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sábado, 6 de maio de 2017

Macron acelera em todas as sondagens enquanto Le Pen foge da catedral


Ontem foi o último dia de campanha e amanhã os franceses vão às urnas escolher o presidente. Estudos de opinião dão ao líder do En Marche! mais de 60% das intenções de voto

Antes de chegar, Marine Le Pen já estava a ser mal recebida. "Reims: cidade da reconciliação franco-alemã, cidade virada para a Europa, cidade da paz. Nem percam tempo". Foi com esta mensagem, escrita no Twitter, que o presidente da câmara, Arnaud Robinet, antecipou a chegada da candidata da Frente Nacional. E de facto a visita à emblemática catedral gótica, onde repousam os restos de vários reis franceses, não correu bem a Le Pen. Terminou com uma saída pela porta das traseiras para fugir às vaias e insultos dos manifestantes que a aguardavam no exterior do edifício.
Este foi mais um percalço num último dia de campanha que já não tinha começado bem. Nas primeiras horas da manhã de ontem, uma sondagem da Elabe confirmava a leitura da generalidade dos analistas. O debate televisivo de quarta-feira à noite não correu bem a Marine Le Pen. Comparando com o anterior estudo da mesma empresa, Emmanuel Macron aumentou em seis pontos percentuais a distância que o separa da adversária. A previsão aponta agora para que o candidato centrista consiga 62% dos votos contra 38% de Marine Le Pen. As quatro restantes sondagens divulgadas ontem vão todas no mesmo sentido: Macron a subir e sempre com percentagens entre os 60% e os 62% .
No que diz respeito à afluência às urnas, os estudos apontam para uma participação em redor dos 75%, o que para França é um valor especialmente baixo. A confirmarem-se estas previsões, será preciso recuar até às eleições de 1969 - quando Georges Pompidou derrotou Alain Poher - para encontrar uma participação mais fraca. Nesse ano apenas 69% dos eleitores foram às urnas.
Já depois das más notícias das sondagens e da fuga da Catedral de Reims, o dia continuou com uma nova polémica a envolver a candidata de extrema-direita. Vindos de Itália, começaram a chegar a França ecos da entrevista que Le Pen concedera na véspera ao Corriere della Sera. Durante a conversa o jornalista questionou-a sobre o porquê do apelo que François Fillon - o candidato d"Os Republicanos derrotado na primeira volta - fez ao voto em Macron. "Porque são uns merdas. Peço desculpa, mas não me ocorre outro termo", terá respondido a candidata segundo o relato do diário italiano. A equipa de Le Pen rapidamente desmentiu as declarações, acrescentando que nem sequer se tratara de uma entrevista como mandam as regras, mas sim de um conversa informal de copo na mão. Frédéric Chatillon, um empresário próximo da candidata, utilizou o Twitter para tentar esclarecer o que se passou. "Assisti à conversa com o Corriere. A Marine disse: Fillon apelou ao voto em Macron porque está na merda", explicou.
Lagarde primeira-ministra?
Emmanuel Macron garantiu ontem que já escolheu aquele que nomeará para chefe de governo caso seja eleito presidente, mas que não irá revelar de quem se trata antes das eleições. Entre as hipóteses masculinas, o nome mais óbvio é o de François Bayrou. Do ponto de vista político faria sentido. É alguém que sempre se disse do centro, tal como Macron, e que abdicou de uma quarta candidatura presidencial para apoiar o líder do En Marche!. Apesar de já ter experiência governativa - foi ministro da Educação entre 1993-97 de Édouard Balladur e de Alain Juppé -, é alguém que não é visto como fazendo parte do sistema, o que joga em seu favor. Sobre Bayrou, o candidato do En Marche! voltou ontem a garantir que "terá um papel importante no projeto político e governamental". Contra o líder do Movimento Democrático joga apenas o facto de ser homem e de Macron já ter dito que gostaria de ter uma mulher como primeira-ministra. Entre as hipóteses femininas as candidatas são menos óbvias, mas alguma comunicação social francesa, como a rádio Europe1, faz especulação com duas figuras, uma à esquerda e outra à direita, que seriam relativas surpresas: Ségolène Royal, ex-candidata presidencial pelos socialistas em 2007, e Christine Lagarde, a diretora do Fundo Monetário Internacional. Ambas já foram ministras e encaixam no perfil traçado por Macron: "experiência no campo político e competências para dirigir uma maioria parlamentar".
Em caso de vitória de Marine Le Pen, será Nicolas Dupont-Aignan a chefiar o executivo. Depois de ficar em sexto lugar na primeira volta, o líder do Debout la France (que pode traduzir-se por Erguer a França) declarou o seu apoio à candidata da Frente Nacional, aceitou o convite que esta lhe endereçou e desde então têm feito campanha juntos.
Para esgrimir os derradeiros argumentos na tentativa de convencer os eleitores ainda indecisos ou pouco motivados a ir votar, os dois candidatos concederam ontem de manhã entrevistas à RTL. Le Pen, que voltou a defender a saída do euro e o regresso do franco, sublinhou que o seu é "um projeto de proteção" e que o de Macron "é um projeto de desregulamentação". O candidato centrista, por seu turno, preferiu acusar Le Pen de tentar dividir o país. "O meu desejo é unir os franceses. É isso que me move e não a cólera", disse, numa alusão crítica ao tom usado por Le Pen, em especial durante o debate de quarta-feira. "A cólera surge da ineficácia política. Marine Le Pen explora o ódio", acrescentou.


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