NOTA

OS TEXTOS ASSINADOS POR OUTRÉM OU RETIRADOS
DE OUTROS BLOGUES OU SÍTIOS NÃO REFLECTEM NECESSÁRIAMENTE
A OPINIÃO OU POSIÇÃO DO EDITOR DO "desenvolturasedesacatos"

quarta-feira, 3 de maio de 2017

DE NOVO NA BERRA, O MISTÉRIO, O GRANDE NEGÓCIO, O CRIME DO CASO MADDIE CONTINUA - Na Praia da Luz só as missas não mudaram desde 2007


O Tapas Bar já não existe como tal, maioria dos funcionários do Ocean Club não estava ali em 2007 e a operadora do resort também mudou. Moradores não querem falar do caso Maddie

Na igreja da Praia da Luz, em Lagos, as missas são em português e inglês. Eram assim em maio de 2007 quando desapareceu Madeleine McCann e continuam assim hoje, dez anos passados. Esta será, porventura, a única realidade que não mudou nas redondezas do Ocean Club, o resort onde a criança, então com 3 anos, passava férias com os dois irmãos gémeos e os pais, Kate e Gerry McCann.
Maddie ficou no quarto com os irmãos na noite de 3 de maio - cumprem-se hoje dez anos - e os pais foram jantar com um grupo de amigos. Às 22.00, Kate foi ao apartamento e percebeu que a filha mais velha não estava. Dado o alerta iniciaram-se as buscas pela criança, durante estes anos surgiram várias teses - a família fala em rapto e a investigação da Polícia Judiciária apontou para a morte e desaparecimento do cadáver -, o envolvimento da polícia inglesa, mas até hoje nenhum resultado sobre o que aconteceu a Maddie. Assunto, aliás, que a população recusa tocar.
Nestes dez anos, aliás, quase tudo mudou na povoação. O Tapas Bar (onde jantavam os pais de Maddie e os amigos) já não existe como tal, a maioria dos funcionários do Ocean Club não é desse tempo e a operadora que funcionava no resort também é outra. O apartamento 5A, esse, ainda lá está. Foi adquirido, ao que se julga em 2014, por uma sexagenária inglesa, Kathleen Cotton, numa operação quase secreta e a preço de saldo. O rés-do-chão, com dois quartos, esteve muitos anos à venda, por cerca de 300 mil euros, mas terá sido vendido por menos de metade desse preço, numa verba a rondar os 130 mil euros, já que não havia comprador que se interessasse por um "local amaldiçoado", como também se chegou a dizer e escrever. Hoje, a dona não se queixa, mas também é raro abrir a porta...
    "Nos dois/três anos seguintes ao desaparecimento da Maddie houve uma grande quebra. No entanto, é também bom lembrar que esse período coincidiu com a grave crise económica que assolou o país e em que o desemprego cresceu a olhos vistos", recorda Vítor Mata, o presidente da Junta de Freguesia da Praia da Luz desde 2013. "Nesta altura já estava tudo mais calmo. O mal-estar da população desapareceu gradualmente e tudo tem vindo a melhorar, de tal modo que hoje podemos mesmo falar em normalidade. Para as pessoas, é um assunto esquecido e do qual nem querem falar, sobretudo agora, com o turismo em alta e índices de ocupação a rondar os cem por cento", sublinha o autarca.
    Vítor Mata frisa que os habitantes da Praia da Luz fogem das câmaras, dos microfones e dos blocos e escudam-se num elucidativo "quanto mais longe, melhor" em relação ao caso que foi notícia no mundo inteiro. Para agravar este estado de saturação, as mais recentes peças jornalísticas ainda mais azedaram o relacionamento dos media com os locais, como nos contam numa tabacaria próxima do Ocean Club, a propósito de um "trabalho de um jornal inglês", que foi desenterrar a figura da ama de Maddie e "publicar um chorrilho de mentiras, ainda mais com essa ama sempre no anonimato, sem dar a cara".
    Esquecer o passado
    A crise económica de há uns anos deixou marcas na hotelaria e o Ocean Club, por exemplo, passou de 300 funcionários para cerca de meia centena. Os que são desse tempo - pouquíssimos, garantem ao DN - dizem que não são. Nas lojas das redondezas ainda lá está o supermercado Batista, mas o sentimento comum persiste, inclusive através do depoimento de um comerciante britânico: "Queremos continuar com as nossas vidas e os nossos negócios e esquecer a má imagem ligada ao desaparecimento de Madeleine McCann."
    A estância de férias, porém, superou esse estigma e vai de vento em popa, agora através da imagem da operadora Thomas Cook. Este gigante inglês, que detém uma série de operadores turísticos, mais companhias aéreas com sede em quatro países e ainda um site de reservas denominado Hotels4u, ocupou o lugar da Mark Warner, a operadora que funcionava em 2010 e que não resistiu ao escândalo, muito embora insista na ideia de que se tratou de um "negócio irrecusável". O Ocean Club, e isso é pura realidade, está de novo com taxas altíssimas de ocupação. Ah, e é também verdade, detetives e inspetores policiais são igualmente personas non gratas na Praia da Luz.

    Sem comentários:

    Enviar um comentário