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quarta-feira, 5 de julho de 2017

No 75º aniversário do assassinato de Ferreira Soares




























Corria o dia de ontem e assinalava-se em Nogueira da Regedoura(Sta.Maria da Feira) mais uma sentida homenagem a Ferreira Soares, “Dr. Prata”, militante do PCP, assassinado a tiros de pistola-metralhadora no seu consultório.
Ferrreira Soares nasceu em 1903 em Viana do Castelo, tendo cursado Medicina na Universidade do Porto. Concluído o curso, exerceria a sua actividade clínica primeiro em Espinho e depois em Nogueira da Regedoura. Seria ainda reconhecido etnógrafo, crítico e contista.

Localizando Ferreira Soares, é preciso caracterizar a década de 30, é necessário relembrar, muito sumariamente que por essa altura se fortificava pelo país o regime fascista do Estado Novo, com o desmantelamento(pela repressão e pela desistência) de um conjunto significativo de estruturas de intervenção  política e social, a situação de miséria e pobreza em que viviam as classes populares e trabalhadoras(mortalidade infantil, fome, desemprego, analfabetismo, entre tantos outros dramas), e também um quadro internacional em que o fascismo e o nazismo avançam por quase toda a Europa. Note-se ainda que, também neste tempo o PCP atravessa um período marcado por diversas dificuldades que o debilitam muito.
Não obstante a aspereza da situação geral, os receios e muitas desistências, corajosamente Ferreira Soares desenvolverá uma intensa actividade revolucionária e militância, na unidade antifascista, com e pelo alargamento da influência do PCP, integrando o seu Comité Regional do Douro.
A actividade política que desenvolveu naquela época, acabou por ter o destino provável da perseguição e da semi-clandestinidade forçada em 1936, obrigando o “Dr. Prata” a deslocar-se para Nogueira da Regedoura.
Na região, sabia-se que Ferreira Soares, conhecedor da pobreza que grassava pelas populações, comummente e solidariamente prestava o seu auxílio médico graciosamente aos que não tinham qualquer condição para aceder à Saúde. Apenas cobrava a quem podia cobrar. Justamente, Ferreira Soares construíra o médico presente, o homem bom e comunista prestigiado.
Em 4 de Julho de 1942, a PVDE, com recurso a um falso ferimento de uma agente sua conseguiu introduzir-se em sua casa, que era também o seu consultório, e aí alvejou-o com 14 balas de pistola-metralhadora.
O assassinato, o desaparecimento físico de Ferreira Soares constituíram um momento de enorme consternação para o povo das redondezas, o seu enterro foi uma expressiva manifestação de dor, revolta e protesto daqueles que ele fraternalmente apoiara e pelos quais acabaria dando a sua própria vida.
Ferreira Soares, o “Dr. Prata”, pela sua intervenção, pelo seu exemplo, pela sua memória, é ainda hoje um força presente na luta dos democratas e dos comunistas.
Este artigo encontra-se em: Manifesto 74 http://bit.ly/2tq4fcD


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