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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O JULGAMENTO DE JOSÉ DIOGO







Imagens do julgamento no tribunal de Tomar incluídas na reportagem “Portugal 74-75” de Joaquim Furtado, José Solano de Almeida, Cesário Borga e Isabel Silva Costa emitida pela RTP. 
Declarações do juiz Júlio Bento, de Tomar.

De entre os vários momentos históricos do verão quente de 1975, um ano depois do 25 de Abril, há um que aconteceu em Tomar. No dia 25 de julho de 1975 no tribunal de Tomar realizou-se o primeiro e único julgamento popular. Estava para ser julgado o trabalhador rural José Diogo autor do homicídio do seu patrão Columbano Líbano Monteiro. O crime aconteceu em 1974 no Alentejo.
O julgamento decorreu de forma atribulada conforme se vê nas imagens da época. Assalariados de Castro Verde, operários das empresas de Tomar e Lisboa e representantes da Associação de Ex-Presos Políticos Anti-Fascistas (AEPPA) invadiram o tribunal com cartazes e vozes de protesto. O julgamento judicial acabou por não acontecer porque o arguido não estava presente, tendo sido decidida a sua libertação com uma caução de 50 contos. Em substituição do julgamento “oficial” foi feito na escadaria do tribunal o primeiro e único julgamento popular em Portugal. Os presentes decidiram libertar José Diogo e condenar a título póstumo o proprietário Columbano Líbano Monteiro “pela opressão e exploração que exerceu sobre o povo”.

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