NOTA

OS TEXTOS ASSINADOS POR OUTRÉM OU RETIRADOS
DE OUTROS BLOGUES OU SÍTIOS NÃO REFLECTEM NECESSÁRIAMENTE
A OPINIÃO OU POSIÇÃO DO EDITOR DO "desenvolturasedesacatos"

terça-feira, 20 de junho de 2017

FOGOS II A DIRECÇÃO DE COMBATE AOS FOGOS FLORESTAIS ESTÁ BEM ENTREGUE?...


No final dos anos 70 o Padre Melícias assumiu a Presidência da Liga dos Bombeiros e tratou de garantir, com toda a sua influência política, apoios vários para os bombeiros voluntários.
Uma das formas foi conseguir que a direcção do combate aos fogos florestais passasse da responsabilidade dos serviços florestais para as corporações dos bombeiros… e assim garantiu forma de obter fundos, equipamentos, renovar quartéis, etc.
E assim começou a desgraça… o voluntarismo sobrepôs-se à competência, ao saber, á experiência técnica. Os engenheiros, os técnicos, os mestres e guardas dos Serviços Florestais, as Administrações Florestais conheciam as serras, os caminhos, a orografia, tinham experiência e capacidade técnica. Quando hoje se fala do mal da passagem dos guardas florestais para a GNR, esquece-se que isto foi apenas o corolário de um processo já velho.
Combater um fogo urbano, numa casa, não é o mesmo que o combater num monte, na floresta. É preciso destreza física, é necessário conhecer os caminhos e a vegetação, a orografia, a direcção dos ventos, saber como o fogo vai progredir, com maior ou menor rapidez, e onde vai esmorecer.
Os bombeiros estão preocupados com as casas, as aldeias, posicionam-se com esse objectivo e não estão a orientados para o combate ao fogo florestal, ou rural. A própria Autoridade afirma que essa não é a sua prioridade… e claro se não se combatem os fogos onde nascem, nos matos ou na floresta, eles vão ganhando força, dimensão, velocidade e chegam às aldeias, às estradas e às casas… e é a desgraça.
Combater um fogo é uma questão essencialmente técnica. Apesar do voluntarismo tantas vezes saudado dos Bombeiros Voluntários de facto não se pode resolver com “amadorismos”, é necessária a profissionalização, equipas que trabalhem todo o ano na floresta, limpando, fazendo fogo controlado, preparando e depois, quando necessário, intervir de imediato com ferramentas apropriadas logo no nascer de um fogo. Os fogos começam a ser “combatidos” ou evitados no inverno. É necessária uma direcção com formação técnica apropriada.
Lamento não ir na onda de muitos, não vou aqui dizer que os bombeiros são heróis, são vítimas, não lhes devia ser entregue essa responsabilidade.
Há Engenheiros Florestais, há técnicos, há estudos científicos, há inclusive modelos matemáticos que podem ajudar a prever qual será a evolução. Há necessidade de equipas multidisciplinares com Arquitectos Paisagistas e outros.
Naturalmente que a prevenção, a detecção e o combate não podem estar dissociados, mas de facto estão divididos por diferentes “competências”, ICNF, GNR e Autoridade Nacional da Protecção Civil e falta a articulação…
É óbvio que há outros aspectos também muito importantes, mas vamos por partes…


Vasco Paiva (facebook)

Sem comentários:

Enviar um comentário