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quinta-feira, 18 de maio de 2017

GASTÃO BRITO E SILVA: QUANDO AS RUÍNAS TAMBÉM SÃO BELEZA







Ruin’Arte deambula entre fotografias, jornalismo e ruínas. Tal como Gastão Brito e Silva (GBS), que por vezes era fotógrafo, por outras repórter, mas que acabou por juntar essas duas facetas. Uma conversão que resulta num terceiro elemento, intitulado pelo próprio de “ruinólogo”.
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© José João Roseira
Este projeto vive em prole da imortalização das ruínas, e de alguns momentos ruinosos da vida. Uma panóplia de fotografias que conjuga tristeza e decrepitude com nostalgia – imagens que, tal como uma ruína, se prendem à emoção invocada por uma memória, seja ela angustiante ou gloriosa. 
Ch: Quando, e em que circunstâncias, é que a fotografia se cruzou no seu caminho?
GBS: Desde sempre admirei a arte fotográfica, por isso desde que trabalho que me tenho dedicado à fotografia. Comecei por ser fotógrafo amador ainda no liceu, mais tarde em 88, trabalhei na Kodak, onde travei conhecimento e amizades com uma boa parte dos fotógrafos de Lisboa e arredores, acabando por ser seduzido pela fotografia de estúdio e pela iluminação. A fotografia de arquitectura foi também uma forma de partilhar o “gozo dos arquitectos” pelas linhas e ambientes, sem ter que me formar em Belas Artes. Pelo gosto destas componentes da minha área da fotografia, e juntando o gosto pela história, acabou por mais tarde nascer o Ruin’Arte. Com a invenção da fotografia digital, todo o processo logístico e fotográfico se agilizou, pelo que voltei a ser “fotógrafo de fim-de-semana” e a dedicar-me a projectos pessoais. A captação e o processamento das imagens tornou-se “barato” e acessível por não haver despesas de laboratório e de material sensível, o que me permitiu voltar a ser amador e a explorar outro género fotográfico… no final, acabei por me tornar “ruinólogo” e esquecer-me que afinal sou fotógrafo.
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Ch: Mais do que um blog de reportagem fotográfica, o que é o Ruin’Arte?
GBS: O Ruin’Arte pretende ser mais do que uma reportagem fotográfica que imortaliza alguns ruinosos momentos da vida de edifícios decrépitos, ou um acervo sobre o património degradado… Também é nossa preocupação registar a história de cada ruína, pois nem sempre esta foi registada ou bem contada, e há sempre qualquer coisa a acrescentar. O Ruin’Arte tomou como sua missão delatar e sensibilizar consciências para esta hecatombe… e acabou por ser a voz destes desafortunados edifícios. Por isso, meu objectivo (sonho) é dar a volta a Portugal e dar a conhecer os seus imensos tesouros desconhecidos e preservar as suas memórias. Acaba por ser uma espécie de legado e uma forma de conhecer melhor a vida e as pessoas, é emocionalmente gratificante passar por estas aventuras, coleccionar histórias e partilhá-las, contribuindo para melhorar toda a sociedade. É o que dá sentido a todo este trabalho, saber que está a agitar águas e a fazer algumas ondas, avaliando o crescente interesse que este tema tem levantado e pelo público cada vez maior, além das repercussões que já teve.
Ch: Quando é que as ruínas, também são beleza?
GBS: Todas as ruínas além de nos transmitirem uma boa dose de tristeza, decrepitude, angústia, entre outras emoções, podem-nos também estimular o imaginário pela nostalgia dos ambientes, levando-nos a idealizar alguns dos seus gloriosos momentos. Creio que a sua beleza começa aí; na nossa imaginação. Também todas as ruínas, por serem uma obra de arquitectura, são compostas por linhas geométricas cujo equilíbrio pode ser captado com harmonia pela beleza natural de cada espaço e, com a preciosa ajuda do S. Pedro, a LUZ faz o resto.
Em termos gráficos, uma ruína consegue por vezes ser mais bela do que um edifício novo; as texturas, madeiras e traves, vidros partidos, cores ténues de tintas estaladas e gastas, paredes erodidas pelo tempo e pelas intempéries, são de uma fotogenia ímpar… e dão muita adrenalina.
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Ch: O que podem os potenciais fãs encontrar no seu livro “Portugal em Ruínas”?
GBS: Além de um excelente texto exemplarmente escrito no nosso melhor português (e livre do AO 92), da autoria do Prof. Dr. Victor Veríssimo Serrão, uma selecção de fotografias transversal a todo o País e a todas as tipologias de edifícios, são perto de sessenta imagens que testemunham o pior do melhor…
Ch: A destruição também comunica?
GBS: Sem dúvida que as pedras comunicam, e com uma grande eloquência! Contam-nos além da sua cronologia, muitas histórias rocambolescas que nos dão ensinamentos de vida. Todas as estórias têm uma moral, e é a interpretação dessa moral que nos poderá dar um exemplo a não seguir… são muitas vezes estórias de ganância, laxismo, luxúria, opulência, intriga, inércia, especulação… que conduzem as propriedades à ruína, todas estas estórias acabaram mal e são valiosas lições com que muito podemos aprender, e ainda mais nos ensinam quando são reabilitadas com um bom projecto… dão-nos uma lição de empreendedorismo, perseverança, bom gosto e inteligência.

charivari.pt
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Ch: Depois de tantas viagens ‘ruinosas’ nacionais, acabou por ir ter a Constantine, uma cidade argelina. As ruínas internacionais também fazem parte dos planos?
GBS: Foi uma das maiores honras que me concederam, representar o meu país numa selecção de fotógrafos internacionais. O convite partiu da União Europeia e do Governo da Argélia com uma recomendação do Instituto Camões. Por Constantine ser a terceira maior cidade argelina, irá ser em 2015 Capital Árabe da Cultura, e para fazer um livro e uma exposição, foram convidados vinte fotógrafos para fotografar o seu património… e já que as ruínas são lá uma constante (em Constantine), acabei por ser uma escolha natural uma vez que tenho um extenso trabalho nessa área… e tudo fiz para “dignificar” a camisola que vesti, no que resultou mais uma ruinosa aventura, e desta vez “fora de portas”… no entanto, é o património nacional que me preocupa, além de ser o que tenho mais à mão, por isso, ir-me-ei manter em território português e dar continuidade a este projecto, que é de todos nós.
Ch: Na sua fantasia de ‘jantar perfeito’, quem são as 4 ‘celebridades’ sentadas à sua mesa?
GBS: Não seria certamente com as “celebridades” mais celebrizadas dos media, poderia ter uma indigestão… mas muito gostaria de me juntar em jantar tertúlia, e alegre cavaqueira,. Com Marcelo Rebelo de Sousa, pelos seus conhecimentos, visão, sentido cívico e simpatia. A Maria João com a sua fabulosa voz e boa disposição. Com José Vilhena pelo seu contributo à literatura e aos bons momentos de humor, e certamente como “cereja no topo do bolo”, com o Ricardo Araújo Pereira, pelo seu sentido de humor, inteligência, sarcasmo e capacidade crítica … um jantar bem regado e carregado, com majoretes e artistas de circo a animar a festa.
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