AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


terça-feira, 2 de maio de 2017

As eleições francesas são já no Domingo e ainda bem. Com mais uma semana assim e Marine Le Pen ainda se arriscaria a vencer as eleições.

'As eleições francesas são já no Domingo e ainda bem. Com mais uma semana assim e Marine Le Pen ainda se arriscaria a vencer as eleições. 
E ou Emannuel Macron será capaz de dar um "coup de grâce" no único debate televisivo de amanhã ou então a sua vitória será uma vitória politicamente pífia. De facto as suas duas únicas vantagens eleitorais resumem-se neste momento ao facto de não ser fascista e a ter uma carinha laroca. Ora ser-se giro, sexy e "moderno" e não ser nem carne nem peixe não constitui propriamente um grande cartão de apresentação política. 
E é isso que os franceses têm intuído como se tem visto nos últimos dias. Não há ponta de entusiasmo no campo republicano: os partidos tradicionais que detêm 90% do parlamento obtiveram agora apenas 26% dos votos. Quanto mais os seus dirigentes falam e aparecem ao lado de Macron mais votos parece ganhar a senhora Le Pen. Em 2002, há 15 anos, as ruas estavam mobilizadas para dar tudo por tudo por Jacques Chirac contra o pai de Marine. Havia um enorme sobressalto democrático. Ontem, pelo contrário, nem sequer se conseguiu fazer uma manifestação única e impressiva no Primeiro de Maio em Paris. Tudo encolhe os ombros: a vitória de Macron não é apaixonante mas é inevitável porque razoável. Por agora vai bastando isso a Macron: esse sentido de razoabilidade e essa probabilidade de inevitabilidade. 
Sobretudo porque muitos dos franceses que estão contra o status quo, que pressentem difusamente um rebaixamento da França 🇫🇷 ou sentem na pele a estagnação ou mesmo o declínio definitivo no seu estatuto social não arriscarão ainda o medo de uma perda potencial das liberdades civis ou de um propalado apocalipse financeiro, votando agora em Le Pen. Não atravessarão ainda esse Rubicão. Mas esta será decerto a última vez que o medo funcionará. A última oportunidade. Como reconheceu o embaixador francês nos USA "se a presidência de Macron for um fracasso então Marine será inevitavelmente a próxima presidente francesa". 

Entretanto Paris já fervilha com a escolha do quase presidente Macron para o cargo de próximo Primeiro-Ministro: nada mais nada menos do que o actual Presidente do MEDEF (a confederação patronal, a CIP lá do sítio). E continua a continuação de sempre do discurso do costume: reformas, inovação, empreendedorismo, mais Europa (onde e quando é que já ouvimos isto?). A globalização, os mercados, os novos tempos, o futuro de abertura, etc, etc... Mais, sempre mais do mesmo. Bá, blá, blá. Mais uma semana assim - quanto mais cinco anos! - e os franceses despejam fora o bebé inteirinho com a água do banho.'

(Carlos Reis) facebook

Sem comentários:

Enviar um comentário