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sexta-feira, 30 de junho de 2017

FARO - MONTENEGRO - Carros do Aeroporto invadem Montenegro, mas solução não descola








A situação não é nova e parece não ter solução à vista: o estacionamento na freguesia do Montenegro, que vive paredes meias com o Aeroporto de Faro, é um pesadelo. Os moradores e comerciantes “lutam” com os prestadores de serviços de empresas que operam na aerogare, com as rent-a-car e com as empresas de transferes, por um lugar para deixar o seu automóvel.

A Junta de Freguesia de Montenegro, em Abril, manifestou a sua preocupação sobre este problema, mas, desde então, e com a chegada do Verão e o aumento do número de utilizadores do Aeroporto, pouco mudou.
Steven Piedade, presidente da Junta de Freguesia de Montenegro, disse ao Sul Informação que conversou com Alberto Mota Borges, diretor do Aeroporto de Faro, pedindo «para criar um parque para prestadores de serviços das empresas que operam na aerogare, nos terrenos pertencentes à ANA que estão desocupados, cobrando uma taxa de 25 euros mensais, mas ele não mostrou grande vontade disso».

O autarca defende uma solução em que «os trabalhadores das prestadoras de serviços paguem um euro por dia. Já tenho falado com muitos deles e, atualmente, pagam cerca de 60 euros por mês. Com os ordenados baixos que muitos têm, querem poupar ao máximo».
Ao Sul Informação, Alberto Mota Borges disse que, «neste momento, disponibilizamos um parque de longa duração [custa 5 euros por dia] e um parque dedicado ao staff, mais afastado do parque em frente do terminal».
Segundo o responsável, um novo parque só «será avaliado se e quando a procura justificar o investimento».
Sem grande abertura da parte do Aeroporto, Steven Piedade diz que «temos tentado criar condições para utilizar todos os terrenos de cedência que existem por ocupar, para que os residentes estacionem lá».
Além disso, «temos conversado com o Município, vamos tentar marcar o estacionamento, ordenar, mas, com isso, aumentamos cinco ou seis lugares. Vamos também fazer uma obra de melhoria, ao pé da escola antiga, vamos criar mais 11 estacionamentos, mas são pequenas coisas, quando o problema é tão global».

Steven Piedade explica que «há vários problemas» que complicam o estacionamento dos residentes de Montenegro. «Quando a freguesia cresceu, a legislação não obrigava a estacionamento incluído no edifício. Depois, há danos colaterais do Aeroporto, ao nível do estacionamento: há os turistas que não querem pagar e deixam no espaço público, há as empresas de transferes e há as rent-a-car, para as quais há legislação: devem ter parque próprio e, em 24 horas, após a receção do carro, a viatura deve estacionada nesse espaço».
Mas isso também nem sempre acontece e até há relatos de carros a ser entregues aos clientes que os alugam, na via pública, em pequenas empresas que têm sede em Montenegro.
Steven Piedade diz que há mesmo uma empresa de rent-a-car que, «no Google Maps, está identificada como tendo a sua sede no estacionamento público. Já dei conhecimento disso à GNR. As outras têm sítio para colocar as viaturas, mas há tanta rent-a-car pequena, sobre as quais não temos informação, com 20, 30 viaturas, que, com a nova taxa, fugiram do aeroporto».

Armando Santana, presidente da ARA – Associação de Empresas de Rent a Car do Algarve, diz que já viu «fotografias que ilustram os problemas de estacionamento no Montenegro e não havia nenhum carro que fosse de rent-a-car. São muitos deles de clientes que têm de pagar preços exorbitantes para estacionar no aeroporto e de funcionários de empresas que operam na aerogare…».
No entanto, prossegue, «não quero com isto dizer que não existam situações momentâneas de estacionamento na via pública».
O representante das rent-a-car algarvias diz que, ao nível do estacionamento dos veículos deste tipo de empresas na via pública, «tem havido uma evolução muito positiva, porque as empresas estão obrigadas a ter parque. Não posso dizer que todos cumprem, há sempre os bons e os maus da fita nestas situações, mas não são as rent-a-car que constituem o principal problema».
Armando Santana considera que «há várias atividades envolvidas e com culpas no cartório, os parques do aeroporto têm 1/3 de ocupação, depois há também empresas de transferes, sediadas no Montenegro, que também estacionam. É necessária uma reflexão».

O problema do estacionamento das viaturas de empresas de transferes é realçado por Steven Piedade. «Não há qualquer tipo de legislação para essas empresas, que podem estar a ocupar espaço público. Só uma que temos no Montenegro, a maior do país, tem cerca de 400 viaturas que operam em todo o Algarve. É outro problema que temos ali. Dá emprego a algumas pessoas, é certo, mas cria estes constrangimentos».
Segundo o autarca, o problema não é específico de uma rua, ou de uma zona, e alastra-se «a toda a envolvente do aeroporto num raio de 600 a 800 metros. Em todo o lado, serve para deixar viaturas, na estrada para a praia, na Arábia, nas rotundas…».
Por isso, Steven Piedade diz que vai apelar à ministra da Administração Interna, «porque há o problema de a GNR não ter meios para fiscalizar todas estas situações, o efetivo é reduzido. Tem de haver uma ação concertada. Não passa só pela Junta de Freguesia, tem de ser global, porque o problema é enorme».

O problema é «enorme» e os principais prejudicados são os moradores e os comerciantes, que inundam as redes sociais com queixas sobre a falta de estacionamento. E houve quem já tenha passado das palavras aos atos, porque, diz Steven Piedade, «já tive conhecimento de alguns “ecos” de situações de vandalismo para com carros estacionados. Houve viaturas vandalizadas no Vale das Almas, mas, de momento, não tenho conhecimento que continuem essas situações».
Fonte do Comando Distrital da GNR, que não comenta a alegada falta de meios para fiscalizar o estacionamento indevido, também confirma, ao nosso jornal, a versão de que, este ano, «desde Janeiro, ainda não houve qualquer queixa relacionada com carros vandalizados na freguesia de Montenegro».
Sul Informação foi para a rua e constatou que existem carros estacionados – e bloqueados – em rotundas, bermas ou descampados, além de estacionamentos públicos ocupados por empresas de transferes. O problema está à vista de todos, a solução é que ainda não.

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