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sábado, 15 de julho de 2017

Sino-americanos se rotulavam para não serem confundidos com os nipo-americanos, em 1941

Logo após o ataque da Marinha Imperial Japonesa à Frota do Pacífico da Marinha dos Estados Unidos, em Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, e a posterior declaração de guerra dos EUA contra o Japão, todos os japoneses residentes nos EUA -inclusive niseis e sanseis- passaram a ser odiados. Por outro lado, a Segunda Guerra Mundial trouxe mudanças importantes para a comunidade chinesa no país, que durante décadas foi vilipendiada na América, especialmente na Califórnia, o centro dos sentimentos anti-chineses dos EUA.

Sino-americanos se rotulavam para não serem confundidos com os nipo-americanos, em 1941
Helen Chan colocando um button de lapela em Sun Lum identificando-o como "chinês", para evitar ser confundido com japoneses.
Os chineses, inicialmente, foram para a Califórnia durante a Corrida do Ouro e, mais tarde, acabaram servindo de mão de obra barata para a construção da Estrada de Ferro Transcontinental, mas o sentimento público rapidamente se voltou contra eles. A competição por empregos e a depressão na década de 1870 levou a uma grande ação racista contra o povo chinês. Eventualmente, a imigração chinesa terminou com a Lei de Exclusão do Chinês, de 1882. Mas os chineses na América se viram uma minoria odiada e segregada em chinatowns. O ataque a Pearl Harbor mudou tudo isso.

Após Pearl Harbor as percepções da China e dos sino-americanos, de repente se transformaram. A China deixou de ser conhecida como "homem doente da Ásia" e passou a ser um aliado vital na guerra contra os japoneses. Em 1943, um congressista disse que, se não fosse pelo 7 de dezembro, os Estados Unidos nunca saberiam quão bons os sino-americanos eram.

Motivados pelo medo e pela indignação, os sino-americanos também tentaram distinguir-se o máximo possível dos japoneses e provar sua lealdade total ao esforço da guerra americana. Poucos dias depois de Pearl Harbor, o consulado chinês em San Francisco começou a emitir cartões de identificação, e os chineses começaram a usar buttons e crachás com frases como "eu sou chinês" neles. Com a esperança de provar sua lealdade aos Estados Unidos, além de qualquer dúvida, os periódicos chineses também adotaram a retórica inflamatória anti-japonesa e os epítetos raciais usados pela imprensa convencional.
Sino-americanos se rotulavam para não serem confundidos com os nipo-americanos, em 1941
Ruth Lee, uma recepcionista de um restaurante chinês, toma sol ao lado de uma bandeira chinesa, para que não seja confundida com uma japonesa. A bandeira mostrada na foto era da China nacionalista e hoje é a bandeira de Taiwan.
Embora houvesse algum sentimento de solidariedade pan-asiática, definitivamente não era norma. Os sino-americanos, alimentados pela raiva da agressão japonesa em seu país de origem, seu patriotismo americano e seu desejo de serem vistos como patriotas americanos foram, conscientemente ou não, cúmplices da perseguição de seus vizinhos japoneses.

A internação dos japoneses em campos de reassentamento foi mais ou menos ignorada pela comunidade chinesa, com exceção de alguns indivíduos. De fato, os periódicos chineses também participaram da divulgação da crença de que os nipo-americanos eram culpados de traição ou estavam ajudando o Japão em solo americano, como uma quinta coluna. No entanto, ironicamente, o 442º Regimento de Combate, composto por 14 mil homens, quase todos de origem nipônica, foi o mais condecorado de toda a história dos Estados Unidos, com mais de 18 mil condecorações de distinções ao mérito, sendo que 21 delas eram Medalhas de Honra -a máxima condecoração militar dos EUA-.

Na verdade, os campos de concentração japoneses apresentaram uma oportunidade para o avanço econômico e social para os sino-americanos. Os comerciantes chineses tomaram posse de empresas anteriormente japonesas. E quando os japoneses foram removidos de seus empregos agrícolas, a Secretaria do Trabalho dos Estados Unidos publicou um apelo aos chineses para substituí-los.
Sino-americanos se rotulavam para não serem confundidos com os nipo-americanos, em 1941
"Eu chinês, por favor, não japonês."
A Segunda Guerra Mundial foi uma oportunidade para os chineses ganharem posição econômica e social na sociedade americana dominante. Entretanto, a mudança nas percepções da América sobre os sino-americanos também deve ser lembrada como consequência de atitudes racistas voltadas para os nipo-americanos e o internamento subsequente de toda a etnia.

Mas tudo isso mudou rapidamente após a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos declararam outra guerra, desta vez ao comunismo. O poder, dado de repente aos chineses durante a guerra, foi igual e rapidamente retirado depois.

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