AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "desenvolturasedesacatos"

Este blogue está aberto à participação de todos.


Não haverá censura aos textos mas carecerá, obviamente, da minha aprovação que depende da actualidade do artigo, do tema abordado, da minha disponibilidade, e desde que não contrarie a matriz do blogue.

Os comentários são inseridos automaticamente, com a excepção dos que o sistema considere como SPAM, sem moderação e sem censura.

Serão excluídos os comentários que façam a apologia do racismo, xenofobia, homofobia ou do fascismo/nazismo.


sábado, 15 de abril de 2017

PROFISSÕES ANTIGAS - OS LIMPA CUS DA MONARQUIA


A insólita história dos homens que deviam ver os reis cagando
Teve um tempo onde algumas pessoas próximas aos reis deviam ir junto a sua majestade a qualquer aposento. Esses homens tinham o sugestivo título de Groom of the Stool, e que basicamente tinham a mordomia de atender as suas majestades enquanto estes se encontravam em seu troninho real. Muitos falam que esse foi o "pior emprego do mundo", mas obviamente há muitíssimos piores. Não resta dúvida de que ser o “limpa-cu” (sua tradução direta viria a ser o "moço do cocô") oficial da coroa não era boa coisa, mas ainda assim era um cargo cobiçado.

A insólita história dos homens que deviam ver os reis cagando
William III e seu trono
A partir de 1500 a latrina do Rei da Inglaterra era um autêntico luxo. Tratava-se de um assento acolchoado de veludo, um elemento portátil embaixo do qual tinha uma bacia de cerâmica encerrada em uma caixa de madeira.

O curioso nesta parte da história é que o rei, que devia cagar como o resto dos mortais, não o fazia só. Desde 1500 até 1700 os reis da coroa britânica nomearam uma série de nobres com a estranhamente prestigiosa oportunidade de acompanhá-los na tarefa mais privada de suas majestades: fazer cocô.

Obviamente falamos de uma parte da história dos reis afastada do glamour de uma corte, mas todo um acontecimento naqueles dias. De fato, ainda que não fosse o trabalho glamouroso que normalmente imaginamos em um palácio, ser um limpa-cu era em realidade uma posição muito cobiçada na casa real.

Pensemos na seguinte situação. A cada dia, enquanto o rei sentava em seu tamborete acolchoado e coberto de veludo, o homem revelava segredos. E a quem ele pedia conselho? A estes intrépidos que tinham rompido qualquer princípio de desconforto e privacidade com sua majestade. Os reis se sentiam tão livres para falar dos problemas pessoais e políticos com seus assistentes pessoais, e em última instância acabavam até pedindo conselhos.
A insólita história dos homens que deviam ver os reis cagando
Henry Rich, Groom of the Stool de Charles I
Segundo explica Tracy Borman em "The Private Lives of the Tudors", os primeiros Groom of the Stool não tinham muito prestigio. Mais tarde e durante o reinado de Henrique VIII a coisa mudou. Então os homens da corte mais próximos ao rei receberam o título em grupo. Cavaleiros e nobres de prestígio ficavam com o monarca em seu quarto particular, atuando tanto como seus secretários pessoais e dando toda a atenção do mundo quando sua majestade se sentava no tamborete.

Com os anos o que era um grupo passou a ser a tarefa de uma pessoa. Uma que viajaria com o rei em seu cagador portátil se este se ausentasse. Por verdade, os únicos que não desfrutavam desta mordomia eram os monarcas no exílio, a quem foi negado o assistente confidente.

Os limpa-cus eram responsáveis por todas as atividades e assuntos do dormitório do rei, além de fazer a devida limpeza do cu real com uma flanela quando sua majestade tinha terminado de defecar, também eram os encarregados de chamar um criado para que esvaziasse e limpasse o utensílio.

Esses assistentes deviam se assegurar de que o rei estava bem vestido e banhado, que sua cama estava arrumadinha e que suas finanças pessoais estavam em ordem. Tracy diz que em ocasiões os assistentes tinham controle para gastar dinheiro em numerário sem pedir ao rei.
A insólita história dos homens que deviam ver os reis cagando
Com a passagem dos anos estas figuras chegaram a ser temidas por outros membros da corte. Eles tinham um conhecimento como nenhum outro sobre os assuntos políticos e pessoais do rei, e ademais e o que é mais importante: a confiança do monarca. Inclusive aconteceram casos como o de Sir Henry Norris, que exerceu a função limpando o avantajado traseiro de Henrique VIII. Tão implicado e compenetrado que estava nas intrigas do palácio, acabou sendo acusado de adultério com Ana Bolena e por isso foi decapitado.

Finalmente, em meados de 1700 este símbolo de status na corte começou a decair. Pensa-se que Sir Michael Stanhope foi o último em ostentar o posto para Eduardo VIII. Ele foi o último homem a limpar o cu de um rei olhando o resto do mundo acima do ombro.


www.mdig.com.br


Sem comentários:

Enviar um comentário