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sexta-feira, 23 de junho de 2017

MEMÓRIA - Cândido de Oliveira, um resistente anti-fascista, preso no Tarrafal, jogador de futebol internacional, treinador, jornalista e personalidade maior do futebol português de sempre!


MEMÓRIA!


Cândido de Oliveira, um resistente anti-fascista, preso no Tarrafal, jogador de futebol internacional, treinador, jornalista e personalidade maior do futebol português de sempre! Homenagem no 56º aniversário da sua morte!
Cândido Fernandes Plácido de Oliveira nasceu em Fronteira e morreu em Estocolmo/Suécia a 23 de junho de 1958, com 61 anos, foi um jogador e treinador de futebol e jornalista desportivo português. O fascismo incluiu-o entre os presos que enviou para o Tarrafal.
Nascido nos confins do Alentejo entrou para a Casa Pia de Lisboa em junho de 1905, depois de ter ficado órfão e, desde muito cedo, revelou-se um amante do desporto e em especial do futebol, tornando-se jogador do Benfica em 1914, de onde sairia em 1920, para criar o Casa Pia Atlético Clube.
Era então um excelente médio centro, com grande capacidade de comando e de passe, que fizeram dele um dos melhores jogadores portugueses da altura, quando em 1920 em conjunto com um grupo de ex-alunos da Casa Pia, resolveu fundar o Casa Pia Atlético Clube, onde passou a jogar a partir daí, contribuindo para a conquista do título regional logo no primeiro ano de existência do Clube, do qual seria Presidente entre 1927 e 1928 e entre 1934 e 1936.
Cândido de Oliveira, o Mestre Cândido, foi um dos maiores responsáveis pelo aparecimento da Selecção Nacional de Futebol, de que viria a ser o primeiro «Capitão», no célebre jogo de Madrid em 1921.
Foi também várias vezes Seleccionador Nacional, participando nessa qualidade no primeiro grande feito do futebol português, com a excelente participação da nossa Selecção nos Jogos Olímpicos de 1928.
Cândido de Oliveira, democrata de integridade absoluta, assumiu-se como antifascista nos tenebrosos do nazismo, o que lhe valeu o desterro e prisão para o campo da morte lenta, o campo de concentração do Tarrafal, em 1942, onde esteve preso durante 18 meses, uma experiência terrível que relataria num livro que só seria publicado depois da Revolução de 1974.
Foi libertado em 1944 quando perante a eminente derrota da Alemanha na 2ª Guerra Mundial, o fascista Salazar sentiu o terreno a fugir-lhe debaixo dos pés.
Fundou, juntamente com Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo, o jornal "A Bola", que se tornaria numa referência do jornalismo em Portugal.
Em maio de 1946 assumiu o comando técnico do Sporting e logo nessa ponta final da época conquistou a Taça de Portugal.
Nas três épocas que se seguiram orientou a célebre equipa dos Cinco Violinos de que foi o grande obreiro, numa altura em que introduziu o famoso WM, ganhando mais uma Taça de Portugal e um tri-campeonato.
Em 1950 esteve no Brasil onde orientou o Flamengo, antes de regressar à Selecção Nacional, seguindo-se dois anos à frente do FC Porto e outros dois na Académica.
Faleceu em Estocolmo no dia 23 de junho de 1958 vítima de doença pulmonar, quando estava a cobrir o Campeonato Mundial para "A Bola".
Já se tinha sentido mal uns dias antes, chegando mesmo a receber assistência hospitalar, mas o seu espírito de missão fê-lo regressar aos estádios suecos e quando voltou ao hospital já era tarde.
Pelo seu papel no futebol português, foi dado o seu nome à Supertaça instituída pela Federação Portuguesa de Futebol.

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