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terça-feira, 4 de julho de 2017

A verdadeira história do soldado Doss, que virou filme de Mel Gibson





Ele foi para a guerra sem armas, mas salvou 75 fuzileiros sem disparar um único tiro

Desmond Thomas Doss, um soldado do exército americano durante a Segunda Guerra Mundial, converteu-se no primeiro objetor de consciência -pessoas que seguem princípios religiosos, morais ou éticos que são incompatíveis com o serviço militar- a receber a Medalha de Honra por salvar mais de 75 soldados feridos pondo em risco sua própria vida.
Desmond Doss nasceu em 7 de fevereiro de 1919 em Lynchburg, no estado de Virginia (EUA). Seus pais, Tom e Bertha Doss, criaram-no sob a doutrina e as crenças da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Desde muito cedo, Desmond foi muito influenciado pela Bíblia, particularmente pelo mandamento de não matar. Em abril de 1942, Desmond foi recrutado pelo Exército dos Estados Unidos, o problema era que ele seguia se negando a portar uma arma; de modo que foi alistado como objetor de consciência (ainda que gostasse de dizer que era um “cooperador de consciência” e que desta forma poderia “servir a Deus e ao país”).
Inscrito ao Corpo Médico da 77ª Divisão de Infantaria, o estrito seguimento de seus ensinamentos religiosos, inclusive o respeito pelo sábado (shabat) como dia de repouso, lhe acarretaram contínuos deboches de seus colegas e atos de indisciplina ante seus comandos.
Em maio de 1945, no assalto anfíbio dos aliados à ilha de Ryukyu de Okinawa, um batalhão de fuzileiros navais foi enviado par tomar uma posição japonesa sobre um despenhadeiro de 120 metros. Depois de escalar aquela parede, foram recebidos por um intenso fogo inimigo. Desmond viu como seus colegas caíam como moscas e em vez de refugiar-se -como fizeram outros soldados- conseguiu retirar daquela ratoeira mais de 75 fuzileiros feridos, arrastando-os ou carregando um a um, para levá-los até a borda da escarpa desde onde seriam baixados com cordas.
desmond_doss_02
Durante vários dias continuou atendendo os feridos menosprezando o perigo que rodeava, até que em 21 de maio, próximo a Shuri, foi atingido nas pernas pela metralha de uma granada e quando estava a ponto de ser retirado em uma maca de campanha, Desmond viu outro soldado que estava pior do que ele e cedeu o lugar para que resgatassem seu colega. Foi então que recebeu um disparo em um braço que fraturou um osso. Sem poder ficar de pé, ferido em um braço e sem que ninguém pudesse ajudá-lo, quebrou sua promessa: pegou um fuzil e usou como tala no braço para poder se arrastar até o hospital de campanha. Até para os solados que antes se debochavam dele, Desmond se converteu em um símbolo de coragem e determinação.
Em outubro de 1945, Desmond Doss recebeu a Medalha de Honra das mãos do presidente Harry S. Truman durante uma cerimônia na Casa Branca. Ele retornou do Pacífico doente com tuberculose e, ainda que tenha sido tratado com antibióticos, perdeu um pulmão. Em 1970, devido a uma overdose acidental de antibióticos, ficou surdo. Viveu o resto de sua vida como um homem humilde e morreu com 87 anos, em 23 de março de 2006. Foi o protagonista do livro “O herói mais improvável” de 1967 e do documentário “O objetor de consciência” de 2004.
Desmond pouco antes de sua morte
Desmond pouco antes de sua morte
Agora a história de Desmond virou filme, que foi aplaudido de pé durante mais de 10 minutos. Dirigido por Mel Gibson, O filme chama-se “Até o Último Homem” (“Hacksaw Ridge”) e conta a história do soldado estadunidense Desmond Thomas Doss. Veja o trailer:

VÍDEO

painelpolitico.com

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