A ironia tem destas coisas. O partido de Passos Coelho, que passou o ano de 2016 a insinuar que o preço dos combustíveis tinha aumentado em relação ao ano anterior, solicitou à Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República (UTAO) a elaboração de um relatório sobre a evolução da receita fiscal de 2016 resultante dos impostos sobre os combustíveis. A análise pedida pelo PSD e aprovada pelos deputados da comissão de Orçamento e Finanças concluiu que o preço médio de venda dos combustíveis caiu em 2016 em relação ao ano anterior, apesar do peso dos impostos no preço final ter aumentado.
Tanto Passos Coelho como Assunção Cristas têm assentado grande parte do seu discurso num alegado aumento da carga fiscal para justificar os bons resultados económicos do governo apoiado pelas esquerdas, apontando como exemplo máximo um alegado aumento do preço dos combustíveis. Ora, se o INE já tinha demonstrado que a carga fiscal desceu globalmente em 2016, a UTAO vem agora detalhar que no caso concreto dos combustíveis o preço final de venda reduziu-se.
Segundo a UTAO, a queda do preço do barril de petróleo em 2016 foi superior ao aumento efetuado ao nível do ISP, fazendo com que o preço médio de venda ao público dos combustíveis de tenha reduzido face a 2015, quer no caso da gasolina simples 95 (-4,5%) quer no caso do gasóleo simples (-4,4%). Os técnicos do Parlamento estimam ainda que a receita de IVA sobre os combustíveis deverá ter-se reduzido em cerca de 4,7%, sobretudo em resultado do efeito da diminuição do preço médio dos combustíveis.
Cai assim por terra mais um mito em que Passos Coelho tanto investiu, sendo agora caricato relembrar avisos como “de um modo geral os portugueses, quer andem de automóvel ou não, acabarão por suportar o custo mais elevado que os combustíveis representarão” ou que o aumento do ISP vai ter “consequências no crescimento económico”.
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Fonte: UTAO

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