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quarta-feira, 21 de junho de 2017

O BUFO REAL


O Bufo-Real (Bubo bubo)
O bufo-real pertence a uma família onde se incluem os mochos e as corujas, sendo a maior ave de rapina nocturna, com um comprimento que ronda os 70 cm, uma envergadura de cerca de 1,60/1,70 metros, pesando à volta de 2,5 kg, e com a particularidade de as fêmeas serem maiores do que os machos.
Possui uma longevidade significativa, oscilando entre os 10 e os 20 anos, e em cativeiro pode atingir a idade de 40 anos.
Distribui-se pela Europa, Ásia e Norte de África, habitando regiões com pouca ocupação humana, normalmente maciços montanhosos, encostas de serras, vales rochosos, falésias litorais, todas elas zonas com escarpas que lhes servem de abrigo.
É castanho na parte superior do corpo e amarelo ferrugíneo na inferior, apresentando uma plumagem com manchas que faz lembrar a coloração das cascas de árvores.
Possui dois grandes tufos de penas no alto da cabeça, não visíveis quando em voo, dois grandes olhos alaranjados, patas cobertas de penas e garras bastante fortes. A sua audição é excelente, o que lhe permite ouvir qualquer ruído e detectar facilmente as suas presas. O voo é rápido e silencioso, com batimentos pouco profundos, alternando o bater das asas com o planar, em especial em voos de observação, a pouca altura.
Em Portugal é mais comum nas zonas do interior - a faixa fronteiriça de Trás-os-Montes, Beiras interiores, Alentejo e Algarve, com as populações mais relevantes a localizarem-se nas bacias do Douro e Tejo internacionais, na bacia do Guadiana e serranias do Sul (Caldeirão) até ao barrocal algarvio. Não existe nos arquipélagos da Madeira e Açores.
As poderosas vocalizações do bufo-real marcam o território onde vive, sendo mais acentuadas nos meses de inverno, emitindo os seus chamamentos sobretudo ao anoitecer e ao amanhecer. É de difícil observação, raramente aparecendo de dia e sendo por isso mais facilmente ouvido do que visto, até porque o seu canto pode ser escutado num raio de 5 km.
Caça ao anoitecer. Geralmente alimenta-se de pequenas presas como ratos, coelhos, ouriços, patos, lebres, etc, podendo igualmente capturar animais de maior porte, como raposas, lontras e até outras aves de rapina, tornando-se assim um super predador importante nos ecossistemas onde habita, controlando de certa forma o número e densidade de outras espécies de predadores. Por outro lado, ajuda a manter estável o número de espécies-presa, como os roedores, contribuindo para evitar doenças e pragas.
O modo de caçar não é uniforme, podendo capturar as presas em campo aberto, numa perseguição silenciosa, ou esperá-las num poleiro, até que fiquem ao seu alcance. Em regra, o impacto mata-as instantaneamente, mas no caso das maiores, esmaga-lhes o crânio com as garras ou parte-lhes a coluna com o bico.
Por vezes é violentamente agredido por gaivotas e gralhas, que o atacam em bando.
É uma espécie monogâmica, sedentária, a relação do casal é permanente e ambos os progenitores cuidam das crias. O bufo-real dorme habitualmente em plataformas rochosas, bem como na parte superior de árvores, por vezes já secas, podendo ainda utilizar postes de electricidade ou telhados de construções em ruínas. Os membros de cada casal dormem, em regra, separados por algumas centenas de metros, mas durante a reprodução a fêmea dorme no ninho e o macho perto dele.
Nidifica por volta de Março/Abril, em cavidades de rochas ou de troncos de árvore, por vezes mesmo em edifícios antigos ou ocupando os ninhos de outras aves. Mantém-se fiel à área de nidificação durante vários anos. A postura é de 2 a 4 ovos, brancos, com um período de incubação de cerca de 5 semanas, período durante o qual a fêmea (no ninho) é alimentada pelo macho, situação que se mantém durante o primeiro mês após o nascimento das crias. Passado esse mês, estas começam a explorar a área exterior ao ninho, poucos dias depois já conseguem voar alguns metros, tornando-se por fim independentes e, com cerca de seis meses, abandonam o território dos pais. A maturidade sexual é atingida entre o segundo e o terceiro ano de vida.
Esta ave tem uma classificação de ‘quase ameaçada’, com um risco de extinção ainda reduzido, embora em regressão significativa nas últimas décadas. Em Portugal estima-se uma existência entre 200 a 500 casais. Como factores de ameaça mais relevantes, apontaremos os seguintes:
● A colisão e electrocussão em linhas de distribuição e transporte de energia (a utilização de apoios eléctricos como dormitório e poiso de caça é frequente);
● A perseguição humana - roubo e destruição de ninhos, abate a tiro, utilização de iscos envenenados, nomeadamente por ser considerada uma espécie ‘destruidora de caça’;
● A redução, por doença, das populações de coelhos (presa favorita);
● A redução dos habitats de nidificação e alimentação, devido à construção de infra-estruturas (barragens, parques eólicos, estradas);
● A alteração e mesmo o abandono de práticas agro-pecuárias tradicionais, originando a diminuição das populações de presas.
Como forma de contrariar estas ameaças, impõe-se conhecer melhor esta ave, através do incremento do seu estudo numa base científica. Só um maior conhecimento permitirá uma melhor defesa da espécie e um trabalho em bases sólidas visando a sua preservação.

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