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terça-feira, 20 de junho de 2017

A AERONAVE QUE OS JORNALISTAS NÃO CONSEGUIRAM ABATER



António Ribeiro

Entre as cinco e as sete desta tarde correram rumores de que um Canadair participante no combate aos incêndios de Pedrógão Grande e de Góis se teria despenhado algures na floresta em chamas. E a SIC-N esteve mais de uma hora a garantir que tal tragédia ocorrera, até porque não seria a primeira vez que um avião deste tipo se despenhava no teatro das operações de combate a incêndios. Portanto, a "notícia" era 
verosímil, embora (pequeno problema) nunca foi confirmada. Foi apenas uma fofoca. Face aos rumores (e há sempre muitos rumores nestas cenas), os jornalistas embandeiraram em arco. Que tinha caído um avião! O socorro já ia a caminho? Podemos espreitar? Quantos mortos? Onde estão os coitadinhos? Por que foi? Quem paga os "prejuízos"? E ninguém vai preso? O problema foi quando os responsáveis confirmaram, logo após as 19h00, que não tinha havido despenhamento algum. Nunca vi jornalistas (como a Sara Antunes de Oliveira) tão furiosos com a negação da tragédia. Compreende-se: dava jeito para alimentar os noticiários desta noite, porque não há nada mais chato do que um incêndio que já foi. E uma botija de gás rebentada é coisa que todos papamos ao pequeno-almoço (desde que não seja a nossa botija, claro) 😎😎😎

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