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quinta-feira, 13 de julho de 2017

É PÁ !!!!!!! - Centeno garante já ter metade do dinheiro que é preciso em 2018


Finanças pagam ao FMI com dinheiro emprestado pelo Santander Totta após o acordo dos swaps

O Estado português vai chegar ao final deste ano com 50% das necessidades brutas de financiamento cobertas por dinheiro que ficará de parte em forma de depósitos, garante a Agência da Dívida Pública (IGCP) numa nota enviada aos investidores.

De acordo com as contas da IGCP, que é diretamente tutelada pelo Ministério das Finanças, de Mário Centeno, em 2018 vai ser preciso arranjar nos mercados financeiros mais 12,2 mil milhões de euros para pagar várias coisas: o défice do Orçamento do Estado de 2018 (apesar de estar a diminuir, as receitas ainda não chegam para cobrir as despesas, é preciso tapar um desvio de 5 mil milhões de euros), injetar capital em empresas públicas, outras entidades e obrigações várias (cerca de 2,4 mil milhões) e amortizar dívida aos credores com Obrigações do Tesouro (estimadas em 7,2 mil milhões de euros).
    Os 4000 milhões que estão previstos pagar ao Fundo Monetário Internacional ainda não entram nestas contas porque os pagamentos antecipados ao FMI, um empréstimo mais caro do que todos os outros, dependem das "condições de mercado e da execução do plano de financiamento" da República.
    Ainda assim, a agência pública liderada por Cristina Casalinho considera que o próximo ano financeiro do Estado já se encontra confortavelmente almofadado. "O IGCP espera fechar este ano com uma posição de liquidez (excluindo colateral) [num fundo, os depósitos] próxima de 6,4 mil milhões de euros, em linha com o nível observado no final de 2015."

    Esse pé-de-meia é "suficiente para cobrir cerca de 50% das necessidades de financiamento de 2018, cuja projeção aponta para 12,2 mil milhões de euros excluindo pagamentos adicionais antecipados do empréstimo ao FMI".
    No relatório anual do IGCP, divulgado terça-feira, a gestora da dívida pública recorda que esta regra de acautelar metade das necessidades de fundos do ano seguinte está a ser rigorosamente cumprida (é assim desde que a troika começou a impor níveis de depósitos muito elevados) por razões de segurança, não vá acontecer algum imprevisto ou acidentes nos mercados de capitais, que são globais, que façam subir as taxas de juro para níveis incomportáveis, impossibilitando o financiamento do Estado português.
    "A estratégia de manutenção de uma maturidade média da dívida relativamente elevada e de saldos de Tesouraria [os tais depósitos] confortáveis tem permitido reduzir significativamente o risco de refinanciamento, indo de encontro aos objetivos definidos na Lei--quadro da dívida, no sentido de minimizar o risco de aceder ao mercado em períodos de maior volatilidade e, assim, conter os custos numa perspetiva intertemporal."
    "Em todo o caso, esta estratégia tem decorrido a par de uma trajetória sustentada de descida da taxa de juro implícita da dívida direta do Estado, que atingiu um novo mínimo histórico de 3,2% em 2016."
    No entanto, manter esta almofada de liquidez elevada, como acontece há já vários anos, tem também um custo. Ela conta para a dívida pública (que continua nuns elevadíssimos 130% do PIB) e alimenta a fatura dos juros, que supera os oito mil milhões de euros todos os anos.
    Ontem mesmo, o Tesouro foi de novo ao mercado financiar-se, emitindo mais mil milhões de euros em obrigações de longo e muito longo prazo, a 10 e 28 anos (ver infografia).
    Ter dinheiro fresco é fundamental tendo em conta a estratégia de pagamento rápido ao FMI, que é um credor muito mais caro. Depois dos mil milhões de euros ressarcidos a 30 de junho, o IGCP explica que vai precisar de ter mais 2,6 mil milhões para saldar junto do FMI "até final de agosto".
    Este plano de regularização junto do FMI no valor de 3,6 mil milhões de euros, diz a instituição, "será financiado por um novo empréstimo a 15 anos do Banco Santander, resultado do acordo extra-judicial sobre swaps, os contratos de cobertura de risco de taxas de juro, que envolvia este banco e empresas públicas de transporte.
    Além do crédito do Santander, o governo conta emitir "instrumentos adicionais de dívida de retalho", como certificados e outros produtos de poupança dirigidos às famílias para ajudar a pagar ao FMI.

    www.dn.pt

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