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segunda-feira, 1 de maio de 2017

A grande farra

(Por Soares Novais, in A Viagem dos Argonautas, 30/04/2017)




fátima










A tenda está montada. É gigante e nela cabem todos os anjos, serafins e querubins, beatas e beatos, pastorinhos, freiras e frades, velhos e novos padres, cónegos, monsenhores, bispos, arcebispos, cardeais, grandes e pequenos vendilhões. E, claro, o povo a quem prometem a “vida eterna”, que o redimirá de todas as maldades sofridas durante a sua vida terrena. Vai ser uma grande festa, pá. Uma farra regada com “Espumante das Aparições”, sendo certo que o “ceo” do Vaticano já foi obsequiado com a número um das 1917 garrafas produzidas. Tantas como o ano em que os três pastorinhos foram, alegadamente, interpelados por Maria. Está tudo pronto para a grande farra, pois.

Por ora as senhoras da Agonia, das Dores, das Lágrimas, dos Aflitos, dos Mártires e o Jesus Crucificado saem de cena. A grande farra não lhes é destinada. A senhora dos pastorinhos é a personagem única deste filme, que dura há 100 anos e que bate todas as receitas de bilheteira e de mercado. Um mercado recheado de imagens da santa e dos pastorinhos, terços, velas, t-shirts e  lenços brancos. Tudo à custa dos pagadores de promessas que por estes dias marcham em direcção à grande tenda, e ali depositam os seus desesperos numa liturgia tribal que os velhos e novos padres, cónegos, monsenhores, bispos, arcebispos, cardeais e papa sublimam até à exaustão.

Cem anos não são 100 dias e quem gere o negócio sabe isso muito bem. Por isso, anda há muito a preparar a festa que assinalará aquilo a que chama a santificação dos pastorinhos e a vinda do actual “ceo” do Estado do Vaticano.

Fátima é uma das lojas mais rentáveis do império e sê-lo-á por muitos mais centenários. A não ser que o planeta sucumba às maldades dos homens que fazem as guerras, condenam os povos à fome e cuja ganância, assassina e voraz, é a mãe de todas as bombas…



 estatuadesal.com

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