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domingo, 23 de abril de 2017

Portugueses de França mais divididos do que nunca



As presidenciais francesas dividem os portugueses de França em duas grandes partes: a “elite” apoia Mélenchon, Macron, Hamon ou Fillon. A “base” vira-se mais para le Pen. A votação começou às sete da manhã de Portugal

Nas eleições francesas poderão votar algumas centenas de milhar de franceses de origem portuguesa ou com dupla nacionalidade. Mas os que não têm direito de voto por serem apenas portugueses (cerca de 600 mil), também se apaixonaram por estas eleições com resultado mais incerto do que nunca porque quatro candidatos têm hipóteses de passar à segunda volta de sete de maio.
Basta uma “viagem” pelas redes sociais em endereços que dão a palavra aos emigrantes portugueses para se perceber que estão muito ativos e empenhados na disputa eleitoral. Os comentários a favor de Marine le Pen são muitos e os que a contestam também. A polémica é enorme e, nessas páginas da internet, os próprios jornalistas portugueses são duramente criticados por militantes da esquerda por relatarem a forte adesão de uma boa parte da chamada “base social” à candidata nacionalista e populista. Muitos dos comentários a favor de Marine le Pen são marcados pelo racismo antiárabe.
Mas é verdade, como sublinham alguns, que é errado escrever que “os emigrantes portugueses apoiam Marine le Pen” e seria mais correto dizer “uma boa parte”. Aqueles títulos irritam sobretudo os apoiantes de Benoît Hamon e de Jean-Luc Mélenchon, como a conselheira das comunidades portuguesas e socialista, Luísa Semedo, ou as militantes de esquerda, Cristina Semblano e Cristina Branco, todas residentes na região parisiense. Também jornalistas como Marco Martins ou Carlos Pereira, têm sensivelmente a mesma posição contra a chamada “generalização”. No fundo, todos reclamam: “Eu não voto Marine le Pen, à minha volta, não conheço ninguém que vote nela e é redutor dizer que os portugueses são todos lepenistas”.
Nas “elites portuguesas” de França não se encontra, de facto, quem dê a cara por le Pen. O conhecido comentador e economista, Pascal de Lima, apoia François Fillon e o mesmo acontece com Paulo Marques, autarca em Aulnay-sous-Bois, na periferia de Paris. Já Hermano Sanches Ruivo, igualmente autarca, mas na capital, defendeu durante toda a campanha a candidatura de Benoît Hamon. Muitos dos que têm trabalhos como funcionários públicos ou na banca preferem Emmanuel Macron.
Todos os que apoiam estes três dizem que a comunidade de origem portuguesa de França, ou os que têm a dupla nacionalidade, vai comportar-se, durante a votação, exatamente como os franceses. Ou seja, defendem que os portugueses estão tão divididos e confusos como eles. Mas é bem verdade que a polémica entre os portugueses, a propósito do apoio de muitos a Marine le Pen, tem sido muito forte.

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