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domingo, 28 de maio de 2017

Matos Serra FALECEU UM DOS GRANDES PORTUGUESES DOS SÉCULOS XX/XXI, MIGUEL URBANO RODRIGUES





FALECEU UM DOS GRANDES PORTUGUESES DOS SÉCULOS XX/XXI, MIGUEL URBANO RODRIGUES… A TODA A SUA FAMÍLIA E A TODOS/AS OS CAMARADAS E AMIGOS, DAQUI ENVIO OS MAIS SENTIDOS PESARES, PENALIZADO PELA GRANDE PERDA QUE É, PARA TODOS NÓS, O FALECIMENTO DO GRANDE LUTADOR, QUE ELE FOI, POR TODAS AS CAUSAS DA JUSTIÇA E DO HUMANISMO. RECORDO, AQUI, UM MOMENTO DA NOSSA RELAÇÃO DE GRANDE AMIZADE.
RÉQUIEM POR MIGUEL URBANO RODRIGUES.
UM TEXTO QUE ESCREVI EM 28-09-2011, QUANDO TIVE A HONRA DE, A SEU CONVITE, APRESENTAR, NA CIDADE DE PORTALEGRE, UM DOS SUS LIVROS.
MIGUÉL URBANO RODRIGUES - O AUTOR E A SUA OBRA
TEXTO RELATIVO À APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE MIGUEL URBANO RODRIGUES
"TEMPO DE BARBÁRIE E LUTA" PORTALEGRE 28 - 09 - 2011, CUJA LEITURA, A
VÁRIOS TÍTULOS, OUSO ACONSELHAR.


SOBRE O AUTOR E A SUA OBRA
Conheci, pessoalmente, Miguel Urbano Rodrigues, há um pouco mais de trinta anos, antes dessa data ele era já, para mim, uma lenda viva e a minha admiração pela sua obra, e pela sua dimensão de humanista e intelectual empenhado na luta por um mundo mais justo e fraterno faziam com que eu o referenciasse como um exemplo, a ter em conta, no encaminhamento da vida.
Quiseram os acasos da vida que nos viéssemos a conhecer, pessoalmente, e, até, a ter relações de trabalho, muito estreitas, no sentido de próximas, na área da comunicação e da informação, num processo que ele liderava com a sua sábia batuta e em que eu muito me orgulho de ter participado e me ter empenhado para cumprir o melhor possível a minha missão com abnegação e disciplina, mediante o seu exemplo e orientação.
Há sessenta anos a escrever, a sua atenção sobre a história e as transformações do mundo originaram, progressivamente, muita reflexão e conhecimento. Essa reflexão e conhecimento originaram a sua mundividência, assente, sempre, num eticismo que evoluiu com coerência, com base numa preocupação com o destino dos seres humanos e com a sua aspiração a um mundo melhor, mais coerente, mais justo, mais equilibrado, onde todos pudessem usufruir, mais equitativamente, dos bens materiais, técnicos, científicos, estéticos e culturais que a história foi capaz de colocar ao dispor da Humanidade - um mundo onde não fosse aceitável a extorsão destes bens, quer eles sejam o petróleo, o gás natural, os metais raros, os bens alimentares ou as conquistas gerais nas áreas da técnica, da ciência, da arte ou da cultura, a favor de alguns poucos com prejuízo para a Humanidade inteira.
A participação de MUR tem sido feita não só através da escrita, tão rica e fecunda, e do mundo da comunicação, como, também, através de uma incansável militância política e preocupação social, efetivada através de foros sociais realizados pelo mundo inteiro e através de encontros, seminários e colóquios nacionais e internacionais, onde a sua intervenção é, por demais, reconhecida.
É notável a sua abordagem dos problemas da crise mundial do nosso tempo, crise que é, essencialmente, de princípios e de valores que, por isso, a fazem reverter em crise económica, política e financeira, e, também, em crise ética e civilizacional.
A sua reflecção sobre a História, quer se trate de situações da América Latina ou das guerras de agressão no Médio Oriente, nos Balcãs, Afeganistão, Iraque, Líbano, Vietname ou África, enfim...no mundo em geral, onde um punhado de extorsionários condicionam e escravizam a vida de milhões de seres humanos.
O que a sua escrita nos diz, tentando contrapor-se à clonagem geral das consciências... é, que é inaceitável esta visão imperialista do mundo e que não devemos esperar que este espírito imperial seja devorado pela própria gula dos seus atores, o que traria o descalabro do mundo, mas que os seres humanos honestos e solidários devem congregar-se, numa luta concertada, contra a barbárie que está destruindo a própria vida sobre o planeta.
Uma das grandes preocupações do autor, expressa neste, como noutros livros, que tem publicado em muitos anos de atividade literária, é o alerta sobre a falsificação da História como arma política da classe dominante, e essa, tem sido uma das suas principais batalhas nos últimos anos.
O esclarecimento sobre o sistema mediático, que usa o próprio processo informativo, os média, para descarregar um gigantesco arsenal de mensagens para controlo hegemónico da própria informação, promovendo a alienação e transformando gigantescas mentiras nas mais calorosas verdades. (Chamo, aqui à colação, como exemplo, a campanha que antecedeu a monstruosa guerra do Iraque, iniciada em 20 de março de 2003, depois da cimeira da vergonha, na Ilha Açoriana das Lages.)
O autor mostra-nos, através dos seus escritos, de que este livro é um repositório, que é necessário, os homens e mulheres conscientes, assumirem como tarefa inadiável, a desmontagem e desmistificação da mentira e da desinformação e a compreensão e esforço solidários contra estes mecanismos de opressão da atual fase do capitalismo neoliberal.
Neste livro... o autor não se limita ao aclaramento, compreensão e constatação sobre esta estratégia de domínio imperialista do mundo, mas... põe a necessária e pertinente pergunta: QUE FAZER ?
O seu esforço vai no sentido de que a pergunta se generalize. Poderão muitas pessoas pensar e dizer: mas, afinal... de que serve fazer a pergunta? se o que é necessário é a resposta? Mas, eu sei que muitas outras cabeças pensantes têm outra visão do problema... por saberem, tanto de pensamento discursivo como de intuição pura, que... quando se põe uma pergunta é porque já se sabe, pelo menos, uma boa parte da resposta, e este é, quanto a mim, o aspeto mais positivo da colocação de uma tal e crucial pergunta, para além de que, nos tempos que decorrem, o alheamento e a indiferença coloca a cada um o peso de uma grande responsabilidade perante o facto de se ter consentido passar às futuras gerações um ambiente definitivamente inabitável, porque aquilo que as guerras de agressão e de rapina nos perspetivam é a própria destruição ambiental e o aniquilamento do planeta, logo, é preciso que cada um se interrogue como sinal de que ultrapassou o absurdo alheamento, e se integra num espírito de cidadania que concorra para uma resposta aos problemas cruciais do nosso tempo:
TEMPO DE BARBÁRIE E LUTA
Os problemas colocados resultam da sua intervenção ativa entre 2002 e 2010, em comunicações apresentadas em foros, conferências, encontros, seminários e colóquios, nacionais e internacionais um pouco por todo o mundo.
Destaco, pela sua importância: A sua intervenção em 25 de janeiro de 2003, no Foro Social Mundial, em Porto Alegre, Brasil, proferida na iminência de uma nova e monstruosa guerra, a Guerra do Iraque, pag. 23, em que define a natureza e estratégia do imperialismo neoliberal e lança um desafio aos movimentos sociais e aos partidos revolucionários no sentido da sua mobilização contra a escalada iminente da barbárie.
NOTA: Apesar do mundo se ter mobilizado ( na véspera fui convidado, enquanto capitão de ABRIL e fiz uma intervenção na Praça da República na minha cidade de Portalegre) contra a perspetiva da guerra, os falcões vieram a decidi-la na cimeira da vergonha.
Passei a palavra ao autor e meu querido amigo, Miguel Urbano Rodrigues, que como um dos mais genuínos comunicadores deste país, esteve muito mais apto do que eu para falar desta obra tão necessária e pertinente para a compreensão dum estado de coisas que não podem ficar na floresta do alheamento.
Foi feito em Portalegre, aos 28 de setembro de 2011
Francisco Manuel Matos Serra

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