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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Em Portugal não há doentes imaginários. Em Portugal é considerado um insulto dizer a alguém que ele está com boa saúde.

Em Portugal não há doentes imaginários. Em Portugal é considerado um insulto dizer a alguém que ele está com boa saúde. Ou que parece estar. A resposta é uma lista de achaques e de consultas marcadas para várias especialidades atirada à cara do energúmeno que ousou tal ofensa à doença. Os portugueses têm o maior armário da casa cheio de caixas de remédios. Acredito que muitos portugueses foram à escola apenas para lerem as bulas dos medicamentos. O medicamento é sagrado. 
É, pois, compreensível a luta de vida ou morte dos edis e outros chefes locais para a sua terra albergar a sede da Agência Europeia do Medicamento. Oferecer a oportunidade dos eleitores se aviarem de pílulas e xaropes mesmo ali e por conta da Europa é eleição garantida. Ter farmacêuticos, analistas, médicos, aviadores de receitas vindos de Londres ao pé da nossa porta levará, com certeza, muitos dos nossos compatriotas a aprender línguas estrangeiras.
As eleições autárquicas, além das curas para as doenças, puxam sempre pelos brios regionais. O Porto quer a Agência em nome da descentralização – Biba o Porto e o Norte! Coimbra quer a Agência porque é o Centro e tem universidade. Aguarda-se a todo o momento que Vila Real, a Guarda, Viseu, Santarém e Beja apresentem as suas candidaturas em nome do Interior sempre preterido e despovoado em favor do Litoral. Têm todas as cidades a vantagem de bons ares, especialmente a transmontana Vila e a beirã Guarda. E haverá ainda que atender as zonas fronteiriças de Chaves, Vilar Formoso, Elvas, que poderiam servir os dois países vizinhos.
Temos novela, falta um Molière.


Carlos Matos Gomes

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