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terça-feira, 4 de julho de 2017

A “FÉ” (zada)


No meio da desgraça há sempre histórias de sobrevivência. Ou por pura sorte, ou por acção de actos heróicos de terceiros, ou por grande força física potencial pelo instinto de preservação da vida… há sempre quem vença situações que pareciam, a dado momento, desesperadas.
E ainda bem!
Honrem-se as vítimas e saúdem-se os que passaram pelo horror, mas sobreviveram.
Posto isto, aparecem sempre os “crentes” (apenas alguns ) que, do alto da sua ignorância passiva… uma ignorância tão espessa que nem percebe o quanto é arrogante, começam a contar histórias da carochinha… de como se dirigiram a “nossa senhora” (por exemplo) e ela as salvou.
E aqui é quando eu pergunto por que razão é que a religião, aliada à falta de cultura, produziu crentes tão sobranceiros na sua “fé” e tão estupidamente arrogantes e insensíveis.
A “senhora” salvou-as, a pedido… mas não salvou todas as outras pessoas que morreram, entre elas, muitas crianças… porque:
a) Não lhe apeteceu.
b) Só estas sobreviventes é que tinham a verdadeira fé… logo, quem não tinha, que ardesse no incêndio e no inferno.
c) As crianças que morreram, por qualquer razão que não fica esclarecida, tinham já mais pecados à sua conta nas suas curtíssimas vidas, do que estas beatas já bastante vividas, mas “crentes”… logo, morreram por uma qualquer espécie de castigo, ou pelo menos, desprezo “divino”.
… e a lista de hipóteses, cada vez mais desagradáveis e iconoclastas, poderia continuar por muito mais alíneas… mas acho que prefiro concentrar-me na hipótese mais óbvia:
É apenas a costumeira e medieval fézada… e a estranha convicção de que os “santos” e os “deuses” trabalham para uns e não para outros.

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