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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Vasos comunicantes e póquer





O contrato de 100 mil milhões de compras de armas da família Saud aos Estados Unidos é um sistema de vasos comunicantes. Os 100 milhões servem para as empresas americanas, da Boeing à Ford (p.exp ),fabricarem e venderem produtos de alto valor acrescentado, mas servem especialmente aos centros de investigação para desenvolverem novas armas, em particular no decisivo domínio do espaço (a que a Arábia Saudita nunca terá acesso). Boa parte dos centros de investigação ligados ao complexo militar-universitário e industrial, se não todos, são parcerias dos Estados Unidos com Israel, uns com sede nos Estados Unidos, outros em Israel. Boa parte deste dinheiro reverte para Israel, sem levantar qualquer conflito religioso. Os três livros sagrados convivem muito bem com mísseis e satélites.
Este contrato é um negócio a três (Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita) para dominar o Médio Oriente. A Arábia Saudita paga – estas armas servem-lhe de muito pouco –, Israel faz o trabalho local de desestabilização e recolha de informações, os Estados Unidos impõem os seus interesses. Tem sido assim. Foi assim. O caos no Médio Oriente é um negócio destes três sócios. Da Alqaeda aos Talibans, das variantes do Daesh ao Estado Islâmico, todos são criações deste trio pelo qual circula o dinheiro do petróleo.
Há pouco tempo, a Rússia sentiu-se em condições de intervir no matadouro propriedade exclusiva dos três sócios e meteu uma pedra na engrenagem na Síria e no Irão. A Arábia Saudita foi chamada pelos dois outros sócios a fazerem uma injecção de capital (os tais 100 mil milhões que podem ser 300 mil) para elevar o nível da jogada e expulsar o jogador intrometido. Também é de póquer que se trata.
Estratégia. Os analistas políticos chamam estratégia a a estas jogadas de gangues pelo domínio de uma região. Há quem refira que são guerras religiosas, que há deuses e profetas metidos no assunto. É preciso dourar a pílula. Os políticos, eles próprios, falam em paz e segurança regional. Até de amor ao próximo!
Neste cenário há quem tenha assinalado a importância das senhoras que acompanham o padrinho de Washington não terem levado véu e de este ter dançado com as espadas!
Carlos Matos Gomes

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