lhe falou. Viram-no sair e começaram a tratá-lo por rachado. Até do Partido Comunista chegaram ordens para todas as salas: os rachados não eram pessoas que merecessem conversa, os rachados eram gente que deixara de ser camarada, os rachados eram para desprezar.
Nova fase do plano: chegado à sala dos trabalhos, era preciso conquistar os verdadeiros vira-casacas e os carcereiros.
E, sobretudo, não deixar que alguém suspeitasse. Enquanto os guardas o espreitavam repetidamente pelas seteiras do pátrio, Tereso pintava portas e janelas, varria o átrio, usava a esfregona. Quando chegou Gomes da Silva, subinspector da PIDE, Tereso concentrou-se em cair nas suas graças.
– Quer que lhe lave o carro?
Tereso lavou-o, pintou-o e até chegou a fazer de bate chapa concertando o tejadilho. O subinspector da PIDE estava rendido: um certo dia até o levou a dar um passeio à cidade. Outro dia Tereso avisou-o de que ia sem pneu sobresselente. O subinspector berrou e esperneou: tudo teria de estar em ordem antes de sair. Tereso teve de voltar a pôr o pneu no carro. Enquanto o fazia, Gomes da Silva disse:
– Será isto sabotagem?
Tereso fingiu-se de chateado:
– Eu não confundo as minhas ideias políticas com a minha honestidade profissional. Se não confia, chame outro.
O subinspector riu-se: 
– Ó homem, não se zangue, tenho toda a confiança em si!
Quando passava pelos outros presos, nas suas rondas pelo forte, explorando galerias, divisões, buracos, janelas e portas, imaginando fugas entre galinhas e coelhos e porcos, Tereso continuava a ser renegado pelos amigos. Era assim que se tratavam os traidores. O tempo passava. Tereso via guardas em cima e em baixo. Guardas em todo o lado.
– Era impossível fugir.
Um dia encheu-se de coragem e foi falar com Gomes da Silva: agora que estava prestes a sair queria um emprego na PIDE como motorista. Ao fim da terceira insistência, o subinspector deixou de ignorar: 
– Isso é que não pode ser. O senhor tem cadastro. 
Acabou por ter como garantia um emprego de motorista no forte, a troco de 1500 escudos por mês. Estava a três meses de conquistar a liberdade.
Primeiro, Tereso ofereceu-se para arrumar uma Ford V-8, que transportava 38 passageiros. Espantado com as suas capacidades ao volante, Gomes da Silva sugeriu:
– O senhor é que me vai pôr aquele carro a trabalhar.
Ao olhar para o Chrysler blindado que fora de Salazar, que hoje está no Museu do Caramulo, Tereso acreditou pela primeira vez no plano que há meses perseguia. Ao almoço, o peixe frito, o arroz e a salada nem saíram do prato. O que era preciso era pôr o carro a funcionar. Uma máquina de 4500 quilos, com motor de 8 cilindros em linha. No último sábado de reclusão, Tereso transformou o terreno da prisão numa pista de automobilismo. O estômago ardia. Sabotou os outros carros velozes para evitar perseguições. O estômago continuava a arder. Estava tudo a postos para as 9 e 30 de segunda-feira. O histórico 4 de Dezembro de 1961.
Na segunda-feira, Tereso, o futuro ex-traidor, entrou num túnel de marcha-atrás. A missão não era fácil: tinha de ir em alta velocidade mas o carro era quase tão largo como o portão. O Chrysler de 1937, de sete lugares, totalmente blindado, tinha 5,40 metros de comprimento e 1,80 metros de largura. Pequeno percalço: a roda foi à valeta. Tereso tremeu, concertou o problema e entrou no pátio. Neste momento já mais camaradas sabiam que afinal não era um Judas. Primeiro insultaram-no porque estaria a interromper-lhes o recreio. Depois, enquanto rodeavam o carro e os guardas pensavam que vinha aí briga feia, Magro gritou: Golo! 
Nunca um golo fora tão festejado por aqueles homens. Sete entraram dentro do carro que arrombaria o portão de ferro que separava a cadeia da estrada. Sete homens em fuga, torneando disparos da GNR, em direcção à auto-estrada, a caminho de Lisboa. Num carro que esteve ao serviço oficial de Salazar, e que lhes ofereceu a liberdade. A ironia não podia ser maior. 


ionline.sapo.pt

Fraude em Espanha com cartas de condução portuguesas


Condutores sem pontos na carta arranjam morada em Portugal para trocar título.
Centenas de automobilistas espanhóis, na iminência de ficarem sem carta de condução, após terem perdido todos os pontos, estabeleceram residência em Portugal e trocaram o título espanhol por uma licença de condução portuguesa. Uma prática ilegal, porque a proibição de conduzir se mantém no país de origem.


www.jn.pt

Almaraz: o nuclear aqui tão perto, que divide os dois vizinhos ibéricos





A cem quilómetros da fronteira portuguesa, a central está no centro de um conflito entre os países ibéricos por causa do novo armazém de resíduos perigosos que ali se quer construir. O DN foi até lá, ouvir as populações. Os que vivem dela defendem-na, e há quem se oponha. Mas a maioria mostra indiferença

Duas cúpulas brancas, um grande edifício cinzento, sem nada de especial. Junto ao espelho de água da barragem de Arrocampo, com a serra de Gredos em fundo, imponente nos seus 2700 metros de altitude, a central nuclear de Almaraz surge quase insignificante na paisagem. Mas é só aparência. Almaraz é tudo menos irrelevante, ou pacífica, e agora até entre os vizinhos ibéricos gerou conflito, depois de o governo de Mariano Rajoy ter autorizado um novo armazém de resíduos nucleares, sem que deste lado da fronteira houvesse oportunidade de uma palavra. Por isso, nos próximos dias Portugal apresenta queixa contra Espanha em Bruxelas (ver texto na página ao lado). Os ecologistas, mais uma vez, vão à luta: em Espanha prepara-se uma batalha judicial.



Em torno da central e do seu futuro há discórdias acesas, muros de silêncio, políticos que se calam, populações divididas. Uns defendem-na "con ganas". Querem que continue durante muitos e bons anos: é o seu ganha-pão, veem-na como garante do futuro. Outros contestam-na. Opõem-se desde sempre àquela forma de produzir energia, e rejeitam agora também a autorização do governo espanhol para a construção nas suas instalações de um novo armazém temporário de resíduos nucleares (ATI, na sigla de língua espanhola). Veem nisso um "sinal claro" de que tudo se prepara para que a vida útil da central seja prolongada além de 2020, o limite da sua licença de operação, quando estiver já à beira de completar 40 anos. A maioria, porém, encolhe os ombros, resigna-se. "Está aí há tanto tempo, uma pessoa habitua-se"; "se houver um acidente, tanto dá estar aqui como em Madrid, ou Lisboa", ouve-se nas povoações por perto.


"Se fecha, voltamos ao antigamente"

Almaraz, a localidade que fica paredes meias com a central, a pouco mais de um quilómetro, é uma espécie de mundo à parte nesta região do Nordeste da Extremadura espanhola. Ali vive-se da instalação nuclear, uma parte dos habitantes trabalha lá, e a proximidade vale dinheiro, pago ao ayuntamiento (a câmara municipal) sob a forma de impostos pelas empresas proprietárias - a Iberdrola, a Endesa e a Unión Fenosa - e, como compensação pelos seus resíduos, pela Enresa, a empresa pública espanhola que gere essa parte.

"A central é a nossa riqueza", resume David Martín, de 23 anos. "Se fecha, voltamos aos tempos de antigamente, aos trabalhos no campo, e os jovens acabam por se ir embora, como acontece noutros sítios, porque não há mais nada para fazer", afirma, convicto.

David nasceu em Almaraz, formou-se como técnico de ambiente, mas nunca pensou em trabalhar na central, como muitos dos seus amigos. Trabalha na empresa do pai, o café Portugal, que é também restaurante e residencial. "Foi a escolha natural", diz com simplicidade. O nome do café, esse, tem a mais prosaica das explicações: "Está na estrada que vai para Portugal, é por isso."

Quando não está atrás do balcão ou a levar cervejas e bocadillos para as mesas, David junta-se aos amigos, rapazes e raparigas, que se reúnem todas as tardes ali no café. Jogam às cartas, bebem cerveja pela garrafa, conversam, vão ao Facebook no telemóvel, riem alto, namoram. São jovens de Almaraz, mas podiam estar em qualquer outro sítio de Espanha, de Portugal ou da Europa.

Quando se lhes pergunta se querem falar sobre a central nuclear, não se acanham. Têm há muito uma opinião formada e gostam de defender a sua dama. São a favor de tudo: da central, da construção do novo armazém de resíduos, do prolongamento da vida daquela instalação a partir de 2020.

"Lá porque houve autorização para construir o ATI, não quer dizer que se vá prolongar a sua operação, ainda não está decidido", clarifica André, de 25 anos, que trabalha lá há dois. Ele é um dos 30 bombeiros que garantem a segurança contra incêndios dentro das instalações nucleares e não podia estar mais satisfeito. "Somos grupos de cinco, fazemos turnos de oito horas cada, para estarmos lá em permanência, e rodamos. Umas vezes estou de dia, outras de noite.".

A garantia de trabalho "é uma grande tranquilidade", diz. "Se não tens trabalho, não podes ter uma família." E ele, um dia, tem a certeza, vai "querer ter filhos". Por isso, não tem dúvidas de que "seria muito bom" que a central continuasse a funcionar ainda muitos mais anos. Mas não é um risco, um equipamento nuclear, assim envelhecido, a trabalhar?

A pergunta não o incomoda, ele tem resposta pronta. "Não", diz seguro. "A vida útil de uma central nuclear é de 60 anos, e não é perigoso porque se fazem revisões e se mudam peças para garantir a segurança."

"Optas por comprar um carro novo"

Jose Martin, de 51 anos, técnico de montagem e reparação de turbinas em centrais de produção de energia elétrica, incluindo nas nucleares, não está tão certo disso. Técnico de uma empresa espanhola que presta serviço em centrais térmicas, termossolares, eólicas e nucleares - "também já fiz serviços aqui, em Almaraz", conta - Jose está de férias, pelas festas dos Reis, e aproveita para dar um salto ao café. "Que se prolongue a vida da central, não sei se é boa ideia", diz, prudente. "Quando tens um carro velho e precisas de estar sempre a fazer reparações, também tens mais custos, e às tantas já não vale a pena, optas por comprar um carro novo."

A comparação serve-lhe para dizer que "era melhor construir novas centrais nucleares, modernas e mais seguras", porque, diz ele, "não sou pró-nuclear, mas também não sou contra". A eletricidade "é que não se inventa, é preciso produzi-la". E os resíduos? "Sim, é um ponto negativo, mas qual é a tecnologia que não tem coisas negativas?"

Apesar da imagem do carro velho que ele próprio sugeriu, Almaraz não lhe causa receios. Já esteve lá dentro, e de muitas outras, em França, na Alemanha, na Bélgica. Trata aquilo por tu. "No outro dia passei aí por um grupo de velhotes que estavam a jogar a petanca no parque [jogo com bolas, em que o objetivo é atirar a bola e chegar o mais próximo possível de uma outra, de madeira], e vi-os satisfeitos, de boa saúde, então a central não pode estar tão mal assim", diz a rir. "E se houvesse um acidente, tanto dava estar aqui, como em Madrid, ou em Lisboa", sublinha, filosófico.

Seja como for, Jose acredita que estas questões deveriam ser debatidas abertamente em Espanha e, na sua opinião, as energias alternativas "ainda vão crescer muito, sobretudo a termossolar", que lhe parece "a melhor de todas". Mas "era preciso que se investisse mais".

Nesse ponto, está de acordo com os que defendem a aposta nas energias limpas, como é o caso de Jose María González Mazón, que toda a gente conhece por Chema. Mas Chema sabe muito bem qual é o seu lado da barricada: é contra a central desde o primeiro dia - desde o tempo dos sóis amarelos que diziam "Nuclear? Não obrigado", que marcaram uma época - e nunca deixou de ser um incansável ativista.

Professor na Escola de Formação Agrária, perto de Navalmoral de La Mata, a menos de 20 quilómetros da central, Chema González é porta-voz do FEAN, o Foro Extremeño Anti-nuclear, e um dos membros locais da Adenex, a Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura. Por isso conhece bem todo o historial de Almaraz, "e dos seus muitos incidentes", e não tem dúvidas de que a autorização para a construção do ATI tem por objetivo o prolongamento da vida da central.

"Fizemos as contas com os números oficiais da Enresa, e verificámos que as instalações que existem são suficientes para armazenar todos os resíduos que vão ser produzidos até final de 2020", explica. "A conclusão só pode ser que as empresas proprietárias da central vão pedir o prolongamento, e o PP [Partido Popular] também já o disse claramente", garante.

Um complexo xadrez político

Barba branca, gorro de lã na cabeça, um brilho no olhar, Chema parece que não se cansa nunca, nem perde a boa disposição. Nem mesmo quando admite que é difícil antecipar o que acontecerá depois de 2020. Mas, diz, "o futuro não está escrito" e, no imediato, há coisas a fazer. "Vamos interpor recurso no tribunal para travar a construção do ATI, temos até ao dia 28 de janeiro para o fazer, o nosso advogado já está a tratar do processo."

Um dos fundamentos da ação "é o de que Portugal não foi ouvido, o que viola a legislação europeia, por causa dos potenciais impactos fronteiriços", explica Chema. "Mas Portugal também tem de se queixar a Bruxelas, é importante que faça reconhecer formalmente a sua posição nas instâncias internacionais", repete, mais do que uma vez.

Noutra frente, o FEAN e a Adenex estão também a apostar numa ação mais política, a reunir com os partidos, a apresentar-lhes as contas que fizeram e um calendário para encerrar todas as centrais nucleares de Espanha, a começar por Almaraz, a 8 de junho de 2020, a "fazer-lhes ver o erro que é construir o ATI".

"Estamos confiantes", garante. Um dos argumentos a favor do fecho da central, além dos riscos que uma instalação nuclear envelhecida comporta, é o de que "isso não implica mais desemprego na região, porque o seu desmantelamento leva mais de 20 anos e exige que a maioria dos trabalhadores permaneça em funções, para fazer esses trabalhos", sublinha.

Almaraz, emprega cerca de 400 pessoas em permanência e, a cada oito meses, quando para durante 30 dias para limpezas e substituição de combustível, contrata por um ordenado que pode ultrapassar muito os três mil euros, só para aquele curto período, mais duas mil pessoas temporárias, para fazer esses trabalhos. "Há quem esteja desempregado e aproveite esse mês para conseguir aquele dinheiro", conta Chema.

É por causa disso que as coisas se embrulham quando se fala em fechar a central, reconhece, por seu lado, Jesus Jimenez, agricultor, sindicalista e antigo autarca, pelo PSOE (Partido Socialista Obrero Español), de Guizo de Santa Barbara, um município na serra, a 900 metros de altitude, e a 38 quilómetros de Almaraz. "É difícil, a central dá emprego a muita gente", diz, prudente, este dirigente regional da Unión de Pequeños Agricultores. Ele próprio "não é a favor, nem contra", defende, acima de tudo, um debate. "Eu não tenho dados suficientes para ter uma opinião definitiva sobre o ATI, ou sobre o fecho de Almaraz. Sou agricultor, não sou técnico", escuda-se.

Chema também reconhece que o trabalho local com os partidos não é fácil. E dá um exemplo: "Apesar de o PSOE já ter criticado publicamente a construção do ATI, os alcaides [presidentes de câmara] aqui da região que são do PSOE não se atrevem a fazê-lo, porque em alguns casos parte dos seus munícipes trabalham na central." É a sua visão, claro, mas não está só na sua leitura. Jesus Jimenez é da mesma opinião: "Todos se calam", diz, com o sorriso irónico de quem sabe bem do que fala.

O que é certo é que a Junta da Extremadura, o governo regional, que é liderado pelo PSOE, já criticou a autorização do governo central espanhol para a construção do ATI em Almaraz. Pela voz do seu conselheiro da Economia e Infraestruturas, Jose Luis Navarro, a Junta da Extremadura diz que a construção "é desnecessária", e também que Portugal devia ter sido ouvido. "Esperamos que pelo bem de todos, e porque existe a vontade, que se mude esta situação e se cumpra a lei", disse Navarro, citado na imprensa espanhola.

O DN tentou falar com vários alcaides da região: de Almaraz (PP), de Navalmoral de la Mata (PSOE), de Talayuela (PP), mas as festas dos Reis, que nestes dias quase param Espanha, não permitiram os encontros, nem com um porta-voz da central. Essa foi, pelo menos, a explicação dada.

"As carpas, aqui, picam mais"

Em Talayuela, que dista mais de 20 quilómetros de Almaraz, e que por causa disso já não tem direito às compensações económicas que a empresa gestora dos resíduos paga aos ayuntamientos das povoações num raio de 15 quilómetros da instalação nuclear, tudo parece correr sem grandes pressas.

Nesta localidade com cerca de cinco mil habitantes também há quem trabalhe na central, como acontece com o noivo de María, de 21 anos, que estuda enfermagem e que encara o nuclear com toda a bonomia. "Apanhas mais radiações a tirar uma radiografia do que vivendo aqui durante muitos anos", diz ela, pragmática, enquanto passeia Luca, o filho de 4 meses. O nuclear não lhe mete medo. Aqui, em Talayuela, vive-se sobretudo do cultivo do tabaco que se faz na região e, se os tempos da construção da central foram áureos, porque isso "deu emprego a muita gente e ajudou a desenvolver a terra", como lembra Aurelio Barriga, que se tornou motorista e empresário na década de 1970, para fazer o transporte dos muitos milhares de trabalhadores que ergueram a instalação, agora, a central "já não risca ali quase nada", garante Aurelio. Talvez por isso, também, "não é tema de conversas entre as pessoas", diz. "Aqui não se fala disso. A central está lá, e nós estamos cá", acrescenta, entre duas fumaças no seu charuto.

Há quem não seja dessa opinião. Florencia, de 62 anos, mora ali, na Calle Manel Mas, que é pegada à igreja, e enquanto se ocupa da lavagem das janelas vai desfiando preocupações. "Há por aí muitos cancros, não é normal haver 20 cancros num só ano, numa terra com tão pouca gente." Por isso, se a central continuar a funcionar após 2020, tenciona protestar, juntar-se "às manifestações, se os outros também saírem à rua".

Lá em baixo, no vale, na margem da albufeira de águas mansas que a barragem de Arrocampo criou naquele troço espanhol do Tejo, a central nuclear prossegue a sua laboração, para já, até 2020, produzindo cerca de 7% da energia elétrica consumida em Espanha.

O lago artificial, rodeado de arvoredo que acolhe uma grande diversidade de aves - há por ali garças brancas e reais, gansos-bravos, piscos de várias cores - serve o sistema de refrigeração dos dois reatores. A água entra fria e sai quente, a mais de 22 ou 23 graus Celsius e, por causa disso, ali "a carpa pica mais", como dizem os muitos pescadores que vão deitar a linha. Di-lo também Ángel, de 47 anos, que veio de Madrid com os dois filhos, de propósito para pescar ali. Xavier e Miguel, de 10 e 13 anos, estão encantados, porque a carpa pica mesmo, e eles não param de tirar grandes peixes da albufeira. Depois, claro, vai tudo para a água, ninguém os come. "Não confio", diz Ángel, prudente. "Sei lá se tem radiação."



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O ser vivo mais antigo de Portugal

O ser vivo mais antigo de Portugal, encontra-se no Algarve, perto da Cidade de Tavira.

No Aldeamento Turístico Pedras d'el Rei


TEM MAIS DE 2000 ANOS !!!!!



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Julga-se que foram os Fenícios que terão trazido da Mesopotâmia.

É enorme, com cerca de 7,70m de altura e uma envergadura de 10m por 11,80m.



A Oliveira Bimilenária, considerada o ser vivo mais antigo de Portugal.

No seu interior encontra-se uma “sala” circular com 1,30m de diâmetro.


portugaldeantigamente.blogs.sapo.pt

Os empregos que pagam melhor assim que se sai da universidade












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Os fins de semana prolongados e as pontes de 2017

O calendário vai ser amigo dos trabalhadores em 2017: há pelo menos três possibilidades para fazer ponte e uma mão cheia de fins-de-semana prolongados.

O número de feriados nacionais não muda: são 13 (um deles já foi, 1 de Janeiro), por isso o que conta é tentar jogar com pontes e fins-de-semana para ter mais uns dias de lazer, quem sabe com miniférias a acompanhar.

Curiosamente, apenas três meses do ano não vão ter feriados (Março, Julho e Setembro); o Carnaval (feriado móvel) em 2017, será a 28 de Fevereiro, como sempre, a uma terça. Neste campo, temos ainda a Páscoa, que será a 16 de Abril.
Em relação aos Santos Populares (feriados municipais), só quem está nos concelhos onde se comemora o Santo António e o São Pedro é que pode começar a fazer ponte: o dia 13 de Junho calha a uma terça-feira e o 29 de Junho a uma Quinta. No Porto, onde se festeja o São João, não há muita margem de manobra: 24 de Junho é a um Sábado.

As pontes de 2017

25 de Abril – Pode começar a apontar as primeiras miniférias do ano para a semana do 25 de Abril. O Dia da Liberdade comemora-se a uma terça-feira, pelo que dia 24 poderá ser aproveitado para ligar ao fim-de-semana de 22 e 23 para uma pequena viagem.
Corpo de Deus – Este feriado de Junho, que leva a organização de várias procissões em todos os distritos do País, festeja-se dia 15, uma quinta-feita. Podem ser mais quatro dias de descanso ou uma espécie de antecâmara para as férias de Verão.
Assunção de Nossa Senhora – O dia em que, segundo o catolicismo romano, a Virgem Maria, «tendo completado o curso de sua vida terrestre, foi assumida, de corpo e alma, na glória celeste», calha, este ano, a uma terça-feira (15 de Agosto). Ou seja, vai ser a altura ideal para muitos portugueses poderem prolongar as férias de Verão por mais dois dias.
Implantação da República – O segundo feriado civil a prometer ponte será a 5 de Outubro, uma quinta-feira.

Os fins-de-semana prolongados de 2017

Vamos ter de esperar até Dezembro para ter três fins-de-semana prolongados. Antes disso só vai haver um: o primeiro de Maio, Dia do Trabalhador, é a uma segunda-feira. Assim, no último mês do ano, o programa das festas é o seguinte:
Os feriados de 1 (Restauração da Independência) e 8 de Dezembro (Imaculada Conceição) calham, ambos, em sextas-feiras e em semanas consecutivas. Bem conversado com a entidade patronal, ainda dá para por uns dias de férias nos quatro dias úteis que os separam.
O Natal e o Dia de Ano Novo (se bem que este já seja no ano de 2018) serão em segundas-feiras. Mais dois fins-de-semana prolongados, portanto, a que se pode juntar uma tolerância de ponto a 23 ou 26 de Dezembro.

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A NOTA “FACE AO FALECIMENTO DO DR. MÁRIO SOARES” E O QUE PARA AÍ VAI…


Contava manter-me no recato. O meu Partido, em nota contida, possível de ser dividida em três partes, está a dar que falar.
No facebook um post entra em choque e tem já mais de uma centena de likes e dezenas de comentários. Escreve o chocado:
Das coisas que reterei na memória. A falta de grandeza da nota do secretariado do CC do PCP «Face ao falecimento do Dr. Mário Soares»: extemporaneamente ressabiada e sectária, inútil e inoportuna.
Vamos por partes, às três partes da nota:
Primeira – A parte das condolências: “O Partido Comunista Português, face ao falecimento do Dr. Mário Soares já apresentou directamente ao Partido Socialista e à família as suas condolências.” esta parte dá conta de que o PCP fez o que sentiu que devia ter feito, antes de vir a público
Segunda – A parte do elogio póstumo que lhe achou devido: “Mário Soares, fundador do Partido Socialista, seu Secretário-geral, personalidade relevante da vida política nacional, participante no combate à ditadura fascista, no apoio aos presos políticos, desempenhou após o 25 de Abril os mais altos cargos políticos, designadamente como Primeiro-Ministro, como Presidente da República e membro do Conselho de Estado.”   
Terceira – A parte em que separa o elogiado da sua intervenção politica: “Lembrando o seu passado de antifascista, o PCP regista as profundas e conhecidas divergências que marcaram as relações do PCP com o Dr. Mário Soares, designadamente pelo seu papel destacado no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e às suas conquistas, incluindo a soberania nacional.”
Tivesse o Secretariado do CC do PCP entrado nos detalhes do combate de Soares ao “rumo emancipador da Revolução de Abril” então sim, nesse contexto, a nota seria excessiva (ou talvez não).
Via: CONVERSA AVINAGRADA http://bit.ly/2iXJbaH