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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

dinheiro


Família de Hitler e seus descendentes hoje


Hitler e Eva Braun, sua futura esposa, com quem se casaria, segundo relato, pouco antes da capitulação frente aos aliados
Um assunto bastante curioso e interessante, porém, pouco e até mesmo delicado de se tratar é a questão da família de Hitler e seus descendentes no contexto do pós guerra. Evitado tanto pelo lado daqueles que lutaram contra a Alemanha Nacional-Socialista, quem sabe pelo fato de terem em cheque uma acusação de perseguição infundada e por isso mantenham interesses em ocultar certos segredos, quanto por aqueles que são e foram seus simpatizantes, talvez por falta de informação ou censura. 

Muitas foram e ainda são as especulações a cerca da origem do Chanceler alemão e sua descendência. Umas dizem que Hitler teria sangue judeu correndo e suas veias, vindas de seu avô (ou bisavô), ou que seria um membro família Rotschild (banqueiros judeus) ou mesmo que Hitler teria tido filhos e escondido tal fato da mídia, mas que porém, com a queda da Alemanha, os Aliados teriam mantido tais informações sobre controle...Importante mesmo é lembrar que dentro do campo das especulações, principalmente no que diz respeito a historiografia da Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler e o Nacional-Socialismo, encontrasse desde muito antes da guerra, um verdadeiro "Vale-Tudo" de informações e contra-informações utilizadas no intuito de desmoralizar e desmantelar o inimigo. Frutos disso, hoje em dia são não só a repugnante morbidez da historiografia oficial mas muitas teorias de conspiração que agitam sites de internet e livros de ficção cientifica ou com visões "acadêmicas" verdadeiramente esquizofrênicas.

Vamos ao que podemos hoje chamar de fatos: Adolf Hitler era filho de Klara Pölz e Alois Hiedler (ou Hüttler). Seu pai, que nascera com o sobrenome Schickgruber (materno), após comprovar a paternidade de Johann  Hiedler (ou Hüttler), seu verdadeiro pai, muda seu sobrenome para o do mesmo e casasse com Klara e por um erro de cartório ocorrido com o nome do esposo herda do marido, assim como ele próprio o sobrenome Hitler.
Árvore genealógica de Adolf Hitler

Fruto do casal são os seus 6 filhos: Gustav, Ida, Otto, Adolf, Edmund e Paula. Dos quais apenas Adolf, o quarto e Paula, a caçula sobreviveram até a idade adulta (coisa comum a época). Além deles, Alois, teve mais dois filhos de um casamento anterior: Angela (1883 - 1949) e Alois Jr. (1882 - 1956), seus dois meio-irmãos dos quais não deixaria de ter contato sempre que possível.

IRMÃ E MEIO-IRMÃOS
Paula Hitler (1896 - 1960)
Sua unica irmã legítima, Paula Hitler, nasceu em Hafeld, Áustria. Após a morte da mãe, Hitler concedeu a sua parte da pensão de órfão à irmã. Ela perdeu o contato com Adolf por muitos anos, incluindo a Primeira Guerra Mundial e o seguimento. Ela disse mais tarde que quando se voltaram a encontrar, na década de 1920, ela ficou surpresa e não o reconhecia, mas ficou encantada quando ele a levou às compras. A partir de 1929 ela só o via uma vez por ano, normalmente em grandes eventos nacionais ou do partido. Em 1936, ele pediu-lhe que ela mudasse o nome para Paula Wolf (alcunha de infância de Hitler, que ele tinha usado na década de 1920, incógnito). Adolf ofereceu-lhe apoio financeiro regular desde o início da década de 1930 até à sua morte em 1945.

Paula trabalhou como secretária num hospital militar até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Foi presa pelos Aliados em 1945, foi inquirida e libertada no início do ano seguinte. Ela disse não acreditar que o irmão dela era o responsável pelo Holocausto mas os agentes ignoraram isto considerando que era um ato de lealdade a Hitler. Depois de livre da custódia dos EUA, Paula voltou a Viena onde ela trabalhou em uma loja de artes. Em 1952 ela foi viver em Berchtesgaden, Alemanha, onde levou uma vida em isolamento num apartamento com dois quartos até à sua morte em 1 de Junho de 1960. Paula nunca se casou nem teve filhos. Há algumas evidências de que ela compartilhou com seu irmão fortes convicções nacionalistas, mas não era politicamente ativa. Paula foi sepultada em Berchtesgaden.

Somente seus meio irmãos tiveram filhos: Alois Hitler Jr, conheceu a irlandesa Bridget Dowling na RDS Arena. Fugiram para Londres e casaram em 3 de junho de 1910. O casal estabeleceu-se em Liverpool, onde o filho William Patrick nasceu em 1911. Estabeleceu-se com um pequeno restaurante em Dale Street, uma pensão na Parliament Street e um hotel no Mount Pleasant, mas todos estes empreendimentos falharam. Finalmente ele deixou sua família em maio de 1914 e retornou sozinho para o Império Alemão, para estabelecer-se no negócio de lâminas de barbear. Mas a Primeira Guerra Mundial eclodiu logo depois, isolando Alois na Alemanha e impossibilitando sua mulher e o filho de se juntarem a ele.

Alois Jr. casou-se então com outra mulher, Hedwig Heidemann (ou Hedwig Mickley) do qual gerou Heinrich "Heinz" Hitler. O ardil de Alois Hitler foi descoberto pelas autoridades alemãs e Alois foi processado por bigamia em 1924, mas absolvido devido à intervenção de Bridget em seu nome.

William Patrick ficou com Alois e sua nova família durante as suas primeiras viagens à Alemanha da República de Weimar, no final da década de 1920 e início da década de 1930. Em 1934 Alois estabeleceu um restaurante em Berlim, que tornou-se um local popular das Tropas de Assalto (SA). Alois conseguiu manter o restaurante funcionando durante toda a Segunda Guerra Mundial. No final da guerra foi preso pelos britânicos, mas liberado quando ficou claro que ele não tinha participado do regime de seu meio-irmão Adolf Hitler. Alois morreu de causas naturais, em 1956.

Angela Hitler, que depois se tornaria Angela Franziska Johanna Hammitzsch, e após casar-se com Leo Rudolf Raubal, se tornaria Angela Raubal, teve com seu marido dois filhos: Leo Rudolf Raubal Jr. (1906 - 1977), Elfriede e Angela "Geli" Raubal (1908 - 1931). Por muito tempo, Hitler fora acusado caluniosamente de ter uma relação amorosa com sua meia-sobrinha Geli e de ser o responsável por sua morte. Porém, tudo foi desmentido apenas depois da sua morte porque (segundo o historiador Werner Maser) Leo Jr. afirmou em 1967 que Hitler era "absolutamente inocente".


OS MEIO-SOBRINHOS

Leo Nasceu em Linz (Império Austro-Húngaro).Trabalhou em Salzburgo como professor de química. e visitava sua mãe de forma esporádica, quando morava em Berchtesgaden. 

Leo Raubal era, assim como seu primo mais novo, Heinz Hitler, mas ao contrário de William Patrick Hitler, um "sobrinho favorito do líder", e Hitler gostava de passar um tempo com eles.

Antes da guerra, tornou-se gerente da Siderúrgica Linz. Em outubro de 1939, foi convocado para a Luftwaffe e foi tenente do corpo de engenharia. Ele se parecia com Adolf Hitler e, por vezes, atuou como dublê de Hitler durante a guerra.

Leo Hitler Raubal Jr. Foi ferido em janeiro de 1943 durante a Batalha de Stalingrado, e Friedrich Paulus solicitou a Hitler um plano para evacuar Raubal para a Alemanha. Hitler se recusou e Raubal foi capturado pelos soviéticos em 31 de janeiro de 1943. Hitler deu ordens para verificar a possibilidade de uma troca de prisioneiros com os soviéticos com o filho de Josef Stalin, Yakov Dzhugashvili, que estava no cativeiro alemão desde 16 de julho de 1941. Stalin, que não gostava muito de Yakov se recusou a trocá-lo, seja por Raubal ou por Friedrich Paulus, e afirmou "guerra é guerra".

Raubal ficou detido em prisões de Moscou e foi libertado pelos soviéticos em 28 de setembro de 1955, e retornou para a Áustria. Viveu e trabalhou em Linz como professor. Faleceu durante um período de férias na Espanha e foi enterrado em 7 de setembro de 1977, em Linz. 

Leo Raubal Jr. teve um filho Pedro Raubal, nascido em 1931. Assim como seu irmão, Elfriede Raubal também teve um de nome Heiner Hochegger, nascido em 1945.

Quanto aos irmãos Heinz e William, filhos de Alois Hitler Jr. eram dois opostos. Heinrich "Heinz" Hitler (1920 - 1942), era filho do segundo casamento de seu pai. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, ingressou na Wehrmacht e serviu na Frente Oriental, onde foi capturado e morto na prisão em 1942.


Heinrich "Heinz" Hitler (1920 - 1942)

Ao contrário de seu meio-irmão, William Patrick Hitler, Heinz era um Nacional-Socialista. Ele participou de uma academia militar da elite SS, o Instituto Nacional de Educação Política (Napola) em Ballenstedt/Saxônia-Anhalt. Aspirando a ser um oficial, Heinz ingressou na Wehrmacht como um suboficial em 1941, e participou da invasão da União Soviética, a Operação Barbarossa. Em 10 de janeiro de 1942, foi capturado pelas forças soviéticas e enviado para a prisão militar de Butyrka em Moscovo, onde morreu com 21 anos, depois de vários dias de interrogatório e tortura.

William Patrick "Willy",viveu na Alemanha e no Reino Unido (onde nascera, ao contrário de Heinz).

Inicialmente tentou aproveitar a ascensão de Hitler, mas não conseguir o que eu esperava. Anos mais tarde, ele viajou com a mãe para os Estados Unidos, onde ele iria começar uma nova vida. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, ele serviu na Marinha dos Estados Unidos a serviço dos Aliados e lutou contra o seu próprio tio. Após o fim do conflito, o seu sobrenome foi apagado e adotou o  de Stuart-Houston. 

William viria a falecer em seu local de nascimento, Liverpool, não sem antes caluniar muito seu tio, em 1987. Ele teve três filhos: Alexander, Louis e Brian. 

OS PARENTES DE HITLER ATUALMENTE:

Recentemente uma revista francesa (a revista 'Paris Match') revelou que três familiares do chanceler alemão vivem atualmente nos EUA e nenhum deles tem filhos. Alexander, Louis e Brian vivem em Long Island e levam uma vida semelhante a de muitos norte-americanos. No entanto, vivem com o fardo de ter um dos nomes mais odiados no mundo: "Hitler". 

"Teria sido melhor se nós não fossemos descendentes de Hitler", disse Alexander Stuart-Houston  a um dos jornalistas da revista francesa.

O repórter perguntou-lhe se era verdade que a família de Adolf Hitler tinha feito um pacto para nunca mais ter filhos. "A única regra que temos", disse ele, é "não falar com os jornalistas". 

De acordo com David Gardner, autor de "O Último dos Hitlers", os irmãos nunca assinaram um acordo, mas a verdade é que nenhum é casado e não tem filhos.

Por sua vez, o escritor e historiador espanhol César Vidal lembra que, "atualmente, apenas cinco parentes (diretos, de sangue) de Hitler ainda estão vivos: Alexander, Louis e Brian e dois filhos de sua meia-irmã Angela, Peter Raubal e Heiner Hochegger. Peter Raubal agora é um engenheiro aposentado, sem intenção de perpetuar a raça. Algo semelhante acontece com Heiner Hochegger que nasceu em 1945 e não teve filhos", disse (os últimos dois já são idosos). 
osentinela-blog.blogspot.pt

ROSA PARKS: A MULHER QUE TRANSFORMOU UMA NAÇÃO E AJUDOU A ACABAR COM JIM CROW



No mês de novembro no Blogger do CNNC/BA foram homenageados algumas personalidades que combateram pela liberdade do povo preto em diversas do planeta. Nossa última homenageada foi uma grande mulher que mudou a vida dos africanos na diáspora nos Estados Unidos da América.
Rosa Louise McCauley nasceu no dia 4 de fevereiro de 1913 em Tuskegee no Alabama – Usa, filha do carpinteiro James McCauley e da professora Leona McCaule, os seus pais se separaram e aos dois anos de idade foi residir com a sua mãe na casa da avó materna em Pinel Level no Alabama, com uma saúde frágil sofrendo de amigdalite e de baixa estatura, aos 11 anos de idade foi matriculada em uma escola industrial para meninas (Miss White's School Girls) onde aprendeu a profissão de costureira, não tendo condições de ir para Alabama State Teachers College's High School realizar o ensino secundário, forçada a abandonar os estudos para cuidar da mãe que adoecera e seu irmão menor Sylvester foi trabalhar para ajudar no sustento da família.
Na Infância foi vítima de ataques da Ku Klux Klan(KKK), organização racista formada por brancos protestantes que queimavam as casas de bairros pretos e praticavam linchamentos, e viu a sua avó com uma espingarda na mão guardando a entrada da sua residência. Houve um período que negros eram linchados sem julgamento nos Estados Unidos e as fotos são de extrema crueldade, a qual não postarei nesta página, por serem de extrema violência e as denomino exemplos do holocausto preto.
Conhecedora e vítima diariamente da segregação racial, presenciou a escola industrial em que estudava queimada duas vezes por incendiários racistas e as professoras pretas constantemente humilhadas, a menina Rosa Louise sabia que teria de enfrentar o racismo e suas seqüelas.
Em 1932 casou-se com o barbeiro Raymond Parks, um jovem de pouca educação formal por causa da segregação racial, e sua mãe Gery Parks o orientou corretamente para a sobrevivência como preto no sistema racista americano. Rosa Parks foi importante no sustento da família, vendendo a sua força de trabalho como empregada doméstica e até como ajudante em hospital, o seu marido insistiu em que terminasse os estudos e ela concluiu o ensino secundário em 1933. Raymond foi um ativista da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), organização fundada em 12 de fevereiro de 1909 por diversas pessoas entre eles o panafricanista Du Bois e brancos anti-racistas para atuar contra a discriminação racial dentro dos Estados Unidos da América, neste ano de 2007 a NAACP decretou estado de emergência pelo aumento da violência contra a juventude preta.
Na década de 30, Rosa foi uma das primeiras ativista a protestar contra a acusação injusta imposta a nove jovens pretos acusados de estuprarem duas jovens brancas, caso conhecido nos Estados Unidos como Scottsboro Boys. 
Rosa Parks atuou na NACCP a partir de 1943, trabalhando de secretaria até 1957 e participando de diversas atividades pelos direitos civis.
Foi membro ativa da Igreja Metodista Episcopal Africana fundada em 1790 e antes da guerra de Secessão já possuía 20000 mil membros nos estados do norte, e enviou missionários para os estados do sul sendo a que mais combateu a segregação nos Estados Unidos antes e depois da guerra da secessão. Um dos salmos preferidos pela irmã Rosa Parks foi o salmo 23 que diz:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor de seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale das sombras da morte, não temerei mal algum, porque Tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor por longos dias."
Para que possamos compreendera a segregação na qual foi vítima é necessário conhecer um conjunto de leis conhecidas como Jim Crow nos estados sulistas e fronteiras dos Estados Unidos, executadas entre 1865 a 1965, que separava brancos e negros nas escolas, locais públicos, hospitais, transportes, etc. 
Jim Crow foi mais do que leis, tornando-se uma maneira de vida branca americana, regras e costumes, foi à legitimação do racismo anti-preto, tendo diversos tentáculos, especialmente nos meios de comunicação em massa. O termo Jim Crow surge de uma canção feita por um ator branco Thomas Dartmouth (TD) "Daddy" Rice imitando um negro, o qual dizia ser um idoso escravizado que andava com dificuldade ou um jovem preto estereotipado. Ele foi um menestrel que ridicularizava os pretos norte-americanos no século XIX e pintava o seu rosto de preto. Leia mais: http://www.ferris.edu/jimcrow/who.htm
A contribuição de muitas igrejas brancas foi fundamental nas elaborações dessas leis e muitos teólogos e pastores brancos ensinavam nas igrejas que os negros foram amaldiçoados por Deus e estas leis eram da vontade divina, baseadas na má interpretação da maldição de Cam.
Havia toda uma regra de condutas para serem obedecidas pela comunidade africana nos USA, entre elas, exemplificamos: Relações sexuais entre brancos e pretos destruiriam a América Branca; se um homem preto estendesse a sua mão para ajudar uma mulher branca poderia ser acusado de estupro; e em hipótese alguma o preto poderia dizer que um branco estava mentindo; nunca falar que era mais inteligente que um branco,e proibido de mostrar afetividade em público,um beijo entre um casal de pretos era considerado violação da lei, etc.. 
Algumas dessas leis proibiam o casamento inter-racial de uma pessoa branca com uma preta até a oitava geração; se um homem preto estivesse com uma mulher branca na mesma sala à noite no trabalho, ou um homem branco com uma mulher preta, seriam presos e condenados até 12 meses de prisão; escolas para crianças brancas e pretas eram separadas, lanchonetes, restaurantes, cinemas, banheiros, bebedouros, etc. Leia mais exemplo em: http://en.wikipedia.org/wiki/Jim_Crow_laws
Em 01 de dezembro de 1955 Rosa Parks recusou-se a ordem do motorista James Blake a ceder lugar a um homem branco dentro de um ônibus, este ato de “desobediência civil” a levou a ser presa e fichada criminalmente pela polícia, acusada de violação do capitulo 6, seção 11 do Código de Segregação racial de Montgomery e condenada a pagamento de multas e prisão domiciliar . Em quatro de dezembro de 1955 as igrejas pretas começaram a organizar o boicote o qual foi referendado no dia nove de dezembro quando líderes pretos se reuniram na Igreja Metodista de Zion e o Rev. Ralph David Abernathy sugeriu o nome "Montgomery Improvement Association" (MIA). Os membros foram eleitos e como presidente, um jovem ministro desconhecido da Dexter Avenue Baptist Church, Dr. Martin Luther King, Jr. As Igrejas Pretas lideraram a luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos.
Não foi o primeiro fato ocorrido, outras pessoas já haviam sido presas por se recusarem a se levantar para cederem lugares em transportes públicos aos brancos, mas esse ato teve conseqüências que mudaram a vida dos descendentes de africanos nos Estados Unidos. O incidente resultou no boicote aos ônibus em Montgomery que perdurou durante 382 dias e Rosa Parks disse em uma de muitas das suas entrevistas:
-Nós não temos quaisquer direitos civis. Era apenas uma questão de sobrevivência, de existência de um dia para o outro. Eu me lembro, quando ia dormir, de uma garotinha ouvindo a “Ku Klux Klan” rondando à noite, e ouvindo um linchamento, e com medo de que a casa viesse abaixo pelo fogo.Na mesma entrevista, ela citou sua longa convivência com o medo como a razão de sua intrepidez em decidir apelar para suas convicções, durante o boicote aos ônibus.
-“Eu não tinha qualquer espécie de medo e foi um alívio saber que eu não estava só.Racistas retaliaram o boicote aos ônibus com o terrorismo. Igrejas Pretas foram queimadas ou dinamitadas. A casa de Martin Luther King's foi bombardeada na madrugada do dia 30 de janeiro de 1956. No entanto, a comunidade preta organizou com o boicote, um dos maiores e mais bem sucedidos movimentos populares contra a segregação racial realizado por africanos na diáspora nos USA, que originou outros protestos, e que colocou King como um dos líderes à frente do Movimento dos Direitos Civis. O Pastor Martin Luther King Jr liderou Montgomery Improvement Association, resultando em lutas que forçaram o termino da segregação racial nos transportes públicos e no fim das leis Jim Crow, se tornando um dos principais nomes nos Estados Unidos na luta contra a segregação, árduo defensor do integracionismo na sociedade branca americana sendo os seus métodos e sonhos questionados por diversos militantes, como Malcolm X, Fred Hampton, Stokely Carmichael e muitos outros panafricanistas, mas, nunca retirado os méritos de suas ações em prol da liberdade do nosso povo.
Rosa Parks desempenhou um papel importante na internacionalização da sensibilização para a situação dos pretos e pretas americanos nas lutas pelos direitos civis. O boicote aos ônibus de Montgomery também foi a inspiração para boicote na cidade de Alexandria, Eastern Cape da África do Sul, que foi um dos principais eventos na radicalização da maioria preta daquele país, sob a liderança do Congresso Nacional Africano.
Após o boicote Rosa Parks foi perseguida perdendo o emprego e seu marido também tendo que ficar desempregado.
Teve uma vida de lutas e militância pelo povo preto, tendo o seu trabalho reconhecido e homenageada por diversas autoridades, ganhando a medalha do governo americano e faleceu no dia 24 de outubro aos 92 anos, cercada de amigos e deixando pelo seu exemplo a chama acessa para o povo preto.

cnncba.blogspot.pt

Os povos da ex-URSS


Miguel Urbano Rodrigues

Miguel Urbano Rodrigues

Não há precedente histórico para o Estado multinacional que foi criado na União Soviética apos a Revolução Russa de Outubro de 1917.

Os povos da ex-URSS
Finda a guerra civil, povos de 126 nacionalidades conviveram durante muitas décadas, quase sempre pacificamente, no vastíssimo espaço euroasiático soviético. Esses povos falavam 180 idiomas diferentes, de quatro famílias linguísticas.
Como foi possível?
As tentativas de explicação desse desafio à logica da História são muitas e contraditórias.
O gigantismo do país foi o desfecho de circunstâncias históricas que não eram previsíveis quando em Kiev, na Ucrânia, surgiu no seculo IX o principado de Rus, berço do futuro estado, criado –segundo a maioria dos historiadores- pelos varegos, escandinavos que ali chegaram descendo grandes rios.
A Rússia medieval teve como referência cultural e religiosa Bizâncio, a Roma do Oriente. Mas permaneceu um país atrasado no qual pequenos principados raramente se uniam para enfrentar os invasores estrangeiros. Estes vinham do oriente, nómadas asiáticos, e do ocidente, sobretudo a avançada para leste de povos germânicos.
No seculo XIII, os mongóis de Batu Khan destruíram a s principais cidades, de Moscovo a Kiev, numa orgia de barbárie. Esse povo de nómadas chegou para ficar.
Durante quase três seculos, os Kanatos dos príncipes gengiskanidas dominaram grande parte da Rússia, impondo pesados tributos às populações.
Não se fundiram com os russos. Na Ásia os mongóis e turcos da conquista diluíram-se, descaracterizaram-se no contacto com grandes civilizações. Na China sinizaram-se; na Pérsia tornaram-se muçulmanos. Na Rússia atrasada, a cultura e a religião ortodoxa não os atraíram; abraçaram o Islão.
Foi somente no seculo XVI que o czar Ivan IV, ao tomar Kazan, pôs fim ao senhorio da Horda de Ouro mongol.
Mas a herança genética dos invasores asiáticos foi profunda. Milhoes de russos descendem de um prolongado processo de mestiçagem.Os avós paternos do próprio Lenin eram calmucos , um povo turco mongol.
Sem acesso ao Báltico e ao Mar Negro, acossada a Ocidente pela Ordem Teutónica, por polacos e lituanos, e mais tarde pelos suecos, a sul pela Turquia, a Rússia iniciou a sua expansão para leste.
A imensidão siberiana era um território praticamente despovoado. Na época em que os russos avançaram para além dos Urales, o total de habitantes da Sibéria, segundo os demógrafos, rondaria os 300 000. A maioria, de origem turca, nomadizava .Eram tribos remanescentes das grandes invasões que na Alta Idade Média tinham avançado para a Europa, sobretudo a partir do Altai.
Os pioneiros russos, deslocando-se a pé, a cavalo, de barco ou de trenó consoante a estação, atingiram rapidamente o Ártico e em 1640 fundavam Irkutsk, e uma década depois a galopada conquistadora desembocava no Pacifico.
Mas o imperialismo russo somente assumiu contornos de politica de estado um seculo depois, com Pedro I, cognominado o Grande. É no reinado desse czar que a Rússia expulsa os suecos de Riga e do golfo da Finlândia, onde funda São Petersburgo. As guerras com a Turquia abrem-lhe simultaneamente o acesso ao Mar de Azov e ao Mar Negro. A Ucrânia, que estava quase toda sob ocupação polaca, é incorporada na Rússia.
A partir de meados do seculo XVIII, na época da czarina Catarina, a politica imperial altera- se profundamente.
As conquistas no Cáucaso, apos guerras contra a Turquia e a Pérsia, e posteriormente a ocupação do Cazaquistão em regime de protetorado, e a conquista dos emirados da Asia Central, densamente povoados por turcos e iranianos, motivaram atitudes diferenciadas. Na Arménia e na Geórgia, nações cristãs, os russos foram recebidos como libertadores.
Outra foi a atitude das populações no Azerbaijão, em pequenos estados do Cáucaso e nos emirados do Turquestão onde o Islão estava enraizado há mais de um milénio.
A administração russa adotou aí políticas de recorte colonial típico. Os colonos russos não se misturaram com os autóctones; instalaram-se em bairros diferentes. Os governadores imperiais permitiram que as autoridades locais permanecessem em funções e para os muçulmanos foram mantidas as leis islâmicas. Os emirados mantiveram uma autonomia fictícia até à Revolução de Outubro, que depôs os príncipes gengiskanidas.
Na brutalidade da repressão o colonialismo russo na Ásia Central apresentou semelhanças com o dos ingleses, franceses e portugueses na Africa subsaariana. A continuidade geográfica dos territórios anexados imprimiu-lhe porem características peculiares, diferentes do europeu, marcado pelo afastamento das colónias da metrópole europeia. Na Asia Central não se registou, porem, até ao final da II Guerra, uma política de russificação.
A queda da autocracia czarista levantou uma vaga de esperança nas populações não russas do império. Mas, apos a Revolução de Fevereiro, as mudanças foram mínimas com poucas exceções.
Na Europa as áreas ocidentais estavam aliás parcialmente ocupadas pelos alemães.
O quadro somente mudou com a Revolução de Outubro.
O Decreto sobre a Paz, de 26 de Outubro de 17, condenou todas as anexões realizadas pelas grandes potências europeias. E dias depois, a 2 de novembro, o Decreto sobre as nacionalidades definiu os princípios que a jovem república pretendia impor nas relações com as populações não russas. Incluíam o direito à autodeterminação dos povos que optassem pela independencia. Contrariando influentes membros do Comité Central, Lenin não se opôs à independência da Finlândia e à restauração da Polónia como estados soberanos.
Lenin via a URSS como uma união de republicas iguais na qual a Rússia teria os mesmos direitos que as outras. A sua preocupação com a questão nacional era tão grande que nos anos do exilio incumbiu Stalin de escrever um trabalho sobre o tema que foi posteriormente editado em livro*.
Lenin elogiou o ensaio de Stalin, mas as ideias de ambos sobre a questão nacional não coincidiam.
Nos países bálticos a situação era muito complexa. Surgiram três tendências antagónicas. A maioritária pronunciou-se pela independência. Uma minoria revolucionária bateu-se pela integração na União Soviética, e um sector da burguesia agrária pela ligação à Alemanha. A intervenção da esquadra britânica contribuiu decisivamente para a vitória dos partidários da independência. Nos três países, dois seculos de administração russa não tinham abalado as superestruturas culturais. A Estónia, fino- ugria, e a Letónia e a Lituânia, indo-europeias, mantinham os seus idiomas e o alfabeto latino.
No Cáucaso e na Asia Central a integração na Rússia revolucionária não foi imediata.
No Daguestão, na Chechénia, na Inguchia, terras muçulmanas, imperou o caos durante anos.
Em l918, apos a derrota da Turquia, tropas britânicas ocuparam o Azerbaijão,a Geórgia e a Arménia e reprimiram as forças revolucionárias favoráveis à Revolução de Outubro. Sob a proteção das baionetas inglesas, os países da Transcaucásia proclamaram a independência. Mas, quando os britânicos se retiraram, os comunistas tomaram o poder no Azerbaijão e em 1920 o país optou pela integração na Rússia soviética. Na Geórgia a situação permaneceu tensa durante o breve governo social-democrata que ali se instalou. Foi a intervenção do exército vermelho em 1921 que precedeu a adesão à Républica Russa.
Na Arménia, onde o sentimento nacional era muito forte, reforçado pelo genocídio dos arménios na Turquia, foi também a intervenção do exército vermelho em l921 que permitiu a criação de uma república soviética, pondo termo a uma prolongada guerra civil.
Mas Lenin tornou público o seu desacordo da repressão no Cáucaso, criticando com severidade os métodos ali aplicados por Stalin.
Na Ásia Central as populações muçulmanas festejaram a queda da autocracia czarista, mas em l918 a república socialista soviética do Turquestão teve uma existência breve, tal como as repúblicas de Bukhara e do Korassão.
A guerra civil foi ali prolongada e o almirante Koltchak, líder da contrarrevolução, chegou a controlar parte da Ásia Central.
Durante quase quatro anos imperou o caos na Região.
Somente quando a União Soviética foi criada em Dezembro de 1922, as populações do antigo Turquestão voltaram a viver em paz.
O processo de integração da Ucrânia na Rússia soviética foi talvez o mais traumático. Os nacionalistas de Petliura defenderam a criação de um Estado independente contra a opinião da minoria russófona do leste do país.Com a ocupação alemã a confusão aumentou. A Ucrânia foi um dos principais cenários da guerra civil entre os brancos e as forças revolucionárias, mas os bolcheviques venceram.
O RENASCIMENTO DOS NACIONALISMOS
Sucessivos governos da União Soviética afirmaram apos 1945 que a questão nacional tinha sido definitivamente resolvida.
Simulavam ignorar a realidade.
Durante a guerra, os alemães foram bem recebidos por uma parcela importante das populações bálticas. O mesmo ocorreu inicialmente na Ucrânia. Mais de 100 000 ucranianos lutaram contra a URSS, muitos nas SS nazis. E os guardas de muitos campos de concentração alemães eram ucranianos colaboracionistas.
É um fato que na Europa e na Ásia foi pacífico durante décadas o convívio da maioria russa com as minorias nacionais. Mas a conceção de Lenin, incorporada na Constituição da URSS, sobre a igualdade de direitos dos povos da União nunca foi respeitada. O que prevaleceu foi, na prática, a conceção do federalismo internacionalista de Stalin, hegemonizado pela Rússia.
homo soviéticus que deveria ser uma criação do socialismo não passou de aspiração.
No final da II guerra mundial, as feridas abertas por decisões de Stalin, incompatíveis com os princípios que regulamentavam a questão nacional, não estavam cicatrizadas.
A expulsão para a Ásia Central dos Tártaros da Crimeia, dos alemães do Volga e de alguns povos de origem turca, e a deportação para a Sibéria de milhares de bálticos deixou sequelas profundas nas minorias atingidas por essas medidas repressivas.
O renascimento do nacionalismo separatista no espaço soviético ficou transparente desde o início da perestroika. Contribuiu decisivamente para a desagregação da URSS.
Foi obviamente incentivado, e com frequência financiado, pelos EUA no âmbito de uma estratégia cuja meta era a destruição da União Soviética e a transformação da Rússia numa sociedade capitalista.
Mas o êxito dessa política foi muito facilitado pela atmosfera anti russa que persistia, adormecida, nas populações de muitas repúblicas.
Os países bálticos, onde havia fortes minorias russas, foram os primeiros a romper, optando pela independência. Em visita à Lituânia e Letónia no verão de 1989 chocou-me a vaga de anticomunismo. Funcionários dos Partidos locais elogiavam como «heróis» os dirigentes de direita da Republica anterior à II Guerra Mundial. Em Vilnius, Alguis Tchecuolis, um lituano que havia dirigido a Agencia Novosti em Lisboa, disse-me sem rodeios que era «anti leninista». À porta das igrejas, jovens colavam nas paredes cartazes antissoviéticos.
Tive a oportunidade de registar um grande mal-estar no Cáucaso e no Cazaquistão em l987 e 1989, quando o fracasso da perestroika já era identificável por visitantes comunistas como eu. Em Alma Ata,no Cazaquistão, onde meses antes manifestações anti russas tinham sido reprimidas pelas armas, um secretário do Partido minimizou em conversa comigo o significado dos protestos populares, atribuindo-os a hooligans, a marginais.
Em visitas ao Uzbequistão, impressionou-me a tenaz sobrevivência da cultura islâmica naquela república. E surpreendeu-me a ignorância de camaradas do Partido da história dos povos iranianos e turcos que ali tinham criado grandes civilizações cuja herança é identificável nas deslumbrantes mesquitas e medersas de Samarcanda, Khiva e Bukhara, património da humanidade. Alguns manuais de história soviéticos ignoravam mesmo o chamado renascimento timurida, o fascinante período de esplendor cultural na literatura, nas artes, na astronomia e na arquitetura, tornado possível pelos descendentes do conquistador turco Tamerlão.
Em jornadas inesquecíveis pelas províncias do Norte do Afeganistão e pelo Sul do Uzbequistão tive a oportunidade de verificar que a fronteira que ali separa dois estados iluminava uma realidade que me transportou a diferentes idades da Humanidade.
De ambos os lados daquela fronteira artificial, traçada no final do seculo XIX pelo Imperio Britânico e pelo Imperio Russo, vivem ainda povos irmãos que falam línguas turcas e iranianas. Mas enquanto no Uzbequistão me senti no Seculo XX, nos povoados misérrimos da Báctria e no Bandaquistao afegãos movimentei-me por vezes entre gentes que me transportavam pela imaginação ao seculo X.
Na outra margem do Amu Daria,não obstante as políticas discriminatórias de Stalin na Ásia Central, a revolução soviética ergueu grandes cidades, indústrias modernas, universidades de prestígio, e com a água dos grandes rios que descem do Pamir irrigou desertos, criando neles uma agricultura florescente.
Mas bastava atravessar a ponte que separa a Termez uzbeque da Hairaton afegã para contemplar uma sociedade onde uma mulher valia menos do que um camelo.
Não houve, insisto, política permanente de russificação na Ásia Central soviética. Era uma impossibilidade. Mas, apesar da fidelidade à cultura e às tradições muçulmanas, as Republicas da Ásia Central foram as ultimas a proclamar a independência. A rutura não foi aliás conflituosa, ao contrário das bálticas.
Nesses países, os dirigentes do Estado e do Partido exerciam o poder de uma forma autocrática, com punho de ferro, e temiam a transição para formas de governo de modelo ocidental. Muitos aliás sobreviveram à transição para o capitalismo, nomeadamente no Cazaquistão ( Nursultan Nezarbayev contiunuou a governar o país) e no Turquemenistão.
UMA DERROTA DA HUMANIDADE
Refletindo hoje sobre os acontecimentos da Ucrânia e a torrente de disparates venenosos que os media ocidentais divulgam sobre o que ali está a passar- se e o discursos anti russos de Obama e dos principais estadistas da União Europeia, sou levado à conclusão de que uma profunda ignorância da historia da Rússia e da URSS contribui para a aceitação pela maioria dos europeus e americanos das teses da propaganda anticomunista. Com poucas exceções, os sovietólogos ocidentais das grandes universidades continuam a apresentar a União Soviética como um estado monstruoso e o comunismo como uma aberração. Insistem em ver em Stalin um ditador sanguinário e em estabelecer paralelos com Hitler. Mas Lenin também é exorcizado.
A maioria dos Partidos Comunistas reagiu mal à desagregação da URSS e à instalação do capitalismo na Rússia. Traumatizados pela derrota do «modelo» que haviam defendido durante décadas, não demonstraram capacidade para dar uma resposta ideológica adequada à ofensiva dos inimigos da véspera. Muitos dirigentes dos PCs europeus e americanos (o dos EUA é hoje uma organização social democrata) participaram inclusive das campanhas de descrédito da URSS. Afirmam ainda lutar pelo socialismo, mas não convencem. Retomam velhas teses de Kautsky, Bauer e Bernstein. Adotando um conceito perverso de democracia, vulgarizado pelos sacerdotes do capital, chegam à aberração de admitir que um dia a humanidade chegará ao socialismo pela via parlamentar, através de reformas realizadas no âmbito das instituições criadas pela burguesia para lhe servirem os objetivos.
Como comunista, não duvido de que a Revolução de Outubro foi um dos maiores acontecimentos da História, na continuidade da Revolução Francesa de 1789, assinalando o caminhar do nosso Planeta para um mundo que responda a aspirações eternas do homem.
Creio também que os historiadores do futuro, superado o frenesi irracional do antisovietismo, refletirão com serenidade sobre a intervenção de Stalin na História do seculo XX. A sua personalidade nunca me atraiu. Mas esse distanciamento do homem não me impede de qualificar de deturpadoras da História as posições antagónicas daqueles que o condenam sem apelo como inimigo da Humanidade e dos que, numa perspetiva oposta, veem nele o genial estadista da Revolução que mudou o mundo.
Os crimes e erros de Stalin foram enormes e a URSS pagou por eles um preço altíssimo. Mas sendo inquestionável que lhe cabem pesadíssimas responsabilidades pelo rumo tomado pelo PCUS, e portanto pela derrota ali do socialismo, é também para mim evidente que Stalin foi um revolucionário que desempenhou um papel decisivo no esmagamento do III Reich nazi.
Para finalizar, reafirmo a convicção de que o desaparecimento da União Soviética foi uma tragédia para a Humanidade - acelerada pela traição de Gorbatchov e pela guerra não declarada do imperialismo norte-americano - e que, para tentarmos entender a Rússia contemporânea, é imprescindível um conhecimento mínimo da história dos povos que habitam o seu gigantesco território.
Vila Nova de Gaia e Serpa, março de 2014 e dezembro de 2016
*JVStalin, Obras, II Tomo,paginas 278 a 348, Editorial Vitória,Rio de Janeiro,1952.
O Ensaio de Stalin, intitulado «O Marxismo e a Questao Nacional», analisa sobretudo o tema a partir de opiniões dos austro marxistas Springer e Otto Bauer, de teses do Bund judaico,e dos problemas das nacionalidades do Cáucaso. É confuso e mal estruturado.

gz.diarioliberdade.org

Militar português dançou com guerrilheira das FARC e provoca indignação na Colômbia - Militar vai regressar a Portugal


Bailarico de passagem de ano motiva críticas das Nações Unidas. Vídeo da dança foi divulgado pela agência de notícias EFE.

VÍDEO

Um oficial das Forças Armadas Portuguesas, integrado numa missão de paz na Colômbia, foi filmado a dançar com uma guerrilheira das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC) na noite de passagem de ano.
O comportamento do militar, observador das Nações Unidas, foi alvo de críticas das Nações Unidas, revela o “Diário de Notícias” esta quinta-feira.
O caso envolveu dois militares da missão internacional – o outro era do Paraguai.
Um vídeo da dança foi divulgado pela agência de notícias espanhola EFE e está a motivar indignação na Colômbia.
É o primeiro incidente a envolver um português depois de António Guterres ter tomado posse como secretário-geral da organização
“Este comportamento é inapropriado e não reflecte os valores de profissionalismo e de imparcialidade da missão das Nações Unidas”, afirma o chefe da missão da ONU em Bogotá, citado pelo DN.
Contactado pela Renascença, o gabinete do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, responsável pela missão, afirma que ainda não houve qualquer contacto oficial por parte das Nações Unidas, pelo que este é tratado como um não assunto. De qualquer forma, o caso estará a ser analisado internamente.
A missão portuguesa na Colômbia, que tem como objectivo supervisionar o cessar-fogo acordado em Agosto de 2016, envolve outros sete militares. Começou em Dezembro e tem a duração prevista de um ano.



rr.sapo.pt

Karl Marx, o filósofo da revolução

O pensador alemão, um dos mais influentes de todos os tempos, investigou a mecânica do capitalismo e previu que o sistema seria superado pela emancipação dos trabalhadores



Karl Marx

A evolução do pensamento pedagógicoNuma de suas frases mais famosas, escrita em 1845, o pensador alemão Karl Marx (1818-1883) dizia que, até então, os filósofos haviam interpretado o mundo de várias maneiras. "Cabe agora transformá-lo", concluía. Coerentemente com essa idéia, durante sua vida combinou o estudo das ciências humanas com a militância revolucionária, criando um dos sistemas de idéias mais influentes da história. Direta ou indiretamente, a obra do filósofo alemão originou várias vertentes pedagógicas comprometidas com a mudança da sociedade (leia quadro na página 54). "A educação, para Marx, participa do processo de transformação das condições sociais, mas, ao mesmo tempo, é condicionada pelo processo", diz Leandro Konder, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

No século 20, o pensamento de Marx foi submetido a numerosas interpretações, agrupadas sob a classificação de "marxismo". Algumas sustentaram regimes políticos duradouros, como o comunismo soviético (1917-1991) e o chinês (em vigor desde 1949). Muitos governos comunistas entraram em colapso, por oposição popular, nas décadas de 1980 e 1990. Em recente pesquisa da rádio BBC, que mobilizou grande parte da imprensa inglesa, Marx foi eleito o filósofo mais importante de todos os tempos.

Luta de classes
Na base do pensamento de Marx está a idéia de que tudo se encontra em constante processo de mudança. O motor da mudança são os conflitos resultantes das contradições de uma mesma realidade. Para Marx, o conflito que explica a história é a luta de classes. Segundo o filósofo, as sociedades se estruturam de modo a promover os interesses da classe economicamente dominante. No capitalismo, a classe dominante é a burguesia; e aquela que vende sua força de trabalho e recebe apenas parte do valor que produz é o proletariado.

O marxismo prevê que o proletariado se libertará dos vínculos com as forças opressoras e, assim, dará origem a uma nova sociedade. Segundo Marx, o conflito de classes já havia sido responsável pelo surgimento do capitalismo, cujas raízes estariam nas contradições internas do feudalismo medieval. Em ambos os regimes (feudalismo e capitalismo), as forças econômicas tiveram papel central. "O moinho de vento nos dá uma sociedade com senhor feudal; o motor a vapor, uma sociedade com o capitalista industrial", escreveu Marx.

A obra de Marx reúne uma grande variedade de textos: reflexões curtas sobre questões políticas imediatas, estudos históricos, escritos militantes - como O Manifesto Comunista, parceria com Friedrich Engels - e trabalhos de grande fôlego, como sua obra-prima, O Capital, que só teve o primeiro de quatro volumes lançado antes de sua morte. A complexidade da obra de Marx, com suas constantes autocríticas e correções de rota, é responsável, em parte, pela variedade de interpretações feitas por seus seguidores.

Trabalho e alienação
Em O Capital, Marx realiza uma investigação profunda sobre o modo de produção capitalista e as condições de superá-lo, rumo a uma sociedade sem classes e na qual a propriedade privada seja extinta. Para Marx, as estruturas sociais e a própria organização do Estado estão diretamente ligadas ao funcionamento do capitalismo. Por isso, para o pensador, a idéia de revolução deve implicar mudanças radicais e globais, que rompam com todos os instrumentos de dominação da burguesia.

Marx abordou as relações capitalistas como fenômeno histórico, mutável e contraditório, trazendo em si impulsos de ruptura. Um desses impulsos resulta do processo de alienação a que o trabalhador é submetido, segundo o pensador. Por causa da divisão do trabalho - característica do industrialismo, em que cabe a cada um apenas uma pequena etapa da produção -, o empregado se aliena do processo total.

Além disso, o retorno da produção de cada homem é uma quantia de dinheiro, que, por sua vez, será trocada por produtos. O comércio seria uma engrenagem de trocas em que tudo - do trabalho ao dinheiro, das máquinas ao salário - tem valor de mercadoria, multiplicando o aspecto alienante.

Por outro lado, esse processo se dá à custa da concentração da propriedade por aqueles que empregam a mão-de-obra em troca de salário. As necessidades dos trabalhadores os levarão a buscar produtos fora de seu alcance. Isso os pressiona a querer romper com a própria alienação.

Um dos objetivos da revolução prevista por Marx é recuperar em todos os homens o pleno desenvolvimento intelectual, físico e técnico. É nesse sentido que a educação ganha ênfase no pensamento marxista. "A superação da alienação e da expropriação intelectual já está sendo feita, segundo Marx", diz Leandro Konder. "O processo atual se aceleraria com a revolução proletária para alcançar, afinal, as metas maiores na sociedade comunista."

Aprendizado para a mente, o corpo e as mãoes


Litografia do século 19 mostra metalúrgica

italiana: Marx aprovava ensino nas fábricas.Combater a alienação e a desumanização era, para Marx, a função social da educação. Para isso seria necessário aprender competências que são indispensáveis para a compreensão do mundo físico e social. O filósofo alertava para o risco de a escola ensinar conteúdos sujeitos a interpretações "de partido ou de classe". Ele valorizava a gratuidade da educação, mas não o atrelamento a políticas de Estado - o que equivaleria a subordinar o ensino à religião. Marx via na instrução das fábricas, criada pelo capitalismo, qualidades a ser aproveitadas para um ensino transformador - principalmente o rigor com que encarava o aprendizado para o trabalho. O mais importante, no entanto, seria ir contra a tendência "profissionalizante", que levava as escolas industriais a ensinar apenas o estritamente necessário para o exercício de determinada função. Marx entendia que a educação deveria ser ao mesmo tempo intelectual, física e técnica. Essa concepção, chamada de "onilateral" (múltipla), difere da visão de educação "integral" porque esta tem uma conotação moral e afetiva que, para Marx, não deveria ser trabalhada pela escola, mas por "outros adultos". O filósofo não chegou a fazer uma análise profunda da educação com base na teoria que ajudou a criar. Isso ficou para seguidores como o italiano Antonio Gramsci (1891-1937), o ucraniano Anton Makarenko (1888-1939) e a russa Nadia Krupskaia (1869-1939).

Biografia
Karl Marx nasceu em 1818 em Trier, sul da Alemanha (então Prússia). Seu pai, advogado, e sua mãe descendiam de judeus, mas haviam se convertido ao protestantismo. Estudou direito em Bonn e depois em Berlim, mas se interessou mais por filosofia e história. Na universidade, aproximou-se de grupos dedicados à política. Aos 23 anos, quando voltou a Trier, percebeu que não seria bem-vindo nos meios acadêmicos e passou a viver da venda de artigos. Em 1843, casou-se com a namorada de infância, Jenny von Westphalen. O casal se mudou para Paris, onde Marx aderiu à militância comunista, atraindo a atenção de Friedrich Engels, depois amigo e parceiro. Foi expulso de Paris em 1845, indo morar na Bélgica, de onde também seria deportado. Nos anos seguintes, se engajou cada vez mais na organização da política operária, o que despertou a ira de governos e da imprensa. A Justiça alemã o acusou de delito de imprensa e incitação à rebelião armada, mas ele foi absolvido nos dois casos. Expulso da Prússia e novamente da França, Marx se estabeleceu em Londres em 1849, onde viveu na miséria durante 15 anos, ajudado, quando possível, por Engels. Dois de seus quatro filhos morreram no período. O isolamento político terminou em 1864, com a fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (depois conhecida como Primeira Internacional Socialista), que o adotou como líder intelectual, após a derrota do anarquista Mikhail Bakunin. Em 1871, a eclosão da Comuna de Paris o tornou conhecido internacionalmente. Na última década de vida, sua militância tornou-se mais crítica e indireta. Marx morreu em 1883, em Londres.

Tempo de utopias e rebeliões na Europa



Militares cercam estátua de Napoleão
derrubada durante a Comuna de Paris:
Marx chega às ruas.

Marx viveu numa época em que a Europa se debatia em conflitos, tanto no campo das idéias como no das instituições. Já na universidade, as doutrinas socialistas e anarquistas se encontravam no centro das discussões dos grupos que Marx freqüentava. Alguns dos pensadores que então alimentavam as esperanças transformadoras dos estudantes hoje são chamados de "socialistas utópicos", como o britânico Robert Owen (1771-1858) e os franceses Charles Fourier (1772-1837) e Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865). Dois momentos da história européia foram vividos por Marx intensamente e tiveram importantes reflexos em sua obra: as revoltas antimonárquicas de 1848 - na Itália, na França, na Alemanha e na Áustria - e a Comuna de Paris, que, durante pouco mais de três meses em 1871, levou os operários ao poder, influenciados pelas idéias do próprio Marx. A insurreição acabou reprimida, com um saldo de 20 mil mortes, 38 mil prisões e 7 mil deportações.

Para pensar
A alienação de que fala Marx é conseqüência do afastamento entre os interesses do trabalhador e aquilo que ele produz. De modo mais amplo, trata-se também do abismo entre o que se aprende apenas para cumprir uma função no sistema de produção e uma formação que realmente ajude o ser humano a exercer suas potencialidades. Você já pensou se a educação, como é praticada a seu redor, procura dar condições ao aluno para que se desenvolva por inteiro ou se responde apenas a objetivos limitados pelas circunstâncias?
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