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domingo, 18 de junho de 2017

RATOEIRAS


Os arranha-céus que irromperam na modernidade dos anos 60 trouxeram à arquitectura momentos de opção estética revolucionária, é certo, mas igualmente pressupunham uma realização social amiga do homem, o que em boa verdade jamais contou com a minha compreensão artística, estética, social e humanista.
Se numa primeira fase terá existido um horizonte preocupado com um homem melhor instalado, cedo ficou patente que aqueles aglomerados colectivos dirigidos pela apoplexia “gótica” do capitalismo reluzente possuía as condições essenciais de futuras tragédias anunciadas.
O modo de “arrumar” os trabalhadores em caixotes sempre mais altos não pode augurar finais felizes, sendo conhecida de ginjeira a ânsia demolidora da construção capitalista. Fazer mais alto para o lucro ser maior; definir os materiais de construção para a obtenção mais alargada entre o investimento inicial a erigir e o resultado final da obtenção de rendas gordas; promessas programáticas de manutenção exigente, logo abandonadas, ou quase, após a assinatura comprometida dos futuros moradores, etc, etc.
Esta pequena reflexão que me acompanha desde há muito, veio a lume pelo dramatismo recente num destes caixotes, em Londres. A velocidade ciclópica do fogo e a ausência de resposta em tempo (pelo que ouvi a uma ou duas das infaustas pessoas envolvidas), reforça a minha convicção que o gosto subjectivo por estes monstrinhos deveria levar a repensar a proposta humanista de baixa drástica do tamanho destas construções pouco inteligentes, a meu ver. E perigosas!

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