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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Jerónimo faz novos avisos: Governo está a "andar mal"


O líder comunista voltou a criticar o comportamento do Executivo por "gorar expectativas justas" e se colar à direita em matéria de direitos laborais, desrespeitando até "o espírito e a letra da Constituição". Depois de, recentemente, recusar que o PCP seja "uma peninha no chapéu" de um próximo Governo PS e de afirmar que o próximo OE "não está no papo", Jerónimo de Sousa diz que não se pode "mandar foguetes pelo que já foi conseguido".


"São cada vez mais patentes as contradições do Governo que se pauta por orientações políticas de direita" nas questões “mais estruturantes” para o país. As palavras são de Jerónimo de Sousa e foram proferidas na sexta feira à noite. O momento era de apresentação dos cabeças de lista da CDU de Alpiarça para as próximas eleições autárquicas, mas o discurso foi todo dirigido para o atual momento político. Os avisos foram mais que muitos. As respostas aos problemas do País "continua muito limitada" e há ainda muito por fazer para "repor as condições de vida perdidas nos últimos anos". O líder comunista vê sinais de desvios de direita no Executivo de António Costa e aponta o dedo a uma matéria em particular: a defesa dos direitos dos trabalhadores,
Perante centenas de pessoas e no Largo das Águias, em Alpiarça, Jerónimo de Sousa retomou o tom das críticas que marcaram, quinta-feira, a entrevista dada à Antena 1. Na altura, o secretário geral do PCP disse que "o Governo corre o risco de frustrar as expectativas legítimas" dos portugueses, sendo certo que isso "é o pior que se pode fazer em política". Ontem à noite foi mais longe, considerando ser "uma preocupação e uma inquietação" para o seu partido aquilo que considera ser as "contradições cada vez mais patentes" na atuação do Executivo. Em causa está a falta da tomada de decisões "que se impunham para dar novos e mais decididos passos na reposição de rendimentos e direitos dos trabalhadores e das populações e para a concretização de novos avanços na solução dos problemas nacionais”.
Para Jerónimo de Sousa perante o muito que há para fazer, não se pode “mandar foguetes pelo que foi conseguido”. O entendimento parlamentar já dura há quase dois anos, mas os comunistas querem mais e garantias de que o PS não cai na tentação de desvios de direita. O principal foco de tensão são os direitos dos trabalhadores e a reversão de alterações feitas na legislação laboral no período da troika. O secretário-geral do PCP não tem dúvidas de que os direitos dos trabalhadores “são parte integrante de qualquer política de esquerda”, acusando o PS de andar “mal nesta matéria” ao “encostar-se ao PSD e ao CDS, desrespeitando assim o espírito e a letra da Constituição da República portuguesa”.
As críticas foram mais longe, com o líder do PCP a lamentar que se “peça paciência a uns”, quando se trata “de direitos, de salários, de reformas, de quem trabalha”, mas “se ache natural que outros se apresentem a reclamar milhões de euros de salários, como é o caso dos gestores do PSI 20”, que receberam “cerca de 855 mil euros, em média, em 2016, cada um”.
O líder comunista exemplificou ainda com o caso da EDP, que, “para lá das legítimas suspeitas de corrupção, que inevitavelmente a Justiça terá que investigar e julgar”, anda, “há anos, a sugar milhões” com os Custos de Manutenção de Equilíbrio Contratual (CMEC), uma “fraude” que o PCP “há muito tem denunciado e que só agora parece que alguns descobriram”.
“Temos feitos nos últimos anos propostas legislativas para pôr em causa tais mecanismos, mas foram sempre chumbadas pelas forças que têm estado no Governo”, disse.
O secretário-geral do PCP criticou ainda o Governo por “gorar expectativas justas” em matéria da precariedade ou em relação ao regime das reformas dos trabalhadores com longas carreiras contributivas ou ainda ao “atrasar a concretização de medidas concertadas, aprovadas no Orçamento do Estado” deste ano, como a redução do preço do gás da botija e a contratação de assistentes para as escolas.
Finalmente, Jerónimo de Sousa ironizou com os “comentadores da direita” que andam “preocupadíssimos: vejam lá – com o PCP”, porque “o PS está a por o PCP no bolso”. “Quem havia de dizer que tínhamos tantos amigos e não sabíamos”, disse, assegurando que o PCP, “mantendo toda a sua autonomia e independência, não virará as costas na procura de uma vida melhor para os trabalhadores e para o povo”.


expresso.sapo.pt

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