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domingo, 6 de agosto de 2017

Conheça a história do Holocausto brasileiro

Todo mundo estuda sobre as milhares de mortes de judeus, durante o Nazismo alemão, mas pouca gente conhece um dos episódios negros na história brasileira. Esse capítulo obscuro de nossa trajetória, aliás, aconteceu em Barbacena, em Minas Gerais, no início do século 20.
Tudo teve início quando a cidade recebeu um manicômio de grandes proporções, em 1903, que ficou conhecido como Colônia. Segundo contam, o lugar levou este nome por ter abrigado atos de crueldade parecidos com os que aconteceram na Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Há registros de que, pelo menos, 60 mil pessoas morreram nesse “hospital”.
Isso porque seus “pacientes” eram largados no pátio do hospício, sem roupas, sem água potável e com comida escassa. Á noite, devido a superlotação – que chegou a abrigar 5 mil pessoas de uma só vez, enquanto sua capacidade original era para 200 pacientes -, os internos eram reunidos às centenas, em quartos onde praticamente não existiam camas ou cobertores.


De acordo com o livro-reportagem de Daniela Arbex – recentemente lançado sob o título “Holocausto Brasileiro – Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil” -, o desespero nesse lugar era tamanho, que as pessoas se alimentavam com o que achavam, incluindo ratos e pombas vivas. Além disso, era comum o consumo de esgoto e da própria urina, devido à sede com a qual as pessoas eram obrigadas a conviver. Também não havia nenhuma privacidade e as necessidades fisiológicas eram feitas entre os demais, no meio do pátio, pelo menos até 1979.
Em média, 16 pessoas morriam todos os dias nesse lugar. Aliás, os administradores do hospício lucravam com a morte. Há indícios de que os corpos dos pacientes eram vendidos por até 600 mil reais para as universidades. Conforme a autora do livro, entre 1969 e 1980, em médi, 1853 corpos foram comercializados.
Além disso, eram comuns torturas e abusos (sexuais) aos internos. Camisas de força e choques elétricos também faziam parte da rotina, sem qualquer prescrição médica. Mas o pior de tudo é que nem sempre as pessoas que iam para o manicômio de Barbacena haviam realmente perdido a consciência. Registros mostram que adolescentes grávidas, pessoas perseguidas pelas autoridades da época e uma série de outros casos “indesejáveis” socialmente eram enviados ao hospital, onde quase todos acabaram sendo esquecidos até a morte.
A situação do lugar só foi descoberta em 1961, quando uma reportagem da extinta Revista Cruzeiro denunciou o hospício. Mas, na época, nada foi feito para mudar os costumes do lugar. Somente com a reforma psiquiátrica, já na década de 70, que as práticas do hospital foram sendo alteradas e humanizadas. Hoje ele continua aberto, mas em nada se parece com o lugar que um dia foi responsável pelo holocausto de milhares de brasileiros inocentes.
Veja, na galeria, algumas imagens que choraram na década de 60, quando o fotógrafo Luiz Alfredo, da Revista Cruzeiro, registrou a realidade do manicômio:

Você pode conhecer um pouco mais sobre essa triste história no documentário abaixo:

VÍDEO





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