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quarta-feira, 21 de junho de 2017

FOGOS III - A ÁGUA, OS MEIOS AÉREOS E OS FOGOS



Compreende-se que perante os fogos ameaçadores, as populações desesperadas, e pessoas menos informadas, clamem por mais aviões, mais helicópteros, mais meios…
Mas, serão a água e os meios aéreos a solução miraculosa?
Combater um fogo é também conhecer a direcção dos ventos e para onde se vão encaminhar as chamas. O vento é resultado de diferenças de pressão atmosférica. A deslocação do ar faz-se das zonas de alta pressão para onde ela é inferior. A pressão tem uma relação directa com a temperatura: quanto maior a temperatura, menor a pressão atmosférica e vice-versa. Se se despeja água em cima do fogo, altera-se a temperatura e, como consequência disso, a direcção local do vento. Por isso, se ouve dizer tantas vezes que mudou a direcção do vento.
A operacionalidade dos helicópteros e dos aviões é condicionada pela orografia da região e pelas dimensões do fogo e do fumo que este provoca.
Os aviões pesados transportam mais água, os Canadair cerca de 5 mil litros, mas têm dificuldade de operar em vales apertados, e necessitam de espaços de água apropriados para enchimento. Se a distância ao local de enchimento é superior a 20 ou 30 km então será muito maior o intervalo de tempo para as descargas. Condicionantes das chamas e do fumo podem obrigar a que as descargas sejam feitas a maior altitude e quanto maior a distância ao solo, maiores são as perdas de água por evaporação. Os helicópteros pesados, por exemplo os Kamov, têm capacidade superior a 4 mil litros, mas também sofrem de algumas destas condicionantes.
Apenas os helicópteros bombardeiros ligeiros, HEBL, têm capacidade de transportar uma brigada de 1ª intervenção e a sua menor capacidade, <mil litros, pode ser compensada pela sua operacionalidade. São também estes que têm capacidade para uma mais rápida descolagem, 6 minutos, enquanto um helicóptero ou um avião pesado podem demorar 30 minutos.
São úteis, sem dúvida, mas ninguém pode pensar que são uma panaceia para todos os problemas.
Os meios aéreos se fazem descargas muito altas, grande parte da água perde-se por evaporação, se voam muito baixo pode-se “imaginar” que a rodopiarem, também podem provocar novos ventos e espalhar labaredas e brasas incandescentes. Claro que na água podem ser misturados retardantes e espumíferos que ajudam, mas não é suficiente.
A prevenção, a boa gestão, são essenciais e são as peças essenciais para reduzir as dimensões dos fogos, sejam de matos, ou florestais. Não se pode poupar na farinha para depois se gastar no farelo.
As ferramentas manuais e as máquinas são boas para cortar a marcha do fogo, para criar um contra-fogo, para o liquidar. Na Galiza é normal utilizarem-se máquinas de “rastro”, com 6 a 7 rodados e potência que pode oscilar entre 180 ou 200 CV ou até 250 CV, os chamados D6 e D7. Com uma lâmina frontal cerca de 4m podem abrir uma faixa limpa, derrubar árvores ou eliminar a vegetação. Dispostas em linhas paralelas, em escada, três máquinas podem criar uma faixa limpa com cerca de 15 metros de largura, nada mau.
Em qualquer caso, é necessária técnica, saber, formação, e se quiserem temos gente capaz de o proporcionar.
É apenas mais um pequeno texto para reflexão, mas terminarei com: A água é boa para beber, refrescar, tomar banho, regar… e até dizem que algumas têm propriedades medicinais… mas não exageremos.

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