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terça-feira, 9 de maio de 2017

HISTÓRIA DE PORTUGAL - O MASSACRE DO COLMEAL




O Massacre do Colmeal (Kolmenari em lingua lusitânica reconstruída) é uma das páginas mais negras da História da Lusitânia moderna sob jugo e ocupação portuguesa. Muito embora esta tragédia recente para o povo nativo Lusitano que habitava a aldeia do Colmeal (hoje aldeia fantasma mas que antes do massacre em 1956 tinha 14 famílias com no mínimo 60 habitantes e que também era sede de freguesia com 338 habitantes, englobava mais algumas aldeias menores como Bizarril, Luzelos e Milheiro, no concelho de Figueira da Castelo Rodrigo no distrito da Guarda) tenha acontecido a uma escala muito menor dos primeiros massacres perpetrados por portugueses e espanhóis mais os mercenários estrangeiros ao seu serviço que estão hoje na origem da maioria das elites locais portuguesas, quando estes nos primeiros tempos da "reconquista" cristã e (também) depois da fundação de Portucale (ou condado Portucalense, hoje Portugal) por uma elite astur-leonesa de sangue maioritariamente franco-germânico, e portanto de origem estrangeira, este cobarde crime e massacre português cometido durante o regime fascista português contra o nosso povo nativo lusitano (que na época dos acontecimentos foi censurado e silenciado por toda a comunicação social portuguesa, onde jornais e rádios nacionais e regionais nunca escreveram uma única linha sobre este crime), ele também indicia que outros crimes semelhantes terão ocorrido durante o fascismo e durante os últimos anos da monarquia portuguesa ou após as guerras que oposeram miguelistas contra "liberais", cujos vencedores "liberais" levaram depois a uma reforma administrativa que levou à extinção de centenas de concelhos na Lusitânia e noutras regiões de Portugal, contra a vontade das populações locais. Após a invenção de Portugal (ou a fundação do condado de Portucale por uma elite de origem estrangeira, cujas etapas teriam ocorrido em dois séculos diferentes) no século X quando os "cristãos" portugueses e espanhóis (cujos estados após a sua consolidação no plano económico e no terreno militar estão na formação e insticionalização de ambos estes dois "povos" elitistas) invadiram as terras a sul do rio Douro que embora sob administração militar muçulmana pertenciam aos povos nativos que teriam a pôsse das terras conseguidas graças a uma reforma agrária, após ferozes lutas, batalhas e guerras contra mouro-berberes islamizados que teriam o apoio dos lusitanos e de todos os outros povos nativos ibéricos, porque os conquistadores islâmicos ou islamizados teriam devolvido as terras aos povos nativos, tanto os estrangeiros portugueses como os espanhóis (astur-leoneses, castelhanos e elites galegas) teriam cometidos muitos massacres contra os nativos lusitanos durante a conquista das suas terras, não só do ponto de vista militar, como durante os tempos posteriores de imposição da nova "ordem" e das leis dos novos conquistadores portugueses que tará levado à expulsão das suas terras e casas que foram roubadas aos nativos lusitanos para serem entregues aos senhores feudais e mercenários estrangeiros que teriam recebido dos reis e da nobreza elitista portuguesa (toda ela de origem estrangeira e não nativa) a "doação" destas terras, hoje os descendentes dos primeiros senhores feudais e mercenários estrangeiros formam as diferentes elites locais portuguesas. E como é evidente em qualquer parte do mundo, quando um povo ou uma família é expulsa da sua própria terra e casa isso levará à sua resistência contra a injustiça cometida. Não surpreende pois que os primeiros estrangeiros portugueses que se estabeleceram na Lusitânia e nas terras a sul do rio Douro, tenham cometido inúmeros e grandes massacrados contra os povos nativos que defendiam as suas próprias terras. O facto de não haverem registos históriocos nem documentos oficiais portugueses a comprovarem estes massacres não invalida nem poderá negar a sua existência. Massacres como os do Colmeal contra o povo nativo Lusitano e contra os outros povos nativos de Portugal, cometidos pelas "autoridades" portuguesas de forma a defenderem as elites locais, terão sido centenas e não apenas algumas dezenas, evidentemente que a grande maioria terá ocorrido nos primeiros anos da ocupação portuguesa quando atravessaram a margem norte do rio douro e invadiram a Lusitânia e outras terras a sul.
A vida quase sempre decorreu calma e bucólica na isolada e recôndita aldeia do Colmeal, localizada num paradisíaco vale de difícil acesso nas faldas da Serra da Marofa. A pequena comunidade terá sido fundada por pastores lusitanos desde tempos pré-históricos, pré-romanos, pré-cristãos e pré-portugueses. A confirmar este facto local, existe um outro ponto de interesse junto á localidade e que apenas recentemente foi descoberto: as pinturas rupestres. Situam-se junto à povoação nos enormes penedos que ladeiam a ribeira do Colmeal e tratam-se de representações esquemáticas de antropomorfos, datando do 3º Milénio a.C., contudo, a história escrita da aldeia lusitana do Colmeal, a partir da ocupação portuguesa da Lusitânia, transporta-nos para tempos mais recentes, pelo menos ao século XII (1183 é a referência mais antiga que se conhece do local em documentos papais e leoneses antes da referência portuguesa, o rei de Leão D. Fernando II "doou" esta aldeia e outras à Ordem de S. Julião do Pereiro, que seriam por muito tempo sua proprietária). A história do Colmeal não se faz, no entanto, apenas de laboriosos camponeses. Esta é também uma terra de pergaminhos fidalgos da elite local portuguesa, já que aqui terá vivido Pedro Álvares Cabral, o famoso descobridor do Brasil. O “solar” brasonado da família, não obstante a ruína, ainda é visível em lugar de destaque na aldeia. Após o Tratado de Alcanizes, os bens desta Ordem passam para a Ordem de Alcântara, em 1297, e as terras de Riba Côa são integradas na Coroa Portuguesa. As disputas com os espanhóis despovoaram os lugares da serra, e D.Afonso V deu-lhe carta de Couto - terra que não pagava impostos por pertencer a um nobre, com o nome de Colmeal das Donas em 1540. Era senhorio deste povo João Gouveia. Com a morte deste fidalgo o Colmeal das Donas passa a pertencer a Vasco Fernandes de Gouveia (1476), e, com a morte deste, a Fernão Álvares Cabral e D.Isabel de Gouveia. Pais de Pedro Álvares Cabral. Mudanças sucessivas levaram a que a burguesia endinheirada, saída da República, se fosse apoderando dos domínios da nobreza. Os Condes de Belmonte não escaparam e venderam o foro do Colmeal das Donas. Os novos proprietários e as novas elites locais mantinham direitos que remontavam ao tempo das sesmarias, ao mesmo tempo que lavravam à pressa escrituras e delimitavam terrenos. As gentes do Colmeal, os nativos de sempre, por sua vez, habituadas à servidão, continuavam a pagar foro. Desta feita, aos feitores dos novos senhorios. O triste fado da aldeia foi ditado no início da década de 40 com a chegada de um novo rendeiro, que subia as rendas a seu bel-prazer. Valores que atingiram níveis quase impossíveis de suportar. Durante anos os habitantes "mataram-se" a trabalhar para pagar as rendas. Muitos dos ainda sobreviventes desse tempo recordam esses tempos sem saudade, mas lá vão dizendo que, embora as terras «fossem más», «uns lavravam, outros tinham cabras, outros tinham vacas», e a agricultura lá ia dando para viver e pagar aos rendeiros. Mas cada vez mais revoltados com a situação, os habitantes do Colmeal recusaram-se a pagar e, como resultado, tiveram de travar uma longa batalha jurídica que de nada lhes valeu. O processo começou com a acção de despejo para o caseiro da casa dos Cabrais, acusado de deixar de pagar renda ao senhorio, mas anos depois os aldeões passaram à categoria de subarrendatários do mesmo e tratados de igual modo. Por altura das colheitas dois oficiais da justiça chegaram com a sentença final. Mais 25 soldados da GNR fascista. E uma acção de despejo. Estava-se no dia 8 de Julho de 1957.
Em 1527 no primeiro censo oficial a aldeia teria 15 moradores oficiais, não contando com os camponeses e pastores das áreas envolventes nos arredores. No século XVII a aldeia teria 50 habitantes, no início do século XVII teria 80, no século XIX teria 90 habitantes. No início do século XX, inverterá contudo a sua tendência populacional, em 1940 teria só 62 habitantes pertencentes a 14 famílias distribuídas por 12 fogos ou residências. Se é verdade, como já referimos, que inicialmente a posse do Colmeal pertenceu à Ordem Militar de Cavalaria de São Julião do Pereiro, sabe-se, igualmente, que séculos mais tarde o senhorio da povoação passou para as mãos da família dos Cabrais, da Casa de Belmonte. O avô materno de Pedro Álvares Cabral, Vasco Fernandes de Gouveia, possuía mesmo o título de Senhor do Colmeal e, durante gerações, a presença dos donatários e seus familiares seria constante no “solar” dos Cabrais existente na povoação. Não é, por isso, difícil de acreditar que o famoso navegante aqui também tenha residido. Não há, no entanto, qualquer prova quanto à possibilidade desta personalidade aqui ter nascido, como defende alguma da tradição oral na região. A historiografia oficial refere, de resto, que terá nascido em Belmonte entre 1460 e 1470. Foi D. Afonso V quem deu-lhe carta de Couto em 1540, era senhor desse povo João Gouveia. Com a morte do fidalgo andou aquela terra de senhor para senhor até acabar nas mãos de Pedro Álvares Cabral. Curiosamente terá sido também por essa altura que é construída a igreja do Colmeal. Da presença dos Cabrais (ou de outros pretendentes e senhores feudais vindos de outras paragens que trocavam ou compravam o feudo, só o povo nativo era local) na aldeia ficou o seu “solar” e o brasão, lavrado numa pedra avermelhada, representando duas cabras. A presença desta família e dos seus símbolos terá sido tão marcante que, sintomaticamente, a lenda que explica a origem da aldeia recorre de uma forma frequente a elementos que se relacionam de forma inegável com os Cabrais e a sua pedra de armas esculpida na aldeia. Para os portugueses e as autoridades, a aldeia foi apenas um feudo da elite local portuguesa, dos Cabrais, porque os seus habitantes mais pobres, camponeses e analfabetos, não tinham história nem direitos, eram pouco mais do que escravos do trabalho, do tempo e da injustiça de um país ainda hoje (no século XXI) medieval e feudalista. E só este facto histórico-social interfere com a existência que tem tanto de milenária como de comunitária, patorial, camponesa e despretensiosa do povo local. Até ao dia em que as "autoridades" portuguesas ao serviço duma elite local, condenaram a povoação e os seus habitantes à morte. A paz, as tradições, o silêncio e a tranquilidade em que vivem os seus habitantes estáva prestes a desaparecer, brutalmente...
O princípio do fim da aldeia do Colmeal, que daria origem à destruição da aldeia, às expulsão dos aldeões das suas casas e terras e ao massacre com algumas dezenas de mortes dos seus habitantes nativos mais resistentes contra a injustiça portuguesa tivera início já antes de 1956. Mas a 8 de Julho de 1957, eram pouco mais das dez horas da manhã, um destacamento da Guarda Nacional Republicana (GNR) composto por 25 praças e 3 oficiais (um militar para cada dois habitantes, isto só podia acontecer se toda a aldeia resistisse e estivésse a lutar pelas suas casas e terras) decididos e fortemente armados (os aldeões, pastores e camponeses inocentes não tinham armas) com metralhadoras e preparados para o pior cenário, irrompem pela aldeia e, em poucas horas, surpreende e expulsa as 14 famílias de cerca de 60 aldeões e camponeses pobres que ali viviam, descendentes de gerações e gerações de lavradores e pastores que desde sempre, desde tempos lomngínquos e pré-históricos tal como os seus ancestrais mais antigos, aí viveram, habitaram, trabalharam e morreram, naturalmente. Nada impediu as autoridades de rebentarem com as portas das casas e levarem os poucos haveres desta gente simples que se refugiou na maioria nos montes e aldeias em redor. Os populares não aceitaram e a GNR viu-se obrigada a intervir para expulsar os resistentes no dia 10 de Julho de 1957. Segundo os populares houve casas queimadas e registaram-se mesmo alguns mortos entre os populares da localidade. Foi a primeira vez que tal sucedeu em Portugal, uma população ser expulsa colectivamente do de uma localidade inteira. Da localidade restam as casas que se encontram abandonadas. Inclusive, na velha igreja quinhentista, se baptizaram, casaram e enterraram. Uma mais que discutível e injusta decisão judicial, só possível sob o autoritarismo do regime fascista de então e pela impunidade de uma elite local, transformava o Colmeal numa aldeia fantasma. E toda a povoação desapareceu. E a maioria dos seus habitantes fugiu e refugiou-se nas aldeias vizinhas ao cobarde massacre perpretado pelas autoridades portuguesas. Hoje, só as ruínas patrimoniais e a memória colectiva das gentes, dos poucos habitantes ainda sobreviventes e dos lugares resiste, ainda e sempre, ao invasor. Para nos contarem o pouco que se conhece. Para que o massacre nunca seja esquecido pelas gerações vindouras, para que o silêncio nunca nos esmague.
Como foi possível acontecer? Como foi possível na segunda metade do século XX, em plena Europa e num país europeu, como Portugal, acontecer um Massacre contra um povo nativo, inocente e indefeso como este? Cerca de cinquenta anos depois a interrogação (a vergonha para as elites tugas e a indignação para o povo nativo lusitano) continua a incomodar os sobreviventes deste dramático acontecimento ou "episódio" ocorrido em Portugal, mais exactamente no interior da região da Lusitânia amordaçada. ainda hoje o povo nativo Lusitano mais consciente da sua verdadeira identidade étnico-cultural lusitana e não portuguesa, espera um pedido de desculpas das autoridades e dos governantes portugueses, em vão... Como é possível alguém ser expulso da sua terra, da terra onde nasceram e viveram os pais, os avós, os trisavós, os seus directos ancestrais mais antigos vindos de tempos pré-históricos que já habitavam este lugar antes do aparecimento dos portugueses... Alguns deles, de resto, enterrados no cemitério que se desenvolve em torno da igreja paroquial, também ela bem no centro na aldeia. Como foi possível um particular (membro duma elite local tuga) reivindicar para si a posse de uma antiquíssima e histórica aldeia que albergou sucessivas gerações de pastores e camponeses? Reivindicar a posse dos terrenos que a circundavam, ainda se poderá compreender. Mas a aldeia!? Uma aldeia antiquíssima que existia há séculos e que era, de resto, sede de freguesia... Reivindicar a posse de uma povoação, das suas casas, ruas, do cemitério e da velha igreja edificada há mais de quinhentos anos, é de facto incompreensível nos dias de hoje. Mas não o foi, durante o regime autoritário, ditatorial e fascista de Salazar, há menos de cinquenta anos.
Um pouco sobre as causas da história. Os factos remontam aos anos iniciais do século XX antes dos anos '40 do século XX, quando um novo "feitor" anunciava já a desgraça, que afinal a aldeia já não era foro mas que pagavam renda. E todos passavam a andar endividados. Porque o feitor subarrendatário não pagava a renda há quatro anos àquela que era, de acordo com uma escritura de 1912, à nova e legítima proprietária dos terrenos dos herdeiros dos condes de Belmonte. A colheita mal dava para comer quanto mais pagar ao arrendário: eram impostos da burra, dos cães e da carroça dos machos, masi a côngrua, um alqueire de trigo... Com efeito, em meados dos anos ’50 do século XX, começa a construção da tramóia, Rosa Cunha e Silva a nova herdeira das terras onde se situava a aldeia, queria-se dona de todo o Colmeal, e sob o pretexto de que os habitantes do Colmeal, ao contrário do que até então haviam feito, se recusavam agora a pagar os foros e rendas devidos pelos trabalhos agrícolas que aí desenvolviam, moveu um processo judicial contra aquela comunidade. E foi consultar o seu advogado, um burguês "opositor" do regime com passado, um "socialista" que entre os seus vícios burgueses e hipócritas meditava em "part-time" nos dramas dos pobres, Manuel Vilhena, que baralhou as leis e transformou a povoação anterior à nacionalidade numa quinta privada. O pleito correu durante três anos no Tribunal de Figueira de Castelo Rodrigo. Analfabetos na sua esmagadora maioria, incapazes de perceber verdadeiramente o que estava em causa (afinal não era a “sua” aldeia?), impossibilitados de se socorrer de bons advogados, os pouco mais de cinquenta habitantes do Colmeal são obrigados, por ordem judicial, a ser expulsos da sua terra. O mandato de despejo é rapidamente e em força posto em pratica pela Guarda Nacional Republicana com 28 militares armados até aos dentes às coronhadas e aos tiros que, em poucas horas, forçou a saída dos habitantes das suas casas dando-lhes apenas tempo para reunirem os seus poucos e parcos haveres. Mas houve muitos que resistiram contra a injustiça de lhes quererem roubar a sua aldeia, as suas terras, as suas casas, a sua família, a sua história, as suas vidas... E pagaram por isso. Foram assassinados e esquecidos pelo poder instalado em Portugal.
Durante os anos seguintes, após a expulsão e o massacre, a muito custo, a maioria dos antigos habitantes do Colmeal foram refazendo a sua vida. Uns emigraram para o estrangeiro (Brasil e França) ou para as grandes cidades do litoral português como Porto e Lisboa. Outros optaram por permanecer no concelho, nomeadamente noutros lugares da freguesia como Luzelos e Bizarril (onde hoje se encontra a Junta de Freguesia, a igreja paroquial e o novo cemitério). A pergunta, essa no entanto, persiste: como foi possível ter acontecido tudo isto? Estranhamente, ou talvez não, ou talvez sintomaticamente, quando entra no jogo toda a especulação imobiliária e financeira envolvente, a alterarem, a baralharem e a deturparem ainda mais as "regras" do jogo, a história deste episódio judicial teve um curioso desenlace. A dona e senhora, agora única, do Colmeal acabou por ter que vender, como forma de pagamento, estes seus domínios ao próprio advogado do diabo! Um de tal elitista local com o nome de Manuel Vilhena. Hoje o Colmeal não passa de uma grande quinta agrícola que engloba a arruinada aldeia fantasma, coberta de vegetação, e na qual se destaca a velha igreja medieval, dedicada a S. Miguel, que vem sendo objecto de contínuos e profundos atentados ao longo dos anos tendo-se transformando, também ela, numa triste ruína.
Ainda hoje considerado sede de freguesia (a freguesia devido à desetificação humana das terras do interior patrocinada por sucessivos governos anti-regionalistas e anti-populares portugueses tem hoje apenas 58 habitantes distribuídos por 4 aldeias, mas a do Colmeal tem 0 habitante), o Colmeal foi, por despacho governamental datado de 1985, elevado ao estatuto de Imóvel Classificado. De nada lhe valeu. O saque e as delapidações ao património edificado (nomeadamente à igreja) prosseguiram. Só a decadência e a ruína acompanham o silêncio absoluto e sepulcral que se vive neste bucólico vale encaixado no sopé da Serra da Marofa. Mas nem sempre foi assim. Apesar de nunca ter sido uma grande aldeia, o Colmeal conviveu durante séculos e milénios com os gritos das crianças, o ruído dos carros de bois, o bulício da deslocação dos rebanhos e os tradicionais cantares dos homens e mulheres envolvidos nos trabalhos agrícolas e tradições milenárias. À data dos acontecimentos, as características topográficas e naturais do Colmeal contribuíram para que do ponto de vista económico-agrícola, fosse considerada, pelo menos em comparação com a generalidade da vizinhança, como uma zona bastante produtiva. Nestes terrenos se produzia imenso centeio e trigo. A abundância de água, nem sempre habitual nesta região, permitia igualmente uma assinalável produção hortícola e alguma vocação para a pastorícia de ovinos e caprinos. As amendoeiras e as oliveiras tão características desta paisagem, estavam também aqui presentes (hoje cada vez mais substituídas pelo eucalipto). Contudo as mais afamadas produções do Colmeal foram, durante séculos, o mel (que estará, de resto, na origem do próprio nome da povoação), os pimentos, as rolas e as cebolas. Estas duas últimas chegaram, aliás, a fazer parte da própria designação da aldeia já que esta era, muitas vezes, designada por Colmeal das rolas ou Colmeal das cebolas. A generalidade das ruínas corresponde a antigas e tradicionais habitações de piso térreo, predominando a tradicional arquitectura de alvenaria em xisto sem revestimento, com o esporádico recurso ao granito nalgumas componentes estruturais, como é o caso das padieiras, ombreiras e esquinas dos edifícios. Os palheiros e cortes apresentam características semelhantes, embora nestes últimos a cobertura fosse através de materiais perecíveis e não de telha, ao contrário do que acontecia nas habitações onde, apesar do abatimento dos telhados, se detecta ainda essa solução. Do conjunto da povoação salientam-se dois edifícios: a igreja e o “solar” dos Cabrais. A igreja, belíssimo imóvel que terá tido a sua provável origem no século XV e denota uma clara inspiração românico-gótica, não obstante a ruína, a falta de cobertura e a invasão da vegetação, brinda-nos ainda com alguns dos frescos que decoravam originalmente as suas paredes, como é o caso de uma cena de Adão e Eva no paraíso.
Revisionando e explorando as memórias e lamentações dos seus antigos habitantes que viveram os acontecimentos e expõem toda a verdade nua e crua da história desta aldeia "abandonada" ou "fantasma" como dizem alguns portugueses, cujo povo nativo foi vítima de um cobarde massacre, com um grande número de mortos, segundo testemunhos da maioria dos populares que viveram os trágicos acontecimentos em 1957. Entre os testemunhos (e testemunhas) daqueles que viveram a tragédia ou o Massacre do Colmeal, sabemos que ainda hoje há 20 famílias de descendentes dos antigos habitantes do Colmeal que procuram recuperar a propriedade das casas que foram roubadas aos seus antepassados Lusitanos, para eles A ALDEIA DO COLMEAL NÃO É A QUINTA DADA AOS QUIRINOS! Para eles aquele massacre e aquela vergonha contra um povo não pode ficar impune. Porque "aquilo não se fazia!".






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