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terça-feira, 4 de julho de 2017

INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA NA ASSEMBLEIA DE REPÚBLICA «Quando se apagarem os holofotes mediáticos não permitamos que se volte a cair no esquecimento»


Senhor Presidente,
Senhor Primeiro-Ministro
Senhoras e senhores Deputados
Perante a tragédia ocorrida com o incêndio florestal desencadeado em Pedrógão Grande, as nossas primeiras palavras são naturalmente de pesar e solidariedade para com as vítimas, as suas famílias e todos aqueles que no terreno têm dado e continuam a dar combate ao incêndio, a dar apoio às vítimas e a procurar minimizar o sofrimento de todos quantos foram atingidos pelos incêndios.
Populações, bombeiros, forças armadas, serviços e forças de segurança, serviços de saúde e de segurança social, estruturas públicas, associativas e de solidariedade que têm estado envolvidos no combate aos incêndios e no apoio às vítimas, todos merecem o nosso reconhecimento e solidariedade pela sua acção generosa e abnegada.
As proporções deste incêndio e a tragédia humana e social que provocou, quer com a perda de vidas quer com a destruição de recursos e bens, tornam o incêndio de Pedrógão Grande numa catástrofe de dimensões inéditas no nosso país.
Uma catástrofe que impõe, com urgência, uma resposta pronta e eficaz às vítimas mas que impõe igualmente, a breve prazo, o cabal esclarecimento de todas as circunstâncias em que o incêndio se desenvolveu com as consequências que são conhecidas.
É necessário concentrar atenções no apoio e assistência às vítimas e suas famílias, nos cuidados de saúde, na garantia de habitação, na recomposição das condições de subsistência daqueles que as perderam, na recuperação da normalidade do quotidiano das populações atingidas pelo incêndio.
A breve prazo, será preciso apurar integralmente as causas e circunstâncias em que este incêndio se desenvolveu ao ponto de ter povocado tamanha perda de vidas e destruição de recursos e bens. Não para repetir comissões, relatórios e recomendações mas para concretizar medidas e acções concretas que há muito estão identificadas como necessárias à prevenção dos fogos florestais.
Não é possível assistir a uma catástrofe como esta que temos pela frente sem nos questionarmos sobre as medidas que nunca saíram do papel ou as opções que foram tomadas em sentido contrário ao que deveria ter acontecido em matéria de ordenamento florestal e vigilância das florestas, de desagregação e extinção de serviços e estruturas públicas, de debilidades em infraestruturas estratégicas de telecomunicações e comunicações rodoviárias, de insuficiência de meios e condições de operacionalidade da protecção civil, de despovoamento do interior e abandono daquelas populações à sua sorte, de inacção perante a pressão dos interesses económicos sobre a exploração florestal que conduz à degradação das condições de vida das populações, ao desordenamento do espaço florestal e ao agravamento dos riscos de incêndio. Não é possível olhar para esta catásfrofe iludindo as consequências de anos de integração na União Europeia de submissão aos constrangimentos orçamentais e às suas políticas comuns.
A prioridade é do apoio e assistência às vítimas. Mas nenhuma destas questões pode ser deixada em aberto nas medidas que é preciso concretizar.
Da parte do PCP, reafirmamos o nosso sentimento de pesar e solidariedade e também o nosso empenhamento para que se avance decididamente nas medidas que há muito são necessárias para prevenir os incêndios florestais.
Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Quando se apagarem os holofote mediáticos não permitamos que se volte a cair no esquecimento.
Disse.

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